sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Paixões - Erasmo de Rotterdam


          Tive na vida muitas paixões profundas; sejam intelectuais, sejam corpóreas, sejam espirituais. Paixões emocionais e/ou silenciosas, arrebatadoras e encantadas, doces e refinadas. Paixão, sobretudo pela liberdade pessoal. Afeições com magia pela beleza essencial.
          Aqui, neste momento, quero pincelar minha amorosidade e ternura por um homem, entre os geniais que me influenciaram na flor das minhas descobertas culturais, em 1962, nos meus 23 anos; Erasmo de Rottedam (1466-1536) com sua obra Elogio da Loucura. Obra que reli algumas vezes.
          Estou relendo, bebendo sedenta, sua escrita; as obras que encontro. Memórias de Erasmo (organizadas por Édouard Beauduin) me enternecem, sua visão de mundo no início do século XVI, em plena renascença, é impressionante, profética e de uma humanidade única exortando à razão e ao amor do coração tendo como princípio a Filosofia de Jesus. Acabo de ler Diálogo ciceroniano; pura ironia didática e mestre diante da cega imitação. Iniciando A Guerra e depois lerei Queixa da Paz. Desejo encontrar seus Adágios/Colóquios publicados em português. 
       Aqui transcrevo alguns de seus adágios/colóquios/dizeres:
“Nas grandes coisas, basta apenas ousar”.
“A verdade, quando não ofende, tem algo de ingênuo que agrada; e foi somente aos loucos que os deuses concederam o dom de dizê-la sem ofensa”.
“O mal não é mal para quem não o sente”.
“A amizade é o maior de todos os bens: tão necessária à vida como a água, o fogo ao ar, é para o homem (espécie) o que para a natureza é o Sol”.
“Doce é a guerra para quem não a conhece”.
“Nenhum animal é mais destruidor do que o homem, pela simples razão de que todos se contentam com os limites da sua natureza, ao passo que apenas o homem se obstina em ultrapassar os limites da sua”.
“Aquele que conhece a arte de viver consigo próprio ignora o aborrecimento”.
“A felicidade consiste em nos transformarmos com a sorte”.
“O amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento”.
“De que vale a sabedoria?”.
“Convida um sábio (grifo é meu) para jantar, irá perturbar com um estranho silêncio ou com molestas questiúnculas”.
 “A mentira agrada mais que a verdade”. Poucos suportam a verdade.
“Para ganhar é preciso gastar”.
“A loucura é a origem da façanha de todos os heróis”.
”Deve-se respeitar o casamento enquanto é um purgatório, e dissolve-lo quando se tornar num inferno”.
“De forma alguma fala bem quem não fala convenientemente”.
“Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem”.  
“Deus, arquiteto do Universo, proibiu o homem de provar os frutos da árvore da ciência, como se a ciência fosse um veneno para a felicidade”. Ciência, sem sentimento e afeto, é veneno. “Todos te vaiam; que te importa, se tu te aplaudes?”.
“Não há prazer em possuir algo sem companhia”.
“Saber mesclar a loucura com a sabedoria”; seguindo Epícuro.
“Se colocares numa parte da balança as vantagens e na outra as desvantagens perceberás que uma paz injusta é muito melhor que uma guerra justa”.
“O louco à sua própria custa é que aprende a ser sábio”.
“A sabedoria divina tem sua eloquência própria”.
 “É bom divagar no momento oportuno e alhures”.
“Grande sabedoria saber ser louco na ocasião oportuna”.
“Quanto mais perfeito o amor, tanto maior a loucura, e sensível a aventura”.
“Não há nada melhor que a vida”.

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