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segunda-feira, 18 de março de 2013

Por um mundo mais humano e igualitário

 Cristo Pantocrator -
 mosaico. Santa Sofia, Istambul - 1261
Jesus, o Ícone, representa no inconsciente coletivo; a solidariedade, a igualdade, a fraternidade, o despojamento, o agregar sem exclusões, a alegria compartilhada, o senso de justiça social, o amor à beleza e ao próximo como a si mesmo; a Paz na Terra – Pacem in Terra.
Enquanto aguardamos as posições efetivas por uma Igreja Católica em acordo com o Evangelho de Jesus Cristo, Ieschua - o Messias, suas palavras e ensinamentos, em acordo com as realidades da modernidade, da vida contemporânea, o Bispo de Roma, Francisco, pessoa simpática, com gestos de simplicidade, embora com ideias de um conservador, nós precisamos, continuamos, a acompanhar e a refletir. E, com o olhar voltado para o pensamento de pessoas espiritualizadas, teólogos e teólogas, místicos e místicas, no coração do cristianismo.
Sem descentralização da cúria romana (visamos à ideia de colegialidade descentralizada), sem reforçar o Concílio Ecumênico Vaticano II, sem tratar do celibato obrigatório e a moral sexual, sem a participação das mulheres em decisões e atuações básicas, sem um espaço de tempo litúrgico para o silêncio interior (espírito das profundezas), sem amplo e profundo “aggiornamento” como fez João XXIII, nos anos sessenta, tudo permanecerá o mesmo. Com o risco de uma descida vertiginosa para o abismo.  
É preciso Esperança! É preciso avançar. O cristianismo não é uma fachada tecnológica vazia de significado, não é um espetáculo televisivo, não é um aparato hierárquico monarquista, medieval fechado na cúpula romana. O cristianismo é comunhão entre todos os seres humanos, é compartilhar das mesmas ideias, sentimentos e valores.
Estamos vivendo numa estreita travessia na História da Humanidade; ou caímos na total decadência, nos destruindo como espécie, ou transcendemos ao darmos um salto quântico a níveis de consciência mais elevados. Ver no outro uma pessoa igual, um parceiro, um irmão é a única saída. Impossível amar o inimigo, mas devemos respeitá-lo, termos mais sabedoria comportamental, mais diálogo, mais dedicação à beleza da natureza, à grandeza de se estar vivo e participando afetuosamente no Reino – construindo aqui e agora o paraíso terrestre.
É preciso acordar, ter esperança, avançar.
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E... Paz na era pós-cristã / 
 Thomas Merton (1915 - 1968)
“Gostando ou não, temos de admitir que já estamos vivendo num mundo pós-cristão, quer dizer, num mundo em que as atitudes e os ideais cristãos são mais e mais relegados a uma minoria”.
“É assustador constatar que a fachada do cristianismo que ainda sobrevive em geral tem pouco ou nada por trás, e que aquilo que antigamente era chamado de “sociedade cristã” é um neopaganismo pura e simplesmente materialista, com um verniz cristão. E, nos casos em que o verniz cristão foi arrancado, vemos exposto em toda a sua nudez o vazio da mentalidade de massa, sem moralidade alguma, sem identidade, compaixão ou sentido, rapidamente revertendo para o tribalismo e a superstição. Aqui, a religião espiritual cedeu terreno para a dança de guerra tribal do totalismo e para a adoração idólatra da máquina”.
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Paz na era pós-cristã, pág. 162. Editora Santuário, SP, 2007.
Peace in the Post-Christian Era - Orbis Books, 2004.

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