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sexta-feira, 30 de abril de 2010

CASA DAS PALMEIRAS

A Casa das Palmeiras é uma instituição terapêutica idealizada e fundada por Nise da Silveira em 23 de dezembro de 1956 com a colaboração da psiquiatra Maria Stela Braga, a educadora Alzira Cortes, a assistente social Lígia Loureiro da Cruz, da artista plástica Belah Paes Leme e com a presença de numerosos amigos.
A Casa era, inicialmente, na Tijuca e foi transferida, em 1981, para o bairro de Botafogo. Seu funcionamento é em regime aberto. Sociedade civil sem fins lucrativos. Reconhecida de utilidade pública pela lei 376 de 16/10/1963.

Rua Sorocaba 800. Botafogo / Rio de Janeiro - RJ.
Tel. (21) 2266-6465 - CNPJ – 33.808.486/0001-48
[ou tel. (21) 2242-9341]

Palavras de Nise da Silveira no livro de sua organização :
Casa das Palmeiras – a emoção de lidar – uma experiência em psiquiatria/Ed. Alhambra, 1986, RJ.
“O principal método de tratamento empregado na Casa das Palmeiras é a terapêutica ocupacional, mas terapêutica ocupacional no seu mais largo sentido”.
“Visamos coordenar olho e mão, pensamento e sentimento, corpo e psique, primeiro plano para realização do todo específico que deverá vir a ser a personalidade de cada indivíduo”.

Todas as atividades na Casa das Palmeiras são praticadas livremente, fazendo-se apelo à capacidade criadora que existe dentro de cada indivíduo: Pintura, Desenho, Modelagem, Colagem, Gravura, Artes Aplicadas ( bordado, tricô,tecelagem, bijuteria, costura), Lanche, Clube Caralâmpia (espaço onde todos opinam, planejam programações), Poesia, Teatro, Expressão corporal, Jornal - O Arauto, Leitura, Encadernação, Arranjo floral, Jardinagem, Música, Teatro, Baile, Televisão, Contos de Fada, Grupo cultural, Passeio.

(...) “Na Casa das Palmeiras este método amplia-se e adquire novas conotações adequadas a esta instituição destinada ao tratamento e a realização de egressos (ou não) de estabelecimentos psiquiátricos. A Casa representa um degrau intermediário entre a rotina hospitalar desindividualizada, e a vida na sociedade e na família, com seus inevitáveis e múltiplos problemas, onde a aceitação do egresso não se faz sem dificuldades.
Rótulos, diagnósticos são, para nós, de significação menor e não acostumamos fazer esforços para estabelecer-los de acordo com classificação clássica. Não pensamos em termos de doenças, mas em função de indivíduos que tropeçam no caminho de volta à realidade cotidiana”.
(...) “A tarefa principal da equipe técnica da Casa das Palmeiras será permanecer atenta ao desdobramento fugidio dos processos psíquicos que acontecem no mundo interno do cliente através de inúmeras modalidades de expressão. E não menos atento às pontes que ele lança em direção ao mundo externo, a fim de dar a estas pontes apoio no momento oportuno.
Convivendo com o cliente durante várias horas por dia, vendo-o exprimir-se verbal ou não verbalmente em ocasiões diferentes, seja no exercício de atividades individuais ou de grupo, a equipe logo chegará a um conhecimento bastante profundo de seu cliente. E a aproximação que nasce entre eles, tão importante no tratamento, é muito mais genuína que a habitual relação de consultório entre médico e cliente. A experiência demonstra que à volta a realidade depende em primeiro lugar de relacionamento confiante com alguém, relacionamento que se estenderá aos poucos a contatos com outras pessoas e com o ambiente. O ambiente que reina na Casa é por si próprio, assim pensamos um importante agente terapêutico
A Casa das Palmeiras é um pequeno território livre, onde não há pressões geradoras de angústia, nem exigências superiores às possibilidades de resposta de seus freqüentadores.
Nunca procurou a coleira de convênios. Optou pela pobreza e a liberdade
As relações interpessoais formam-se de maneira espontânea entre uns e outros. Distinguir médicos, psicólogos, monitores, estagiários, clientes, torna-se tarefa ingrata. A autoridade da equipe técnica estabelece-se de maneira natural, pela atitude serena de compreensão, face à problemática do cliente, pela evidência do desejo de ajudá-lo por um profundo respeito à pessoa de cada indivíduo.
Portas e janelas estão sempre abertas na Casa das Palmeiras. Os médicos não usam jaleco branco, não há enfermeiras e os demais membros da equipe técnica não portam uniformes ou crachás. Todos participam ao lado dos clientes, das atividades ocupacionais, apenas orientando-os quando necessário. “E também todos fazem em conjunto o lanche, que é servido no meio da tarde, sem discriminação de lugares especiais”.
(...) “Essas normas inusuais existem desde a fundação da Casa, em 1956. Não contribuíram para fomentar desordem. Pelo contrário, seus efeitos criaram um favorável ambiente terapêutico para pessoas que já sofreram humilhantes discriminações em instituições psiquiátricas a até mesmo no âmbito de suas famílias; isso sem citar, por demais óbvias, as dificuldades que se erguem no meio social para recebê-los de volta.
A Casa das Palmeiras, comporta a freqüência de 30 a 35 clientes funcionando em regime de externato nos dias úteis, das 13 às 17h30. Assim o cliente não se desliga de sua família e do meio social com seus inevitáveis problemas que aprende aos poucos a superar, graças aos enriquecimentos adquiridos através das atividades praticadas na Casa e dos laços de convivência amiga que aí se formam”.
(...) “Um método que utiliza, como agentes terapêuticos, pintura, modelagem, música, trabalhos artesanais, logicamente seria, na época vigente, julgado ingênuo e quase inócuo. Valeria, quando muito, para distrair os clientes ou em certas instituições psiquiátricas, torná-los produtivos em relação a sua economia”.

Visitem: http://casadaspalmeiras.blogspot.com/

A Casa sobrevive franciscanamente de doações de alguns clientes, de sócios e amigos. Colaborem com a Casa das Palmeiras.
Qualquer doações será bem vinda - os ateliês e o telhado (necessitando de obras)agradecerão:

UNIBANCO Agência 0161 - Nº 127617-9

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