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sábado, 15 de dezembro de 2007

Flores do Bem / Poesia

NATAL

Olavo Bilac (16 dez. 1865/1918)

Jesus nasceu! Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela podre estrebaria.

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na Cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes,
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presépio os guia,
Vêem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal ! Natal !
Sobre esta palha está quem salva o mundo
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal !

Natal ! Natal ! Em toda a Natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da Humanidade e da Pobreza,
Nascido numa pobre estrebaria!

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