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sábado, 30 de março de 2013

Feliz Páscoa!


Feliz Páscoa repleta de beleza e significado simbólico!
“Purifiquemos nossos sentidos e contemplaremos com a luz inacessível da Ressurreição de Cristo resplandecente”- João Damasceno (+749)




Lava-pés – quinta-feira Santa.
O Bispo de Roma, Papa Francisco, lavando os pés de 12 infratores - 10 rapazes e 2 moças – muçulmana e católica. Gesto de grandeza e dignidade. 
Exemplo para a cristandade; curvar-se aos excluídos  aos que vivem à margem.

Morte e Ressurreição. Ícone russo, século XV, 89x56 cms.
O Ícone põe em destaque a Ressurreição corpórea do Redentor da Humanidade.
No alto em inscrição eslava, letras vermelhas: Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. O centro está ocupado pelo Salvador em um círculo (símbolo da divindade) escuro que clareia em direção ao contorno exterior. Jesus Cristo está segurando, com a mão esquerda, uma Cruz, sinal da vitória sobre a morte e com a direita liberta Adão do reino dos mortos, simbolizando toda a humanidade. Atrás de Adão estão Davi e Salomão, João Batista e Daniel, o profeta. Vemos ao lado esquerdo de Cristo ressuscitado, Eva, com as mãos entre as vestes, à espera de sua vez de ser libertada. Atrás vemos outros justos do Antigo Testamento.
Cristo está de túnica branca, a cor observada pelos evangelistas na Transfiguração, e a luz que o envolve e com o fundo dourado simboliza  a glória divina.
Abaixo dos pés de Cristo, encontramos pregos, cadeados, chaves e portas que foram forçadas e abertas. Mostram a vitória de Cristo sobre o sofrimento e a morte.

O ofício matinal do Sábado Santo, o dia do silêncio e da espera, diz: “O Senhor veio à Terra para salvar Adão, foi crucificado, morto e sepultado e desceu aos infernos, em busca dele”.
Fontes: Meditações sobre os Ícones Thomas Kala. Paulus, 1995. / Novgorod, Le Musee, Russia s/d. / Iconos – Festividades Bizantinas, Gaetano Passarelli, Ed. Libsa, 1999.

Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé compraram aromas para ir embalsamar  Jesus. Encontraram o túmulo vazio... viram um jovem sentado, com manto branco que disse: "Não temais; buscai a Jesus Nazareno (que foi) crucificado? Ressuscitou, não está aqui...".

sexta-feira, 29 de março de 2013

Via-Crúcis

 Giotto - afresco. Pádua, Itália. 
Jesus Cristo carregando a Cruz em procissão até ao monte Golgotha / aramaico, Calvarium / latim.
O significado simbólico da Via-Crúcis nos remete a cruz que cada ser humano carrega durante a vida.
Cristo é o exemplo perfeito de doação pela espécie humana; para a redenção, a libertação.
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Transporte? Bondes? Quando?


Paschoal Carlos Magno e eu num poético olhar - anos oitenta. 
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     Bonde a ma re li nho                                                       
                               Martha Pires Ferreira

Quando nossos bondes?
Aberto ou fechado, arejado, mas bonde.
Bonde, bonde, bonde.
Santa Teresa carece transporte,
à míngua nos mexemos, circulamos.
Sem locomoção, dignidade.

Ônibus? Sem horários, sem disciplina,
Desesperados descem ladeiras.
Turistas às gargalhadas; socoorrroo!
Filminho de horror.
Pra turistas incautos, desprevenidos.
Sacrifício pros moradores.

Bairro vazio. Não há pão. Sem padaria,
sem pão, confeitaria, biscoiteira.
Carece mercearia, vidraçaria, perfumaria,
farmácia, açougue, transporte.

Tem Governo? Tem Estado? Não.
Se tiver, evaporou, desertou, abandonou.

Santa Teresa, nosso doce Principado,
Virou botequim ou comedouro?
Dormitório pros moradores?
Ah, dormitórios
de luxo e andarilhos vagando trilhos!
Ah, tem livraria, tem cinema,
Bijuteria e cafeteria.
Mirantes e ilusiorias pra fotografias

Santa Teresa, não botequim, bebederia.
Trilhos adormecidos.
Sem blim, blim e sorriso de motorneiros.
Cadê nossos bondinhos populares
amarelinhos? Amarelinhos. 
A ma re li nhos, a ma re li nho.

Não sou poeta, sou patrimônio,
anos cinquenta, memória, atávica.
Santa é mais que soberba beleza,
é pura poesia, é ritmo.

Cadê nossos bondinhos?
Abertos ou fechados, arejados.
Nossos, nossos, a ma re li nhos.
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Lisboa
                                                                                   Mural - Jambeiro
Saudoso nº 10, seu Nelson me acenando !
   
Camiseta Bondinho Amarelinho, saudades!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Por um mundo mais humano e igualitário

 Cristo Pantocrator -
 mosaico. Santa Sofia, Istambul - 1261
Jesus, o Ícone, representa no inconsciente coletivo; a solidariedade, a igualdade, a fraternidade, o despojamento, o agregar sem exclusões, a alegria compartilhada, o senso de justiça social, o amor à beleza e ao próximo como a si mesmo; a Paz na Terra – Pacem in Terra.
Enquanto aguardamos as posições efetivas por uma Igreja Católica em acordo com o Evangelho de Jesus Cristo, Ieschua - o Messias, suas palavras e ensinamentos, em acordo com as realidades da modernidade, da vida contemporânea, o Bispo de Roma, Francisco, pessoa simpática, com gestos de simplicidade, embora com ideias de um conservador, nós precisamos, continuamos, a acompanhar e a refletir. E, com o olhar voltado para o pensamento de pessoas espiritualizadas, teólogos e teólogas, místicos e místicas, no coração do cristianismo.
Sem descentralização da cúria romana (visamos à ideia de colegialidade descentralizada), sem reforçar o Concílio Ecumênico Vaticano II, sem tratar do celibato obrigatório e a moral sexual, sem a participação das mulheres em decisões e atuações básicas, sem um espaço de tempo litúrgico para o silêncio interior (espírito das profundezas), sem amplo e profundo “aggiornamento” como fez João XXIII, nos anos sessenta, tudo permanecerá o mesmo. Com o risco de uma descida vertiginosa para o abismo.  
É preciso Esperança! É preciso avançar. O cristianismo não é uma fachada tecnológica vazia de significado, não é um espetáculo televisivo, não é um aparato hierárquico monarquista, medieval fechado na cúpula romana. O cristianismo é comunhão entre todos os seres humanos, é compartilhar das mesmas ideias, sentimentos e valores.
Estamos vivendo numa estreita travessia na História da Humanidade; ou caímos na total decadência, nos destruindo como espécie, ou transcendemos ao darmos um salto quântico a níveis de consciência mais elevados. Ver no outro uma pessoa igual, um parceiro, um irmão é a única saída. Impossível amar o inimigo, mas devemos respeitá-lo, termos mais sabedoria comportamental, mais diálogo, mais dedicação à beleza da natureza, à grandeza de se estar vivo e participando afetuosamente no Reino – construindo aqui e agora o paraíso terrestre.
É preciso acordar, ter esperança, avançar.
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E... Paz na era pós-cristã / 
 Thomas Merton (1915 - 1968)
“Gostando ou não, temos de admitir que já estamos vivendo num mundo pós-cristão, quer dizer, num mundo em que as atitudes e os ideais cristãos são mais e mais relegados a uma minoria”.
“É assustador constatar que a fachada do cristianismo que ainda sobrevive em geral tem pouco ou nada por trás, e que aquilo que antigamente era chamado de “sociedade cristã” é um neopaganismo pura e simplesmente materialista, com um verniz cristão. E, nos casos em que o verniz cristão foi arrancado, vemos exposto em toda a sua nudez o vazio da mentalidade de massa, sem moralidade alguma, sem identidade, compaixão ou sentido, rapidamente revertendo para o tribalismo e a superstição. Aqui, a religião espiritual cedeu terreno para a dança de guerra tribal do totalismo e para a adoração idólatra da máquina”.
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Paz na era pós-cristã, pág. 162. Editora Santuário, SP, 2007.
Peace in the Post-Christian Era - Orbis Books, 2004.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Teologia Afetuosa da Libertação


          Teologia da Libertação, sim. Teologia Afetuosa da Libertação.
          Teologia amorosa, fraterna, solidária, por opção preferencial pelos mais carentes, marginalizados, esquecidos, pobres, sem ou com poucos recursos necessários para viverem com autonomia e autodeterminação vida digna e justa, igualitária e humana. Teologia do Amor que liberta e promove o ser humano em sua essência. Teologia que não visa promessas longínquas de recompensa e felicidade a serem vividas somente na eternidade, pos mortem, mas a Teologia viva, não dicotomizada, vivida com dignidade, com espiritualidade, no reino de Deus a partir da reflexão e interioridade, no aqui e agora; no chão da Mãe terra, acolhedora, democrática, sem excludências. Teologia, sede do sagrado, ciência vivida por todos, não por uma classe rançosa, pretensiosamente “teolocrática”.  Teologia Afetuosa da Libertação com o Arquiteto Celeste, na inspiração, respiração e transpiração; no centro do Cosmo; no coração da existência; fonte primordial que não está em parte alguma e está em todas as partes.
           A Igreja, o Templo, a Capela, a Casa de Orações, a Sala de Meditação, é um espaço geográfico que foi estipulado para recolhimento e orações. Não foi criação de Jesus Cristo ou Buda, mas dos seres humanos com objetivo de encontros comunitários, fraternos, com a finalidade de proporcionar interioridade em conexão com o sagrado, o Divino. Locais de diálogos profundos entre o eu e o sagrado, tendo as mensagens de Jesus Cristo, no caso do cristianismo, como horizonte ou finalidade de se estar aqui no mundo relativo e em contato íntimo com Deus absoluto – a experiência do reino de Deus em nós.
          A Igreja católica tem como meta, por meio das mensagens do Evangelho, proporcionar ensinamentos deixados por Jesus Cristo; a compreensão das manifestações humanas e divinas na criação, e, a tomada de consciência de que a ressurreição vence a morte. Adquirir o saber que o outro, também, está em mim e eu nele. O outro é tudo que não sou na minha individualidade relativa, mas que está em mim por entendimento da totalidade, da essência indivisível. Teologia que nos liberta, que nos conscientiza da fonte primordial, do incognoscível. Que seguir a mensagem de Jesus é ouvir e se pronunciar com liberdade igualitária diante dos bens da Natureza, sem posturas privilegiadas, mas de alteridade. Quem é a Igreja? É a comunidade, o povo que a compõe. Ouvir a voz da comunidade, do povo, é ouvir a voz de Deus. Deus fala através do povo.
          A Igreja católica, hierárquica, monarquista e fechada na cúpula, perdeu seu rumo, sua postura, sua dignidade, seu lugar. Distante dos anseios da cristandade, do conjunto de indivíduos que a compõe, está isolada; não terá saída.
          Sem a presença do feminino em seu corpo decisório, liturgias e homilias, a Igreja católica fracassará plenamente porque não condiz com o mundo moderno onde a mulher se posiciona em plena consciência de seus valores humanos como pessoa e cidadã responsável. Não mais segue padrões obsoletos, arcaicos e unilaterais excludentes. A mulher conquistou seu lugar na sociedade civil que não mais lhe será tirado. Ela alcançou sua autonomia política, social e espiritual. A Igreja dos homens ficou isolada com os homens. A mulher que superou a si mesma, em sua interioridade, por estar à margem das decisões clericais, é livre espiritualmente, está além das normas e princípios eclesiásticos. Silenciosa permanece em seu quarto, fecha a porta, e conversa com o Criador que tudo apreende neste sábio estar sendo. O espaço sagrado não é um espaço geográfico determinado, demarcado, por imposições litúrgicas machistas e de uma única demanda. O sagrado contem o masculino e o feminino por complementação, por integração dos opostos; dia e noite, bem e mal, luz e sombra, ativo e receptivo, o rígido e o flexível.
          A Igreja, inflexível, onde os homens se ilharam, agoniza. Não ouvem os clamores de seu povo. Na escuridão, surdos e cegos, gritarão pela presença do afeto e flexibilidade feminina; na cultura chinesa, Yang e Yng.
         O cristão que encontrou o caminho seque o Cristo com liberdade criadora; Ama o próximo como a si mesmo. Palavras do poeta hermético, eremita escondido em sua caverna: “O Grande Homem, mantém o seu modo de pensar independente da opinião pública. (...) Respeita somente a verdade. Tem mente de homem e coração de Criança. Conhece a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus”.
         Igreja não é papolatria, não é hierarquia centralizadora, nem cúria romana com seus aparatos monarquistas medievais, absolutistas, há muito ultrapassado diante da realidade contemporânea. Igreja é prioritariamente lugar de recolhimento, de orações e espiritualidade. Jesus Cristo, o mensageiro, o Ícone, o Deus encarnado, é a ponte entre o ser e o não ser, entre a matéria densa palpável e o universo das ideias, o logos; é a promessa escatológica da plenitude e felicidade eterna, a partir do aqui mesmo terrestre. Jesus, o Messias, arquétipo do inconsciente coletivo, é a integração possível dos opostos inconciliáveis; o sagrado e o profano; a completude misteriosa da existência em sua infinitude.
          O outro é Cristo e está em mim, logo estou no outro, por semelhança. Não há dicotomia, separações, só existe unidade; unus mundus.
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martha pires ferreira, eremita urbana, pés descalços.
Dia 7 de março de 2013. Reflexões >>>> Teologia Afetiva da Libertação >>>> acompanhando à distância o isolamento dos bispos em Roma, possivelmente se debatendo intelectual, emocional e organicamente diante dos escândalos da Cúria; Igreja mergulhada na corrupção e desqualificada em sua moral. Momento de transição para outros níveis de consciência ou petrificação. 
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sábado, 2 de março de 2013

Capilla Sixtina - Papas ??


 Capela Sistina
Dios que divide la luz de las tiniebras (detalhe)

COMO DEUS, O ARQUITETO CELESTE,   ESTE CINEMATOGRÁFICO ESPETÁCULO MILIONÁRIO NA CÚRIA ROMANA? Inimaginável.

Como eleger um Papa na Capela Sistina / Capilla Sixtina / se tem outro em torno? 
Um único Papa, por uma Igreja descentralizada, universalmente a serviço da cristandade. 
Possivelmente terão que organizar um Conselho de bispos e sábios cristãos para limpar o esgoto que se formou na Cúria e se estendeu por toda a cristandade vergonhosamente.
Capela Sistina
 Sibila Eritrea.
Os cardiais-bispos deveriam ouvir as sábias mulheres, as Sibilas, da atualidade.
Sibila Délfica 
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Jesus Cristo fez opção preferencial pelos pobres; os simples, os despojados.
A Igreja é desprezível em seus poder temporal, monárquico, hierárquico e centralizador.

A Igreja deve ser abrigo afetivo de espiritualidade. 
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Relatos de um amigo para uma amiga, repassando para outros amigos/as:

Dizem que um jornalista foi entrevistar Jesus Cristo no Paraíso sobre o que está acontecendo na Igreja e especialmente no Vaticano. Foi muito bem recebido com afeto e acolhimento, mas Jesus disse que nunca foi ao Vaticano, nem conhece e nem sabe onde fica, nem tem nada a ver com qualquer Igreja, porque não fundou nenhuma. Convidou o jornalista para tomarem um bom café e conversaram por horas a fio sobre as belezas infinitas da criação. O jornalista voltou para a Terra tão maravilhado que largou, rápido, o jornalismo e os imbróglios das mídias. Agora tem uma roça onde planta frutas e legumes, cercado de animais domésticos...recebe amigos/as e é feliz...feliz.

O POVO TEM SEDE É DE UMA IGREJA ACOLHEDORA, UM LAR AMOROSO ESSENCIALMENTE TOCADO PELA ESPIRITUALIDADE 
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