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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ah, que saudades!


Desenhos nanquin - bico de pena - 15 x 10 - Ouro Preto, 1966.
Ah, que saudades de Minas Gerais quando ia para Ponte Nova, depois para a fazenda de Ipetininga e ficava por dois meses entregue àquela paisagem semi-virgem! As idas por uns dias para a fazenda da Esperança, ah! Que doce lembrança. Aquele mundo tranquilo e afável, aquela generosidade dos irmãos e irmães de meu cunhado José e aquela espantosa quantidade de primos afetuosos a nos receber com alegria! A fartura na mesa dos mineiros! O fogão à lenha pronto para nos preparar as mais saborosas iguarias. Ah, os doces! As caminhadas pelas estradas ou nas plantações de café era o prazer matinal. Andar a cavalo em liberdade plena na usina da Jatiboca entre os canaviais, que beleza! O silêncio. A grandiosidade dos céu estrelado era o maior luxo. Não sou saudosista, mas hoje revendo meus desenhos daquele tempo veio tudo à memória viva com se fosse ontem. Como era bom na volta para minha casa, no Rio de Janeiro, passar um dia em Mariana e ficar em Ouro Preto por uma semana! Uma glória ficar hospedada na pensão de dona Anita e, sozinha como uma boa eremita, caminhar o dia todo mergulhada na arte barroca sem nada perder do olhar; desenhar em leves traços as igrejas por onde eu ia passando. A vida é um sopro! Quanta riqueza possuimos em nossos arquivos internos!
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