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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Com prazer e alegria apresento minha amiga da juventude, Christiana de Caldas Brito. Ela vive em Roma. Está no Brasil para lançar o seu romance 500 Temporais - dia 27, próximo, às 17h - aqui no Rio, Museu da República -

Primavera dos Livros 2011 - Traduzido do italiano.
Pessoa criativa e de sensibilidade requintada andou por muitas áreas do saber. Atualmente dedica-se à literatura, sendo reconhecida na Itália por suas atividades culturais. Seu avô materno era engenheiro e poeta; Luís Carlos (da Fonseca Monteiro de Barros) ocupou a cadeira 18 na ABL. Sua mãe Lasinha Luís Carlos pertenceu a Academia Carioca de Letras.

Em suas vindas ao Brasil conheceu Nise da Silveira e frequentou o Grupo de Estudos C. G. Jung.
Sei que todos são sempre ocupadíííssimos, mas é oportunidade de nos encontramos (mesmo sem comprar o livro - Trata-se de uma bela festa de livros).
Esta ítalo-brasileira ou vice versa é pessoa espirituosa e muito humana.
Martha
500 Temporais - Um romance em 11 contos que se entrelaçam através da vida de 8 personagens, moradores da favela do Silvestre, morro mais alto de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O ingrediente – a chuva – praticamente uma personagem também, que alivie e destrói, anuncia e vibra com os amores e os dramas desse povo tão misturado que é o carioca. O cenário – Brasil, 500 anos de descoberta, em meio à festa, um temporal e uma tragédia. _______________
MAR de IDEIAS navegação cultural
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Elogio do boteco

Especialíssimo texto, de Leonardo Boff, que recebi há poucos dias. Este informadíssimo, lúcido, travesso e humaníssimo Leonardo.
Que vontade de ir ao botequim tomar meu café no copo mais pãozinho na chapa, coisa que faço com frequência e me delicio com os papos de roda. Hábitos teresianos, em especial na esquina, Bar do Serginho, onde o Carmelita nasceu da solidariedade nas diferenças culturais e universos múltiplos >>>> ou no Bar do Gomes >>>> ou descendo ladeiras estar no mundo carioca... Almoçar nos variadíssimos Botecos onde a comida é farta e a vida é alegria.
É uma delícia este artigo. martha
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Leonardo Boff - Teólogo/Filósofo
Elogio do boteco
Em razão do meu “ciganismo intelectual” falando em muitos lugares e ambientes sobre um sem número de temas que vão da espiritualidade, à responsabilidade socioambiental e até sobre a possibilidade do fim de nossa espécie, os organizadores, por deferência, costumam me convidar para um bom restaurante da cidade. Lógico, guardo a boa tradição franciscana e celebro os pratos com comentários laudatórios. Mas me sobra sempre pequeno amargor na boca, impedindo que o comer seja uma celebração. Lembro que a maioria das pessoas amigas não podem desfrutar destas comidas e especialmente os milhões e milhões de famintos do mundo. Parece-me que lhes estou roubando a comida da boca. Como celebrar a generosidade dos amigos e da Mãe Terra, se, nas palavras de Gandhi,”a fome é um insulto e a forma de violência mais assassina que existe?” É neste contexto que me vem à mente como consolo os botecos. Gosto de freqüentá-los, pois aí posso comer sem má consciência. Eles se encontram em todo mundo, também nas comunidades pobres nas quais, por anos, trabalhei. Ai se vive uma real democracia: o boteco ou o pé sujo (o boteco de pessoas com menos poder aquisitivo) acolhe todo mundo. Pode-se encontrar lá tomando seu chope um professor universitário ao lado de um peão da construção civil, um ator de teatro na mesa com um malandro, até com um bêbado tomando seu traguinho. É só chegar, ir sentando e logo gritar: “me traga um chope estupidamente gelado”. O boteco é mais que seu visual, com azulejos de cores fortes, com o santo protetor na parede, geralmente um Santo Antônio com o Menino Jesus, o símbolo do time de estimação e as propagandas coloridas de bebidas. O boteco é um estado de espírito, o lugar do encontro com os amigos e os vizinhos, da conversa fiada, da discussão sobre o último jogo de futebol, dos comentários da novela preferida, da crítica aos políticos e dos palavrões bem merecidos contra os corruptos. Todos logo se enturmam num espírito comunitário em estado nascente. Aqui ninguém é rico ou pobre. É simplesmente gente que se expressa como gente, usando a gíria popular. Há muito humor, piadas e bravatas. Às vezes, como em Minas, se improvisa até uma cantoria que alguém acompanha ao violão.Ninguém repara nas condições gerais do balcão ou das mesinhas. O importante é que o copo esteja bem lavado e sem gordura senão estraga o colarinho cremoso do chope que deve ter uns três dedos. Ninguém se incomoda com o chão e o estado do banheiro.Os nomes dos botecos são os mais diversos, dependendo da região do pais. Pode ser a Adega da Velha, o Bar do Sacha, o boteco do Seo Gomes, o Bar do Giba, o Botequim do Jóia, o Pavão Azul, a Confraria do Bode Cheiroso, a Casa Cheia e outros. Belo Horizonte é a cidade que mais botecos possui, realizando até, cada ano, um concurso da melhor comida de boteco. Os pratos também são variados, geralmente, elaborados a partir de receitas caseiras e regionais: a carne de sol do Nordeste, a carne de porco e o tutu de Minas. Os nomes são ingeniosos:” mexidoido chapado”, “porconóbis de sabugosa”, “costela de Adão” (costelinha de porco com mandioca), “torresminho de barriga”. Há um prato que aprecio sobremaneira, oferecido no Mercado Central de Belo Horizonte e que foi premiado num dos concursos:”bife de fígado acebolado com jiló”. Se depender de mim, este prato deverá constar no menu do banquete do Reino dos céus que o Pai celeste vai oferecer aos benaventurados.Se bem repararmos, o boteco desempenha uma função cidadã: dá aos freqüentadores especialmente aos mais assíduos, o sentimento de pertença à cidade ou ao bairro. Não havendo outros lugares de entretenimento e de lazer, permite que as pessoas se encontrem, esqueçam seu status social e vivam uma igualdade, geralmente, negada no cotidiano. Para mim o boteco é uma metáfora da comensalidade sonhada por Jesus, lugar onde todos podem sentar à mesa e celebrar o convívio fraterno e fazer do comer, uma comunhão. E para mim, é o lugar onde posso comer sem má consciência. Dedico este texto ao cartunista e amigo Jaguar que aprecia botecos.__________

sábado, 12 de novembro de 2011

Flores do Bem - hoje




No Rio de Janeiro vive de tédio só quem está adormecido. Não é preciso acordar tão cedinho. Toma-se o café com tranquilidade, bebe-se água e se organiza para dar vez aos calcanhares; a saúde está nos calcanhares. O Demônio detesta Dr. Sol, este eu o tenho como meu Rei; deixo-me banhar em seus raios luminosos pelas manhãs; caminho em seu calor energético. Uma beleza aproveitar e contemplar as casas com seus muros floridos, depois sentar num banco ou murinho e ler por uns trinta a quarenta minutos à sombra das árvores. Hoje, li o Sermão 26 de Mestre Eckhart, reflexões sobre Jo. 4, 23. Mergulha-se nas profundezas.
Uma sesta depois do almoço me faz bem. De carruagem parti para a Exposição da Índia. Está bem montada para se apreciar um povo e sua cultura tão rica em símbolos e alegorias, tradição e espiritualidade. Gostoso passear virtualmente pela Índia. Ah, mas antes de ver a exposição esbarrei com um quarteto tocando Jazz numa esquina próxima do CCBB, com ouvintes de pé e muitos sentados em mesinhas do bar; ali me detive por um pouco de tempo apreciando.
No CCBB, depois de ver o primeiro andar, a Índia tradicional, resolvi descansar. Encontrei-me com dois amigos; conversamos um pouco. Tomamos um cafezinho. Decidi ir embora, voltar outro dia para ver a Índia contemporânea.
Andando cruzei com a Rua Ouvidor repleta de gente nos bares. Continuei em direção à Rua do Mercado curiosa de ver tanta música. Na esquina já em direção da Praça XV as calçadas e as ruas estavam tomadas de sambistas e com um conjunto de 15 músicos embebidos de alegria. Homenageavam Paulinho da Viola com suas composições. Se não erro ele está fazendo aniversário, daí comemorar com todo o entusiasmo. O povo cantava feliz em sua simplicidade; brindava e dançava como uma festa da vida.
Andei pelas ruas do centro, quase desertas. Sem pressa, tomei o ônibus que sobe ao Principado de Santa Teresa levando comigo a comunhão de mais um dia de refinada presença. Ser eterna é estar, estando.
Minha doce e sábia gata Pretinha aprecia música erudita; passou o dia ouvindo a rádio MEC FM. Tudo acompanha e observa com o canto dos olhos.
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Martha Pires Ferreira

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Chá no Iate Clube para a Casa das Palmeiras

Amigos e amigas da obra de Nise da Silveira
organizam


Chá Musical em benefícios

da Casa das Palmeiras
Dia 30 de nov. de 2011 (quarta - feira) às 16h.
Salão Marlin Azul do Iate Clube do Rio de Janeiro
Avenida Pastuer, 333 – Praia Vermelha – Urca.
Entrevista com Nise da Silveira - DVD
Música e dança cigana. Sorteios - vários.
Informações: 2266-6465 (das 13h30 às 17h30) / ou 2242-9341


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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Carta Maior - Maria Inês Nassif

Os sábios e os inteligentes sabem respeitar a pessoa humana do inimigo/adversário, e por princípios nobres de educação, em especial, quando se diz respeito à saúde.
Não conheço Maria Inês Nassif. Faço minhas as suas palavras.
Martha Pires Ferreira
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DEBATE ABERTO
Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.
Maria Inês Nassif
A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou. A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores. A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.
(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.
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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aroieras, duas, três degoladas !

"Depois que os homens desceram das árvores começaram a cortá-las"

A. C. Jobim

Não me conformo a maneira como a Fundação de Parques e Jardins se justifica delegar alguém para cortar/decapitar/ as Aroeiras, e, não deixar vestígios (ver dias anteriores)> uma, duas e três. Uma ainda novinha. Outra média. A Aroeira maior sustentando a pedreira, presa nas suas raizes, não quer se livrar da Terra Mãe.

Se continuarem a cavar e cavar, nas bases do barranco, e continuarem a arrancar as pedras na sustentação, aí sim, todo o morro se despencará, tudo desmoronará. Bem planejada a obra, que dizem virá a ser feita, não impediria que as árvores nobres, miraculosas e sagradas, que são as Aroeiras, permanecessem erguidas, vivas, formosas.

A ignorante sou eu que amo as Árvores e acompanho arrogância da serra elétrica! ___________