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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lectio divina

A lectio divina é uma prática muito antiga dos mestres históricos da oração na tradição cristã, a mais remota, em especial mantida entre os monges trapistas, beneditinos. Leitura acompanhada de meditação silenciosa.
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Reflexões para fevereiro:

Novas sementes de contemplação
Thomas Merton
Vozes, 1963, Petrópolis, Rio de Janeiro

“A contemplação é a mais alta expressão de vida intelectual e espiritual do homem. É a própria vida do intelecto e do espírito, plenamente desperta, plenamente ativa, plenamente consciente de que está viva. É um espanto espiritual, uma admiração. Um temor espontâneo, reverencial, diante do caráter sagrado da vida, do ser. É gratidão pelo dom da vida, pela consciência despertada, pelo ser. É a consciência viva do fato que, em nós, a vida e o ser procedem de uma Fonte invisível, transcendente e infinitamente abundante. A contemplação é, acima de tudo, a consciência da realidade desta fonte. Conhece a Fonte, obscuramente, de modo inexplicável, mas com uma certeza que vai além, tanto da razão como da simples fé. Pois a contemplação é uma espécie de visão espiritual a que por própria natureza, tanto a razão como a fé aspiram, porque sem ela, permanecem forçosamente incompletas. A contemplação, entretanto, não é a visão, pois vê, ‘sem ver’ e conhece ‘sem conhecer’”. p.17

“A contemplação é precisamente a consciência do que esse “eu” é em realidade, “não eu”; é o despertar do “eu” desconhecido, que ultrapassa o plano das reflexões e observações e é incapaz de fazer comentários sobre si mesmo”. p.23

“A intuição contemplativa nada tem a ver com o temperamento”. P.25 (...) “pode acontecer a alguém de temperamento ativo e apaixonado ser despertado à contemplação e, talvez repentinamente, sem muita luta”. p.26

“Se tivermos a humildade de sermos nós mesmos, não seremos como nenhuma outra pessoa no universo” (...) “ o homem humilde aceita tudo o que nesse mundo o ajuda a encontrar Deus e deixa o resto de lado”. “Não é nada humilde insistir em ser quem não somos”. p.109

“Não seja um dos que, para não correr o risco de fracassar, nunca tentam coisa alguma”. p. 114.

“Um homem, porem, que é realmente humilde, não pode desesperar, pois no humilde não há maios vestígio de autocomiseração”. p. 184

“A verdadeira fé tem que ser capaz de nos sustentar quando tudo o mais nos foi retirado”.
p. 191

“A alegria espiritual ignora o sofrimento ou dele se ri”. p. 255
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“(...) to hold the infinity in the palm of his hands” /segurar o infinito nas palmas das suas mãos. W. Blake.
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