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sábado, 12 de novembro de 2011

Flores do Bem - hoje




No Rio de Janeiro vive de tédio só quem está adormecido. Não é preciso acordar tão cedinho. Toma-se o café com tranquilidade, bebe-se água e se organiza para dar vez aos calcanhares; a saúde está nos calcanhares. O Demônio detesta Dr. Sol, este eu o tenho como meu Rei; deixo-me banhar em seus raios luminosos pelas manhãs; caminho em seu calor energético. Uma beleza aproveitar e contemplar as casas com seus muros floridos, depois sentar num banco ou murinho e ler por uns trinta a quarenta minutos à sombra das árvores. Hoje, li o Sermão 26 de Mestre Eckhart, reflexões sobre Jo. 4, 23. Mergulha-se nas profundezas.
Uma sesta depois do almoço me faz bem. De carruagem parti para a Exposição da Índia. Está bem montada para se apreciar um povo e sua cultura tão rica em símbolos e alegorias, tradição e espiritualidade. Gostoso passear virtualmente pela Índia. Ah, mas antes de ver a exposição esbarrei com um quarteto tocando Jazz numa esquina próxima do CCBB, com ouvintes de pé e muitos sentados em mesinhas do bar; ali me detive por um pouco de tempo apreciando.
No CCBB, depois de ver o primeiro andar, a Índia tradicional, resolvi descansar. Encontrei-me com dois amigos; conversamos um pouco. Tomamos um cafezinho. Decidi ir embora, voltar outro dia para ver a Índia contemporânea.
Andando cruzei com a Rua Ouvidor repleta de gente nos bares. Continuei em direção à Rua do Mercado curiosa de ver tanta música. Na esquina já em direção da Praça XV as calçadas e as ruas estavam tomadas de sambistas e com um conjunto de 15 músicos embebidos de alegria. Homenageavam Paulinho da Viola com suas composições. Se não erro ele está fazendo aniversário, daí comemorar com todo o entusiasmo. O povo cantava feliz em sua simplicidade; brindava e dançava como uma festa da vida.
Andei pelas ruas do centro, quase desertas. Sem pressa, tomei o ônibus que sobe ao Principado de Santa Teresa levando comigo a comunhão de mais um dia de refinada presença. Ser eterna é estar, estando.
Minha doce e sábia gata Pretinha aprecia música erudita; passou o dia ouvindo a rádio MEC FM. Tudo acompanha e observa com o canto dos olhos.
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Martha Pires Ferreira

5 comentários:

Anônimo disse...

Isso é o Rio de Janeiro.
Beijos do Rey

Anônimo disse...

Lindo texto, Martha. Espero ter a sabedoria para continuar a cultivar a saude pelos calcanhares. Os meus frequentam muito o Aterro, mas sentem saudade do Principado de Santa Teresa.

Anônimo disse...

Ah, sim, a ultima mensagem foi minha, esqueci de assinar.

Helion

Anônimo disse...

Martha querida,
seu texto está lindo, terno, doce, envolvente e comovente, como é sua linda pessoa!
Vc é deslumbrante!
Suas palavras encantam e sua imagem serena e bela, o retrato de uma plenitude de vida!
Uma estonteante alegria tê-la por perto e receber seus feixes de luz!
bjs, denise

Anônimo disse...

Denise, querida amiga em Jung, você é quem nos encanta no Grupo de Estudos com sua presença e autenticidade.
Bjs teresianos, martha