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domingo, 27 de março de 2011

O Camponês e a Serpente

Este conto pertence aos mais belos Contos de Fada da tradição popular da Russia. A Serpente, possuidora do conhecimento e de todas as riquezas do mundo - representação simbólica da sabedoria do princípio feminino.

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Há muito e muitos anos, embora não fosse frequente, houve em certa ocasião um rei, e, o que é mais raro, ao lado de todos os seus vassalos, grandes ou pequenos, homens ou mulheres, ele era feliz no seu vasto reino. Isto é realmente muito extraordinário e digno de ser lembrado. O rei era feliz, por incrível que pareça.

Certa ocasião este rei teve um sonho. Nele viu que do teto de um dos aposentos do seu maravilhoso palácio estava uma raposa suspensa pela cauda. Despertou o monarca e, por muito que desejasse não lhe foi possível adivinhar qual seria o sentido daquele estranho sonho. Reuniu seus vizires e pessoas sábias de reino, mas estes também não puderam descobrir o significado daquela visão. Diante disso, disse o monarca:

-“Ordenai que se reúnam todos os habitantes do meu reino, e talvez deste modo encontremos alguém capaz de interpretar meu sonho”.


Em cumprimento de tal desejo, deram-se as ordens oportunas e, ao terceiro dia, todos os habitantes do reino se reuniram diante do palácio do rei. Entre a multidão havia um pobre camponês, o qual, no curso de sua viagem, teve que percorrer estreitos caminhos, atravessar por altíssimas rochas e espessa floresta. Entretanto antes de chegar a este reino o camponês se deparou com uma serpente estendida no caminho e que parecia disposta a se lançar sobre ele. Mas, quando o aldeão chegou mais perto, a serpente lhe disse:

- Bom dia! Onde está indo, camponês?

O pobre homem explicou o motivo da viagem e a serpente replicou:

- Não tenhas medo algum. Se prometeres dividir comigo o que te der o rei, direi o que deves responder.

O aldeão, muito satisfeito, deu sua palavra, jurando cumprir o prometido e acrescentando ao mesmo tempo:

- Se quiseres ajudar-me nesta empresa, prometo dar-te tudo o que o rei me der.

- Não será assim, - respondeu a serpente – senão o que dividiremos em partes iguais, metade para cada um. E agora escuta: quando ouvires o rei, diga:

- “A raposa significa que no reino há astúcia, hipocrisia e traição”.

O camponês despediu-se da serpente, continuou sua viagem e, afinal, viu-se na presença do rei. Estando diante do rei e no momento oportuno, repetiu ao monarca as palavras que a serpente lhe dissera. O soberano ficou muito satisfeito e ordenou que lhe dessem valiosos presentes. Ao regressar, o aldeão se apressou a tomar outro caminho, com o propósito de não encontrar a serpente e não se ver obrigado a repartir com ela as dádivas que obtivera. E assim fez.


Transcorreu algum tempo o rei teve outro sonho no qual pode ver uma espada desembainhada suspensa no teto. Convocou novamente os vizires que mais uma vez não souberam interpretar este outro sonho do rei. Não esperou mais, deu ordem que chamassem o camponês a sua presença. Este se alarmou ao receber as ordens do monarca, e, convencido de que não tinha outro remédio, seguiu o caminho que já lhe era conhecido. Teve que atravessar a floresta mais uma vez e chegou ao lugar em que vira a serpente, mas na segunda viagem não a encontrou. E ficou sem saber como fazer. Então parou e começou a gritar:

- Oh, serpente! Serpente! Vem aqui um momento, porque preciso de ti!

E assim chamou-a por três vezes, quando o ofídio se apresentou e lhe perguntou:

- Que queres? Que te aflige? O camponês contou-lhe a incumbência que lhe dera o rei, e mostrou-lhe a necessidade que tinha de seu conselho.

-Bem, - respondeu serpente – apresenta-te ao rei e dize-lhe que a espada desembainhada pressagia a guerra; que seus inimigos intrigam em seu reino e fora dele, e que deve preparar-se para a contenda e ser o primeiro a atacar.

O camponês agradeceu a serpente e se afastou prometendo dar-lhe a metade do que receberia.

Uma vez na presença do rei o camponês repetiu as palavras da serpente. O monarca observou do ponto mais alto como estava o seu reino e verificou que inimigos se aproximavam. Imediatamente começou seus preparativos para a guerra, mas não se esqueceu de recompensar generosamente o camponês assim que venceu os inimigos, o qual regressou pela mesma senda em que se achava a serpente. Esta, ao vê-lo, disse:

- Agora, dá-me a metade da recompensa, segundo prometeste.

- De modo algum! – respondeu ele – O que te vou dar é uma pedrada, e se me amolares, te perseguirei com a espada. Dizendo isto, desembainhou a espada e perseguiu a serpente. O réptil se meteu num buraco, mas o camponês, ingrato e cobiçoso, que o alcançou, logrou corta-lhe a cauda de um golpe.

Transcorrido algum tempo, o rei teve uma visão. Nela, pendurada do teto, havia uma ovelha. O monarca se apressou a mandar chamar o camponês, o qual recebeu muito assustado a ordem de comparecer ao palácio, pois não sabia como se apresentar ao rei. Em ocasiões anteriores a serpente o havia orientado, mas agora já não seria possível pedir seu conselho, porque, em troca de tanta bondade, ele lhe cortara a cauda com a espada. Temeroso e convencido de que somente lhe restava o recurso de mais uma vez passar por aquela floresta, pôs-se a caminho. Ao chegar ao lugar em que a serpente aparecera, tornou a chamá-la:

- Oh, serpente! Serpente! Vem aqui um momento, porque desejo pedir-te um favor!

A serpente apareceu de cabeça erguida e altiva, e o camponês colocou ao corrente do apuro complicado em que se achava. A serpente serenamente escutou-o e, afinal, disse:

- Se consentes em me dar à metade do que o rei te conceder, te ensinarei a resposta. O camponês prometeu com solenes juramentos e, em vista disso, a serpente acrescentou:

- A ovelha é o sinal de que a paz e a felicidade voltarão a reinar e que o povo se conduzirá para o futuro como pacíficas ovelhas.

O aldeão agradeceu como das vezes anteriores e continuou sua viagem. Ao chegar à presença do rei, disse-lhe o que a serpente lhe ensinara, e o soberano observando seu reino cada dia, extremante satisfeito, fez-lhe uma dádiva muito mais valiosa que das outras vezes. O camponês tomou o caminho de volta pelo mesmo lugar em que havia de encontrar a serpente. Ao chegar ao seu lado, deu todos os presentes que recebera do rei, e disse mais:

- Vou dar-te, também, a metade de quanto o rei me concedeu anteriormente. Espero que me perdoe pela ingratidão de que dei mostras.

- Não te incomodes, nem lamentes o que aconteceu – respondeu a serpente – com toda a certeza, tu não tiveste culpa. A primeira vez comportou como o povo; foste traiçoeiro, mentiroso e hipócrita, tu mesmo mentiste, porque, apesar de tuas promessas, fizeste o trajeto de volta por lugar diferente. A segunda vez, quando a guerra fazia estragos em toda parte, e havia disputas, mortes e assassinatos, tu também levaste a cabo um ato de violência contra mim, dando-me um golpe de espada. Agora, quando a paz e o amor reinam em todo o país, trazes o que me prometeste e prontamente divides tuas riquezas comigo. Assim, pois, vai em paz e seja abençoado. Sou uma Fada, possuo todas as riquezas do mundo, não preciso de teus presentes.

E a Fada Serpente se afastou e foi-se recolher em sua toca que comunicava com formosíssimo palácio subterrâneo, morada suntuosa das mais belas fadas. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

quinta-feira, 17 de março de 2011

Senhora das imagens internas Escritos dispersos de Nise da Silveira

Organizadora Martha Pires Ferreira
Cadernos da Biblioteca Nacional 5, RJ - 2008.

Para este livro foram selecionados em ordem cronológica, transcrição fiel, quinze escritos / ensaios de Nise.
Abrindo o livro estamos em 1935 e Nise da Silveira, estando apenas com 30 anos de idade, em sua brilhante conferência - Filosofia e realidade social - no Club de Cultura Moderna, onde se reuniam intelectuais de esquerda. Trecho desta conferência foi publicado em maio do mesmo ano, na revista Movimento, ano 1, nº1. Sem dúvida a publicação desta conferência com referências a Hegel e Karl Marx, e mais suas idéias humanistas, antifascista com forte posicionamento de esquerda, em muito contribuíram para a sua prisão em 1936.
Os escritos tratam de filosofia, mitologia, simbolismo, gato-animais, psicologia analítica, terapêutica ocupacional com emoção de lidar com os esquizofrênicos, humanismo. Uma oportunidade de se conhecer as idéias precursoras e revolucionárias de Nise da Silveira, mulher muito além de seu tempo, tendo como base seu grande mestre C. G. Jung.
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Em anexo:
- Uma trajetória biográfica.
- Palavras de Nise
- Meu contato humano do Raphael
- Recortes na ponta do lápis.
Notas sobre o que o tempo teceu entre nós, em profunda amizade.
>>>> martha
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Ver abaixo as Livrarias onde esta obra poderá ser encontrada.
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Senhora das imagens internas - 2008

Livro lançado em 2009
Livraria Leonardo da Vinci
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Senhora das imagens internas,
Escritos dispersos de Nise da Silveira
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Martha Pires Ferreira
Organizadora
Cadernos da Biblioteca Nacional 5 /RJ 2008
R$ 25,00
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Livraria Leonardo da Vinci
Av. Rio Branco, 185- lojas 2 e 3 / centro
Tel. (21) 2553-2237
info@leonardodavinci.com.br

Grupo de Estudos C. G. Jung
Rua Sorocaba, 800
Tel. (21) 2266-6465
Casadaspalmeiras.nise@gmail.com

La Vereda
Rua Almirante Alexandrino, 428 / Santa Teresa
Te. (21) 2507-0317

Largo das Letras
Rua Almirante Alexandrino, 501 / Santa Teresa
Tel. (21) 2221-8992
livraria@largodasletras.com.br
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Libertária eTsunami

Sabem por que sou desenhista e astróloga e recomeçando a Vida caminharia na mesma estrada?
Porque sou libertária, ando a gauche, a izquierda, não sigo regras. Nasci desobediente, rebelde às idéias xerocadas ou pré-fabricadas por espíritos tacanhos. Não ando a cada de prêmios e nem corro para esbarrar em algum Mandarin, Sultão ou Rei da Dinamarca.
O Desenho é uma escrita interna que me revela mergulhos do inconsciente sempre que, deliberadamente, uso o meu escafandro para ler o que está escrito no meu universo pessoal e mesmo coletivo.
A Astrologia é o meu caminhar pela imensidão cósmica; o extraordinário olhar que se pode fazer no reino do absoluto, sabendo-se estar aqui neste estreitinho mundo do relativo.
Caminhei por muitas estradas; algumas sinuosas, outras quase perigosas e outras mais tranquilas com bela vista para o horizonte infinito. Importante é seguir enfrente confiante e sem dúvidas que o sábio Arquiteto tudo orienta quando estamos em Sua trilha.
Ser livre é a minha sina, mesmo estando a alteridade presente a cada dia.
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Século passado e, hoje, nada mudou. Libertária! mpf
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Ser libertária não me aliena das dores do mundo. Não descanso pensando no Japão, sua catástrofe aterrorizante >>>> o tsunami inconcebícel! As pessoas, os animais e toda a Natureza ferida !~
Que recado os céus estão nos dando ? Não temos a resposta. Grande Mistério!
Oremos !
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sábado, 12 de março de 2011

Urano e Netuno >> sinais nos céus

Para quem ama Mitologia e estuda Astrologia vive neste momento histórico em profunda reflexão diante das configurações celestes procurando entender a linguagem simbólica, mitológica, escrita nas estrelas, representada pelos planetas Urano e Netuno, em particular.
O que representa a entrada destes dois astros deuses em signos de Fogo e de Água; Urano (Uranus) no signo de Áries, hoje, dia 12 de março de 2011, e Netuno (Poseidon) no signo de Peixes dia 4 de abril deste mesmo ano, e, definitivamente, dia 4 de fevereiro de 2012?
Muito que pensar, muito a deduzir, muito a prognosticar. Quem quiser beber na fonte basta ler, pesquisar e procurar entender os sinais que o Criador desenha para as criaturas.
Urano em Áries percorrerá por sete anos este primeiro signo do Zodíaco, reiniciando seu ciclo de 84 anos. E Netuno percorrerá o signo de Peixes, o último signo, aproximadamente, por 15 anos, isto é, até 2026. Muita surpresa para ser contemplada, vivenciada. Em Áries, Urano, o planeta do imprevisível, simbolicamente, significa abrir caminhos para a liberdade renovada em níveis mais elevados, assim sendo, apreendemos que sejam novas portas da criatividade e horizontes amplos no campo das conquistas humanas, acima das ciências e tecnologias, enquanto Netuno em Peixes concluirá seu ciclo de 164 anos e nos convidará a outro olhar diante dos valores até então dominantes e nos revelará a riqueza das interioridades, a impermanência que é a Vida neste Planeta Terra, nossa casa comum e a beleza da transcendência.

Vivemos na História da Humanidade um tempo atemporal, com indefinidos espaços ideológicos, um mundo sem horizontes certos, sem leme, sem estrada, sem códigos confiáveis. Recorrer às Mitologias será um bom exercício para a inteligência especulativa e, sobretudo, para a intuitiva. Não de deve minimizar um quantum de sabedoria escrito nas estrelas para o bem da Humanidade, através do universo mitológico.

Urano foi de suma importância quando encontrado em 1781, antecipando a Revolução Francesa, 1789. E Netuno descoberto em 1846, antecipando o Manifesto Comunista, 1848. Dois momentos intensos para as conquistas sociais, trabalhistas, de justiça e direitos humanos. Pouco se avançou, lamentavelmente, porém, muito estamos desejosos de avançar, cada dia mais.
“O reino de Deus está em vós” insistia Leon Tolstoi, repetindo as palavras de Jesus de Nazaré.
martha pires ferreira
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sábado, 5 de março de 2011

É Carnaval !!!

Estou na folia do Samba, é carnaval!
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Carmelitas >> ontem, multidão subindo e descendo as ladeiras !
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Céu na Terra >> hoje >> saiu às 7h15 da manhã... juventude colorida,
graciosa com marchinhas embelezando
Santa Teresa!
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Não fui ao Bola Preta este ano - atraindo multidões que atravessavam a Lapa
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Atenções voltadas para a Escola de Música UFRJ -
a abertura genial da orquestra encantadora com o
Feitiço do Villa - às 11h >>>>
abafou, com o povo animadíssimo debaixo de chuva -
samba e música clássica
Encantando de Alegria o Carnaval
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Bloco Feitiço do Villa >>> lindíssima homenagem
ao nosso amado Heitor Villa-Bobos /
hoje, dia 5, dia da música clássica!
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