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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pãe Francisco - Pai e Mãe da Igreja Católica


Carta aberta aos que acompanham esta Jornada Mundial da Juventude com a presença do Bispo de Roma, Papa Francisco.

Queridos todos e todas,

A Igreja Católica Apostólica precisa de Mãe, de Pãe Francisco - Pai e Mãe. 
Bem vindo Pãe Francisco à Jornada Mundial da Juventude, Rio de Janeiro, julho de 2013.
Mãe é o princípio feminino do acolhimento. É calor humano, é doçura, bondade, compreensão, afeto, perdão incondicional. Por consequência, espiritualidade profunda. É o que percebemos nestes dias de sua presença no Brasil.
Estamos cansados da forma patriarcal, clerical, hierarquizante e absolutista.  Precisamos retomar a presença do Menino Jesus de Nazaré, o Cristo, o Messiah, o Redentor Cósmico da humanidade. Precisamos urgente de Mãe no coração da Igreja. Pãe Francisco, pai e mãe, acolhedor, onde homens e mulheres possam comungar dos mesmos anseios pelo Reino de Deus, aqui e agora, neste Planeta Terra sofrido e sedento de justiça social, generosidade, partilha amorosa com fraternidade solidária.

Urge uma Igreja renovada com valores espirituais e humanos tendo o rosto do Cristo no centro das questões ao lado de Maria, sua mãe, de mulheres e de homens. Espaço para o povo de Deus opinar, participar, trocar, comungar em ideias e celebrações com interioridade e alegria. Um cristianismo consciente sem genocídios e biocídios, cuidando e acolhendo a Natureza, franciscanamente, nossos irmãos minerais, vegetais e animais. Sem cuidados e amor à natureza não haverá cristianismo nem Vida possível.

Abaixo o patriarcalismo cruel, em todos os segmentos da sociedade, que danos maiores têm recaído, em particular, sobre os homens, que estão perdidos, feridos afetiva, sexual e intelectualmente. Prisioneiros da racionalidade dão lugar preferencial à violência e à banalidade. Desconhecem ou perderam o caminho do sentimento e do coração amoroso. E mulheres fraca, incautas e servis seguem as mesmas normas machistas. Necessário maior convívio com as mulheres fortes e sensíveis, fraterna e irmãmente como Marta, Maria Magdalena e muitas outras, conviviam com Jesus.
Jovens precisam conhecer a união de opostos internos; luz e sombra, masculino e feminino, firmeza e doçura. Assimilar o divino e o humano contido na existência.
É oportuno Pãe Francisco acolher os sacerdotes que optaram pela união matrimonial dando oportunidade a se reencontrarem na Igreja.

Desde o Grande Papa João XXIII, e, em especial, com a morte misteriosa do Papa João Paulo I, que não me ocupo mais com a hierarquia triunfalista do Vaticano, com Papas e suas pompas. Foi um corte ontológico. Um corte com a Cúria em sua postura centralizadora, medievalista e sem transparência.
Ser católica leiga, sem presença efetiva na Igreja Católica, passou a ser um desconforto, um viver a caricatura do Cristo. Incontinente, virar a página e seguir.
Nada disso que relato tem qualquer importância para o clero católico conservador, visto que mulheres praticamente quase nada representam. A Cristandade num avanço quântico é esperada. Mulheres, ainda, são figuras coadjuvantes, servidoras do patriarcalismo institucionalizado. Mulheres quase nada representam de direito. Nem freira, nem leigas, e estas, muito menos. Minhas opiniões e reflexões jamais seriam ouvidas pelo simples fato de não estar inserida no academicismo teológico.
Isenta de culpa caminho à distância do bojo católico em comunhão com a humanidade inteira, sem exclusões. Caminhei curiosa e silenciosa pela ortodoxia, pelo Taoismo, Zen budismo e Hinduísmo. Não ficando de fora judaísmo e islamismo. Pouco apreendi da cultura religiosa africana. Com Thomas Merton, Teilhard de Cardin e Leonardo Boff me afinei com o Cristo Cósmico. Com “os loucos” fui surpreendida com a presença do Deus Desconhecido.

Todo cidadão e cidadã que anseia o Amor Divino e reflete sobre questões profundas e essenciais da Vida, da Beleza e da Criação em sua fonte primordial, é teólogo ou teóloga, mesmo sendo analfabeto. Teologia não é privilégio de intelectuais, é possibilidade real de todo ser humano que tem sede do absoluto e apreende sutilmente o que está além do cognoscível. Deus se revela aos que o procuram espiritualmente e surpreende mesmo aos incrédulos. Bom estar em plena atenção. A experiência mística é graça, é apreensão do sagrado existente dentro de cada ser.

Continuo tendo o Cristo como Ícone perfeito. Com Jesus aprendemos; “amai-vos uns aos outros como lhe amei”, “não seja o senhor de ninguém... sirvam uns aos outros no amor”, “não se preocupe com o dia de amanhã, o dia de hoje lhe basta...”.
A Igreja Católica Romana pode jogar tudo fora, todas as bugigangas do Vaticano na estrada [força de expressão], por que nada representa diante das palavras do Cristo, Ieschua de Nazaré, o Messiah: “amai a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo”.
                     Com calor humano por todos os seres e cheia de esperança na cristandade,                                                                                  Martha Pires Ferreira
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Martha – batizada em 1939, quando nasci. Formação: Colégio Assunção. Ação Católica, JEC e JUC, anos cinquenta e sessenta, do século passado.

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