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domingo, 11 de julho de 2010

Mistério insondável!

A impermanência da existência nos surpreende sempre.
A irmã morte veio, novamente, fazer-se presente. Perdi meu amigo F.J.B. e agora sua irmã, nem faz 15 dias, E.B.L. se despede da vida terrena - outra amizade de 1º grau. Ficam em nossos corações as pessoas que fazem parte das nossas vidas; aqueles amigos/as que por anos acompanharam nossas histórias pessoais.
Não tem como não se voltar à juventude; entre meus 15 e 22 anos em que juntos, um belo grupo de amigos/as, comungávamos dos mesmos interesses; conversas, festas, danças, música, cinema, passeios, viagens, afetos, alegrias e tristezas, e desenhávamos felizes projetos de futuro >>> cada um seguiu sua via em buscas plurais. A ida/ausência de um parente querido ou de uma grande amizade nos coloca em interrogações profundas. Silêncio diante do mistério insondável, nossa irmã, a morte - parafraseando Francisco de Assis.
A nossa vida em sua totalidade é que define quem somos e nosso destino futuro; não este ou aquele ato pessoal. A decisão fundamental e implacável de nossa existência se realiza na morte, quando poderemos dizer um Sim definitivo diante de Deus ou um não último.
Diante dos desígnios do Criador da Vida deveríamos nos calar. A morte física é o fim de nossa vida terrena, mas lugar de verdadeiro nascimento para a plenitude; ressurreição eterna. A morte é ponte/passagem para o mistério do Absoluto. Reflexão escatológica nos sinaliza continuidade espaço/tempo para outra vida eterna em sua substância. Quando percebemos que o Centro de nós mesmos não está em nós, mas sim nos outros e em Deus ficamos seguros e tranquilos; tomamos consciência de que vivemos no relativo e pertencemos ao Absoluto, somos aqui e agora, estamos no todo Cósmico, Crístico; pertencemos a todas as coisas criadas e incriadas.
Nossa querida E., noutras instâncias, comunga do Amor Divino que a tudo transcende.
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martha pires ferreira
Rio de Janeiro, 11 de junho de 2010.
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Um comentário:

Anônimo disse...

Popxa martha,

falar da morte não é nada agradável.Todavia, vc conseguiu com tanto lirismo suavizá-la.
Dom para poucos.
beijos
denise