terça-feira, 28 de junho de 2016

A natureza psíquica da Obra Alquímica

Ouroboros, o dragão que come a própria calda, 
símbolo da natureza cíclica e eterna do universo- 
O verde da iniciação e o vermelho da grande Obra.

A natureza psíquica da Obra Alquímica

                                                                            Martha Pires Ferreira

          A alquimia, al-kimyâ (árabe, raiz grega) era a antiga e primitiva arte que tinha como objetivo a análise dos fenômenos da natureza com o propósito particular de transmutação dos metais, a arte de fazer ouro, a descoberta da Pedra Filosofal e o preparo do remédio único capaz de curar todas as doenças. Os adeptos escondiam suas experiências em segredo aos olhos dos profanos, por precaução. O que nos interessa aqui é apreender o significado simbólico do processo alquímico. A Grande Obra Alquímica em sua maior parte não trata, unicamente, de experiências alquímicas como tais, mas, também, como qualquer coisa semelhante a processos psíquicos, expressos numa linguagem pseudoquímica.
          O que se supõe é que o quê os alquimistas praticavam não era apenas a química ordinária, uma obcecada ideia de transmutar cobre em ouro. O alquimista, tal como o ferreiro ou bem antes dele o oleiro, era uma pessoa envolvida com a natureza ígnea, era chamado o “senhor do fogo”. Era através do fogo que ele fazia operar a transformação da matéria, a passagem de um estado do metal vil para outro mais nobre - o cobre em prata ou ouro.
          Na Babilônia, cada metal era formado segundo a natureza do planeta que lhe correspondia. Os metais possuíam a constituição correlata aos planetas; ouro produzido pelo Sol, prata - Lua, bronze e cobre – Vênus, ferro – Marte, azougue e mercúrio – Mercúrio, estanho – Júpiter e chumbo – Saturno. Fluxo de correspondência, semelhança. Não havia realização do Opus Magnum sem a manipulação dos metais. O ouro que eles procuravam assegura alguns autores, não era como supunha os mais ignorantes, o ouro ordinário, o ouro comum, mas sim o Ouro Filosófico, o Ouro dos Sábios, a Pedra Etérea; o inimaginável Rebis Hermafrodita; o ser completo - a integração de energias opostas; masculinas e femininas. O que eles buscavam era a integração com o Cosmo, a Unicidade.
          A Alquimia foi mitológica e sacerdotal na Mesopotâmia e no Egito. Na antiga Caldeia havia grande preocupação com as questões da cura e das enfermidades. Na China e na Índia ela foi mais pragmática. Na Grécia e na Escola de Alexandria, filosófica. Entre os judeus é testemunho o uso da Cabala, mais especialmente na Idade Média.
          Por motivos políticos e econômicos, erros e extravagâncias, a alquimia foi perseguida pelos romanos. Com a decadência na Idade Média é o cristianismo quem lhe fecha as portas. Registro significativo são as igrejas góticas, na Europa, repletas de configurações alquímicas.
         A alquimia gozou de liberdade e proteção oficiais entre os árabes. Não há que se negar que o exercício alquímico ao lado das observações astrológicas, representa um longo período de gestação, na história do pensamento e da inteligência humana as quais deram nascimento à Química e contribuições à Astrologia que conhecemos, hoje.
          O primeiro passo pragmático, não mitológico, surgiu no velho Egito; Assim como é acima é a baixo - Hermes Trimegistos – o Três-Vezes-Grande – o criador da Alquimia. Assim como de todas as artes e ciências dos egípcios: como o exterior é o interior, como o micro é o macro.
A junção das naturezas - Opus Alquímico
- o branco emerge do negro _ nasce Mercúrio. 
          A Matéria Prima dos alquimistas estava escondida no próprio ser humano. Nenhum alquimista revelou a verdadeira natureza da chamada Matéria Prima. Alguns alquimistas identificavam-na como o chumbo ou o mercúrio, com a água, o sal, o enxofre e mesmo o fogo. Poderia ainda ser a terra, os excrementos, o esterco, o sangue, o dragão ou mesmo o próprio Deus, o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. O objetivo do trabalho alquímico era a libertação da anima mundi, o espírito escondido na matéria, e que o homem não conhecia. Seu objetivo era libertar a alma prisioneira da escuridão da matéria; unir a matéria ao absoluto. E para tanto punha em prática a individuação dos metais.
          A Grande Obra era, também, realizada por muitos alquimistas com a utilização das plantas em seus processos de transformação, o que enriqueceu as origens da química farmacológica. Os alquimistas procuravam “a água divina”, a cura de enfermidades – a busca do elixir da longa vida, a depuração da alma. Os elementos essenciais do Opus eram o Sal, o Enxofre e o Mercúrio. A Obra é a união do elemento masculino, yang - enxofre, com o elemento feminino, yin – mercúrio. Ars Magna - A Arte Real. O alquimista auxilia a natureza-mãe precipitando o ritmo do tempo. Na realidade o verdadeiro laboratório dos alquimistas era o próprio homem.
          O fato dos alquimistas terem permanecido misteriosos pode vir do foto de que o verdadeiro segredo não age secretamente, ele fala uma linguagem secreta ele se expressa por uma variedade de imagens, as quais, todas indicam sua verdadeira natureza - uma coisa ou fenômeno que é “secreto”, conhecido, unicamente, através de vagas alusões, cujo essencial permanece desconhecido.
          Os alquimistas espirituais eram peregrinos à busca da terra dos Bem Aventurados, a Árvore da Imortalidade. Os sábios desejavam alcançar o amor sublime com o aperfeiçoamento externo e interno, buscando a elevação do indivíduo para a verdade, a beleza, a bondade. Eles próprios eram o metal vil, grosseiro. A meta era transformar-se num ser novo, que se identificasse com o metal puro, o ouro, esse metal resplandecente, inalterável. Era preciso que o ser humano reencontrasse o seu estado glorioso, estável e imortal.
A luta dos opostos Sol e Lua

          Para o psiquiatra C. G. Jung, iniciador da psicologia analítica, a verdadeira natureza da matéria alquímica era, praticamente, desconhecida do alquimista, ele a conhecia apenas por alusões. Procurando explorá-la, ele projetava o inconsciente na obscuridade a fim de iluminá-la (C. G. Jung - Psicologia e Alquimia). 
          O alquimista vivia o seu próprio inconsciente. Para explicar o mistério da matéria, ele projetava outro mistério, o seu próprio mundo psíquico desconhecido naquilo que ele deveria explicar; o obscuro pelo mais obscuro, o desconhecido pelo mais desconhecido. Não se faz uma projeção, ela se produz, ela está lá, simplesmente.         
Alguns alquimistas medievais, seguindo a tradição desde a Mesopotâmia, faziam conexões entre os metais e a natureza dos astros relacionados com os doze signos do Zodíaco nas triplicidades dos elementos: Fogo, Terra, Ar e Água. Como nós sabemos a ciência começou pelas estrelas, na observação dos movimentos dos astros, com os quais o ser humano fez as conexões celestes e terrestres. Projetava nos astros a potência da criação; as estrelas em seus movimentos diários eram divindades. As singulares qualidades atribuídas ao Zodíaco constituíam toda uma riquíssima teoria da natureza humana, correspondência por sincronicidade. Assim surgiu a Astrologia da experiência viva, primordial, semelhante à Alquimia. Tais projeções se repetem sempre quando o homem tenta explorar um vazio obscuro que ele preenche involuntariamente com figuras vivas. Jung esclarece: A Astrologia não é uma projeção, ela corresponde a uma influência, relação entre os astros não se revelam mais que a pura sincronicidade.
          Não é porque o alquimista creia em uma correspondência por razões teóricas, que ele pratica a sua arte; ele tem uma teoria de correspondências porque ele fez a experiência da presença do espírito na matéria. Jung muito se preocupou se os alquimistas relataram suas experiências no exercício de sua arte de maneira completa, talvez porque certos textos provam que apareceram durante as experiências práticas, certos fenômenos de caráter alucinatório ou visões que não seriam outra coisa que projeções de conteúdo inconsciente.
          Mais importante que as escrituras, que os livros, são as experiências; a visão do Vaso Hermético. Para os alquimistas, a visão do Vaso Hermético é mais importante que as escrituras de textos alquímicos.
          O Novo Lúmen nos diz; fazer aparecer as coisas escondidas na sombra e retirar a sombra, eis o que é permitido por Deus ao filósofo inteligente, por intermédio da Natureza...  Todas as coisas se produzem e os olhos do homem comum não as veem, mas os olhos do espírito, do intelecto e da imaginação as percebem pela visão verdadeira, pela mais verdadeira visão. Depois de Paracelso, a fonte de iluminação é a luz natural. Esta luz é a luz da natureza que ilumina todos os filósofos. Acima de tudo ela é o tema da Pedra dos Sábios, Universal e Grande, que o mundo inteiro tem diante dos olhos e mesmo assim não o conhece.
          Com respeito à atitude mental ou espiritual da obra alquímica, um autor anônimo nos mostra outro aspecto da relação da vida psíquica com o Opus Alquímico: observe, olhe com os olhos do espírito, a semente minúscula do grão de trigo, considerando todas as suas circunstâncias para que você possa plantar a Árvore dos Sábios. Isso parece aludir em psicologia junguiana à imaginação ativa, que verdadeiramente põe em marcha o processo. Não se duvida de que se trata da condição psicológica da obra, e de que tal condição é de importância fundamental.
A união dos corpos em estado volátil _ fermentação

          Outra citação aparece no Rosário dos Filósofos: Quem conhece o sal e a sua solução, conhece o oculto segredo dos antigos sábios. Dirige, pois, sua mente ao sal, já que nele está a ciência e os mais ocultos segredos dos antigos filósofos.  Basile Valentim diz que: o sal é o fogo, a água que não molha as mãos.  O autor anônimo do Rosário dos Filósofos noutra passagem observa que deve se fazer a obra com a imaginação verdadeira e não com a fantástica. Com esta afirmação parece dizer que o segredo essencial da arte alquímica está oculto no espírito humano, em termos modernos diríamos, no inconsciente. Com efeito, os alquimistas pressentiam, de algum modo, que a sua Obra estava relacionada com a alma humana e suas funções. O que os alquimistas viviam era na realidade as projeções de eu próprio inconsciente.
A Coroa da completude sobre a cabeça do andrógeno _
Masculino e Feminino
 _ fixo e volátil se unem para sempre

          Alguns autores observam que é de fundamental importância que se leia várias vezes e muitas vezes, e que se procure onde os alquimistas têm pontos em comum, onde estes pontos se encontram aí se oculta, com efeito, a verdade. É necessário ultrapassar a abordagem da palavra, conhecer em essência o que queriam, realmente, dizer os filósofos.
          Para o alquimista medieval a obra de redenção não era só a do Cristo. Ele próprio tinha como objetivo primordial redimir o mundo, liberar a alma mundi aprisionada na matéria, transmutar as coisas impuras da matéria. Fundamental era readquirir o sentido da totalidade, obter a Pedra era pertencer ao Todo, ao Cosmo. Cristo não era apenas um exemplo de vida, era um meio de revelação do curso das operações regenerativas da alma. Para o adepto cristão, medieval, o Cristo era o Lápis, o fim primordial, a Ave Fênix, a suprema Grande Obra. Cristo era a via do absoluto, a reintegração do ser humano na sua dignidade primordial. 
      
    (Janeiro de 2000, minha mesa, Santa Teresa, Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul, Cosmo)  
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sábado, 25 de junho de 2016

Conversa Socrática


    
  Hoje, 25 de junho de 2016, sábado às 16h
 >> CONVERSA SOCRÁTICA >> 
Largo dos Guimarães junto ao CINE SANTA >
 livre participação do público.

Pela proposta não há pretensões maiores
 que a simples conversa em espaços agradáveis. 
Busto de Sócrates
"Gregos num banquete" - detalhe de vaso séc. IV a. C. - Museu Britânico.

Não se trata de análise astrológica.
Aqui, apenas, o momento inicial da Conversa Socrática.
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domingo, 19 de junho de 2016

Alquimia uma retomada no tempo.

 capa; face anterior da pedra de Bollingen, esculpida por Jung

      Alquimia foi introduzida em minha vida por Dra. Nise da Silveira no Grupo de Estudos C. G. Jung quando líamos Psicologia e Alquimia. Depois Nise me pediu aprofundar indo estudar com Dr. Nelson Bandeira de Melo para apresentarmos um trabalho no Centenário de Jung no MAM, em 1975. O que foi feito. Não parei de estudar até início dos anos 1990, século passado.
     Agora tenho anseios de retomada. A obra que mais me impressionou, naquele tempo, foi Alquimia de Marie-Louise von Franz. Poderia citar outros autores, mas fico por aqui. Li muito e tenho preciosa biblioteca sobre o assunto.
     A riqueza simbólica da Alquimia é algo a ser resgatada. Presta-se a atualidade, visão do mundo em sua eterna busca de complementação dos opostos - bem e mal, feminino e masculino, claro e escuro, inconsciente e consciente, interno e externo, dia e noite, vida e morte – aproximação e compreensão do todo; Unus Mundo.
       A Alquimia está intimamente associada à Astrologia profunda.
      Astrologia, Mitologia, Psicologia Analítica de Jung e Alquimia é Quaternidade maravilhosa para se desvendar um pouco mais o mistério tremendo e abissal que é Viver.

    Ah, sim as Artes, a Natureza, a Ciência e a Espiritualidade estão  incluídas na Alquimia, em nossa Weltanschauung, depois de longo e árduo desenvolvimento no caminho do processo de individuação.
Algumas imagens do processo alquímico - cartões postais.
Splendor Solis séc. 16
 De Sphaera- manuscrito italiano. séc 15
Reproduções - Alchemie & Mystik - Verlag

terça-feira, 14 de junho de 2016

Hieronymus Bosch - hoje - 500 anos.

Quinto centenário de Hieronymus Bosch - nasce em torno de 1450, Bélgica – morre em 1516.
Sonhamos o Paraíso > não vamos mergulhar no Inferno

[tríptico - O Jardim das Delícias, 1500 – alegorias repletas de símbolos], detalhes - Museu do Prado.
Os horrores de ontem bifurcam-se nos horrores do mundo contemporâneo _ hoje_aqui_agora? 



 Não às Trevas. Observar as trevas e procurar caminhos de Saída.
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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Corpus Christi


 “Comeram e todos ficaram saciados”.
 (s. Marcos 8,1-9)
O que me atrai, em muito, em Jesus de Nazaré é esta Sua mensagem de espírito igualitário, fraterno, sem exclusões. Um socialista por excelência. Distribuiu pães e peixes para todos. Eram sete pães e poucos peixinhos – deu graças e os distribuiu. Todos ficaram saciados e chegou a sobrar. Como? Como? Fácil - todos os presentes abriram seus borneis/sacolas e dividiram o que tinham fraternalmente entre eles. Cada um deu o que tinha. Seguiram o exemplo de Jesus; partilha.
 // Jesus é Corpus Christi – comunhão entre todos indistintamente.
 Mosaico - Basílica - Ravena - época paleocristão.
Cristo sem barba realiza a multiplicação
 dos pães e dos peixes.

mosaico bizantino - Cristo Pantocrator -Sicília - Itália
Como podem ver sou cristã e socialista-zen. 
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terça-feira, 24 de maio de 2016

Era de Aquarius - reeditando

Era de Aquarius

                                                    Martha Pires Ferreira

 Jornal Rolling Stone, 1972, nº 15, pág. 16 – RJ.

[Escrito há quarenta e poucos anos. Cortes por ser artigo longo /o negrito é atual]

Santa Hildegard von Bingen -  o ser Cósmico - séc. XII 

        A Astrologia, embora não seja ainda levada a sério pelo academicismo de nossa época, é tão antiga quanto o homem. O estudo dos astros surgiu provavelmente de uma apaixonada tentativa de descobrir o segredo da vida e da morte. Conhecida por todas as civilizações e culturas, a Astrologia permanece até hoje como ciência e arte de caráter experimental, de observação, que estuda as relações entre o homem e os planetas do sistema solar – o comportamento do ser humano no espaço das forças cósmicas.
         É a arte das correspondências universais aplicadas aos indivíduos de toda natureza.
 “Astra inclinant, non necessitant”.
Os astros dispõem, mas não impõem;
        (...)
        Não darei dados de Astronomia para explicar que o eixo vernal, por um processo de retrocesso se afasta do signo de Peixes, por onde passou vinte séculos, e se aproxima agora do signo de Aquário. Depois do ano 2000 aproximadamente, por volta do ano 2014, podemos dizer que este eixo passou para a constelação de Aquário, dando assim início a uma nova Era da História da Humanidade.
        [há controvérsias quanto esta data, mas isso não me atinge/toca]
        Como não se pode afirmar categoricamente nada a respeito de acontecimentos futuros, acredita-se apenas que esta época será de grande esclarecimento mental para a humanidade inteira. A Era de Aquário é o despertar da Intuição – apreensão imediata. Tendendo a humanidade então para maior expansão espiritual e científica. Era da libertação (...). O homem/ a mulher em busca da sabedoria – e por uma espécie de vidência – sabe o que pensam, são ou desejam todos os outros. (...) É o ser se ampliando em todos os sentidos e em todas as direções. É a ciência tomando novos rumos, rumos estes que permitirão conhecimentos até agora enigmáticos para a humanidade. Anuncia na verdade um estado superior da evolução humana – um estado de esclarecimento individual – iluminação ou lucidez da consciência.
         [Não tínhamos ainda tecnologia tão avançada / celulares com tanta forte de informação]
           (...)
           A Era de Ouro da Humanidade, segundo a filosofia Yogi. A Era da Beleza porque a Era do Caminho da Sabedoria. E quem sabe, a Era da Arte de Viver!!  O homem se harmonizando com sua natureza – com o alargamento do seu eu.
          (...)
          É interessante me estender mais um pouco. E até mesmo necessário. Estamos às portas do século XXI, esperando o decantado ano 2000 da lindeza e da solidariedade, da cor e do som, da paz e da felicidade paradisíaca. Para alguns esta Era já iniciou por
antecipação, mas apenas aparentemente, porque a Era de Aquário não é como se sabe (e os videntes também sabem), o privilégio de uns poucos ou de um grupo humano mais bem dotado, seja lá em que for. A era do próximo milênio é primordialmente o reencontro da humanidade inteira – na qual ninguém está interessado em aparecer mais ou menos, ser mais, ou melhor. Não resta dúvida que os sintomas desta Era da Intuição já se fazem presentes – em pequenos núcleos – nos mais diferentes setores da atividade humana. Entretanto, antes de entrarmos nesta plenitude de viver, sofrerá o mundo todo com a humanidade inteira, a mais completa e fundamental transformação. Um cataclismo! E as décadas que vão dos meados de 1970 ao ano 2000 não serão nada muito eufóricas, nem floridas.
         [E esta data, 2014, tem se estendido pelo séc. XXI].
          E ao lado desta efervescência vivemos paradoxalmente uma crise como nunca se ouviu falar – o desencontro humano é geral. A mente inquieta e aflita tenta com todos os esforços solucionar problemas cada vez mais complexos – impossíveis mesmo de serem resolvidos. E mergulhando um pouco mais fundo, parece mesmo que qualquer tentativa de harmonia geral entre pessoas ou nações é realmente inútil. A humanidade está se desentendendo cada dia mais. Por todos os lados a violência, a agressão, a insatisfação individual e coletiva. O homem está sofrendo e não adianta querer esconder de si próprio tal verdade. A crise é cultural, moral, política, econômica, religiosa, sociológica. E esta crise entrará num crescente enorme – a fome aumentará cada dia mais – o descontrole geral chegará às vias do absurdo!!! Velhas tradições, velhas convicções, velhos ideais e costumes, velhas leis éticas e metafísicas sofrerão assombrosas modificações antes do surgimento do Novo Ciclo da Raça Humana. Não são poucos os que estão atentos, conscientes e sabedores de tais perspectivas. Parece mesmo que a humanidade inteira está despertando para enfrentar a metamorfose morte-ressurreição! Como em todas as metamorfoses, em todas as grandes mudanças – o que é formoso, belo e precioso, surge da depuração – como na Alquimia. Depuração esta que se processa acompanhada de muito trabalho e dor.
          Este período de desencontro que antecede a Era de Aquário e que já estamos atravessando, pode ser visto como um fenômeno apocalíptico. O estado psíquico geral da humanidade se torna cada vez mais perigoso. É o desabamento de velhos moldes: paradoxismos, incongruências, inconsequências, contradições, disparates – o imprevisível! Uma realidade altamente cheia de dúvida e absurda.
          As dores aumentarão e a humanidade há de gemer, estremecer e excitar-se. Ignorando completamente o que lhe falta, saberá apenas que sente dor e que necessita urgente de algo que a alivie e tranquilize.
          Quem tem a sua tocha individual bem acesa, quem permanece em estado de plena atenção, não tem o que temer. O observador atento da fenomenologia atual só tem uma saída: enfrentar o momento presente, enfrentar a si próprio e à escuridão da sua época, sem ditar dogmas ou princípios, que em pouco tempo estarão superados. O homem lúcido não perde a meta – ele trabalha incansavelmente por um mundo humano e pleno de alegria – ele sofre e não teme a metamorfose. – Aceita o peso do mundo sobre os seus frágeis ombros e não se desespera. Confia. Confia, sobretudo, nas forças da natureza. Acredita no amanhecer da lucidez universal. Confia no princípio coordenador de energias, nas forças renovadoras que emergem do centro mesmo da psique. Trabalha no silêncio e no amor.
          A Era de Aquário, uma utopia ou uma realidade? Consultem geólogos, sociólogos e astrônomos; eles têm dados interessantíssimos a respeito de acontecimentos singulares. Parece mesmo que tudo se transforma. Nada se pode afirmar, entretanto, só o tempo constata e confirma.
          Para alguns estudiosos, os 2000 anos que nos seguirão podem ser vistos também como a Era da Conquista do Espaço Cósmico, e o homem já deu provas suficientes de que isso é possível. Mas a Era de Aquário é, sobretudo, a Era do Descobrimento do Homem Interior – ERA DO HOMEM CÓSMICO. O estudo experimental da alma será o tema principal no campo das investigações científicas, nas escolas e nas universidades.
Num interesse profundo em conhecer a sua natureza íntima e a sua essência eletromagnética, o homem descobrirá que a alma é o divino se manifestando na matéria.
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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Patrimônio do Brasil - não está a venda


Brasil - bico de pena, aquarela e selo, 2013
Abaixo privatizações do patrimônio do Estado do Brasil.
Para o poder econômico-financeiro o Estado é dispensável.
Para o trabalhador assalariado o Estado é sua segurança.
O Patrimônio do Brasil não está à venda
Importante dizer que não sou assalariada, e, sim, autônoma. 
Tenho consciência por princípios morais e éticos. 
O Estado é a garantia do trabalhador,
 ele é quem sustenta a nação.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dom Helder Câmara


Saudades de Dom Helder Câmara, santo rebelde brasileiro. Por um curto período trabalhei em sua obra, pelo Banco da Providência (fundada em 1959 -RJ), coordenando Ateliê de Artesanato na Parada de Lucas, sobre orientação de Dona Jardelina. Anos 1970 do séc. passado. E na Cruzada São Sebastião (fundada em 1956), Leblon, onde havia anteriormente a vergonhosa favela da Praia do Pinto. Sempre servindo como artista plástica.
Dom Helder, bispo católico, foi esmagado pela Ditadura dos anos 1964 em diante, e, em 1972, indicado ao Prêmio Nobel da Paz, foi impedido. Certa elite católica, medíocre, o tinha como “comunista” por ser um humanista impar lutando, ferozmente, contra as injustiças sociais. Criador, também, da Feira da Providência sempre visando atender nas bases os mais miseráveis; carentes em suas dificuldades existenciais. Nunca foi de gabinetes ou burocrata de sacristia. Nasceu no Fortaleza, Ceará, em 7 de fevereiro de 1909 e faleceu na cidade de Olinda, Pernambuco, em 1999. Conhecido, admirado e premiado em muitos países por sua ferrenha defesa aos direitos humanos e sociais, em particular pela compaixão para com os pobres e excluídos, servindo sempre aos mais necessitados. Porta voz por um mundo participativo, igualitário e fraterno.

Algumas reflexões do nosso saudoso Helder Câmara:
"O Cristo bem deve estar sentindo vontade de fustigar-nos com chicotada"
 clicar na ler

 
- 2ª edição - civilização brasileira, 1993 - tradução Ênio Silveira 
(editado primeiro na Europa em 1987 - entrevista com Roger Bourgeon)

domingo, 15 de maio de 2016

Domingo de Pentecostes

Missal cotidiano -Bruges, 1951
A Beleza da mensagem do Cristo está centrada na comunhão igualitária entre todos os seres da Natureza Mãe; minerais, vegetais e animais entre estes estão os seres humanos sem exclusões.
Jesus de Nazaré nos agrega a todos os mortais em fraterna presença solidária.

“Vinde, Espírito Santo, Dom da Sabedoria, 
enchei o coração de vossos fieis
 e acendei neles o fogo do vosso Amor.”

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Golpe Frio – maio de 2016

O branco é por eu mesma ter escrito antes no face e copiado posteriormente.

Prezados internautas, desde 2008 que venho acompanhando os descompassos calamitosos do Mundo contemporâneo. Acompanho, sobretudo, os jovens. Não é a política em si que me atrai, é o viver no mundo com suas contradições; a incapacidade de se viver em concórdia, justiça e tranquilidade, entre povos e nações.
Neste momento, Brasil, minha terra e meu povo.

Não estamos no mundo só pra nos divertir. Há de se pensar. A Grécia se sujou com o Julgamento de Sócrates (ler Xenofontes). Sócrates não se curvou, nem Dilma Rousseff se curvará. Os Deputados, os Senadores; GRANDE IGNOMÍNIA. As traíras ignoram a Constituição, o Estado de Direito. // O jogo macabro não terminou.
Não sou PT. Justiça pede é Justiça. O Brasil agradece ao PT por seus feitos, não há o que se negar. Cuidou do Brasil, mesmo com erros. O Brasil não foi à venda. As riquezas nossas, são nossas. E não estão à venda. 

Afastamento da Presidenta Dilma é político e não jurídico. A História escreverá o que aconteceu em tamanha infâmia. O jogo não terminou, as conquistas pela democracia são longas e duras. Claro que é Golpe. Não há qualquer fundamento jurídico. A Presidenta do Brasil chama-se Dilma Rousseff. Para quem este processo de Impedimento não é Golpe procure ouvir o grande jurista Dalmo Dallari. Sim, É Golpe. Dilma se manterá firme, não se acovarda.

O povo brasileiro está sendo obrigado a pensar. Amadurecer. Brinca de Carnaval e Futebol... Deixando o saber da Justiça e da Política de lado; pagará preço alto. O Povo amadurecerá diante da pequenez. Descida aos Infernos. 

A luta continua firme pela Democracia solidária, igualitária e participativa. O Brasil não merece as torturas do Inferno, do Tártaro. Não é derrubar a Presidenta Dilma Rousseff que está em jogo e sim à ânsia das privatizações no Brasil, às benesses de grupos internacionais.
Para os ricos, “capitalistas selvagens”, o Estado não os interessa, só os lucros e suas mordomias. Para os pobres o Estado é básico, é proteção, é segurança.
Em defesa da Petrobras, do Pré-Sal e das riquezas nacionais deve ser nossa posição. Não devemos nos abalar com o Golpe. A Luta Continua pelo Estado de Direito e pela Democracia Igualitária. O Brasil é nosso por direito constitucional, de todos por igualdade social. 
Momento histórico em que a infâmia está acima das Virtudes e do Direito. O Circo mantém o espetáculo grotesco, mas não terminou. 

Com Dilma Rousseff pela Democracia. Erros de gestão orçamentária não é crime. Qual o crime pessoal? A Lei não consegue prescrever. A Constituição é clara. A perversidade é sombria e negra.
 Tortura-se em nome de quê?
Sou brasileira em defesa das conquistas sociais, sobretudo do povo trabalhador que sustenta o Brasil com o suor de seu corpo a cada dia.
 Respeito aos votos de 54.501.118 eleitores. 
Grande infâmia. Não Ao Golpe.

sábado, 7 de maio de 2016

A Armadilha da Globalização


Felicidade para todas as Mães - Dia das Mães / 8 de maio - a Grande Mãe Natureza que a todos e a tudo acolhe.

A Armadilha da Globalização – Die Globalisierungsfalle (alemão - 1996).
Obra de Hans-Peter Martin & Harald Schumann – 2ª Ed. Globo, 1998.

Presente de meu filho, no dia das Mães, há 17 anos. Obra de dois jornalistas profetas.  Leitura para todos que pensam o  mundo da atualidade; direitos pessoais, coletivos/sociais e soberania do Estado.

 Recomento  - três capítulos (acabo de reler).
Cap. 4- A Lei da Selva
A onda de desemprego e as multinacionais
Cap. 6 - Salve-se quem puder, mas quem pode?
O declínio da classe média e a ascensão dos sedutores radicais
Cap. 8 – A quem pertence o estado?
A decadência da política e o futuro das soberanias nacionais.
-Possível encontrar na Estante Virtual –
[O Apocalipse no fio da navalha – todos estamos juntos no mesmo barco // um  Mundo solidário, justo, participativo e fraterno é uma construção possível].

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Céu dos Astrólogos - 6 de maio de 2016


     Um mundo fraterno e igualitário é possível.
     Olhemos o Céu em sua grandeza zodiacal com seus sinais. Não é o Mapa/Horóscopo Natal, configurado na Terra > local em longitude e latitude > que me atrai aqui, mas, sobretudo as configurações dos astros nos signos e elementos no Firmamento; posição e aspectos entre eles.
     Hoje, dia 6 de maio de 2016 > Vênus, Lua, Sol e Mercúrio e em signo de Touro- Terra > em trígono com Plutão em Capricórnio-Terra, que por sua vez faz trígono com Júpiter em Virgem-Terra. Domínio do elemento terra. Seis astros em Terra apontam: objetividade, precisão, apego, tenacidade, realização, conquista dos direitos materiais (em síntese). Marte e Saturno em signo de Sagitário- Fogo > em quadratura com Netuno em Peixe- Água e com Júpiter em Virgem-Terra (estes dois astros se opondo entre si) > tensões para se decidir, administrar, tomar posições definidas. Contrastes fortes entre forças antagônicas. Saturno faz um trígono com Urano em Áries – Fogo > responsabilidade frente ao coletivo, às questões do social - o imprevisível se manifesta. Plutão e Uranos continuam em fortes contrastes pela quadratura entre eles > Fogo e Terra - secos. Não se encontra um só astro no elemento Ar – difícil expressão das ideias; leve, volátil e/ou transparente, nos meios de comunicação.

     A luta continua, não terminou.
     Longa e dura batalha, ainda, pelas conquistas democráticas, solidárias, participativas e sociais, por uma Vida planetária digna, justa e harmoniosa. Pela lentidão dos astros transaturninos (Urano, Netuno e Plutão) a luta continuará por um longo tempo para ser solucionada em boa concórdia, seja no Brasil, seja no Mundo. Mas é assim mesmo no processo da evolução ou expansão das conquistas humanas em harmonia com toda a Natureza Mãe. Aos poucos vamos caminhando em valores mais soberanos para toda a Humanidade. Com a tecnologia e seus avanços o mundo ficou mais íntimo, pequeno e próximo. Mais perigoso, porém mais desafiador em sua sustentabilidade e conquistas humanas junto aos direitos pessoais, sociais e à natureza. Confrontos de forças opostas se atritando, se complementando, se interagindo para níveis mais elevados de consciência, sem duvida.

     Os “donos do mundo”, “prisioneiros do capitalismo selvagem”, serão obrigados a cederem diante dos apelos intensos da juventude, sobretudo. A Humanidade desprovida de segurança e justiça social geme e avança destemida. Há lugar para todos, há oportunidade para todos desenvolverem e realizarem seus sonhos, suas utopias. Um mundo fraterno e igualitário é possível.
martha pires ferreira - 6 de maio de 2016.