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sábado, 20 de agosto de 2016

Aldous Huxley – Flores do Bem


          Relendo a obra de um dos grandes do século XX, Aldous Huxley, em sua A Filosofia Perene - pág. 13. (Ed. Cultrix, 1991), encontro este pronunciamento profundo: “A melhor coisa que pode fazer, no campo da metafísica, quem não é sábio nem santo, é estudar as obras dos que o foram, e que, por haverem modificado o seu modo de ser meramente humano, foram capazes de uma qualidade e de uma soma de conhecimentos mais do que meramente humanos”.
          Huxley mergulha em tantos estudos e autores que é impossível citar tudo e todos. Faço referências a alguns autores ou obras que me influenciaram ao longo da vida, citados por ele: Jesus Cristo, Mestre Eckhart, Bhagavad Gita, Djalal AL-Din Rumi, São João da Cruz, A Nuvem do desconhecimento, Teresa d’Ávila, Lao-tse, Chuang-tsu, Lev Tolstói e o Zen.
          Aqui, apenas, quatro autores:

“Quanto mais Deus está em todas as coisas, tanto mais está fora delas. Quanto mais está fora, tanto mais está dentro”. Eckhart
“Por que tagarelas a respeito de Deus? O que quer que diga sobre Ele é falso”. Eckhart.
“Enquanto sou isto ou aquilo, ou tenho isto ou aquilo, não sou todas as coisas nem tenho todas as coisas. Torna-te puro até não seres nem isto ou aquilo; serás então onipresente e, não sendo isto nem aquilo, serás todas as coisas”. Eckhart

“Do Inominado nasceram o Céu e a Terra;
O nomeado é a mãe que educa as dez mil criaturas,
              cada qual segundo a sua espécie.
Em verdade, ‘Somente aquele que se livra para sempre
             do desejo pode ver as Essências Secretas’.
Aquele que nunca se libertou do desejo só pode ver
                                   as consequências”. Lao-tse.

“A alma vive n=mais de acordo com o que ela ama do que no corpo que ela anima. Pois não tem sua vida no corpo, antes a dá ao corpo e vive naquilo que ama”.  São João da Cruz

“o astrolábio dos mistérios de Deus é o amor” Djalal AL-Din Rumi
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Dilma Rousseff _ Constituição


Constituição – Dilma Rousseff
Estamos pensando em que?  Conhecer o que reza a Constituição de 1988 é bom pra início de conversa. Mudanças foram feitas, porem, intocável - Dos Direitos e Garantias Fundamentais. Uma lida no Art. 85 e incisos fará bem para se sair da ignorância. Julgamento de Dilma Rousseff não é jogo olímpico da política. Exige competência jurídica.  Acusação inepta, sem aptidão e conhecimento não é julgamento. 
Lamentável sentença destituída da inteligência do saber jurídico, notório, no processo contra a Presidenta afastada, Dilma Rousseff. Mulher íntegra, de caráter, lisura ética e moral. E mais, Dilma ama e protege o Brasil, esta rica Nação. Não cometeu crime de responsabilidade. Cometer erros de postura pessoal, decisões, ser rígida, não ser carismática, não participar de intrigas veladas e armações capciosas de salão não a faz criminosa. Desconhecer seus méritos é lamentável. Parlamento desqualificado não possui estofo para julgar. Vergonha nacional. Não podem rasgar nem matar nossa Constituição lavrada inicialmente por Ulysses Guimarães – presidente das constituintes – 5/10/1988. Soberania Nacional.


Importa pouco a decisão do Senado Federal (que, aliás, fede corrupção em sua maioria // salva exceções). Dilma Rousseff já foi absolvida pela História e os golpistas condenados, usando palavras de Paulo Nogueira (diariodocentrodomundo).
Agora, última etapa _ Senadores juízes ????

sábado, 30 de julho de 2016

Imaginação onírica e um ponto de vista alquímico












Bico de pena e aquarela - Long-play , 1973 e 1984.

Fuga para a imaginação onírica - Long-play, 1973. Compensação nos anos de chumbo da repressão política e cultural. Tempo de horrores. Na ditadura, barbárie e retrocessos que não esquecemos, entretanto um mérito de resistência, presença do Estado, diante das propostas do exterior; os militares eram nacionalistas, Não Venderam a PETROBRÁS. O fantasma do Brasil era o comunismo, agora são: desenvolvimento social, melhorias que diminua a desigualdade e erradicar a miséria, dar espaço e mais oportunidade aos pobres, aos excluídos. Para a economia capitalista das megas corporações o Estado é dispensável, enquanto é a garantia, por lei, jurídica, para o trabalhador. A “zelite hamburguesa” não apreende que melhorias sociais e culturais são sinais de felicidade geral. Todos se beneficiam. A beleza do mundo existe para usufruto e alegria de todos.

O Sol, a Lua e toda a magnitude celeste existem indistintamente para todos. As riquezas naturais e os benefícios dos meios de produção devem ser bens proporcionais para toda a humanidade, por justiça solidária e moral. O que se deseja são oportunidades igualitárias para todos. Não existe classe social para a inteligência sensível, o que existe são pessoas, e, estamos todos no mesmo círculo mágico e rico em plenitude da Vida. Fomos criados para sermos humanos, nossa função essencial é sermos humanos, sobretudo. Vivemos na Terra, nossa casa comum, o processo alquímico de transformações profundas, na viga da Humanidade. Nossa alma aprisionada na matéria precisa encontrar o ponto convergente de aproximação de opostos, a Liberdade, o Opus. 
Sapieza ermetica s/r.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Historinha Zen

HISTORINHA ZEN
O POETA HAKURAKUTEN E O MESTRE DORIN 
         O mestre Dorin costumava meditar no alto de uma árvore. Certo dia, o poeta Hakurakuten veio visitá-lo e, vendo-o encarapitado num galho alto, assustou-se e exclamou:
         - Cuidado, Mestre!
         O mestre gritou lá de cima:
         - Quem está em perigo és tu!
Que perigo ameaçava o poeta, que estava tranquilo, com os pés firmemente apoiados no chão? Hakurakuten perguntou, então, ao Mestre:
         - Qual é a essência do Budismo?
         - Não fazer o mal e praticar o bem.
         - Mas até uma criança de três anos sabe isso!
         - Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticado mesmo por um velho de oitenta anos. 
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sábado, 23 de julho de 2016

A Mulher no Terceiro Milênio

Vaso - bico de pena e aquarela, 2012

A Mulher no Terceiro Milênio 

Para entendermos a totalidade da natureza da mulher é necessário um mergulho na história do feminino desde os tempos primordiais. Vamos encontrar no campo das religiões e dos mitos as chaves para a compreensão da essência da mulher – o conhecimento de sua arqueologia interior e suas manifestações no mundo externo.
A humanidade patriarcal e matriarcal foi surgindo e se organizando em vários momentos da história que se perdem no tempo. Tudo faz admitir que nas sociedades arcaicas o que reinava era o matriarcado – a mulher era a guardiã e sacerdotisa da vida intrinsecamente unida à natureza, a grande Mãe-Gaia.
No processo de evolução do princípio feminino, para o seu desenvolvimento e complementação é necessário o confronto com a natureza e os princípios do masculino a fim de assimilá-los e entendê-los. Os confrontos entre o Homem e a Mulher em todos os tempos sempre foram complexos e imensamente misteriosos. Nessa longa caminhada da evolução feminina em que se vivenciam as mais fortes emoções é natural que a mulher assuma o materno. E por materno se entende tudo que é fecundado, criativo e dadivoso – como as árvores, como a própria essência da natureza.
A árvore sempre representou o universo materno, o símbolo da vida. No Brasil temos a nossa majestosa mangueira que tranquila e sábia segue o ritmo das estações; aceita seu momento outonal ao perder seus frutos, recolhe-se no seu inverno enigmático e deixa-se florescer e ofertar suas saborosas mangas na primavera e verão, gloriosa em sua trajetória anual. Raízes profundas sustentam forças internas que se manifestou sobre ela, o tronco fincado no chão da realidade se expande e se abre em copa majestosa voltada para os céus num desejo ardente de percepção universal e absoluta plenitude. A árvore é uma representação arquetípica da imago feminina.
No desejo de chegar a seu núcleo criador, a mulher terá que confrontar sua sombra obscura e por vezes tenebrosa, manifestando a pujança da força feminina em toda a sua grandeza natural. As armas poderosas da mulher sempre foram o poder do coração amoroso, a compreensão afetuosa aliada à reflexão intelectual e aos assuntos relacionados com a vida interna e espiritual.
A dominante neste terceiro milênio será retomada do princípio feminino em sua essência. Vivemos, hoje, um grito de desespero predatório, o sabor das destruições generalizadas. A nossa desgastada civilização masculina institucionalizada primando pela racionalidade, provedora em ciência e tecnologia avançadas, vive paradoxalmente a sua falência humanístico-cultural, chegou ao seu ponto mais alto. Terá que dar espaço a um novo ciclo da história da humanidade. Terá que caminhar em outra direção. Uma nova civilização que se identificará não com as manifestações dos “poderes” puramente pragmáticos a serviço do consumo desenfreado e insaciável, mas sobre tudo, no que a natureza possui de solidária e humanamente afetuosa. O terceiro milênio em sua sede de calor humano e equilíbrio em todas as áreas do conhecimento voltar-se-á para o princípio feminino, receptivo, o qual se estenderá fértil no coração do mundo com Amor – Sabedoria, fonte primordial da vida, em harmonia com o princípio complementar masculino.
           
            Martha Pires Ferreira [Texto publicado na Folha de Trancoso, julho de 1990, por Jorge Mourão - Bahia - breve revisão em 2007].
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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Thomas Merton com sábios do Oriente

        
 Thomas Merton com Suzuki - NY.

        Thomas Merton vive (1915 – 1968). Sábio teólogo da mística. Mestre da vida contemplativa em sua essência. Escritor eloquente. Poeta e artista. Humanista rebelde, de vasta erudição, expressou suas ideias engajadas nas graves e profundas questões sociais do mundo contemporâneo. Homem do deserto fértil. No silêncio abraçou a humanidade com suas contradições. Libertário por excelência permanece um testemunho de Cristo.     
 com Dalai Lama
com Thish Nhat Hanh

         A Montanha dos Sete Patamares é sem dúvida a porta de entrada para se conhecer Thomas Merton. Este livro é sua autobiografia escrita em 1948 - The Seven Storey Mountain - obra publicada em inglês, já quando monge. Traduzido para muitas línguas - La Montaña de lós Siete Círculos / La Nuit Privée d’Étoiles. Merton nos deixou mais de 60 obras.
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    Trecho do Prefácio da edição japonesa

 - A Montanha dos Sete Patamares (1963) - Thomas Merton
           
        É minha intenção fazer de minha vida inteira um resistir e um protesto contra os crimes e as injustiças de guerra e a tirania política que ameaçam destruir a toda a raça humana e o mundo inteiro. Através de minha vida monástica e de meus votos digo NÃO a todos os campos de concentração, aos bombardeios aéreos, aos juízes políticos que são uma pantomima, aos assassinatos judiciais, às injustiças raciais, às tiranias econômicas, e a todo o aparato socioeconômico que não parece encaminhar-se senão à destruição global a pesar de seu formoso palavrório em favor da paz. Faço de meu silêncio monástico um protesto contra as mentiras dos políticos, dos propagandistas e dos agitadores, e quando falo é para negar que minha fé e minha igreja podem estar jamais seriamente aliadas junto a essas forças de injustiça e destruição. Porém é certo, apesar deles, que a fé na qual creio também a invocam muitas pessoas que creem na guerra, que creem na injustiça social, que justificam como legítimas muitas formas de tirania. Minha vida deve, pois, ser um protesto, antes de tudo, contra elas. Si digo NÃO a todas essas forças seculares, também digo SIM a tudo o que é bom no mundo e no homem. Digo SIM a tudo o que é formoso na natureza, e para que esta seja o sim de uma liberdade e não de submetimento, devo negar-me a possuir coisa alguma no mundo puramente como minha própria. Digo SIM a todos os homens e mulheres que são meus irmãos e irmãs no mundo, mas para que este SIM seja um assentimento de liberação e não de subjugação, devo viver de modo tal que nenhum deles me pertença nem eu pertença a algum deles. Porque quero ser mais que um mero amigo de todos eles me torno, para todos, um estranho.

 O Diário de Ásia - Thomas Merton com o Rimpoche Chatral - 1968.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Memória – 1964 - reflexões


A Vida se faz caminhando para frente, horizontes largos. Não podemos retroceder. 
Estamos travados na História, hoje, 12 de julho de 2016. Altiva e perplexa me mantenho. O Brasil não pode recuar diante das árduas conquistas destes últimos anos. Não vamos ficar na escuridão.

Escrevi na primavera de 2015: estamos vivendo a flor da imbecilidade sem horizontes, do egoísmo dos tacanhos. Importante reativarmos a memória, e não cairmos em retrocessos depois de tantas conquistas democráticas. Perplexa diante de nossa pseudo política (de fundo de quintal), da ausência de ética, de brio e de dignidade de valores que visem o bem comum, vontade mesmo é viver o recolhimento monacal, mas algo me impulsiona a ação. Sair do silêncio, repassar pelo passado maldito e indagar “o que fizemos nós para chegarmos à tamanha mediocridade?” Rio de Janeiro. 
 Tribuna da Imprensa
Brasil Livre - cartaz - 16/09/1966. Estou na 1ª página / Passeata contra o Golpe. Av. Rio Branco, Rio de Janeiro, RJ.

 Memória – 1964 
Anos sessenta e setenta foram anos da paralisação; atraso em todos os níveis do saber. Ditadura perversa que cristalizou a desigualdade social. Anos das torturas e mortes na calada da noite. Estado de injustiça social, ditadura cruel, ausente de direito cívico e humano. Anos de perversidade gratuita e planejada. Anos de estupidez pela ausência de dignidade. Passado que não se esquece pelos abusos e poderes sem limites; nação joguete na mão de estrangeiros manipuladores. Amigos que desapareceram, outros que foram torturados, castrados e exilados.
Golpe perverso em abril de 1964 não se esquece. Impossível passar em silêncio diante desses 50 anos do que foi o Golpe de 1964.
Divórcio insuportável entre o corpo civil e o corpo militar foi vivido com amargura e dor. Implantou-se o comando unilateral militar da força por ignorância e medo do Comunismo, visto como um fantasma. Controle das riquezas nacionais.
Ser humano, generoso, bom e ter atitudes de alteridade era ser inimiga/o do Estado/governo, neste caso o caminho era a cadeia, a tortura e a morte por consequência. As bocas amordaçadas.
Ausência do direito à liberdade de pensamento, educação de qualidade e cultura geral. Proibido pensar. Proibido falar. Industrialização toda ela centrada para a classe mais bem favorecida, alta elite. Os tributos recaindo para os mais pobres, sempre pagando mais e mais. Nenhuma reforma de base. Ferrovias e transportes por água, nem pensar. Rodovias a serviço do latifúndio e indústria. Nenhum apoio à agricultura, saúde ou saneamento básico. Direito trabalhista só para os patrões, empregado sempre seguindo de cabeça baixa. Defender empregados tinha o cunho de fumaça das esquerdas comunista. O mínimo seria a advertência e/ou qualquer deslize na certa a prisão com torturas e barbáries.
As mídias têm marcado pontualmente, em vasta programação, presença, registros e testemunhos vividos naqueles vinte e um anos de escuridão medonha, de atraso e retrocesso inconcebíveis para nação, Brasil.
O povo brasileiro pede desculpas, envergonhado?
A Igreja Católica dividida. Clérigos e leigos atuavam em duas vertentes; uma conivente com o sistema reinante denunciava e entregava ativistas impiedosamente e a outra dava as mãos e o corpo se arriscando corajosamente por afeto e dignidade humana, sem doutrinar; apenas por convicção cristã e solidariedade para com todos aqueles que lutavam pela democracia, liberdade e justiça social.
Por muitos anos fui da JEC e JUC - juventude estudantil e universitária católica. Movimento de esquerda progressista, consciente e atuante. Acompanhava tudo sem nunca participar de grupos mais radicais extremos.
Recém-formada em Direito, Universidade do Estado da Guanabara, hoje, UERJ, 1965, sedenta de trabalho na vara de família e trabalhista que horizonte me aguardava? O mundo caiu com o golpe de 64. Defender operário, trabalhadores assalariados? Servir apenas os donos do poder? Para me resguardar politicamente e me proteger, com cuidados, voltei-me pouco a pouco para as Artes Plásticas e estudos de Filosofia Oriental, quando esbarrei no mundo milenar da Astrologia, que me salvou nos finais do ano sessenta e setenta; período o mais abominável da história recente do Brasil.
Estudar Astrologia só pessoa alienada e fora de qualquer perigo político. Por outras vias fui estabelecendo cuidados com meus saberes astrológicos. O olhar voltado para os ciclos planetários no contesto mundial, nos sistemas de governo, nos golpes e governos democráticos estabelecidos foram me ocupando e me preservaram de certa forma. Visão abrangente celeste não era objeto de perigo para a cegueira militar e nem para conservadores tacanhos sem extrato de inteligência e grandeza humana. Na ausência de finura intelectual, reinava a desconfiança e a alienação instalada como padrão de comportamento.
Os registros e depoimentos, em tempo histórico, de abertura democrática e liberdade de pensamento, em todos os meios de comunicação, estavam caminhando  na mais alta importância para o conhecimento e grandeza do que é ser nossa terra, nosso povo, Brasil. Lugar no Planeta Terra, nossa casa comum. O Sol nasce para todos, igualmente para todos. Era verão de 2014, em Santa Teresa.
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sábado, 9 de julho de 2016

Mini Retiro em busca de discernimento


O mundo da matéria, do capital desvairado, se esfacelando. Forças do mal imperam de leste a oeste, de norte a sul. Eu me perguntando: para onde caminha a Humanidade? Mergulhamos no poço profundo, caímos no ingredo, em trabalho de depuração, alcançar níveis de consciência mais elevados? Transformações alquímicas?
Tarde em Mini Retiro – Centro Ramakrishna Vedanta RJ. Palestra do indiano Swami Nirmalatmananda; precisão, simplicidade. Inteligência sutil e aguda. Como abertura de sua fala, ao início, música. Após a palestra, curto tempo de Yoga. Seguida de cantos devocionais e meditação, em total silêncio, no acolhedor Templo.
Chá de confraternização.

Saber discernir conflitos num mundo dilacerado por ilusões de poderes. A Vida é um fluxo contínuo. Impermanência. Sua beleza só pode ser realidade plena com experiência profunda, afetuosidade em seu entorno, postura consciente sem exclusões, sem apegos. Somos fracos, precisamos de força para vencer o mal. Confiança em si mesmo. Vivenciar espaços de harmonia interior – um ponto ômega onde todas as contradições se convergem. Em síntese é o que apreendi deste sábio Swami. Ser verdadeiro/a pura questão de autoconhecimento. Percepção do todo.
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terça-feira, 28 de junho de 2016

A natureza psíquica da Obra Alquímica

Ouroboros, o dragão que come a própria calda, 
símbolo da natureza cíclica e eterna do universo- 
O verde da iniciação e o vermelho da grande Obra.

A natureza psíquica da Obra Alquímica

                                                                            Martha Pires Ferreira

          A alquimia, al-kimyâ (árabe, raiz grega) era a antiga e primitiva arte que tinha como objetivo a análise dos fenômenos da natureza com o propósito particular de transmutação dos metais, a arte de fazer ouro, a descoberta da Pedra Filosofal e o preparo do remédio único capaz de curar todas as doenças. Os adeptos escondiam suas experiências em segredo aos olhos dos profanos, por precaução. O que nos interessa aqui é apreender o significado simbólico do processo alquímico. A Grande Obra Alquímica em sua maior parte não trata, unicamente, de experiências alquímicas como tais, mas, também, como qualquer coisa semelhante a processos psíquicos, expressos numa linguagem pseudoquímica.
          O que se supõe é que o quê os alquimistas praticavam não era apenas a química ordinária, uma obcecada ideia de transmutar cobre em ouro. O alquimista, tal como o ferreiro ou bem antes dele o oleiro, era uma pessoa envolvida com a natureza ígnea, era chamado o “senhor do fogo”. Era através do fogo que ele fazia operar a transformação da matéria, a passagem de um estado do metal vil para outro mais nobre - o cobre em prata ou ouro.
          Na Babilônia, cada metal era formado segundo a natureza do planeta que lhe correspondia. Os metais possuíam a constituição correlata aos planetas; ouro produzido pelo Sol, prata - Lua, bronze e cobre – Vênus, ferro – Marte, azougue e mercúrio – Mercúrio, estanho – Júpiter e chumbo – Saturno. Fluxo de correspondência, semelhança. Não havia realização do Opus Magnum sem a manipulação dos metais. O ouro que eles procuravam assegura alguns autores, não era como supunha os mais ignorantes, o ouro ordinário, o ouro comum, mas sim o Ouro Filosófico, o Ouro dos Sábios, a Pedra Etérea; o inimaginável Rebis Hermafrodita; o ser completo - a integração de energias opostas; masculinas e femininas. O que eles buscavam era a integração com o Cosmo, a Unicidade.
          A Alquimia foi mitológica e sacerdotal na Mesopotâmia e no Egito. Na antiga Caldeia havia grande preocupação com as questões da cura e das enfermidades. Na China e na Índia ela foi mais pragmática. Na Grécia e na Escola de Alexandria, filosófica. Entre os judeus é testemunho o uso da Cabala, mais especialmente na Idade Média.
          Por motivos políticos e econômicos, erros e extravagâncias, a alquimia foi perseguida pelos romanos. Com a decadência na Idade Média é o cristianismo quem lhe fecha as portas. Registro significativo são as igrejas góticas, na Europa, repletas de configurações alquímicas.
         A alquimia gozou de liberdade e proteção oficiais entre os árabes. Não há que se negar que o exercício alquímico ao lado das observações astrológicas, representa um longo período de gestação, na história do pensamento e da inteligência humana as quais deram nascimento à Química e contribuições à Astrologia que conhecemos, hoje.
          O primeiro passo pragmático, não mitológico, surgiu no velho Egito; Assim como é acima é a baixo - Hermes Trimegistos – o Três-Vezes-Grande – o criador da Alquimia. Assim como de todas as artes e ciências dos egípcios: como o exterior é o interior, como o micro é o macro.
A junção das naturezas - Opus Alquímico
- o branco emerge do negro _ nasce Mercúrio. 
          A Matéria Prima dos alquimistas estava escondida no próprio ser humano. Nenhum alquimista revelou a verdadeira natureza da chamada Matéria Prima. Alguns alquimistas identificavam-na como o chumbo ou o mercúrio, com a água, o sal, o enxofre e mesmo o fogo. Poderia ainda ser a terra, os excrementos, o esterco, o sangue, o dragão ou mesmo o próprio Deus, o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. O objetivo do trabalho alquímico era a libertação da anima mundi, o espírito escondido na matéria, e que o homem não conhecia. Seu objetivo era libertar a alma prisioneira da escuridão da matéria; unir a matéria ao absoluto. E para tanto punha em prática a individuação dos metais.
          A Grande Obra era, também, realizada por muitos alquimistas com a utilização das plantas em seus processos de transformação, o que enriqueceu as origens da química farmacológica. Os alquimistas procuravam “a água divina”, a cura de enfermidades – a busca do elixir da longa vida, a depuração da alma. Os elementos essenciais do Opus eram o Sal, o Enxofre e o Mercúrio. A Obra é a união do elemento masculino, yang - enxofre, com o elemento feminino, yin – mercúrio. Ars Magna - A Arte Real. O alquimista auxilia a natureza-mãe precipitando o ritmo do tempo. Na realidade o verdadeiro laboratório dos alquimistas era o próprio homem.
          O fato dos alquimistas terem permanecido misteriosos pode vir do foto de que o verdadeiro segredo não age secretamente, ele fala uma linguagem secreta ele se expressa por uma variedade de imagens, as quais, todas indicam sua verdadeira natureza - uma coisa ou fenômeno que é “secreto”, conhecido, unicamente, através de vagas alusões, cujo essencial permanece desconhecido.
          Os alquimistas espirituais eram peregrinos à busca da terra dos Bem Aventurados, a Árvore da Imortalidade. Os sábios desejavam alcançar o amor sublime com o aperfeiçoamento externo e interno, buscando a elevação do indivíduo para a verdade, a beleza, a bondade. Eles próprios eram o metal vil, grosseiro. A meta era transformar-se num ser novo, que se identificasse com o metal puro, o ouro, esse metal resplandecente, inalterável. Era preciso que o ser humano reencontrasse o seu estado glorioso, estável e imortal.
A luta dos opostos Sol e Lua

          Para o psiquiatra C. G. Jung, iniciador da psicologia analítica, a verdadeira natureza da matéria alquímica era, praticamente, desconhecida do alquimista, ele a conhecia apenas por alusões. Procurando explorá-la, ele projetava o inconsciente na obscuridade a fim de iluminá-la (C. G. Jung - Psicologia e Alquimia). 
          O alquimista vivia o seu próprio inconsciente. Para explicar o mistério da matéria, ele projetava outro mistério, o seu próprio mundo psíquico desconhecido naquilo que ele deveria explicar; o obscuro pelo mais obscuro, o desconhecido pelo mais desconhecido. Não se faz uma projeção, ela se produz, ela está lá, simplesmente.         
Alguns alquimistas medievais, seguindo a tradição desde a Mesopotâmia, faziam conexões entre os metais e a natureza dos astros relacionados com os doze signos do Zodíaco nas triplicidades dos elementos: Fogo, Terra, Ar e Água. Como nós sabemos a ciência começou pelas estrelas, na observação dos movimentos dos astros, com os quais o ser humano fez as conexões celestes e terrestres. Projetava nos astros a potência da criação; as estrelas em seus movimentos diários eram divindades. As singulares qualidades atribuídas ao Zodíaco constituíam toda uma riquíssima teoria da natureza humana, correspondência por sincronicidade. Assim surgiu a Astrologia da experiência viva, primordial, semelhante à Alquimia. Tais projeções se repetem sempre quando o homem tenta explorar um vazio obscuro que ele preenche involuntariamente com figuras vivas. Jung esclarece: A Astrologia não é uma projeção, ela corresponde a uma influência, relação entre os astros não se revelam mais que a pura sincronicidade.
          Não é porque o alquimista creia em uma correspondência por razões teóricas, que ele pratica a sua arte; ele tem uma teoria de correspondências porque ele fez a experiência da presença do espírito na matéria. Jung muito se preocupou se os alquimistas relataram suas experiências no exercício de sua arte de maneira completa, talvez porque certos textos provam que apareceram durante as experiências práticas, certos fenômenos de caráter alucinatório ou visões que não seriam outra coisa que projeções de conteúdo inconsciente.
          Mais importante que as escrituras, que os livros, são as experiências; a visão do Vaso Hermético. Para os alquimistas, a visão do Vaso Hermético é mais importante que as escrituras de textos alquímicos.
          O Novo Lúmen nos diz; fazer aparecer as coisas escondidas na sombra e retirar a sombra, eis o que é permitido por Deus ao filósofo inteligente, por intermédio da Natureza...  Todas as coisas se produzem e os olhos do homem comum não as veem, mas os olhos do espírito, do intelecto e da imaginação as percebem pela visão verdadeira, pela mais verdadeira visão. Depois de Paracelso, a fonte de iluminação é a luz natural. Esta luz é a luz da natureza que ilumina todos os filósofos. Acima de tudo ela é o tema da Pedra dos Sábios, Universal e Grande, que o mundo inteiro tem diante dos olhos e mesmo assim não o conhece.
          Com respeito à atitude mental ou espiritual da obra alquímica, um autor anônimo nos mostra outro aspecto da relação da vida psíquica com o Opus Alquímico: observe, olhe com os olhos do espírito, a semente minúscula do grão de trigo, considerando todas as suas circunstâncias para que você possa plantar a Árvore dos Sábios. Isso parece aludir em psicologia junguiana à imaginação ativa, que verdadeiramente põe em marcha o processo. Não se duvida de que se trata da condição psicológica da obra, e de que tal condição é de importância fundamental.
A união dos corpos em estado volátil _ fermentação

          Outra citação aparece no Rosário dos Filósofos: Quem conhece o sal e a sua solução, conhece o oculto segredo dos antigos sábios. Dirige, pois, sua mente ao sal, já que nele está a ciência e os mais ocultos segredos dos antigos filósofos.  Basile Valentim diz que: o sal é o fogo, a água que não molha as mãos.  O autor anônimo do Rosário dos Filósofos noutra passagem observa que deve se fazer a obra com a imaginação verdadeira e não com a fantástica. Com esta afirmação parece dizer que o segredo essencial da arte alquímica está oculto no espírito humano, em termos modernos diríamos, no inconsciente. Com efeito, os alquimistas pressentiam, de algum modo, que a sua Obra estava relacionada com a alma humana e suas funções. O que os alquimistas viviam era na realidade as projeções de eu próprio inconsciente.
A Coroa da completude sobre a cabeça do andrógeno _
Masculino e Feminino
 _ fixo e volátil se unem para sempre

          Alguns autores observam que é de fundamental importância que se leia várias vezes e muitas vezes, e que se procure onde os alquimistas têm pontos em comum, onde estes pontos se encontram aí se oculta, com efeito, a verdade. É necessário ultrapassar a abordagem da palavra, conhecer em essência o que queriam, realmente, dizer os filósofos.
          Para o alquimista medieval a obra de redenção não era só a do Cristo. Ele próprio tinha como objetivo primordial redimir o mundo, liberar a alma mundi aprisionada na matéria, transmutar as coisas impuras da matéria. Fundamental era readquirir o sentido da totalidade, obter a Pedra era pertencer ao Todo, ao Cosmo. Cristo não era apenas um exemplo de vida, era um meio de revelação do curso das operações regenerativas da alma. Para o adepto cristão, medieval, o Cristo era o Lápis, o fim primordial, a Ave Fênix, a suprema Grande Obra. Cristo era a via do absoluto, a reintegração do ser humano na sua dignidade primordial. 
      
    (Janeiro de 2000, minha mesa, Santa Teresa, Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul, Cosmo)  
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sábado, 25 de junho de 2016

Conversa Socrática


    
  Hoje, 25 de junho de 2016, sábado às 16h
 >> CONVERSA SOCRÁTICA >> 
Largo dos Guimarães junto ao CINE SANTA >
 livre participação do público.

Pela proposta não há pretensões maiores
 que a simples conversa em espaços agradáveis. 
Busto de Sócrates
"Gregos num banquete" - detalhe de vaso séc. IV a. C. - Museu Britânico.

Não se trata de análise astrológica.
Aqui, apenas, o momento inicial da Conversa Socrática.
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domingo, 19 de junho de 2016

Alquimia uma retomada no tempo.

 capa; face anterior da pedra de Bollingen, esculpida por Jung

      Alquimia foi introduzida em minha vida por Dra. Nise da Silveira no Grupo de Estudos C. G. Jung quando líamos Psicologia e Alquimia. Depois Nise me pediu aprofundar indo estudar com Dr. Nelson Bandeira de Melo para apresentarmos um trabalho no Centenário de Jung no MAM, em 1975. O que foi feito. Não parei de estudar até início dos anos 1990, século passado.
     Agora tenho anseios de retomada. A obra que mais me impressionou, naquele tempo, foi Alquimia de Marie-Louise von Franz. Poderia citar outros autores, mas fico por aqui. Li muito e tenho preciosa biblioteca sobre o assunto.
     A riqueza simbólica da Alquimia é algo a ser resgatada. Presta-se a atualidade, visão do mundo em sua eterna busca de complementação dos opostos - bem e mal, feminino e masculino, claro e escuro, inconsciente e consciente, interno e externo, dia e noite, vida e morte – aproximação e compreensão do todo; Unus Mundo.
       A Alquimia está intimamente associada à Astrologia profunda.
      Astrologia, Mitologia, Psicologia Analítica de Jung e Alquimia é Quaternidade maravilhosa para se desvendar um pouco mais o mistério tremendo e abissal que é Viver.

    Ah, sim as Artes, a Natureza, a Ciência e a Espiritualidade estão  incluídas na Alquimia, em nossa Weltanschauung, depois de longo e árduo desenvolvimento no caminho do processo de individuação.
Algumas imagens do processo alquímico - cartões postais.
Splendor Solis séc. 16
 De Sphaera- manuscrito italiano. séc 15
Reproduções - Alchemie & Mystik - Verlag

terça-feira, 14 de junho de 2016

Hieronymus Bosch - hoje - 500 anos.

Quinto centenário de Hieronymus Bosch - nasce em torno de 1450, Bélgica – morre em 1516.
Sonhamos o Paraíso > não vamos mergulhar no Inferno

[tríptico - O Jardim das Delícias, 1500 – alegorias repletas de símbolos], detalhes - Museu do Prado.
Os horrores de ontem bifurcam-se nos horrores do mundo contemporâneo _ hoje_aqui_agora? 



 Não às Trevas. Observar as trevas e procurar caminhos de Saída.
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