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domingo, 18 de dezembro de 2016

Olympe de Gouges – pioneira dos direitos da mulher - Declaração de 1791.



Olympe de Gouges – pioneira dos direitos da mulher - Declaração de 1791.

     Olympe de Gouges (Marie) 7/05/1748 / Montauban - 2/11/1793 (decapitada)/ Paris, França.
     Símbolo da luta da mulher por conquista dos direitos humanos articulados com a Revolução Francesa de 1789: liberdade, igualdade, fraternidade.
     Marie Gouge, de família modesta, casou-se jovem, 16 anos, homem bem mais velho, um pequeno “nobre”, Louis-Yves Aubry. Um ano depois do casamento, já mãe, ficou viúva. Analfabeta, com intensa sede de conhecimento, conseguiu aprender a ler e a escrever, sozinha. Independente por natureza foi residir em Paris. Libertária mudou seu nome passando a se chamar Olympe de Gouges.
Adquiriu cultura ao frequentava rodas de intelectuais, nobres e artistas. Teve união amorosa sem laços matrimoniais, não querendo novo casamento, mesmo sabendo poder tornar-se rica. Era tida como bela mulher. Escolheu viver com liberdade para poder expor e defender suas ideias. Seus pensamentos e atitudes eram bem á frente de seu tempo.
     Cedo iniciou sua luta pela igualdade do homem e da mulher. A tirania dos homens deveria ser combatida pela militância das mulheres contra qualquer tipo de opressão ao mundo feminino, comum no feudalismo: “Oh, mulheres! mulheres quando vos deixareis de ser cega?”.
     Olympe de Gouges tornou-se escritora feminista com peças de teatro, panfletos e cartazes. Escritos políticos civis dos direitos da mulher. Luta pela liberdade e justiça, em defesa dos fracos, oprimidos e descalidos, pela abolição dos escravos, por direitos aos negros e mães solteiras, prostitutas e desempregados.
     Uma das pioneiras dos direitos femininos. Escreveu: “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” em 1791, reivindicando igualdade dos sexos e direitos ao voto, uma resposta veemente à declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789, que praticamente nada dizia sobre as desigualdades e os direitos do sexo feminino.
     Sempre em defesa dos ideais libertários da França pré-revolucionária. Conquistara admiração e afetos, assim como terríveis inimizades. Escandalizando conservadores, mesmo revolucionários. Denunciava abusos do Antigo Regime e os excessos e injustiças do Novo Regime.
     Era tida como “perigosa demais”. O Tribunal Revolucionário a condenou - os líderes Marat e Robespierre (que governaram com mãos de ferro e crueldade a França entre 1792 e 1794). Foi encarcerada. Consegue colocar em público um último cartaz denunciando sua prisão em condições desumanas, sem direito a um advogado ou qualquer defesa.
     Acabou sua vida decapitada na guilhotina, aos 45 anos, a 3 de novembro de 1793 (menos de um mês depois da alienada e arrogante Maria Antonieta). Suas últimas palavras foram as mesmas de seu panfleto: “Se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna”. 

Iconografia – Desenho pastel de Alexandre Kucharski (1741/ Polônia -1819 / Paris)
     Mais de dois séculos – somente agora foi inaugurado, este ano de 2016, na França, um busto de Olympia de Gouges, como símbolo da luta feminina, na Assembleia Nacional – Palácio Burbon. 
Fonte: amiga ativista, francesa (P.A.), libertária. Alguns dados e datas – fotos - internet.
- Martha Pires  Ferreira

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