segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Flores do Bem -Templo Zen


Estou aprendendo a ficar contente com tudo
Inscrição no poço do templo Zen Ryoan-Ji, Kyoto

Muito difícil, quase impossível
****************************

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Astrologia __ Entrevista de 1991

Iconografia, Albert Dürer _ Marcus Manillius _ Astrononicon / autor do 1º compêndio de Astrologia.  

Amigos sempre me pedem para escrever/falar sobre o que estou pensando para o mundo daí para frente. O que disse no passado já está documentado. Entre muitas matérias curiosas encontrei esta de 1991. Só a solidariedade e as Artes salvarão o mundo nesta travessia tão perigosa de um nível para outro de consciência.
Tenhamos Esperança de um salto quântico de qualidade no coração do ser humano.Não podemos deixar que o inverno mate a árvoreEntrevista publicada na Revista

Perspectiva Universitária n°258


Ano XVII RJ em março de 1991

Durante muitos anos a artista plástica Martha Pires Ferreira estudou ciências como a quiromancia, numerologia, grafologia. Leu textos de monges hindus que previam uma era de desorganização da humanidade, a época do Kaliuga. Estudou C. G. Jung, profecias e textos de Thomas Merton, monge trapista que já falava desta civilização tão vazia de sentido, decadente e sem humanitarismo. Leu os sábios chineses, curiosa de tudo que se relacionasse com a maneira como se expressa o Cosmo.
Em 1972, numa viagem à Europa, foi convidada pelo famoso astrólogo francês, Jean Pierre Nicola, para um encontro de astrólogos. Isto além de ter-lhe proporcionado acesso aos grandes da astrologia da Inglaterra e França, levou-a a participar de seminários e a mergulhar em bibliotecas, ávida por tudo o que lhe explicasse a cosmogonia.

Terminou por tornar-se astróloga, hoje conhecida em todo o Brasil pelo acerto de suas previsões. Em plena campanha pelas Diretas Já, lamentava, mas afirmava que toda a mobilização popular não levaria a nada de efetivo. Quando Tancredo Neves foi eleito, Martha declarou que ele seria alvo de todas as honrarias, mas jamais chegaria à Presidência. Anunciou as transformações da URSS, bem antes de Gorbatchov.
Em julho do ano passado, numa palestra em Santa Teresa (RJ), baseada no Evangelho de São João Evangelista*, ela alertou para o conflito que iria eclodir no Oriente Médio. Em seguida Saddam Hussein invadiu o Kuwait. Vejamos as previsões da astróloga.
“Esta guerra podia ser prevista, porque estamos vivendo o que, no I Ching, chama-se ponto de mutação. A cada 2165 anos, aproximadamente, o eixo vernal da Terra desloca-se de um signo para outro, trazendo uma mudança de valores absolutamente radical. E estamos vivendo este momento, com a Terra deslocando seu eixo de Peixes para Aquário. É uma fase muito difícil, principalmente para as pessoas muito apegadas ao temporal, ao material. Dá-se a reação às mudanças e com elas os conflitos, atritos, violências, destruição neste ou naquele espaço. Muitas coisas vão acontecer em conseqüência destas transformações, que não se dão em dias, mas em décadas. Creio, portanto, que a crise atual durará uns 20 ou 25 anos”.
Na verdade, acho que tudo começou em 73, com a crise do petróleo, que iniciou a desorganização do mundo pelo problema do poder, do dinheiro. Nesta década de 90, o que está acontecendo é que a guerra tornou-se mais clara, mais acintosa. Os conflitos vão estender-se ao mundo inteiro. Na hora em que parar um pouco aqui começará em outro lugar. E é tudo uma coisa muito louca. Mataram pessoas, bombardearam civis e nós víamos tudo pela televisão, quietos, porque a violência vulgarizou-se e vivemos num mundo perverso que tem a fisionomia desta perversidade.
Modelo Novo – Não sou a favor de nenhum dos lados porque acho que todos são culpados. Um provoca, outro atiça e chegamos à falência da sociedade, como estadistas incapazes de, pelo diálogo, solucionar os problemas do mundo. Desde 1982 vivemos conjunções muito fortes. Neste momento vivemos outra destas conjunções e em 92 haverá outra. Então, conflitos tendem a se espalhar pelo mundo e todos participarão de alguma forma. Uns países entrarão para lutar, outros para contestar, e chegará o momento em que até a China será envolvida. Ninguém deverá ficar de fora porque existem conjunções planetárias nas quais os astros estão muito condensados. Serão guerras modelo novas, que vão se manifestar das formas mais inusitadas via atos de terrorismo, maior violência urbana ainda, e ainda maior número de seqüestros.
Haverá uma coisa que os sistemas não conseguirão evitar, que são os atos de pirataria televisiva. As informações sofrerão interferência de TV’s piratas que entrarão nos noticiários informando coisas totalmente diferentes e gerando o caos na informação. E isto poderá não ter controle.
Exatamente hoje, 7 de fevereiro de 1991, Saturno que passou dois anos e meio em Capricórnio, mudando aquela coisa de cada um ser dono do pedaço, dos seus limites, entrou em Aquário, onde ficará outros dois anos e meio. E um signo da abertura, mas também de irreverência, da anarquia, da pirataria. Viveremos, então, situações anárquicas que não terão controle.
(...) No dia 15 de janeiro, havia um eclipse no céu e os EUA não atacaram. Mas em 16 de janeiro a Lua entrou em Aquário fazendo uma quadratura. E o Iraque foi atacado. (...) Para falar apenas do Iraque, Israel e EUA, que são os mais diretamente envolvidos: cada um com sua religião, islamismo, judaísmo e cristianismo, deverão levar o mundo a conflitos religiosos, com as pessoas brigando por causa de suas raízes, etnias, sua genética, espiritualidade.
A partir de janeiro de 95, os planetas estarão condensados em Sagitário. E será a vez de briga diplomática. Poderá acabar a segurança dos direitos humanos. Em 94, 95, até 2000, vamos pedir a Deus que nos dê luz e paciência para suportar o que vem por aí. E Saturno em quadratura e fazendo ângulos de 90º com planetas muito fortes**. Assim será até por volta de 2012, no dizer dos índios americanos. Até 2014, em minha opinião. Se não houver uma grande mobilização pela paz, haverá um grande extermínio. Se não se tomar providências rápidas virá a fome e as pestes, que não se restringirão ao AIDS, ou a gripe dos Yuppies, nos Estados Unidos.
Resgate pelo amor – No entanto, os astros dispõem, mas não impõem o comportamento do ser humano no espaço das forças cósmicas. As pessoas realmente pacifistas devem levantar-se. Vamos gritar contra o extermínio, contra a poluição dos mares, rios, ar e da natureza como um todo. Houve uma época em que lamentei ter nascido no Brasil, atrasado e subdesenvolvido. Mas procuro ler o livro da natureza e hoje estou feliz por ter nascido aqui, país que tem tudo sem ser a onipotência do consumo. Com uma riqueza natural fantástica, climas privilegiados podem plantar rápidos e colher rápido. Não temos por que passar fome. Só espero que os brasileiros parem de agredir a natureza e o próprio ser humano.
Como não podemos ficar presos a este lado destrutivo do homem esperemos que os sábios ajam de forma simples, colocando as coisas de ouvido a ouvido. E vamos confiar nas forças regeneradoras da natureza. Vamos cada um, fazer o que pudermos em nosso micro espaço. Não somos apenas joguetes dos astros e planetas. Cabe ao homem, num determinado momento, ao ver que a árvore está bichada, cuidar dela para que a natureza não se vingue, fazendo caírem às folhas, as flores e se perderem os frutos, permitindo que chegue um inverno terrível que poderá matar a própria árvore. Na realidade, chegarmos à Era de Aquário, com sua decantada solidariedade, cor, som, paz e felicidade paradisíaca, depende de um movimento de resgate de amor, de ecologia, e de movimentos pacifistas que contribuirão para que se gere uma nova civilização.”
* Apocalipse.
**E aspectos se formando entre planetas lentos: Uranos, Netuno e Plutão.
postagem martha pires ferreira.
*********************

Paraíso Informático

Segunda-feira
Despertador 7h30
Yoga chuveiro
Secador de cabelo
Rádio MEC música
Forninho pão/torradas
Cafeteira elétrica
Liquidificador vitamina
Linhaça aveia germe de trigo
Frutas na geladeira
Telefone-Fax
Vavevi@pipoca.com.br
Elevador
Táxi
Metrô
Escada rolante
Densitometria óssea
Mamografia
Tomografia computorizada
Ultra-sonografia da tireóide
Relógio
Fotografias digitais
Avião
DVD
Cinema

Tempo espaço
Celular
Caixa-eletrônica
Extrato bancário
Elevador
Interruptor
Luz
Ar condicionado
Janela fechada
Poluição
Xerox
yyy.mpi.com
TV Jornalismo
Amigos perplexos
Guerras violência corrupção
Mediocridade
Demônios que os pariu
Amanhã não
Nunca mais segunda-feira.
M. P. F. / 1998.
*****************************************

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Flores do Bem - Bernardo Horta

Pintura de Nise em canção
Bernardo Horta / 2004


Um gato brilha em seu olhar
Mulher da futura imaginação
Mergulha em ruínas ancestrais
Diamante que surge da escuridão

Vertigem no espaço da mente
Senhora das imagens
Santa, louca, mãe da gente
Fina flor de eternidade

Em inumeráveis estados do ser
Persevera e se liberta do breu
Oh, moça que lê imagens
Diz: que mito sou eu?

Em vida, transcende o corpo
Sua lucidez a ultrapassa
Psicodélica, reveladora
Operária, tijolo-argamassa

Matriz da expressão de Sócrates
Diotima-madrinha, enternece
Freud sussurra o seu nome
Jung jamais a esquece

Selvagem antiga do engenho
Bruxa-ninfa superzen
Rebelde que transborda em fúria
Amor sem limite, indignação-amém

Exemplo de vida, vigor animal
Arquétipo da superação
Liberdade alucinante
A ira sagrada da revolução

Sons, imagens - portal de expressão
Coração exposto em sensibilidade
Mitos que provêm do ventre profundo
Semente de luz, cura e humanidade

Gênia doida, fera agressiva
Abre as portas do hospício, em urgência!
Derruba grades e grades
Mostra que o poder, este sim, é a demência


Mistério, entre livros e pinturas
Zênite que flui pelos ares
Matéria-prima de energia pura
Arqueóloga dos mares

Mestra, gata, Nise brasileira
Alguém sempre admirando-a no retrato
Personalidade forte e terna
Estrela tímida, de brilho estupefato

*********************************

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Desenho

Linha contínua Bico de pena, aquarela e selo, 2007
--postagem martha pires ferreira
-----------------------------------------------

terça-feira, 27 de maio de 2008

Frases de Nise da Silveira

Em breve, esperamos que ainda este ano, teremos nas livrarias dois livros: o de Bernardo Horta e o meu/Martha, a caminho. Fomos amigos incondicionais da sábia senhora. Tínhamos o hábito de anotar suas palavras nos nossos caderninhos.

 Mãos de Nise da Silveira que tanto expressavam ao falar
“Todo mundo deve inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique. O que cura, fundamentalmente, é o estímulo à criatividade.”

“É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade.”

“Para começar a estudar é preciso, de início, capinar. Capinar, capinar, capinar... Intensamente. Somente, após longo trabalho de capinação é que você poderá trocar o ancinho por um longo pente, e passá-lo sedosamente nos cabelos de uma mulher.”

“A contaminação psíquica é pior que piolho. Vai passando de uma cabeça para outra, numa rapidez incrível. E, como você sabe, todo mundo já pegou piolho.”

“Há no meu temperamento essa fúria. Quando eu quero uma coisa, eu insisto. Todo o dia, sem falta, eu levantava cedo, pegava o ônibus e ia trabalhar em Engenho de Dentro. Todo dia, todo dia... Nada me tirava daquele caminho.”

“Os gatos são os seres mais lindos, inteligentes e independentes do mundo. Essa é a razão por que os homens têm tanta dificuldade de se relacionar com eles e os perseguem indiscriminadamente desde o início dos tempos.”

“Desprezo as pessoas que se julgam superiores aos animais. Os animais têm a sabedoria da natureza. Eu gostaria de ser como o gato: quando não se quer saber de uma pessoa, levanta a cauda e sai. Não tem papo.”

“Eu me sinto bicho. Bicho é mais importante que gente. Pra mim o teste é o bicho, se não passar por ele, não tem vez. Freud disse que quem pensa que não é bicho, é arrogante.”

“Porque passei pela prisão, eu compreendo as pessoas e os animais que estão doentes, pobres, que sofrem. Eu me identifico com eles. Sinto-me um deles.”


" Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: ter espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão".

"Há no meu temperamento essa fúria. Quando eu quero uma coisa, eu insisto".
“Só os loucos e os artistas podem me compreender.”

Tanto Bernardo Horta como eu frequentávamos o Grupo de Estudados C.G. Jung - quando tudo anotávamos. 
--- postagem martha pires ferreira.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

sábado, 24 de maio de 2008

Aquarela e Selos

Desenho - dois amores, 2001
Cecília Meireles e Heitor Villa-Lobos

sábado, 17 de maio de 2008

Palavras de C.G. Jung


        Só espero e desejo que ninguém se torne ‘junguiano’. Eu não represento nenhuma doutrina, mas escrevo fatos e apresento certos pontos de vista que julgo merecedores de discussões. (...) Não advogo nenhuma doutrina pronta e fechada e abomino ‘partidários cegos’. Deixo a cada um a liberdade de lidar a seu modo com os fatos, pois eu também tomo esta liberdade para mim.

[Em carta resposta ao Dr. J.H. van der Hoop, Amsterdã. Este havia escrito que lhe interessava a própria liberdade de idéias e: Não posso dizer se algum dia poderei tornar-me junguiano.]

C.G. Jung / CARTAS / 1946 -1955 - Vol. II Editora Vozes.
************

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Artur da Távola

    - Martha Pires Ferreira

    O Brasil não esquecerá a nobreza de alma de Paulo Alberto Monteiro de Barros, nosso querido Artur da Távola. Ele se despediu deste mundo que tanto amou e sofreu e amou, para sem dúvida dar o salto quântico, para algo que nos transcende a inteligência. Hoje, 8 de maio de 2008, aqui na cidade do Rio de Janeiro, por volta das 14h00, aos 72 anos na flor da idade mais avançada. Seu nome é ainda; cultura, música, refinamento, sensibilidade intelectual, desenho das palavras, simplicidade, doçura, sorriso, espiritualidade, afeto, doação de si. Consciência filosófica e fidelidade a si mesmo serviu de exemplo; dignidade como cidadão político. Permanecerá eternamente vivo porque, essencialmente, humano. Paulo Alberto foi Presidente da Casa das Palmeiras, obra de sua saudosa amiga Nise da Silveira, de dez. de 2005 a dez. de 2007. Ocasião em que muito colaborou para o renascimento da Casa quando esta sofreu um cruel incêndio. Como Ave Fênix, pai-mãe amoroso, e com sábia bondade e compaixão, com postura receptiva, sentava-se à mesa ao lado de pessoas emocionalmente feridas da doença de esquizofrenia. Não tinha medo do Inconsciente, muito pelo contrário, dialogava com as forças que emergem das profundezas do si mesmo. Muitas vezes presenciei os doentes abraçando-o com emoção e gestos de fraterna amizade. Conversava com os tidos loucos, marginalizados pela sociedade burra e insensível, com uma surpreendente delicadeza nas palavras e no olhar, ao se achegar aos mais pobres e desvalidos. O mundo sempre se eleva com homens e mulheres que se depuram como pessoas e procuram acima de tudo serem humanos e generosos em seus pensamentos e atos. Saudades querido Artur! Saudades querido Paulo Alberto! Saudades homem plural e uno! Coro de Anjos acompanha a orquestra filarmônica celeste com atabaques ao receber Paulo Alberto!
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

sábado, 3 de maio de 2008

Desenho

Bico-de-pena / 1970
Quero continuar pensando que desenhar e brincar renovam as células /2008

domingo, 20 de abril de 2008

Atividade terapêutica e criação artística

Atividade terapêutica e criação artística são fatores distintos. Terapêutico tem sua raiz na palavra terapia - tratamento. Terapêutico é recurso/meio para aliviar ou mesmo curar uma pessoa de doença, desequilíbrio ou desgaste mental/psíquico, físico e/ou emocional. Terapêutico é um termo da medicina na sua prática.
Atividade terapêutica, ocupação terapêutica, visa proporcionar satisfação, melhora ou recuperação ao doente ou pessoa em estado alterado em sua natureza fazendo-o trabalhar, ocupar-se, com algo ativo que proporcione bem estar, ou mesmo o cure de sua doença, que o possibilite retornar ao seu estado normal de saúde emocional, física e/ou mental.
O terapeuta médico ou técnico terapeuta conhece bem as indicações terapêuticas - encaminhará a pessoa em questão para a análise, psicologia analítica e/ou atividade ocupacional criativa.
Pintar, dançar, escrever, caminhar, praticar uma atividade física, ouvir música, pode ser terapêutico. É sempre terapêutico fazer uma atividade que nos alivie de tensões, desgastes ou desequilíbrios de nossas funções naturais (seja a função do músico, pintor, filósofo, desenhista ou matemático) nos proporcionando um retornar à vida normal, saudável. Quanto mais criativa for a atividade melhores os resultados.
Muitas vezes o/a artista caminha pelas avenidas ou jardins, passa horas em silêncio, ouve música ou pratica um esporte como terapia/alívio de tensões para depois retornar às suas atividades criadoras, isto é, pintar, escrever, compor.
É sempre terapêutico sair da rotina e fazer algo que seja uma atividade expressiva.
Criação artística não pode ser identificada com atividade terapêutica porque demanda um tremendo esforço intelectual, muito desgaste emocional, concentração, imaginação e plena atenção das funções em uso. Não é exercer simplesmente uma atividade terapêutica, é criar. Dar vida a algo inédito, novo.
Há tanto desgaste no ato criador que por vezes o artista adoece no simples exercício de sua criatividade, quando é preciso procurar um antídoto, procurar uma atividade que o descanse, que o recupere nas suas energias criadoras em exaustão. Por vezes o criador (o/a artista) procura um terapeuta para entender a si mesmo, ficar bem para poder retornar às suas funções de trabalho.
Criar não é alívio, é suor, cansaço. É terapêutico tocar um instrumento, mas tocar não é por si mesmo um ato de criar. Criar exige realizar emocional e conscientemente uma obra. Criar não é terapia é ato criador, é inventar, é exercer a função imaginativa criadora em sua originalidade.
Atividade terapêutica é atividade com a finalidade de tratamento. O artista não faz algo por ser terapêutico, e sim porque dá origem a alguma coisa. Pode acontecer de precisar fazer uma análise, um tratamento que vise uma atividade terapêutica, neste caso jamais a mesma atividade que já exerce, mas outra atividade que seja antídota da habitual como compensação das energias.
O que caracteriza a arte é a originalidade criadora.
Para o compositor Carlos Jobim caminhar pelo jardim Botânico era terapêutico na medida em que descansava ao ouvir os pássaros, convivia com a natureza e depois voltava para o seu piano e refeito voltava a criar - dar existência a algo impensado. Para Jobim tocar piano e compor não era terapêutico, era criar, suar, sofrer no bom sentido, inventar, dar origem a cada nova composição.
Bach, Pixinguinha, Spinoza, Cesanne, Matisse, Picasso, Paul Klee, Henry Miller, Thomas Merton, Cildo Meireles, Antônio Dias, Manuel Bandeira, A. Einstein, Chico Buarque, Pitágoras, Heráclito, Freud, Carl G. Jung, Nise da Silveira, Machado de Assis, eram/são criadores. Era terapêutico para Jung trabalhar com as mãos, para Spinoza polir lentes e para Nise da Silveira cuidar dos gatos e ficar em silêncio absoluto antes de retornar as suas atividades criadoras.
Já no início dos anos setenta eu afirmava; ‘todo e qualquer ser humano é potencialmente um criador. É da natureza humana querer inventar, criar, dar vida a algo original. A criação artística não é o privilégio de um pequeno grupo de artistas, nem o dom de uns poucos – verifica-se que todo ser humano é potencialmente um artista-criador em maior ou menor grau.’
( Martha Pires Ferreira / 2007 )

sábado, 5 de abril de 2008

Reflexões


Bertrand Russell Matemático e Filósofo inglês (1872)
Prêmio Nobel - 1950

“Para que uma civilização científica seja uma boa civilização, é preciso que o aumento do conhecimento humano seja acompanhado por um aumento de sabedoria, termo este que está sendo empregado no sentido de uma concepção justa dos fins da vida. Isto é algo que a ciência não proporciona por si mesma. Consequentemente, em si mesmo, o aumento dos conhecimentos científicos não é suficientes para garantir qualquer progresso genuíno, ainda que seja uma das condições necessárias para esse progresso.
Os novos poderes que a ciência deu ao homem só podem ser manejados de maneira segura por aqueles indivíduos que, através do estudo da História ou da sua própria experiência de vida, conseguiram adquirir certo respeito para com os sentimentos humanos e alguma ternura para com as emoções que dão colorido à existência cotidiana de todos nós.
É preciso não permitirmos que a técnica científica constitua a cultura única dos detentores do poder.
O objetivo do governo não reside meramente em obter prazer para os governantes, mas em tornar tolerável a vida dos governados.
Um mundo desprovido de afeições e de deleites é um mundo desprovido de valores. O manipulador científico não pode esquecer-se desses fatos e quando ele os tem presentes, a sua situação pode ser inteiramente benéfica.”
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~