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quarta-feira, 27 de março de 2013

Transporte? Bondes? Quando?


Paschoal Carlos Magno e eu num poético olhar - anos oitenta. 
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     Bonde a ma re li nho                                                       
                               Martha Pires Ferreira

Quando nossos bondes?
Aberto ou fechado, arejado, mas bonde.
Bonde, bonde, bonde.
Santa Teresa carece transporte,
à míngua nos mexemos, circulamos.
Sem locomoção, dignidade.

Ônibus? Sem horários, sem disciplina,
Desesperados descem ladeiras.
Turistas às gargalhadas; socoorrroo!
Filminho de horror.
Pra turistas incautos, desprevenidos.
Sacrifício pros moradores.

Bairro vazio. Não há pão. Sem padaria,
sem pão, confeitaria, biscoiteira.
Carece mercearia, vidraçaria, perfumaria,
farmácia, açougue, transporte.

Tem Governo? Tem Estado? Não.
Se tiver, evaporou, desertou, abandonou.

Santa Teresa, nosso doce Principado,
Virou botequim ou comedouro?
Dormitório pros moradores?
Ah, dormitórios
de luxo e andarilhos vagando trilhos!
Ah, tem livraria, tem cinema,
Bijuteria e cafeteria.
Mirantes e ilusiorias pra fotografias

Santa Teresa, não botequim, bebederia.
Trilhos adormecidos.
Sem blim, blim e sorriso de motorneiros.
Cadê nossos bondinhos populares
amarelinhos? Amarelinhos. 
A ma re li nhos, a ma re li nho.

Não sou poeta, sou patrimônio,
anos cinquenta, memória, atávica.
Santa é mais que soberba beleza,
é pura poesia, é ritmo.

Cadê nossos bondinhos?
Abertos ou fechados, arejados.
Nossos, nossos, a ma re li nhos.
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Lisboa
                                                                                   Mural - Jambeiro
Saudoso nº 10, seu Nelson me acenando !
   
Camiseta Bondinho Amarelinho, saudades!

2 comentários:

maze disse...

Também me sinto patrimonio de Santa Teresa. não simples moradora!

Martha Pires Ferreira disse...

Sim, que bom Maze, mais uma pessoa que se tem, se senti patrimônio do nosso querido bairro... Principado de Santa Teresa.
Em alguma esquina nos encontraremos.
Feliz Páscoa!
martha pires