quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Aquarela e poesias falam por mim

 

A poesia ou desenhar tem sido modo de ser, expressar-me quando o silêncio pousa profundo. Realizo por impulso intuitivo para meu ver em papel, e, a umas poucas pessoas, possivelmente. Tudo bem!

Reencontro
 
Visão de perfeição
 _ sensação! O imaginário...
 Tudo é possível
            na entrega
tocar o desconhecido
       sem temer
a loucura, vazio, caos.
 
Entrega obstinada ao gozo
       vivificante insinua
o que transfigura a matéria.
 
Doação por reencontro
                         ao significado
o absoluto sendo tocado,
núcleo mais esquecido
       sem espera, se revela.    
****
 Velhice

                  ao amigo Helder Carvalho
 
Pode ser dom
velhice vivida,
                 sabedoria.
Outra descoberta
se faz presente.
 
Não mais inseguro
           anseio frustrante
raiva contida,
impulso inconsequente
noites perdidas
          em tolas divagações!
 
A vida transcorre solene
em sombra e luz.
 
Velhice é memória silenciosa
sem saudade do ontem
                            impermanente,
resta luminosos afetos.
 
A idade toca beleza presente
no agora, alma sensível,
pura existência!   
****   
Se _ 2022
 
Há um sentir encoberto na alma
   não sendo seu
        não sendo meu, apreendo
secreto anseio...
                Se não fosse?!
 
Não importa o silêncio dos dias
a eloquência sem voz
      em verbos monossilábicos
cortando distância.
 
O ser assimila, a alma se cala
_ o impossível se revela, tem
               os pés no chão, concreto.
 
Não importa a quietude
               estamos livres, sendo
células vivas _ ternura presente!  

Martha Pires Ferreira            

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