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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Thomas Merton com sábios do Oriente

        
 Thomas Merton com Suzuki - NY.

        Thomas Merton vive (1915 – 1968). Sábio teólogo da mística. Mestre da vida contemplativa em sua essência. Escritor eloquente. Poeta e artista. Humanista rebelde, de vasta erudição, expressou suas ideias engajadas nas graves e profundas questões sociais do mundo contemporâneo. Homem do deserto fértil. No silêncio abraçou a humanidade com suas contradições. Libertário por excelência permanece um testemunho de Cristo.     
 com Dalai Lama
com Thish Nhat Hanh

         A Montanha dos Sete Patamares é sem dúvida a porta de entrada para se conhecer Thomas Merton. Este livro é sua autobiografia escrita em 1948 - The Seven Storey Mountain - obra publicada em inglês, já quando monge. Traduzido para muitas línguas - La Montaña de lós Siete Círculos / La Nuit Privée d’Étoiles. Merton nos deixou mais de 60 obras.
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    Trecho do Prefácio da edição japonesa

 - A Montanha dos Sete Patamares (1963) - Thomas Merton
           
        É minha intenção fazer de minha vida inteira um resistir e um protesto contra os crimes e as injustiças de guerra e a tirania política que ameaçam destruir a toda a raça humana e o mundo inteiro. Através de minha vida monástica e de meus votos digo NÃO a todos os campos de concentração, aos bombardeios aéreos, aos juízes políticos que são uma pantomima, aos assassinatos judiciais, às injustiças raciais, às tiranias econômicas, e a todo o aparato socioeconômico que não parece encaminhar-se senão à destruição global a pesar de seu formoso palavrório em favor da paz. Faço de meu silêncio monástico um protesto contra as mentiras dos políticos, dos propagandistas e dos agitadores, e quando falo é para negar que minha fé e minha igreja podem estar jamais seriamente aliadas junto a essas forças de injustiça e destruição. Porém é certo, apesar deles, que a fé na qual creio também a invocam muitas pessoas que creem na guerra, que creem na injustiça social, que justificam como legítimas muitas formas de tirania. Minha vida deve, pois, ser um protesto, antes de tudo, contra elas. Si digo NÃO a todas essas forças seculares, também digo SIM a tudo o que é bom no mundo e no homem. Digo SIM a tudo o que é formoso na natureza, e para que esta seja o sim de uma liberdade e não de submetimento, devo negar-me a possuir coisa alguma no mundo puramente como minha própria. Digo SIM a todos os homens e mulheres que são meus irmãos e irmãs no mundo, mas para que este SIM seja um assentimento de liberação e não de subjugação, devo viver de modo tal que nenhum deles me pertença nem eu pertença a algum deles. Porque quero ser mais que um mero amigo de todos eles me torno, para todos, um estranho.
 Thomas Merton com Rimpoche Chatral.

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