

O ano de 1971 significou um salto libertário por entender que deveria ser dona de meus passos, 32 anos. Responsabilidade, viver a Vida no que ela oferecia, e, que acolhi, troquei, instiguei, me expressei em criatividade e prazer existencial. As idades foram passando com períodos de altos e baixos _ destemida em veracidade e fluxo confiante, em espiral contínuo, a níveis de saber mais elevados, e, afetuosidade em tudo que realizei com atenção e paixão. A aceitação da idade é tranquila, 87 anos _ um saber viver o momento presente com cuidados físicos e intelectuais, nos limites próprios da natureza, sem perder a ternura e o entendimento que só o coração conhece em profundidade. Sempre a tônica de João da Cruz “se queres ser tudo, não queira ser coisa alguma!”. Nada de obsessivo a querer, observando o que a vida oferece, vivendo com amor despojado, é realmente possuir tudo!
Foto Malu Lindermann - meu ateliê bibliotecaJanela branca... o Flamboyant
florido, vermelho entre as folhas
sorri _ é chuva de verão.
O céu abre ao azul e as
aves voltam a passear em dança,
borboletas são asas coloridas
na liberdade.
Refúgio é meu lugar _ a janela
tudo passa em filme, existência
sem pedir licença atravessa os anos...
Repousa tranquilo coração
cansado e amante.
silêncio na rua vazia e o copo
d’água na mesa, varanda do bar.
dias atravessam escuridão, trevas
leste a oeste sem rumo, direção.
ganância atrofia percepção... jaz a
morte e o sangue sobre a mãe terra.
enfrenta solitário cruel jogo reacionário.
Firme resistência ao degradante império,
confronto destemido na coragem.
Céu se abre e o Sol ilumina algo por vir
levante social acorda rumos possíveis.
Engendrar... escolher o bem comum,
agir não espera, lucidez tece horizonte.

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