sábado, 23 de maio de 2020

Busca de silêncio _ lampejos de poesia


       Nunca tive pretensões em ser poeta, o que nunca me impediu e nem me impede de ousar escrever seja o que me vem às ideias ou movida pelas apreensões sensíveis que me invadem. Trata-se de pura liberdade de escrever. Tenho muitos cadernos; uma espécie de Diário sem ordem, sem consequências literárias ou qualquer rigor com a linguagem. Algo coloquial e simples. 
       Por muitos anos os desenhos me ocuparam o tempo, deixando os textos escrito de lado. Agora, nesta distância de silêncio, quarentena, revendo o que escrevi, reencontro o que denominei - "pretensa poesia", com polimento leve, escrita em 1968. Pequenas correções necessárias, depuro.

Busca de silêncio

Viver de silêncio,
somente do silêncio
na entrega
desta manhã de Sol,
consumida
pelo amor que nada busca,
nada espera
_ apenas vazio. 

Silêncio é beleza
cresce dia a dia
“ventre escuro das ideias”.
Silêncio invade
a beleza floresce
_ meu Deus,
quanta fragilidade!

De onde vem esta energia
que silencia a mente
cobre o ser de leve paz?

De onde tranquilidade
que não se busca e surge
em sabedoria, calma,
_ de onde vem, de onde?

É preciso libertar-se
do tempo _ espaços amarras. 
Caminhar sem profundidade 
não se encontra o silêncio.
Esvaziar... na vivência
transcender, atingir o Amor.

                     Martha Pires Ferreira      1968
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