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domingo, 14 de julho de 2013

Mãe Solteira com a benção de Deus

Acabo de receber esta corajosa mensagem do Papa Francisco vinda de Lisboa, de minha querida amiga portuguesa, Isabel Bugalho, que diz, sorrindo, “não acredito em Deus, graças a Deus”.


Eu, Martha, a desenhista, a astróloga, a apaixonada pela liberdade e pela natureza, eremita urbana, sou mãe solteira. Realizada e criativa, continuo meu processo individual. 
Durante a gestação fui acolhida por muitos familiares e amigos, com imenso calor humano, e ao ser mãe em fins de janeiro de 1978, com o nascimento do menino na Santa Casa da Misericórdia, numa época em que as mulheres não ousavam assumir a maternidade sem o pai, sem uma união formal. Fui incompreendida e não aceita por católicos e outros “fundamentalistas”, que chocados me repudiaram incontinenti. Isto não me abalou, de todo, porque altiva e consciente escolhi ser mãe com o rosto luminoso pela alegria fecundada em mim. Nem me deixei abater por ter vivido um belo amor com um homem judeu, refinado e culto, mas que não soube como lidar com a relação afetuosa fora de seu contexto. Respeitei sua ausência e enfrentei sozinha, minha escolha, com a coragem que só possui quem recebeu o dom da graça e da fé espiritual. Nada perturbou o bom caminhar.

A vida escreve e se revela a cada dia. “A vida é revelação, vive-se a vida vivendo-a”, me soprou na inteligência um dos homens mais importantes da minha existência, Thomas Merton. Forte e firme ultrapassei os obstáculos, um por um.
O menino Thomas cresceu na escola dos limites e da liberdade. Aprendeu a contar com ele mesmo. Aos 12 anos me pediu para ser batizado, queria fazer a 1ª comunhão no Colégio Zaccaria, onde estudava. A iniciação cristã foi feita. Procurei meu amigo dominicano e mestre em Teilhard de Chardin, frei Pedro Secondi, que o batizou em cerimônia especial e comovente com, apenas, a presença dos padrinhos.

As pessoas amadureceram, a vida ensinou a todos. Estamos felizes, e para sempre.  Meu filho, já adulto, é meu grande amigo; responsável, trabalhador, solidário e querido de todos que o cercam. Conquistou o respeito e o afeto do pai e seus avós. Não é um individualista, sabe que viver é seguir sua estrada pessoal, é estar em comunhão com a humanidade, com o coletivo, com o mistério da existência.

Nascemos para sermos felizes. O Deus que conheço é o Deus do Amor, da Beleza, da Natureza pujante, da Magnitude misericordiosa, da Plenitude incognoscível.
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Um comentário:

Maria Duha Klinger disse...

BRILHANTE!!!! Este depoimento me emocionou às lagrimas. Obrigada Martha pela tua sensibilidade!