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domingo, 6 de setembro de 2015

Pensando Plutão, senhor do mundo subterrâneo


              Pensando em Plutão, pensando na humanidade.












“A liberdade é mais forte que todo o ritmo do Universo”.
                                                           Frei Pedro Secondi o. p.

         Só a Mitologia nos ajuda a ver saídas para a atualidade. Hades/Plutão pertence ao reino inferior - divide seu reino com Tânato, deus dos mortos.  Plutão, Senhor dos infernos, do mundo subterrâneo, sentado aguarda a chegada de Zeus/Júpiter (fins de 2020), o filho excluído e rejeitado, para aliança de batalha feroz; vencer, com justiça, direitos inalienáveis apossados pelo pai Cronos/Saturno, senhor dos poderes da natureza terrena, mas implacável no tempo inexorável.  Pacto celeste de Plutão e Júpiter se sustentam com apoio de seu irmão Poseidom/Netuno, senhor das potências das águas e de Uranos, senhor do espaço/firmamento. Confronto entre poderes antagônicos; conciliação entre o céu e a terra. Lugar da verdade e da justiça.
        Os ciclos planetários apontam horizontes. Transformações profundas e radicais de Plutão; fins séc. XVIII; início séc. XVI; meados séc. XIII; início séc. XI e por aí vai até a Suméria, às cavernas. “Tudo estava escrito nas estrelas”, diziam os antigos. Só a racionalidade contemporânea é cega frente aos sinais dos astros. Não se tem uma reverência diante dos mistérios da criação. Vivemos a mercê da bússola da unilateralidade da pseudociência que só reconhece a lógica formal.
     Plutão a 13º04’ de Capricórnio/Terra e Uranos a 19º49’de Áries/Fogo – ângulo de 90º. Imprevisibilidade indica esta quadratura. Quem olha o céu estrelado está acompanhando esta tensão terrível há algum tempo, e, sabe o quanto o termômetro se elevará de temperatura. Metáforas para apreender tendências. De setembro de 2015 até fevereiro de 2016 as portas dos infernos se abrirão largamente. A Humanidade sem conciliação há de gemer na escuridão por longa data. Necessário se recriar o mundo em que vivemos. Darmos um salto quântico.
          Saídas possíveis?
      O céu sinaliza; estamos na eminência de um desastre mundial sem proporções. Apreendia/pensava que neste início do séc. XXI, aproximadamente em torno de 2014, iríamos entrar na Era de Aquarius, da solidariedade e harmonia universal. Errei. Estamos longe de harmonia e concórdia entre homens/mulheres e nações. Vivemos em riscos permanentes de fracassos e sem horizontes para a conciliação internacional. Ocidente e Oriente se confrontam sem aparente saída. A Mãe natureza ferida, dilacerada. Perplexos, todos nós acompanhamos as barbáries, os jogos de opostos; os conflitos entre seres e nações.
        Fechados em guetos vivem intelectuais, céticos, espirituais e/ou religiosos com suas ideias, utópicas ou não, isoladas do mundo em sua totalidade. Satisfeitos com fórmulas abstratas de relações culturais e sociais.
        Urgente comunicação mais estreita entre todos; acadêmicos/sectários, cristãos católicos ou protestantes, judeus, hindus, africanos, comunistas, índios e árabes muçulmano. É preciso comunicação com quem quer que seja que tenha ideologia diferente. Sem uma sincera colaboração mútua frente aos problemas tão graves no coração da humanidade nos destruiremos como civilização, mais rápido do que a sã racionalidade e argumentos lógicos se pretendem assegurar como conflitos passageiros, próprios do segmento da criação. Estamos na porta do Apocalipse, não é pré-cognição. E sim fatos brutais aos nossos olhos perplexos.
        Devemos tentar o diálogo, a comunicação frente ao abismo. Agora, não frente à bomba atômica, o poderio nuclear ou aos mais sofisticados recursos tecnológicos, mas à bomba molecular. A bomba da liberdade humana.
        Lembremos-nos da China, há uns trinta anos, oferecer ao Ocidente cerca de três milhões de degradados frente às pressões internas recebidas do império Norte-americano e nações da Europa. A China calou o Ocidente com a bomba humana. A  África e o Oriente Médio não se calarão diante da desqualificação.
        Nações árabes e africanas foram invadidas, ocupadas, espoliadas, degradadas. Agora vivemos a resposta. Perplexos nós acompanhamos cada passo da tragédia.
        Plutão, o deus do mundo subterrâneo significa simbolicamente, também, a transformação, renovação, ressurreição. Ave Fênix.
        Parece que Plutão, neste momento histórico da humanidade, abre as portas dos infernos. Os demônios estão soltos. Quem é o inimigo? Quem é o adversário? Quem é Caim? Quem é Judas beijando o rosto de Cristo? Quem é cristão que se identifica com o outro Cristo de rosto desconhecido, desfigurado? Em 1964, Thomas Merton, monge cisterciense, fez uma pergunta contundente em sua obra Sementes de Destruição: “Quais são, realmente, as nossas intenções?” O que as grandes corporações pretendem? Qual o destino da humanidade, o que estamos fazendo aqui? Perguntamos. O que podemos fazer diante do suicídio das nações com tamanho uso diabólico de poderes prontos a destruir inimigos?
        O ser humano e toda a natureza é coisa secundária, só contam enquanto lucro ou mercadoria de valor econômico e financeiro. O ser humano de carne e ossos é descartável, ferramenta inútil se não dá lucro. Visa-se é o mercado; ferro, laranja, ouro ou soja, agrotóxico ou farmacoquímica.
        Não se pode perder a esperança nos valores primordiais da vida humana, e de toda a criação por um mundo justo, solidário e igualitário.
        Dialogar é a saída; conversar, trocar, tentar entender com o coração. Aceitar o outro sem julgar. Um silêncio de dignidade diante das diferenças. Não temer o outro nem a derrota, mas desejar o encontro, a comunicação afável. Não é utopia, é presença humana, simplesmente, frente ao outro ser humano.
        Transição radical no coração afetivo da humanidade.

Martha Pires Ferreira
Domingo, 6 de setembro de 2015, Santa Teresa, Rio de Janeiro.

     

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