quinta-feira, 30 de abril de 2026

Poesia e Viver eterno estar sendo _ aqui

   Anos 1961 - 63
 Londres e Paris, 1970 - 71
O corpo vive
 
O corpo teve sede, fome
anseio, alegria, inocência.
 
Pediu prazer, realização, saúde
esforço, descanso, pouso e
adormeceu, acordou, viveu
realizou nas horas, se perdeu.
 
O corpo sofre, suporta
vence, desafia... criou, sorriu
ama e silencia em suave tempo.

       O ano de 1971 significou um salto libertário por entender que deveria ser dona de meus passos, 32 anos. Responsabilidade, viver a Vida no que ela oferecia, e, que acolhi, troquei, instiguei, me expressei em criatividade e prazer existencial. As idades foram passando com períodos de altos e baixos _ destemida em veracidade e fluxo confiante, em espiral contínuo, a níveis de saber mais elevados, e, afetuosidade em tudo que realizei com atenção e paixão. A aceitação da idade é tranquila, 87 anos _ um saber viver o momento presente com cuidados físicos e intelectuais, nos limites próprios da natureza, sem perder a ternura e o entendimento que só o coração conhece em profundidade. Sempre a tônica de João da Cruz “se queres ser tudo, não queira ser coisa alguma!”. Nada de obsessivo a querer, observando o que a vida oferece, vivendo com amor despojado, é realmente possuir tudo!

 Foto Malu Lindermann - meu ateliê biblioteca

Tudo passa
 
Janela branca... o Flamboyant
florido, vermelho entre as folhas
sorri _ é chuva de verão.
 
O céu abre ao azul e as
aves voltam a passear em dança,
borboletas são asas coloridas
                      na liberdade.
 
Refúgio é meu lugar _ a janela
tudo passa em filme, existência
sem pedir licença atravessa os anos...
 
Repousa tranquilo coração
                      cansado e amante. 
Luz na escuridão
 
Ar seco, Sol ameno entre nuvens
silêncio na rua vazia e o copo
d’água na mesa, varanda do bar.
 
A mente vagueia incerta sem pouso,
dias atravessam escuridão, trevas
leste a oeste sem rumo, direção.
 
Comando insensato... senhores do mal
ganância atrofia percepção... jaz a
morte e o sangue sobre a mãe terra.
 
Progressista, democrata na coragem
enfrenta solitário cruel jogo reacionário.
Firme resistência ao degradante império,
confronto destemido na coragem.
 
Céu se abre e o Sol ilumina algo por vir
levante social acorda rumos possíveis.
Engendrar... escolher o bem comum,
agir não espera, lucidez tece horizonte.
        
        ___ Martha Pires Ferreira
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