Formas no espaço - detalhe, 2013.
Vislumbre ao Absoluto
Não existimos, apenas, por amor à vida que vivemos,
decorrer dos dias, dos anos (natureza sensorial, intelectual, política ou
religiosa), vivemos para a plenitude, anseio do mais absoluto que denominamos
Brahma, Deus, Tao, Essência pura, Desconhecimento.
Nossa ação quotidiana visa a unicidade, a grandeza de
toda a criação. Não há divisão: vida física, a matéria concreta e a existência,
o intuir, apreender, ideias, emoções _ uma só realidade. A vida existe não,
apenas, para ser vivida com dignidade, simplesmente por amor a própria vida, mas
por um anseio maior inexplicável, abissal, que nos envolve inteira; nos conduz
a compreensão do todo absoluto.
Tomamos consciência do nosso eu pessoal, do outro e
outros que nos envolvem; familiares e amizades, os outros em geral que nos
cercam. Apreendemos ser uma parcela ínfima do universo, inseridos ao Todo
criador que transcende ao entendimento formal. E concluímos por amor à vida, à toda
a natureza criada, que o indizível, energia criadora, está escondido no
interior da matéria. Basta contemplarmos uma simples pedra, flor, um fruto, uma
árvore; em cada uma delas o desconhecido mistério da existência está contido.
Importante mergulhar no que está escondido no coração da
matéria, liberar a Anima Mundi (alma do mundo!). Descobrir a beleza imanente é
tocar o transcendente, união criadora por convergência. Sem divisão apreendemos,
pelo amor, sensibilidade, a compreensão intuitiva da perfeição do todo dentro
de cada ser, manifestação existente. A perfeição do todo está inserida na
multiplicidade e diferenciação das partes.
Insisto. Somos parcela da manifestação criadora que tudo
gera. Na matéria vivemos e é através dela que tomamos consciência da presença do
todo. Somos invadidos pelo anseio de total pertencimento à fonte primordial da
existência. A entrega sem defesas nesta intuição, percepção, nos faz por
consciência saber o quanto já somos parte do absoluto, um dia a ser alcançado, em
verdade e vislumbramento.
Sim, vivemos no mundo maia, da matéria densa; cuidados a
cada dia aos fazeres que a vida humana nos impõem. Somos realidade em sentir e
viver o eu, o meu, os outros se fundindo no desejo de querer algo maior.
Cada elemento palpável, cada gesto vivido, cada objeto presente
é fonte de plenitude. Porta que se abre ao horizonte, em evolução constante, aqui neste mundo que habitamos _ o lá, eterno, já pousa
aqui em presença. A chave! Temos uma chave que aciona o abrir portas
desconhecidas. A chave é o processo de depuro constante pela Amorização
incondicional. Só pelo Afeto gratuito, despojado do eu centralizador que somos
tomados, embebidos, do pertencimento ao Absoluto. Grande Mistério insondável, incognoscível,
que nos envolve no silêncio do vazio que tudo contém, “união criadora” como procurou nos mostrar
Teilhard de Chardin.
A evolução espiritual da Terra, segundo Teilhard de
Chardin, se orienta em direção ao Ápice, para o qual tudo converge, cujo termo
não será outro senão “O Êxtase em Deus”. Sua visão de mundo não é fechada e
fixa. Não é um quadro definitivo de verdade, mas um feixe de eixo de progressão
de todo o sistema em evolução que não se esgota, que se aperfeiçoa. Não se trata de um esgotamento da Verdade - mas
explorações, penetrações diante de nossos olhos, uma imensidão do Real que
ainda não foi explorada.
Martha Pires Ferreira __
Manhã, caminhada em dezembro de 2025.
Uma breve observação que fiz a um amigo que se diz, se
coloca “ateu”. Ser "ateu" é
uma palavra vaga (que nega algo, que nem sabe bem), uma posição intelectual que
contrapõe outra ideia (em geral a um criador e/ou a vida eterna). // Dizer-se
“ateu” contrapõe ao que denomino Criação/Amor unicidade plena. O Amar em
plenitude não tem posição lógica, conceito formal, é uma entrega intuitiva ao
Tudo indivisível. O Amor Incondicional engloba quem tem ou quem não tem posição
definida. Amar em plenitude carece de dúvida por ser, apenas, AMOR __ potência
existencial naquele, naquela, que Ama.
Trata-se de referência ao Amor Incondicional, sem lógica,
sem raciocínio _ pura gratuidade (independente de se ter ou não ter fé
religiosa, acreditar em “algo”). O amor absoluto que nos une como seres
humanos, com toda a natureza em geral, engloba todas as realidades que nos
diferencia. É ao Amor absoluto que nos faz afirmar que Tudo é Amor. Assim como
nossa respiração se faz no elemento Ar (no Todo), o Tudo está em nós _ Ar/
Prana.
O que se conclui; sempre é complexo alguém dizer que é
“ateu”, não acreditar no Amor, no Amor primordial, ao qual podemos
dar inúmeras denominações profundas e precisas - Amor a partir da matéria. Cabe a cada grupo humano, formal,
denominar como desejar. O Amor que nos envolve está em toda parte e em
parte alguma, é indivisível – é puro Desconhecimento.
**********************************
___ Postagem Martha Pires Ferreira