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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Santa Teresa de Luto

Os bondes patrimônio público - Ícone de Santa Teresa.Amado transporte!

Que covardia insana culpar o motorneiro, Seu Nelson, que há 40 anos conduzia os bondes de Santa Teresa.
A$$a$$inos são aqueles, responsáveis do Estado, que se omitiram cuidar e zelar pelo bem público, no caso, total descaso para com os Bondes.

Leiam site - Dossiê da AMAST ( associação)

domingo, 28 de agosto de 2011

Santa Teresa de luto

Ícone de Santa Teresa !

Estamos todos arrasados, de luto, com o tombamento do nosso amado bonde causando a morte de 5 pessoas e 53 feridos. O descarrilamento não foi apenas por superlotação, mas omissão administrativa. Manutenção precária. Ignomínia dos responsáveis. Descaso total. Tragédia anunciada, incansavelmente, pela AMAST – associação do bairro. Observação dos próprios usuários, moradores.
Não tive nervos para ir ver o bonde tombado. Aos familiares meu profundo sentimento. Saudades muitos terão do condutor (há 40 anos), Seu Nelson, sempre risonho e gentil acenando ao passar. Muitas vezes me esperou sair da porta de meu prédio para subir, calmamente, no bonde.

O Bonde é o Ícone do bairro, carinhosamente, denominado Principado de Santa Teresa!

Patrimônio do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa!
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sábado, 20 de agosto de 2011

Pablo Picasso - Flores do Bem

Portrait de Dora Maar - óleo sobre tela, 92 x 65 cm, 1937 - Musée Picasso, Paris


Le Repos - 1917. Col. particular


La femme à la poussete / 1950 - bronze 203 x 145 x 61cm
Musée Picasso, Paris


De Pablo Picasso

Não há quem não queira compreender a arte. Isso me faz estranhar que não se queira compreender, também, o canto dos pássaros. Por que amamos a noite, as flores e toda a beleza que nos rodeia sem ter vontade de analisar-lhes os mistérios?
Quando se trata, de uma obra de arte, todo mundo acha que tem de compreendê-la. Por que?
Deve-s perceber que um artista cria porque tem de criar, porque está possuído pela sua arte. O artista é apenas uma parcela mínima do universo e não deve merecer maior atenção do que as outras coisas da terra que dão beleza, alegria plenitude.
Não posso absolutamente esperar que pessoas que vêem meus quadros experimentem as mesmas emoções que senti. Um quadro chaga até a mim de distâncias e fontes remotas. Seria impossível alguém apreender os sonhos, os instintos e as idéias que me surgiram depois de um grande espaço de tempo e necessitaram de amadurecimento até que encontrassem uma expressão visual. E então como poderia então alguém ler o que realmente procurei dizer e tive de experimentar por vezes contra a minha vontade?
À exceção de muitos poucos artistas que abriram horizontes para as artes, os jovens artistas dão da sua maioria a impressão de não saberem o caminho que querem tomar. Em vez de fazerem uso de suas próprias interpretações, depois, pesquisarem de maneira própria, muitos deles julgam que devem acordar o passado e revivê-lo, justamente num tempo em que todo o vasto mundo está aberto para eles e a espera de ação de novos ideais.
Não se trata apenas do apego medroso ao passado, mas da escravização a velhas formas de arte que já cumpriram a sua missão. Vêem-se hoje numerosos quadros no estilo Fulano ou de Beltrano. O que é realmente raro é encontrar um jovem artista que pinte dentro de seu próprio estilo.
Não sou pessimista. Não combato forma alguma de arte porque não poderia viver sem a arte, sem dar a arte todo o meu tempo.
Amo a arte como a única razão de minha existência. Tudo que fiz em decorrência dela me deu imensa alegria e satisfação. Mas nem por isso encontro qualquer justificativa para que tanta gente no mundo insista em analisar a arte, forjando teorias e interpretações complicadas e teimando em dar largas ao seu analfabetismo artístico.

[ Meus arquivos -artigos / coporight B. P. Singer Features / 1972]

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os limites da ordem

http://www.cartamaior.com.br/ 18/8/2011
Boaventura de Sousa Santos *

Os limites da ordem


As sociedades contemporâneas estão gerando um combustível altamente inflamável que flui nos subsolos da vida coletiva. Trata-se de um combustível constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância e o sequestro da democracia por elites privilegiadas, com a consequente transformação da política na administração do roubo “legal” dos cidadãos e do mal estar que provoca.
Boaventura de Sousa Santos - Página/12
Os violentos distúrbios ocorridos na Inglaterra não devem ser vistos como um fenômeno isolado. Eles representam um perturbador sinal dos tempos. Sem se dar conta, as sociedades contemporâneas estão gerando um combustível altamente inflamável que flui nos subsolos da vida coletiva. Quando chegam à superfície, podem provocar um incêndio social de proporções inimagináveis.
Trata-se de um combustível constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância e o sequestro da democracia por elites privilegiadas, com a consequente transformação da política na administração do roubo “legal” dos cidadãos e do mal estar que provoca.
Cada um destes componentes têm uma contradição interna: quando se superpõem, qualquer incidente pode provocar uma explosão.
- Desigualdade e individualismo. Com o neoliberalismo, o aumento brutal da desigualdade social deixou de ser um problema para passar a ser uma solução. A ostentação dos ricos e dos multimilionários transformou-se na prova do êxito de um modelo social que só deixa miséria para a imensa maioria dos cidadãos, supostamente porque estes não esforçam o suficiente para ter sucesso na vida. Isso só foi possível com a conversão do individualismo em um valor absoluto, o qual, paradoxalmente, só pode ser experimentado como uma utopia da igualdade, a possibilidade de que todos prescindam igualmente da solidariedade social, seja como seus agentes, seja como seus beneficiários. Para o indivíduo assim concebido, a desigualdade unicamente é um problema quando ela é adversa a ele e, quando isso ocorre, nunca é reconhecida como merecida.
- Mercantilização da vida. A sociedade de consumo consiste na substituição das relações entre pessoas pelas relações entre pessoas e coisas. Os objetos de consumo deixam de satisfazer necessidades para criá-las incessantemente e o investimento pessoal neles é tão intenso quando se tem como quando não se tem. Os centros comerciais são a visão espectral de uma rede de relações sociais que começa e termina nos objetos. O capital, com sua sede infinita de lucros, submeteu à lógica mercantil bens que sempre pensamos que eram demasiado comuns (como a água e o ar) ou demasiado pessoais (a intimidade e as convicções políticas) para serem comercializados no mercado. Entre acreditar que o dinheiro media tudo e acreditar que se pode fazer tudo para obtê-lo há um passo muito menor do que se pensa. Os poderosos dão esse passo todos os dias sem que nada ocorra a eles. Os despossuídos, que pensam que podem fazer o mesmo, terminam nas prisões.
- O racismo da tolerância. Os distúrbios na Inglaterra começaram com uma dimensão racial. O mesmo ocorreu em 1981 e nos distúrbios que sacudiram a França em 2005. Não é uma coincidência: são irrupções da sociabilidade colonial que continua dominando nossas sociedades, décadas depois do fim do colonialismo político. O racismo é apenas um componente, já que em todos os distúrbios mencionados participaram jovens de diversos grupos étnicos. Mas é importante, porque reúne a exclusão social com um elemento de insondável corrosão da autoestima, a inferioridade do ser agravada pela inferioridade do ter. Em nossas cidades, um jovem negro vive cotidianamente sob uma suspeita social que existe independentemente do que ele ou ela seja ou faça. E esta suspeita é muito mais virulenta quando se produz em uma sociedade distraída pelas políticas oficiais de luta contra a discriminação e pela fachada do multiculturalismo e da benevolência da tolerância.
- O sequestro da democracia. O que há em comum entre os distúrbios na Inglaterra e a destruição do bem estar dos cidadãos provocada pelas políticas de austeridade dirigidas pelas agências classificadoras e os mercados financeiros? Ambos são sinais das extremas limitações da ordem democrática. Os jovens rebeldes cometeram delitos, mas não estamos frente a uma “pura e simples” delinquência, como afirmou o primeiro ministro David Cameron. Estamos frente a uma denúncia política violenta de um modelo social e político que tem recursos para resgatar os bancos, mas não para resgatar os jovens de uma vida de espera sem esperança, do pesadelo de uma educação cada vez mais cara e irrelevante dado o aumento do desemprego, do completo abandono em comunidades que as políticas públicas antissociais transformaram em campos de treinamento da raiva, da anomia e da rebelião.
Entre o poder neoliberal instalado e os rebeldes urbanos há uma simetria perturbadora. A indiferença social, a arrogância, a distribuição injusta dos sacrifícios estão semeando o caos, a violência e o medo, e aqueles que estão realizando essa semeadura vão dizer amanhã, genuinamente ofendidos, que o que eles semearam nada tinha a ver com o caos, a violência e o medo instalados nas ruas de nossas cidades. Os que promovem a desordem estão no poder e poderiam ser imitados por aqueles que não têm poder para colocá-los em ordem.

(*) Doutor em Sociologia do Direito; professor nas universidades de Coimbra (Portugal) e Wisconsin (EUA).
(**) Traduzido por Katarina Peixoto da versão em espanhol publicada no jornal Página/12


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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Astrologia no Mundo - horizontes



Clicar no texto para ler em alta resolução


Organizado artigos e textos referentes às minhas "atiradas astrológicas aquarianas que olham horizontes quase impossíveis" no campo sócio-político, cultural, artístico, humanístico e econômico, na atualidade, me confronto com sinais que se confirmaram. Percepções baseadas em exaustivos estudos dos ciclos dos Planetas no longo da História e somadas a leituras de pensadores contemporâneos - cientistas, jornalistas, escritores, artistas...

Meio assustada, apreensiva? - "os astros não erram jamais, os astrólogos sim”.
A travessia em que estamos vivendo é perigosa e arriscada.

Noite escura / João da Cruz.
Onde ronda muito $$$$ e poderes ronda a cegueira
O futuro dos donos do mundo dos $$....onde está? Desapareceu.
A esperança é luz nas trevas!
A luz brilhará das trevas! Sempre foi assim.
Andemos... O Mundo gira para O humanizarmos - mineral, vegetal, animal - tudo na Natureza.
Quem tem sua lâmpada de afeto e generosidade bem acesa, nada a temer.
A luz do mundo virá de um cântaro feito de outra argila, incomparavelmente, mais sutil e nobre.
Mostro aqui a Capa do livro e dois textos da entrevista que Marilha M. Suzuki me fez em 6 de setembro de 2001 (exatamente nesta dada).E que concedi publicar em seu livro:

Astrologia no Brasil - os caminhos da história no céu austral
Ed. Interciência Ltda. 2007
Que sejamos abraçados com afeto e compreensão pela Mãe Natureza. Agnus Dei!
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sábado, 6 de agosto de 2011

Flores ociosas do bem

O vazio tem seu sabor aparentemente ocioso onde se colhe flores do bem. Basta ficar meio desligada/do deixando que a natureza mãe/misteriosa engendre sinais. Saborear palavras de sutis pensadores pode ser um caminho, uma delícia! Ambrosia!

“O dia de hoje lhe basta,
não se preocupe com o dia de amanhã” - disse Jesus de Nazaré.

“Se queres saber tudo
não queira saber coisa alguma” João da Cruz

“Deixar de pensar nas coisas do mundo” Li Pai

“Quando temos muito a dizer
usamos o mínimo de meios” Paul Klee

“Ninguém prece saber
como é útil ser inútil” Chuang Tsú

“A sabedoria é a própria vida
a vida se revela a nós somente na
medida em que vivemos” Thomas Merton

Sem o silêncio convidativo que me envolve a leitura de sábios autores minha vida seria limitada, muito a desejar. Intervalo vazios entre locuções é néctar. Ler é puro prazer. O meu desenho é minha escrita, já os livros são mundos em mim. O escritor desenha palavras para mim, que passam a me pertencer.
Estou lendo, no meu precioso tempo de ociosidade, três autores:
C. G. Jung - Estudos Alquímicos - Paracelso, um fenômeno espiritual, vol.13, Ed. Vozes, 2011.
Aldous Huxley, relendo ensaios - Huxley e Deus, Ed. Bertrand Brasil, 1995.
Helion Povoa - 50 Poemas escolhidos pelo autor,
Ed. Galo Branco, 2010.

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