domingo, 19 de julho de 2020

Reflexão _ Eixo Vida _ Morte _ Vida _ Travessia


              A palavra morte, ou morrer, traz em si o desígnio do fim de algo que pode ser a vida de um ser humano, um animal, uma flor, um laço amoroso, um acordo, um tempo de paz, um governo, uma nação e, mesmo, a morte de uma civilização. Falar sobre este assunto, geralmente, constrange as pessoas ao ouvir qualquer menção a esta palavra imbuída de mistério e indagações, sem respostas absolutas em seu contesto de finitude.
            Podemos falar da morte de uma pessoa; não da morte do espaço; falar do fim de coisas do tempo, não da morte do tempo em si mesmo; do fim da tempestade, mas não de sua morte; do fim de uma felicidade, harmonia, provisões, água, fogo ou alegria, mas nunca sua morte, apenas em sentido figurado. Não se esgotam as reflexões essenciais sobre os desígnios do fim de tudo que nos cerca, em particular a morte com suas complexidades.
            Simbolicamente, a morte nos remete a tudo que é perecível, por finitude inevitável, na existência, na criação. Ela nos conduz às reflexões sobre seu significado abissal _ das profundezas tenebrosas dos reinos dos Inferno, abismo do Tártaro ou às maravilhas dos Campos Elísios, ou ainda, do vazio seco e árido amargo do finito. A morte pertence, efetivamente, a transformação vital _ a semente que morre, que ao apodrecer se faz reflorescer em vida, será sempre, aos nossos olhos, milagre no ciclo da natureza. A morte é revelação e introdução aos ritos de passagem nas idades, culturas, acontecimentos religiosos e sociais. Abre caminhos para uma nova etapa da existência: da infância para a juventude; da mocidade para a velhice; do vigor orgânico das células para a inevitável inatividade progressiva. Ela nos remete ao repouso do Sol seguido da noite escura à espera da Aurora luminosa exuberante a cada manhã.
Sempre nos convida às reflexões, por vezes, tremendas e cruciais sobre o sentido do viver. O Destino evidencia-se numa crença profunda de ordenação absoluta e irrevogável que na Antiguidade delimitava os poderes individuais dos seres humanos. Essa ordenação vinha consagrada de obrigações morais e éticas, não podendo portanto ir além de seus limites ou fronteiras, sob o risco de terríveis danos. Na Antiguidade as demarcações determinadas pelo Destino eram representadas pelas Moiras, na figura de três mulheres velhas, vividas, de expressões severas _ Cloto “a fiandeira” que fia desde o nascimento até o fim a trama da vida humana; Laquesis “distribui” ao fixar um ponto nesta trama, enrola o fio e determina a sorte; Átropos “a  irremovível” corta o fio quando a existência chega ao seu termo. Elas representam no mito clássico os três momentos da vida – nascimento, fecundidade criadora e morte.
Refletir sobre o morrer é apreender o significado maior do se estar vivendo em inteligência racional, intelectual e espiritual em pertencimento no corpo sensível, perecível, finito, que acaba, que tem fim.
Os místicos intuem, por percepção aguçada, níveis mais extensos da existência, por ânsia de infinitudes, sem definir verbalmente, a experiência vivida em essência, sutilezas da alma, da vida espiritual na presença e continuidade da natureza humana como um todo.
Nise da Silveira (1905-1999), brasileira, pensadora por excelência, em seu último ano de vida, 1998, me dizia: “Martha, você precisa ensinar as pessoas a morrer” _ “Como, Doutora?”. E ficávamos em silêncio, num espanto sem respostas ou com reflexões em torno deste assunto_ indagações. Em sua obra Cartas a Spinoza (Francisco Alves, 1995), Nise aborda com clareza suas apreensões e sensibilidade sobre esta questão; anseios de eternidade, extensão. Nesta ocasião, fins de sua vida, Nise, disse para Odete Lara: “que não se sentia convenientemente preparada para morrer”, em conversas sobre o Zen Budismo e o Livro Tibetano do Viver e do Morrer. Poderíamos dar inúmeros exemplos de questionamentos sobre a vida neste sentido.
Sobre o pos mortem nada sabemos, efetivamente, nada pode ser dito, apenas apreendido. Em muitas culturas encontramos ricas abordagens sobre o significado essencial da Vida _ paradoxos de forças contrárias coexistentes _ sua totalidade, união do céu com a terra.
Sentimento de angústia diante das notícias de morte, do morrer, da finitude, seja lá o que for. Desconheço de algum período, momento na história da humanidade, que se tenha valorizado tanto a vida, e, por contradição inconcebível, banalizado tanto a vida como a morte, como agora, nesta pandemia coronavírus-19, com este inimigo silencioso, invisível, que surpreende a todos, que se estende por todas as nações, de norte a sul, de leste a oeste, nos mais impensáveis recantos da Terra _ nossa Casa Comum _ confrontos de vida-morte-vida em todos os níveis; pessoais, culturais, industriais, econômicos, financeiros, governamentais e mais.
A Mitologia universal é repleta das mais amplas abordagens em torno da morte e suas projeções. Assim viveram os povos da Mesopotâmia e do Egito. Penso nos gregos, em Hesíodo e Homero, que com seus cantos poéticos nos deixaram maravilhas do universo mítico _ aventuras e desafios das divindades em suas múltiplas funções: Urano/Céu, Cronos/Saturno, Zeus/Júpiter, Atena, Poseidon/Netuno, Apolo/Sol, Artêmis/Diana/Lua, Hermes/Mercúrio, Ares/Marte, Afrodite/Vênus, Hades/Plutão, Ceres/Demeter, Hécate, gigantes, ciclopes, titãs e imensidão de configurações terríveis, assustadoras, tenebrosas. As culturas científicas, pós séc. XVII, com seus dogmas e premissas teóricas, baseadas na lógica formal, na racionalidade, se afastaram deste imenso e precioso legado simbólico do mundo dos Mitos. Perdeu o Ocidente, o Oriente Médio; Judaísmo, Cristianismo e Islã, arraigados no monoteísmo?!
O mundo Oriental, manteve-se constante em suas bases tradicionais; configuram o valor da existência, da vida e da morte alinhados à imensa gama de explanações e significados em sua riqueza mítica própria; Hinduísmo, Vedanta, Budismo, Tao e Zen. Não podemos esquecer de outras culturas com suas riquezas milenares; Afro, Andinas e Indígenas, que se mantêm vivas, atuantes _ ritos de passagem, de vida e morte; mitos, iconografias, cânticos, textos.
A linguagem da Astrologia, com forte influência greco-romana, é repleta de rica simbologia sobre o sentido da morte-vida-renovação-reestruturação da vida, quando se refere ao Signo de Escorpião, os Planetas Marte e Plutão/Hades e a 8ª Casa Zodiacal, em síntese.
O arcano maior do Tarô, a carta 13, a Morte _ tem como referência reflexões sobre a potência das forças vitais, questão da imortalidade por transformação, o renascimento. Mudanças profundas e radicais de passagem _ iniciação.
Na Alquimia, processo do Opus Alquímico, a grande transformação, o iniciado passa por fases _ morte e renascimento _ mergulho em recipiente fechado de purgação. Privado de qualquer contato com o mundo externo (como, agora, estamos todos, distanciado em nossas casas). O processo alquímico remete, em sua essência, à renovação pessoal pela passagem do estado de Nigredo, ao Albedo e por fim ao Rubedo _ conclusão do Opus _ renascimento para níveis mais elevados, união de forças opostas. Estados mais depurados de consciência, de vida em seu todo.
Termino esta minha reflexão com o significado da crucificação, que no cristianismo tem Jesus Cristo, o peregrino de Nazaré, no centro da Vida, ao afirmar que a Vida vence a morte para a eternidade. A tradição oral, transcritas nos evangelhos, nos legou que o Anjo se dirigiu para Madalena: “Surrexit, non est hic!” ressuscitou, não está aqui. Apreendo que disse para mim mesma.
Estamos na transição, ritual de passagem, fins de uma civilização _ Era de Peixes para Era de Aquarius, reencontro da humanidade inteira _ para Nova Civilização?! Desejo, minha Esperança.

Martha Pires Ferreira _ junho/julho, 2020

Pintura -Axel Ender
(1853-1920)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Ciclo de PLUTÃO


 Fenômenos celestes, extraordinários, sinalizam novos horizontes para o Mundo, realmente, com valores mais humano, solidário?  

Em outubro de 2018 eu disse para mim mesma: o Silêncio me chama. E me afastei por um tempo do meu entorno. Disse aos meus amigos que pressentia algo terrível que estaria para vir e não saberia dizer o quê e não era comigo e sim, sentindo ser algo muito difícil para com o Mundo. Fiquei quatro meses recolhida, até março de 2019, fazendo poucos contatos, meio retiro, e por todo este tempo fiquei tensa/temerosa/angustiada com reflexões profundas, sombrias, abissais. Depois, aguardando, observando com calma. Passamos a ter um outro governo; que se mostrou desastroso, incompetente, desordenado. Transmiti em reuniões fechadas ao amigos/as de Astrologia as possíveis conjunturas do Céu. Apontei as possibilidades difíceis a serem enfrentadas para depois de dezembro 2019 e períodos seguintes.
O planeta Plutão comandando, fortemente, esta transição, sinais do céu-terra com desmontes de valores, poderes, domínios. Plutão/Hades, o senhor do mundo subterrâneo, das profundezas da Terra, percorrendo o signo de Capricórnio ( ao lado de Perséfone _ que raptada tornou-se deusa do mundo subterrâneo _ associada à agricultura, estações do ano, frutos, ervas e fertilidade com sua mãe Demeter) Por que os gregos, os mais antigos, fizeram projeções deste deus do mundo dos Infernos?! 
Plutão/Hades com o cão de três cabeças e a esposa Perséfone
O que Plutão tem a nos dizer, agora, simbolicamente? O "mundo pagão" nos legou uma riqueza imensa que precisa ser retomada com sua mitologia arcaica e clássica. 
O que são 2.500. 2.000 anos para a História, em acontecimentos mitológicos, quando configurações geométricas do céu, foram registradas, cuidadosamente, com precisões e recitadas, decantadas oralmente, pelos poetas como verdadeiras realidades do Panteão Celeste, dos Deuses? Somos quase nada.
As posições celestes neste período, atual, século XXI, em que vivemos, são bem semelhantes às posições celestes da Renascença, tempo das grandes navegações, descobertas científicas, artes, imprensa e expansão da escrita. O planeta Plutão se encontrava em Capricórnio ao lado de alguns astros, um stelium, e, 10/01/1518 _ nos signos: Urano/Touro; Júpiter/Virgem; Marte, Plutão, Saturno, Mercúrio, Lua e Sol/Capricórnio/ oito astros em Terra - Vênus/Peixes/Água e Netuno/Aquário/Ar _ nenhum planeta em Fogo.


Mapa do Céu em 10 jan. 1518 - (tempo de grande epidemia)
Agora, só Marte/Áries/Fogo, (mapa, hoje, 17 julho) em Terra - Júpiter, Plutão, Saturno e Urano.
O mesmo grau se encontrará Plutão (28º de Capricórnio) ao fazer o seu ciclo em torno do Sol a cada 248 anos, isto é, na mesma posição da Independência dos EUA, 4 de julho de 1776 _ e, nos movimentos libertários que antecederam a Revolução Francesa _ anseios de liberdade, fraternidade e igualdade.
Estando Plutão neste novo ciclo, no mesmo grau de Capricórnio, qual o significado, agora, para a Humanidade? Tudo é impressionante e interrogativo pela sincronicidade. Radical passagem civilizatória como na Renascença com tantos abusos perversos e realizações extraordinárias? Assistimos perplexos energias, forças opostas, em confrontos impensáveis, fricções intensas em complexas batalhas acirradas, para outros níveis reais, civilizatórios, mais elevados? Desejamos. Espero.
Publiquei artigo firmando, claramente: TUDO VAI PARAR, dias antes de 17 e 18 de março de 2020 (ver aqui no Blog). Os planetas, astros, em signos de Terra – Capricórnio e Touro, poucos em Água e nenhum em Fogo ou Ar. E tudo parou de repente. O mundo deu um freio diante deste inimigo secreto e silencioso; Coronavírus-19, impondo um repensar nos valores da Vida em todas as vertentes possíveis - um novo estar no mundo - Planeta Terra.
Daqui para frente viveremos, ainda, um tempo duro, transição nas trevas _ noites escuras. A Mãe Natureza clama por respeito ao Meio Ambiente, à vida natural; em sua larga dimensão humana. Um basta aos excessos de progresso.
Leiam Era de Aquarius /1972 - ver aqui no Blog - coluna - artigo)
Outra publicação, antes das torres caírem, em 2001 coloquei com pontual cuidado a decadência desta civilização em busca de Novos caminhos para a Humanidade. 
 ( observações de 2001 - publicadas no livro Astrologia no Brasil )
Sempre penso em Teilhard de Chardin, dizia mais ou menos assim: “Num dado momento a Natureza Humana, em fricções profundas, se atritará, de leste a oeste, e, a Humanidade passará à níveis mais elevados de consciência, tudo será semelhante ao que foi o nascimento do Fogo”. Uma evolução no processo da natureza, da Vida, da Criação como um todo. Razão
por ser, eu, essencialmente a fim do pensamento de Teilhard de Chardin. A evolução humana se faz nesta complexidade imensa em confrontos contínuos de forças opostas, em desafios constantes. Sairemos desta noite sombria, sim, para níveis mais elevados de consciência, com toda a a Natureza, espécies – e nós seres humanos.
-- Martha Pires Ferreira
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domingo, 12 de julho de 2020

Caminhadas de Plutão / Renascença/paralelos na história / síntese.


          As Astros falam – os humanos apreendem seus sinais.
        A Astrologia, uma linguagem simbólica, se posiciona em múltipla vertentes. A forte tônica, neste momento, é o Signo de Capricórnio _ elemento Terra _ domínios de poder, trabalho, realização e dignidade social, determinação e concretização no real, objetivo - o estado, a nação, posição social, o lugar de Status.
        Plutão/Hades, senhor do mundo subterrâneo, dos infernos, das profundezas da terra, das mais radicais transformações, em seu ciclo de 248 anos, aproximadamente, agora, percorre o signo de Capricórnio - 2008 a 2023 (em Aquário com retorno e em 21/01/2024 - direto). Plutão percorre este signo com a mesma assustadora potência e complexidades como foi a sua passagem celeste, segunda metade do século XV e primórdios do XVI, pelos signos de Sagitário e Capricórnio.

Tempo do surgimento da Imprensa / Gutemberg. Agora, com os avanços da tecnologia, o surgimento da Internet, mídias tantas, celular, 5/6 G, constatamos o impensável revolucionando, radicalmente, o mundo das comunicações. Naquela ocasião foram imensas as transformações que se deram com as conquistas por Terra e com as explorações náuticas por Mar/oceano. O avanço da Astronomia, mecânica celeste, com Copérnico; desenvolveu a teoria heliocêntrica do sistema solar. Os abusos de poder dos Senhores das realezas, dos império em domínios das Américas com a ganância desmedida, incluindo o poder papal. Tudo foi desmedido, sem limites, intenso. Entretanto, toda a história da Renascença foi compensada, paralelamente, pela impensável criatividade, extraordinário salto cultural, nas mais variadas áreas das ciências exatas e humanas, artes e saberes múltiplos.
As raízes da cultura estão nas obras que denominamos de clássicas, mensagens que não se esgotaram. Fontes vivas de conhecimento para a evolução da humanidade.
Deste período entre os séc. XV e séc. XVI – constatamos artistas, inventores, sábios intelectuais, e, exploradores ou inquisidores, em várias áreas:
Invenção, navegações, exploração/saques, geografia, cosmografia: Johannes Gutemberg (x–1468), Nicolau Copérnico (1473-1546), Cristóvão Colombo (1451-1506), Fernão Magalhães (1480-1521), Vasco da Gama (x- 1524), Américo Vespúcio (1454-1512), Hernán Cortes (1484-1547), Pedro Álvares Cabral (1467-1520), Bartolomeu Dias (1450-1500).
Artes _ Giovanni Berllini (1430-1516), Andrea Mantegna (1431-1506), Albert Dürer(1471-1528), Leonardo da Vinci (1452–1519), Michelangelo (1475–1564), Sanzio Rafael (1483–1520), Ticiano (1490-1576), Hieronymus Bosch (1450–1516), Bruegel (1525 -1569). Música _ inúmeros compositores renascentistas.
Medicina, Física, Astrologia, Alquimia _ Paracelso (1493-1541), Michel de Nostradamus (1503–1566), Paulus Ritius (1480-1541), Cornelius Agripa (1486-1535), Andreas Vesalius (1514-1564).
A árvore da vida - gravura - Portae Lucis- Ricius, 1516.
Selos Portugal -  500 anos _ Andreas Vesalius 
- medico anatomista _ desenhista gráfico.

Literatura, filosofia, teologia/religião, humanismo, política _ Nicolau Maquiavel (1463-1527), Gil Vicente (1465-1536), Luís de Camões (1524 -1580), Nicolau de Cusa (1401-1464), Teresa d’Ávila (1515 -1582), João da Cruz (1542-1591), Inácio de Loyola (1491-1556), Erasmo de Roterdã (1466-1536), Thomas Morus (1478–1535), Juan Luís Vives (1493-1540), Martin Lutero (1483–1546), João Calvino (1509-1564) e Etienne de La Boétie (1530 -1563), Giordano Bruno (1548-1600).
Reis, Imperadores, Papas, Inquisidores_ Henrique VIII (1491-1547), Papa Julio II (1443-1513), Leão X (1475-1521), Clemente VII (1478-1523 _ aprovou teoria de Copérnico – de que a Terra gira em torno do Sol / 99 anos do teste de heresia de Galileu Galilei), Catarina de Aragão (1485-1536), Isabel de Castela (1451-1504), Tomás de Torquemada (1420-1494), Girolando Savonarola (1452-1498).
Observação: Uranos em signo de Touro de 1516 a 1523. Netuno em signo de Peixes de 1520 a 1534.
Vivemos, na atualidade, noutro ciclo, a decadência de uma civilização prepotente e perversa repetindo como noutros momentos da História, no passado. Assistimos, hoje, perplexos sua morte, anunciada, sem tréguas; agonizando nas suas certezas, sem horizontes confiáveis. Temerosos estamos, juntos, com toda a humanidade, entretanto podemos constatar, uns poucos, aqui e ali, de pessoas sedentas de esperança no coração e vontade de acetar; inteligência de anunciadores de um reflorescimento, com outra forma de ser, de se viver uma nova civilização, mais igualitária, justa, fraterna, solidária, libertária e cortês.
As Polaridades positivas e negativas, o pior e o melhor, que existente na natureza caminham juntas no percurso histórico. 
O encontro de Planetas como Júpiter, Saturno e Plutão em Capricórnio/Terra, nesta caminhada celeste, são revelações - “Escritas das estrelas” - para firmeza do caráter no bom proceder, orientar nas direções a serem tomadas para o bem comum. Uma Nova Civilização necessita de novas raízes sólidas, e, que a todos possa alimentar; corpo e espírito - alma e sensibilidade.
Zeus-Júpiter a caminho da libertação _ Rafael
Saturno aprisionado na matéria 

            São reflexões no anseio de um salto para níveis mais elevados; um mundo possível em comunhão com toda a Natureza Mãe _ consciência do bem estar planetário, nossa Casa Comum _ minérios, flora, fauna, tudo em contínua evolução convergente.
Dois Mapas do Céu _ Olhar _ Capricórnio _10/1/1518 - 13/07/2020
















“Exceto pelo Amor, nada que vemos vai durar para sempre” Rumi.
“Ame, e, faça o que quiseres” santo Agostinho.
“Não basta falar de Amor, é preciso praticá-lo”. Albert Schweitzer.
“Ser mais é unir cada vez mais” Teilhard de Chardin.
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo!” Mateus, 22, 39.
A beleza da vida é a união convergente nas diversidades
Martha Pies Ferreira - em exílio - quarentena - inverso de 2020.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Use MÁSCARA - distância

Esteja protegida/ protegido _ use MÁSCARA e mantenha distância, o inimigo silencioso e escondido não foi embora, ainda. Ficar em casa _ tome um bom café ou chá. Ah, vinho é bom outra bebida! Leia, desenhe, interaja com as mídias, se alimente saudável, escreva, faça exercícios físicos, dance, uma boa meditação, fique leve, pense. A travessia é densa e escura _ mas a Vida é grandeza, é desafio dos fortes.

Confiança no fluxo da mãe natureza _ o SOL nasce na aurora _ é noite ainda, se preteja.









Bico de pena e aquarela, desenho de 2011 máscara 2020.

   Martha Pires Ferreira

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Deuses mitológicos sinalizam: Saturno, Plutão e Júpiter

O céu em desafios _ projeções simbólicas! Saturno, o implacável que não sede, que tudo engole e retém, será confrontado por Plutão e Júpiter.

A linguagem dos Mitos é viva, atual.

O planeta Saturno retorna ao Signo de Capricórnio/Terra 29º59’ às 2h56 RJ/Brasil, hoje, 2 de julho 2020.  Compreendemos, simbolicamente, que novas tensões muito fortes se darão no céu, e, que refletirão por sincronicidade nos acontecimentos da Terra. Este planeta se encontrará, novamente, com Plutão; senhor do mundo subterrâneo, das transformações, da morte e da revitalização, e depois, com Júpiter; senhor da lei e da justiça. Acompanharemos, ao longo do ano, intensos paralelos de forças contrárias. O que se conclui? Confrontos acirrados destas forças antagônicas, com disputas de poderes, para novos paradigmas estruturais da vida pública, da sociedade como um todo; empresarial, governamental, administrativa em abalos radicais transformadores nas suas estruturas.

Capricórnio rege os joelhos _ as articulações dos joelhos. A Humanidade só terá uma saída: se ajoelhar, efetivamente, para se penitenciar de erros cometidos por poderes e abusos desmedidos; se rebaixar pela arrogância e onipotência mesmo cultural acadêmica, e, joelhar-se com humildade por identidade social, nas questões do trabalho, em particular. Capricórnio é o signo do status quo – significa posições de poder estratificado que não sede e domínio público. Tudo será totalmente abalado e, necessariamente, repensado para novos valores estruturais.

Dia 4 de julho, daqui dois dias, comemora-se a independência do Estados Unidos da América (1776 _ Philadelfia,Pen.). Desafios impensáveis se darão no coração desta nação com a imensa leva de descendentes de cinco continentes, ali habitando por migração, imbuídos pelo sonho do eldorado, da felicidade financeira e liberdade criadora. Reivindicarão lugar, de direito mais justo, democrático e dar baixa à segregação, à escravocracia, à onipotência da hegemonia absoluta. Sem dúvidas uma revolução interna, a partir do povo oprimido, explorado, na reconquista libertadora em seu todo.

O planeta Plutão em Capricórnio na independência como agora

A vida do mundo se faz por desafios constantes e para saltos de evolução da consciência pessoal e coletiva, trabalho e bem estar geral. Desafios acontecem para a conquista de um mundo possível, mais justo socialmente, e mais alegre, por solidariedade e partilha participativa. A riqueza dos mitos é nos mostrar que os desafios são intensos, que a luta humana é para avançarmos em valores de grandeza de direitos mais amplos para todas as espécies, para a vida planetária em sua totalidade.

Quem viver, verá!

Martha Pires Ferreira, 2 julho de 2020.

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

O eclipse de 21 de junho 2020 _ Era de Peixes / Era de Aquarius

Importante retomar reflexões sobre o Eclipse Solar_ dia 21 de junho 2020 - 3h40, RJ, por ter sido um fenômeno extraordinário, que pelo visto, não acontecia, desta forma, ciclo em torno de 26.000 anos, estando Sol e Lua em conjunção, a 0º21’ do signo de Câncer eixo Capricórnio – formando a cruz - equador celeste _ solstício inverno e verão (nos hemisférios sul-norte), atravessando a linha horizontal equinocial de outono e primavera; Aries - Libra. Podemos observar que este fenômeno singular, possivelmente, marca a mudança, da Era de Peixes para a Era Aquário, eixo vernal - Precessão dos Equinócios.  

Tudo indica estarmos vivendo algo bem mais profundo e incrível do que pensamos. Nada de alardes, mas sair de um milênio para outro não é nada fácil, isto não se faz num ano, e sim em anos _ o que já vínhamos vivendo nos últimos tempos. Transição civilizatória que nos fala dos apelos da Mãe Natureza, tão explorada, esquecida, degradada. Estruturas empresariais, de toda ordem visando, acima de tudo, os lucros e o progresso infinito, sem medidas, estão acuados, sem saídas possíveis, em decadência. O passado se foi, acabou; gostem ou não. A Mãe Natureza está dizendo: “Basta!”.

Os sistemas mundiais descendo ladeira de forma vertiginosa, se desmantelando em todos os recantos. Há um risco de degradação geral e desmedida, sim. Entretanto, observamos uma força impulsionadora, paralela, de inteligência humana corajosa, com intuições de pessoas fortes, com medidas proporcionais, a desafiar para a evolução possível e saudável do Planeta. Desde os finais de 2019, iniciaram-se as batalhas intensas dos Titãs, dos deuses mitológicos, simbolicamente, falando e que se estenderão intensas até 2023, 2024 _ desafiadoras.  Muitos se colocam em posição de alarmar, chamar atenção, acordar e apontar; é preciso, sim, agir com grandeza, pensar no coletivo. Tudo na Renascença, fins do século XV e meados do Séc. XVI, foi marcado por uma época tremenda – glórias e horrores; desafios de Lutero, invasões nas Américas, imprensa, conquistas e explorações com as grandes navegações, progressos impensáveis nas artes, ciências. Copérnico nos mostrando outro olhar com a mecânica celeste - heliocêntrica, incontáveis evoluções em meio às explorações inconcebíveis. Agora, outro salto gigante científico-tecnológico com outras sofisticações como a bomba atômica e as demais impensáveis invenções de destruição em massa. Sou utópica! Desafiemos os Demônios da atualidade com garras firmes _ amorização afetuosa, solidária e fraterna.

Chega de avanços desmedidos, vamos cuidar é da Terra Mãe, solo/chão _  Meio Ambiente, sem visar ganhos pessoais, e, muito menos em lucros exorbitantes. Nada sabemos, mas esperamos com paciência e visão outra Aurora Solar com a consciência mais ampla e depurada. Assistimos perplexos a morte de uma Civilização decadente, entretanto é preciso confiar no reerguer-se, no florescer, de uma Nova Civilização, mais solidária, humanizada.

Ainda, MANTER-SE EM CASA consigo mesma/o _ distância _ cuidados, por um tempo mais. Não há noite sem aurora _ a Humanidade está vivendo o eixo _ linha vertical e horizontal - da Precessão dos Equinócios _ estamos na travessia da Era de Peixes para a Era de Aquarius _ Era da solidariedade, fraternidade / nossa ansiedade assim deseja. Temos de encarar de frente o lado sombrio, noturno e desconhecido que existe dentro de nós mesmos e tão presente, neste momento, na sociedade em que vivemos; estrutura cruel e injusta. Juntos, temos que ser altivos e confiantes. A única saída para um Mundo Feliz e Alegre é o Amor Incondicional; solidário e fraterno, repetindo. NADA TEMER, acima de tudo, AMAR A VIDA.

Esta noite densa do Corona-19/inimigo silencioso, passará a seu tempo. Com Esperança no coração sensível veremos a Luz do Sol surgindo no amanhecer de uma Nova Civilização!~

Martha Pires Ferreira, 29 de junho de 2020

- Um vídeo sobre o Eclipse 21/06/20 _ muito importante.

https://youtu.be/Pt1iZwfsaCQ

Splendor Solis _ séc. XVI S. Trismosin L. British

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sábado, 20 de junho de 2020

Eclipse Solar - eixo Câncer-Capricórnio

Teremos um Eclipse Solar _ às 3h40' RJ / Brasil _ amanhã, domingo, dia 21 de junho, de singular e grande importância pela razão de se dar a 0º 21' do eixo Signos de Câncer e Capricórnio > marcaria a Precessão dos Equinócios a cada 26.000 anos, aproximadamente _ ERAS ?!










Ver no Youtube _ o Firmamento

https://youtu.be/Pt1iZwfsaCQ 

Sol _ Lua e Vênus ao anoitecer Campos de Jordão

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quinta-feira, 11 de junho de 2020

O que é Contemplação? / Vida _ interioridade

                         
    _13/10/1982 / tempo de sombra /Brasil _ correções breves sem mexer no texto _ junho, 2020. 

             O QUE É CONTEMPLAÇÃO? 
Contemplação não é apenas um estado do ser a vivenciar a interioridade é o despertar da consciência viva de que toda a natureza procede de uma fonte, transcendente e infinitamente abundante, inalcançável, que apreendemos mais que pela simples intuição.
A Contemplação é a apreensão sensível e consciente de que tudo emerge de um princípio gerador de energia; unicidade criadora. A Contemplação é a compreensão clara de que todo o SER criado pertence à Totalidade, que está acima de todo o entendimento racional. Sem dúvida “a Contemplação é a mais alta expressão da vida intelectual e espiritual do ser humano”, dizia Thomas Merton. É a sintonia harmoniosa com o núcleo essencial da existência. É beber na Fonte da Vida. É assimilar o não dividido, experienciar o conhecimento da não dualidade de forma obscura, de maneira inexplicável e imperceptível à razão. Uma espécie de visão espiritual que por natureza todo ser humano procura, aspira, inconscientemente.
A Contemplação nos aproxima de verdades que não podem ser transmitidas por palavras, imagens ou mesmo qualquer outra forma de conceito. Transcende a definições. Qualquer elaboração racional, explicativa para dizer o que é a Contemplação esvazia o seu significado. Podemos apontar o que seja a Contemplação, jamais explicá-la. A vida contemplativa não é vida mental, nem de sensações. Não pode racionalmente ser abordada por conceitos por ser pura experiência interna; liberdade interna. Ela surge independente de nossa percepção consciente. Importante é estar atenta a esta tomada de consciência, desta liberdade extraordinária que brota do núcleo da vida, e que é possível de ser apreendida por todo ser humano.
O exercício da Contemplação pode ser sugerido por palavras, símbolos, sinalizações, mas no próprio momento em que se procura indicar, apontar, o que se sabe a seu respeito, o ser contemplativo retira o que disse e nega o que afirmou; assim agiam os sábios da Antiguidade oriental _ é algo intransmissível. O contemplativo age como com um koan – zen; afirma e nega; para abstrair a verdade pura. Conhece não conhecendo. Sabe sem saber.
A Contemplação é conhecer a verdade além do conhecimento. Nada pode expressar objetivamente sobre este Saber. A capacidade de contemplar é um dom. De certa forma não depende de nós, nos disponibilizamos, é um trabalho oculto, misterioso da criação despertando em nós a consciência do absoluto. É dom da graça.
A poesia, a música, a yoga, a meditação, as artes e mesmo a ciência em geral, tem algo com a experiência contemplativa. O exercício criativo das artes nos leva à Contemplação, ao estado de plenitude do Ser, que ao atuar é, ao mesmo, tempo atuado. Estando além do domínio do corpo é a união de opostos; matéria e espírito, terra e céu, o micro e o macro.
Vivenciar a Contemplação é ultrapassar a estética das artes, é ir além de qualquer premissa especulativa; vai além do nosso conhecimento, nosso saber, nosso discursar de ideias. É um apontar. O Taoismo aponta – o vazio; diz, apenas, que o vazio tudo contém. É o caminho do Tao, a Via que vai nos esclarecer o que contém este vazio.  
É contemplando que se apreende o significado e importância real da Contemplação. É contemplando que se é contemplado.           Podemos apontar dizendo que contemplar e simplesmente viver a vida; o viver naturalmente. A vida é um fato e qualquer explicação do que seja a vida é desnecessária, assim a Contemplação que não se apoia em valores formais do bem e do mal, do certo e do errado, da virtude ou do vício; não questiona, é inteira por si mesma. A vida é revelação diária. Basta viver conscientemente o nosso caminho, a nossa via para atingirmos o estado de Contemplação.
Contemplar não é alienar-se. Sentar-se e ficar quieta com o olhar vago e perdido nu, ponto ou direção, nada tem a ver com a Contemplação. Ela é mais do que a simples atenção ou estado de reflexão; ultrapassa todos os modos de ser. É observação sensível, sem interferência do intelecto. É mais do que intuição, porque intuir é função ativa da mente.
Contemplar é Ver sem Ver. É pura sutileza da alma apreendida em silêncio, no silêncio interior. O silêncio externo ajuda e cria condições próprias para se apreender a visão, experiência interna, que aflora das profundezas de cada ser humano. Os barulhos externos impedem que se escute a voz que emerge de dentro. Todos nós nascemos para bebermos na Fonte da Vida, onde qualquer um pode chegar, incondicionalmente, entretanto, somente aqueles que enfrentam os conflitos internos, as lutas e crises existenciais mais agudas, no que existe de mais contraditório, podem estar abertos para o despertar espiritual mais profundo e elevado.
O estado de Contemplação é um estado de plenitude, mas a passagem que nos leva a este nível mais elevado é sempre vivida por momentos de asperezas e situações tempestuosas, que por vezes, sangra. 
Somos seres frágeis, inseguros e instáveis, por isso em muitas situações regredimos, recuamos e nos tornamos inferiores necessitando de novos impulsos para a evolução, para avançar níveis mais altos de consciência e existência. Assim procede o fluxo energético, um constante convite para a evolução contínua.
Quando atingimos estados mais altos e mesmo sabemos viver na insegurança, somos capazes de resultados externos mais significativos, estáveis, por tanto, mais seguros, por consequência de nossa caminhada espinhosa, interna. Por resultado consequente obras surgem no mundo, mesmo que não percebidas por terceiros. Pode ser um fazer silencioso e produtivo. Como não existe nada de mais íntimo do que a sua vontade, somente ela, a vontade imperiosa, moverá a necessidade vital nesta tomada de consciência da totalidade que é a Vida. A atitude consciente diante de um objetivo é sempre movida pela vontade.
Viver sem esta consciência iluminada de que a vida é Totalidade, de que nada existe além da forma, conceitos, desejos, divisões, conflitos, paradoxos é viver como um miserável carregador de pedras, numa eterna sensação de peso, de carência e de tragédia, e, contínuas ilusões, decepções e frustrações. Viver sem a consciência da grandeza da vida é um peso incompreensível do significado maior da vida. Cada um de nós é um mundo, um Todo. A Contemplação é o estado interno de compreensão dos maiores valores da vida.
A civilização atual está em pleno estado de decadência, dissolução e morte (estávamos em 1982). Todos os valores são contestados, negados. Vivemos na escuridão do mundo; nada a nos oferecer segurança; horizonte. É um tempo de Sol poente – precisamos saber atravessar a noite dos sentidos como no processo Alquímico, transformador – é na escuridão que o Opus, a Obra, se faz. É das cinzas que nasce a sabedoria. É da morte dos valores existentes, sem mais suportes consistentes, que ressurgirá, ressuscitará, a Vida renovada. O futuro da humanidade.
Hoje, presenciamos, todos juntos, o processo civilizatório deteriorar-se por si mesmo. Não adianta ocuparmos nosso tempo culpando terceiros por um mundo que não está dando certo; projetando emoções desgastantes num sistema de vida já corrompido. “Um Mundo Novo necessita de raízes novas”, dizia Henry Miller. Estamos perplexos diante do mundo atual, mas temos que ser Heróis. Precisamos adquirir o exercício do silêncio interno que, irrevogavelmente, nos apontará a saída, o horizonte, o verdadeiro sentido da existência humana; seus valores sociais dignos, a certeza de um mundo Novo e Belo.
Não se trata de se alienar dos sofrimentos do mundo; quando se ama o mundo sofre-se com o mundo. Necessário, sim, é se defender das ilusões de um mundo dividido, cruel, desgraçado por ser tão desumano. Acompanhar o processo do mundo, mas atentos ao exercício dos valores internos em fidelidade íntima para com a Vida. Tarefa dificílima e tremenda, mas a única, talvez, capaz de libertarmos o mundo da sua miséria, já que somos nós mesmos a nos libertarmos de nossa própria miséria social. Precisamos acreditar que somos capazes de salvar o mundo – nosso mundo pessoal, e, consequentemente, o mundo coletivo. Utopias são necessárias! Retirar-se para dentro de si é retomar energias e encontrar a fonte da Vida, a razão da luta pela Vida.
O Fogo criador que nos aquece, a Mãe Terra com o alimento natural que em abundância nos oferece o Ar que respiramos e semeia as novas mensagens de Vida, a Água purificadora das fontes e irrigadora, o Éter que se expande nas atmosferas impensáveis – verdadeiras Alegrias da existência! Precisamos retornar à Fonte Primordial para renovarmos a face da Terra cansada e reencantarmos a beleza da Vida.
Contemplação é beber na Fonte em estado de Amor Humano, é trazer à tona o significado pleno da Vida. 
 Martha Pires Ferreira

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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Pretensão poética _ Pensando

Pensando

Fiquei pensando

no que o poeta

não está pensando _

que sou eu

pensando não mais

pensar o que tanto

tanto penso

que não quero

mais pensar.

                     Martha Pires Ferreira - junho 2020

sábado, 6 de junho de 2020

Elogio da dialética - Bertolt Brecht

A injustiça vai por aí com passe firme.
Os tiranos se organizam para dez mil anos.
O poder assevera: Assim como é deve continuar a ser.
Nenhuma voz senão a voz dos dominantes.
E nos mercados a espoliação fala alto: agora é minha vez.
Já entre os súditos muitos dizem:
O que queremos, nunca alcançaremos,
Quem ainda está vivo, nunca diga: nunca!
O mais firme não é firme.
Assim como é não ficará.
Depois que os dominantes tiverem falado
Falarão os dominados.
Quem ousa dizer: nunca?
A quem se deve a duração da tirania? A nós.
A quem sua derrubada? Também a nós.
Quem será esmagado, que se levante!
Quem está perdido, que lute!
Quem se apercebeu de sua situação, como poderá ser detido?
Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã.
De nunca sairá: ainda hoje.

Bertolt Brecht, em “O duplo compromisso de Bertolt Brecht” [tradução Haroldo de Campos]. in: CAMPOS, Haroldo de.. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, 1997
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-- postagem  -  martha pires ferreira
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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Flores para suavizar _ desenhos

Algumas flores para aliviar as dores, assistindo tantos horrores, neste tempo de TRAVESSIA essencial para uma NOVA CIVILIZAÇÃO mais democrática, justa, liberal, solidária e, por tanto, HUMANA.
Bico de pena-nanquim, aquarela.


-- postagem - Martha Pires Ferreira
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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Liberdade de escrever – Reserva não é omissão


     Uma pessoa consciente de si, bem resolvida, amadurecida psíquica e emocionalmente, não permite que sua firmeza e dignidade interna seja abalada por fatores externos, seja por razões pessoais ou sociais; em conflitos no meio ambiente. Saberá contornar as situações com os devidos cuidados, com clareza de mente e sensibilidade.
         Diante de hostilidades externas é prudente manter-se com certa distância, em postura silenciosa, sem se omitir, e mesmo não deixar transparecer as suas intensões internas, que se mantêm firmes, inalteradas. Em tempos de tamanha intranquilidade e caos, na área pessoal ou social, sentindo-se nas trevas, num certo isolamento, manter-se atenta e segura de si, coerente em seus valores é essencial. Viver em momentos difíceis é desafiador e requer um quanto de silêncio, sem perder a alteridade, estando consciente de possíveis privações. Não virar as costas para as questões externas em conflito, como se nada estivesse acontecendo; não perder a firmeza interior; manter os valores pessoais que lhes são próprios. Estar consciente, eis tudo. Sempre bom visar o bem comum, mantendo-se inteira, mas, distante das posturas de adversários que em nada contribuem para a harmonia no entorno; seu coração é sua âncora, sua segurança, sua solidez. O Sol sempre surge pelas manhãs anunciando a aurora!
Labirinto s/d 
-- postagem - Martha Pires Ferreira
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