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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Geometria divina, reflexão alquímica, hoje.

Deus medindo o mundo com o compasso, 1250, Biblia. 
E ...William Blake, Alquimia mística, 1794.
        Vivemos um tempo histórico medíocre pelo distanciamento do sagrado, e, no entanto temos sede do divino, do incognoscível, do absoluto insondável.
       A concepção pitagórica e cristã até alta Idade Média era a beleza da compreensão de Deus como o supremo arquiteto da ordem do Universo perfeito e geométrico, visando amor ao próximo como a medida de todas as coisas criadas. 
Hildegard von Bingen, Alquimia Mística, séc XII.

Com o avanço das ciências, em especial as exatas, a visão e compreensão do cosmo ficaram menores, em estreitos escaninhos. Só o que se podia medir e pesar eram confiáveis, serem reconhecidas, por comprovação formal, ao que se denominou de ciências exatas, como se o saber contínuo, ciens (o que move), nunca existiu.  Engarrafaram a sabedoria, destinada apenas a ser uma lâmpada, acadêmica.
       Do século XVII em diante reduziram nossa concepção de mundo dentro de uma caixinha de valores lógicos e formais, Subjugou nossa inteligência a estreitos conceitos, nos aprisionando em academicismos de laboratório farmaideológicos capazes de demonstrações pontuais em hipotéticas verdades. A arrogância intelectual tomou conta do mundo, em especial no ocidente. Do outro lado nada sei mais que a sensibilidade poética e espiritual.
Harmonia Macrocósmica - Andreas Cellarius, 1660

    Muitos homens e mulheres escolheram estar fora destes modelos de vida traçado pelo Ocidente. Deliberadamente vivem à margem por vontade própria e seguindo outros meios, horizontes novos de postura, saberes e conhecimento. São os alquimistas da contemporaneidade, espalhados em recantos onde não são facilmente encontrados. Herméticos, vivem em silêncio e solidão espiritual, caminhando em harmonia cósmica, felizes e alegres a jornada humana de cada dia, sem exclusões, numa surpresa a cada passo. Com afeto, amorosidade e alteridade preferem, em particular, os seres esquecidos, marginalizados, espoliados, massacrados por esta mesma sociedade das ciências estratificadas e dos podres poderes. São eremitas do asfalto urbano ou obreiros vivendo no campo junto à verdejante selva pouco explorada. São seres humanos como qualquer um, sendo com todos, conscientes da divina geometria, sem início e fim.
       Marginais líberos vivem à margem do status quo dominante, nada tendo a mostrar, medir ou provar. Não são apóstolos do saber nem do achado, são apenas testemunhas de seu tempo, vivendo escondidos e altivos em secreta comunhão espiritual com a Terra Mãe e o Cosmo num processo alquímico interno.                 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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