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domingo, 30 de maio de 2010

Poetizando

Hoje, 30/31 de maio, dia de Nossa Senhora em Minas Gerais, estou mais para gata, silenciosa em casa, espantada com os tropeços do mundo contemporâneo.
Muito jovem me dei conta de que a poesia não é a minha via. Andei por muitas trilhas sinuosas; o desenho continuou a me dominar em pontos e linhas, curvas e retas. Mistério sutil desvendar as riquezas do Cosmo em seus ciclos enigmáticos. Caminhar com a Mãe natureza, sempre.
Por que não poetizar? Relendo escritos antigos encontrei um bloco de exercícios para a poesia. Num encontro, há muitos anos, numa palestra ABI, Cecília Meireles dizia da importância de se afirmar a poesia quando se percebia madura ao ser oferecida para o público. Não sou poeta, não anseio este amadurecimento, mas posso poetizando dar acenos meus.
Neste instante estou mais para gata preta que tigre.

Um rabisco de 1967 -

Hoje sou tigre, terrivelmente, tigre.
Amanhã poderei ser gata, lata ou pedra redonda
cascalhos tridimensionais
ou escórias de ferro, vento, brisa.
Aluvião avião caminhão. Bicho papão.
Hoje?
Sou tigre, terrivelmente, tigre.
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