sábado, 6 de março de 2010

Simbolismo do Conto - As Três Plumas

Uma visão sociológica e mitológica

O Rei cansado necessita repassar o seu reinado. Convoca seus filhos.
Os donos do século XX sem direção não sabem como lidar com o ritual de passagem de um milênio para outro - conduzir os seus reinados para o séc. XXI. Convocam seus súditos, mas perdidos se conflitam com a face do desespero.
Os poderosos apresentam ao Planeta um quadro de progresso industrial tecnológico altamente sofisticado, entretanto, econômica e politicamente um horizonte sem saída. Velhos e cansados perderam controle de suas ambições triunfalistas, perderam o domínio de suas possessões. Decadentes nas áreas humana, religiosa e ambiental tornaram-se privados da potência criadora, só conhecem a força das armas. Perdidos sem direção, “os donos do mundo”, convocam países submissos à corrida do sonho da globalização; a salvação de mão única. Necessário manter as rédeas do controle imperial. Dos sete mais poderosos reinos com mãos firmes no comando passaram para oito, e, agora são vinte os que sentam à mesa das negociações e exibem seus trunfos, suas fontes de energia, reivindicam espaços e direitos para todos. Frágeis, os menos industrializados como nação acham que copiar os velhos modelos de capital, de visão de mundo, estarão realizados como nação igualitária.
A dimensão dos territórios, qualidade da mão de obra escrava, troca de interesses, tudo pesa e é levado em conta para os “donos do mundo”. Quais países prometem mais sucesso? Qual terá a melhor economia, desempenho social, menos estrago ambiental? Quais serão os mais obedientes? Cultura nativa, valores locais e genuínos? Isto nada vale.
A pluma é soprada, aos reinos mais frágeis é exigido retorno de produção, economia estável, consumo de riquezas industriais e tecnológicas: um grupo vai para o Oriente – simbolizado por um dos filhos e outro grupo (país / nação) dirige-se para o Ocidente, simbolizando o outro filho – direções opostas, interesses múltiplos.
E o filho mais tolo, incapaz, o João-Bobo, o país/ nação, dos mais marginalizados, excluídos? Estacionado sem apoio e consciente de sua própria condição olha para o chão e vê um bueiro/alçapão. Não tendo outra escolha levanta a tampa do alçapão e desce as escadas: um bueiro sujo, escuro; não teme em bater na porta encontrada. Defronta-se com a Rainha Rã, soberana conhecedora do mundo subterrâneo, das forças da natureza. É ali que os povos, as nações desprezadas encontram o tesouro da Rainha Rã - Mãe Natureza, Mãe Terra.
Simbolicamente os Reis/Rainhas dos poderes palacianos, detentores dos bens comuns da natureza, não dormem mais tranqüilos já que perderam as direções. Não sabem que filhos/nações os substituirão. O crepúsculo dos “senhores” do mundo tem seus dias contados, angustiados sabem apenas que caminham num tempo/espaço de absoluta incerteza. Não vêem mais qualquer saída. E todos, em todos os recantos do planeta Terra, tremem o futuro na incerteza.
Cronos /Saturno (em Libra), senhor de tempo implacável, simbolizando os Reis, os Impérios da Terra, não quer largar as mãos do controle dos seus poderes. Os filhos ambiciosos e submissos, países dependentes, também, não são acolhidos, plenamente. As desavenças permanecem, os reinos não se entendem. Batalhas intensas se travam.
Os sinais celestes traçam recados. A mitologia nos ajuda entender estes sinais. Zeus/Júpiter (em Peixes), Poseidon/Netuno (em Aquário), Hadés/Plutão (em Capricónio), Uranus (em Peixes), Ciclopes e Hecatônquiros confrontam Cronos, reivindicam seus lugares. Os transtornos continuam. Os impasses são tremendos; os efeitos apocalípticos na epiderme, os temores no coração.
A humanidade inteira está despertando para enfrentar a metamorfose morte-ressurreição!
Como em todas as metamorfoses, em todas as grandes mudanças – o que é formoso, belo e precioso, surge da depuração – como na Alquimia.
Os “donos do mundo” não aceitam, as ofertas, as reflexões, as realizações dos filhos mais tolos, marginalizados, Bobos. Entretanto estes são os únicos capazes de mergulhar nas camadas mais árduas, difíceis e profundas da Natureza e trazer as respostas que a espécie humana, realmente, necessita para se reerguer e realizar seu maior sonho: gerar felicidade, brindar, dançar e cantar, namorar e amar. Dormir tranqüilo sabendo que viver requer trabalho, descanso, diversão e alegria. São os simples, os tido como Bobos, os portadores do bem maior, são eles que vivem em harmonia com Gaia, a fonte soberana da Natureza, quem nos dará a boa nova.

O homem lúcido não perde a meta – ele trabalha incansavelmente por um mundo humano e pleno de alegria – ele sofre e não teme a metamorfose. – Aceita o peso do mundo sobre os seus frágeis ombros e não se desespera. Confia. Confia, sobretudo nas forças da natureza. Acredita no amanhecer da lucidez universal. Confia no princípio coordenador de energias, nas forças renovadoras que emergem do centro mesmo da psique. Trabalha no silêncio e no amor.
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