quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mensagem / 2009

Recebi esta dolorosa mensagem da Europa. Amigos me escreveram com sangue escorrendo no peito, o coração não suporta tamanha indignação, Israel chegou ao ápice do absurdo. Eis o texto:

ISRAEL enlouqueceu.

Até onde o arsenal de guerra de Israel quer chegar? Aprenderam com Hitler o sabor da crueldade? O povo de Israel ficou mais depurado que os gângsteres nazistas? A que se deve tanto sabor de sangue derramado?

Retiraram os judeus da Faixa de Gaza para justificar, agora, o extermínio sem piedade de crianças, velhos e civis palestinos? Querem invadir Gaza para todo o sempre?
Onde os judeus, homens e mulheres de bem, se escondem?
Alguns poucos contestam, poucos. Continuando a espalhar o terror, tanto desprezo e ódio serão expurgados como já o foram em outros tempos, quando imperou o abuso de poder.

Deus é amor, não exclui nenhum povo. Todos nascem debaixo do mesmo Sol, todos são filhos de Deus. Moisés, onde estás? As bezerras de ouro estão sangrando, os bêbados desatinados, os viciados desvairados, os demônios soltos. Israel enlouqueceu.
Quando aparecerão sábios governantes? Moisés. Onde estás? Para que servem os Mandamentos?”
“Espatifaram as Leis que Deus nos deu.” Para onde caminha a humanidade?”
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Escutemos Mahatma Gandhi:

“Chegará o dia em que aqueles que estão na corrida louca de multiplicar seus bens na vã tentativa de engrandecimento (extensão de territórios, acúmulo de armas, de riquezas, de poderes...), reavaliarão seus atos, e dirão: Que fizemos nós?.”

“Enquanto o domínio imposto precisa ajuda das armas para se manter, o domínio gerado pelo amor dispensa o uso da força.”

Basta de violência e guerras. Não merecemos tamanha estupidez na passagem de ANO 2008 /2009.
Para 2009 precisamos de silêncio e de solidariedade.

Na entrada do Ano 2009, no Céu estrelado, podemos contemplar Plutão, Marte, Sol, Júpiter e Mercúrio no signo de Capricórnio, Netuno e Venus em Aquário, Lua e Urano em Peixe - os três últimos signos do Zodíaco. E Saturno em Virgem. Configuração planetária semelhante não ocorre há mais de 4.000 anos, quando apareceu a escrita.

Plutão (ciclo de 248 anos, aproximadamente), o Planeta das profundezas da Terra, das radicais transformações, está, agora, no signo de Capricórnio, elemento Terra. Plutão percorrerá este signo de 2009 até 2024, quando entrará em Aquário.
Capricórnio rege, no corpo humano, os joelhos. Da riqueza do seu significado simbólico, direi, apenas, que a humanidade terá que se dobrar. A humanidade, inteira, terá que se ajoelhar, não tem outra saída. Será a exigência da Grande Mãe Natureza, a Terra.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Flores do Bem

Poema de Natal

Vinicius de Moraes (1913-1980)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
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Como conheci Manuel Bandeira e Vinícios de Morais
Sei o quanto os dois gostariam de ver suas poesias
aqui presenteadas desta passagem de Natal
trazendo doçura ao mundo desgovernado.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Flores do Bem

CANTO DE NATAL

Manuel Bandeira (1886 - 1968)

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Flores do Bem

Natal

Olavo Bilac (16 dez. 1865/1918)

Jesus nasceu! Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria.

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na Cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes,
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presépio os guia,
Vêem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal!

Natal! Natal! Em toda a Natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da Humanidade e da Pobreza,
Nascido numa pobre estrebaria!
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domingo, 21 de dezembro de 2008

Flores do Bem


NATAL

Murilo Mendes (1901 - 1975)

Meu outro eu angustiado desloca o curso dos astros, atravessa os espaços de fogo e toca a orla do manto divino.

O Ser dos seres envia seu Filho para mim, para os outros que O pedem e para os que O esquecem.

Uma criança dançando segura uma esfera azul com a cruz: Vêm adorá-la brancos, pretos, portugueses, turcos, alemães, russos, chineses, banhistas, beatas, cachorros e bandas de música. A presença da criança transmite aos homens uma paz inefável que eles comunicam nos seus lares a todos os amigos e parentes.

Anjos morenos sobrevoam o mar, os morros e arranha-céus, desenrolando, em combinação com a rosa-dos-ventos, grandes letreiros onde se lê: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Flores do Bem

Soneto de Natal
Machado de Assis (1839 - 1908)
Um homem, - era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Reflexões / advento, 2008

Ações do Banco do Brasil /1991 - selos, aquarela e nanquim - 2003

Em 1991 em olhando o horizonte do céu estrelado, estudei muito e nasci com o dom de ler o que está escrito nas estrelas, passei mais atentamente às reflexões profundas, com isso fui levada a perceber os passos galopantes da decadência do triunfalismo exacerbado dos poderes econômico, financeiro e político. A sutil guerra entre os donos do dinheiro, a dependência humilhante das igrejas tradicionais a estes poderes e a arrogante pretensão acadêmica de pensar em açambarcar tudo culturalmente me deixavam cada dia mais perplexa e sem nada poder fazer de essencial. Sem falar do descaso destes “senhores do mundo” pela Mãe Natureza. Em silêncio e cuidadosa segui minha via, ampliei minhas palestras, minhas falas mais contundentes em circuitos fechados, temerosa de represálias. De cabeça erguida, nada podendo fazer, me posicionei radicalmente não conivente em praticamente nada com este sistema espúrio de injustiça social e humana. Quando tive oportunidade de ter os melhores recursos econômicos ao meu alcance, com alegria me voltei para o despojamento e a simplicidade de viver. Por quê? Porque apreendendo a decadência da civilização reinante me permiti estar preparada para o não ter, e viver mais essencialmente para o ser, sendo.
Vendi as ações que possuía e me permiti mais, e sempre mais, ser dona absoluta da liberdade de viver a minha história pessoal sem qualquer tipo de amarras, e ganhei afetivamente ao me envolver mais intimamente com a vida coletiva de ouvido a ouvido, de coração a coração, de alegria a alegria - hoje, aqui e agora.
Em 1992 participei ativamente no ECO 92, com performance e palestra, ocasião em que a Universidade Livre, em que eu fazia parte, era atuante e vigorosa. Continuei minha caminhada e sempre assistindo, ao largo, os desatinos da sociedade capitalista desenfreada e desvairada. Nem por isso deixei de fazer coisas maravilhosas que me encantam: desenhar, ir às exposições de Arte, atender clientes de astrologia, dar aulas e palestras - ler C. G. Jung, Thomas Merton, Nise da Silveira, Hannah Arendt, Hildegard von Bingen, Teilhard Chardin, Teresa de Ávila, poesia, mitologia, contos de fada, ouvir música, etc. E conviver amorosamente com doentes psíquicos, feridos em suas emoções, faz parte da minha razão de vida. Ter amigos/as tão amados e fazer parte da Confraria da Uva é o que existe de mais singelo e fraterno - é alteridade.
É Natal, então o mais lindo é desejar um Feliz Natal!
E como a VIDA é plenitude o mais sábio é dizer: tenhamos bom senso e solidariedade em 2009...... depois da escuridão vem a LUZ.
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Escrever algo sobre 2009 é arriscar. Sendo mais verbal terei que me organizar.
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