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quarta-feira, 2 de março de 2016

Sinais do Firmamento

Reflexões minhas - arquivo – 1998.
Sinais do Firmamento – observações
- martha pires ferreira. 
          A Astrologia é linguagem simbólica. Um processo de autoconhecimento e de transformação. Sua epistemologia se estabelece através dos conhecimentos da mecânica celeste - a correlação entre o planeta Terra, onde nascemos e vivemos, com todo o sistema solar, somado ao saber, simbólico, expresso na faixa do Zodíaco com seus Doze Signos, a partir do signo de Áries, 21 de março, quando se inicia o equinócio da primavera para o hemisfério norte e do outono para o hemisfério sul. A teoria astrológica se fundamenta, basicamente, numa linguagem expressa no mundo mítico, onde o Sol, a Lua e os Planetas representam nossas próprias potencialidades, caracterizadas pelos elementos da natureza Fogo, Terra, Ar e Água.
          As conexões existentes entre os ângulos e a natureza dos planetas com suas projeções na vida terrestre definem a íntima interação entre o macro e o microcosmo. O que nos remete a uma intimidade corpórea, intelectual, emocional e espiritual com o universo em seu todo absoluto. Pulsamos racional e emocionalmente com o Cosmo. Somos Unos com o Universo.

  
















 A Astrologia é processo de depuração profunda, alquímica, em que polaridades ativas e luminosas se complementam às receptivas e sombrias; exercício de elaboração dos “metais interiores”. Elaboração pessoal que se estende ao mundo coletivo na obra da criação - tentativa de liberar o ser humano das tramas da fatalidade e do determinismo conduzindo-o a estados de consciência cada vez mais elevados.
          A Carta Natal pode nos dar uma visão geral, jamais precisões exatas. A Astrologia com sua metodologia, sistemas os mais complexos, não é suficiente para oferecer resultados de precisão. Há limites próprios por ser acausal. Seus cânones não são os da razão pura, nem infalíveis para o conhecimento e domínio da natureza. Não é governada por leis cartesianas inflexíveis, imutáveis, uniformes. Acausal, ela depende da livre expressão de cada indivíduo: “os astros inclinam, não determinam.” As escolhas estão sempre movidas por possibilidades inatas, tendências, predisposições. São fenômenos de sincronicidade, no tempo e no espaço.
 Índia s/f.

          A Astrologia, enquanto objeto de observação dos ciclos planetários se manifestando no coletivo, no contexto mundial, sejam nações, instituições, ocorrências sísmicas, meteorológicas, organizações empresariais, decisões políticas, acordos diplomáticos, etc., analisará a partir dos mesmos conceitos básicos do céu zodiacal. Eventos culturais, acordos políticos, e assim por diante, são matérias de observação.
          E Astrologia como recurso de observação de questões mundiais é, talvez, o que há de mais complexo e mais sofisticado na ciência e arte da analisar o céu. Exige-nos acompanhamento das histórias civilizatórias, em épocas as mais remotas até a contemporânea. Sinalização das grandes conjunções celestes, em especial, em momentos que marcam profundas transformações políticas, econômicas e sociais – Estado e/ou Nações.
 sinagoga/ mosaico s/f.

          Não se pode falar da história do pensamento sem incluir a contribuição que a Astrologia, de mãos dadas com a Astronomia, exerceu na Antiguidade mais remota. No berço de todas as civilizações, a Astrologia se voltava para a compreensão das necessidades de seus povos - os fenômenos cíclicos da natureza se manifestando no mundo agrícola e pastoril, os tipos de governo e as decisões de guerra e de paz.
          Na Antiguidade, o saber astrológico estava a serviço da compreensão do Universo e das realizações terrestres. Temos sede da compreensão do Absoluto.
          A história da civilização nos mostra dicotomias entre os anseios do ser humano e sua relação com o Universo. Com a não observação dos sinais “escritos nas estrelas”, a história do homem se tornou a história das prepotências e das tiranias políticas, militares, religiosas e econômicas. Reinos de genocídios internacionais. Armadilhas que aprisionam os lobos da concorrência mundial.
          A Astrologia só tem futuro: resgatar a conexão humanista, masculino e feminino, Yang e Yng, com o Cosmo. Não haverá harmonia enquanto não houver uma compreensão da sinalização da linguagem celeste a serviço da Humanidade inteira. Céu e Terra numa só realidade.
Zigourat de Ur - 2.100 a. C.
          A Astrologia precisa estar a serviço dos valores humanos básicos que a atualidade, desorientada e caótica, deseja ansiosamente recuperar: serenidade interior, confiança no presente e perspectivas para futuro tranquilo. A integridade pessoal, liberdade, senso de justiça, autenticidade, dignidade, profundidade, capacidade de amar, de se dar, de ser feliz e de compartilhar com seus semelhantes com bondade e generosidade emocional e intelectual. Viver a plenitude de pertencer e colaborar com a criação, com o Inominável. Ter alegria por isso.

          Astrologia não é um negócio rendoso, é um dar-se em amorosa disponibilidade ao processo formador da criação. O Astrólogo não é mais que um mero intérprete dos recados do Criador para a criatura.
                   
 Zodíaco - Catedral de Chartre, séc XIII
Texto publicado - Oficina de Astrologia / Revista nº. 1 Ano I * Dezembro de 1998. Pequena revisão – fevereiro de 2016.

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