segunda-feira, 22 de junho de 2026

Poesia e Tapete _ prazer das imagens

  

Série _ Tapetes - aquarela, 2007 a 2011 e uma Poesia recente.

Desenhar, escrever, ler, caminhar __ Viver é ato de liberdade sem escravidão às paixões e desejos _ sem apego, apenas tornar visível as imagens que emergem das produndezas internas.


Caderno vermelho
 
Perdi caderno vermelho
anotações poéticas
rabiscos secretos de quem
teme expor vivência.
 
Nalguma vala, tragada
sem dar conta, perdida voou!
Sopro, narrativa, eros
do canto do corpo fechado
 
Letra à lápis, escoa margem
cortada por ferro, dentro
desconhece a medida...
voou o caderno vermelho!
 
Foi o gato? Nem foi o vento
nem ondulantes águas do mar,
foi descuido tragado
num ontem, vazio qualquer.
 
Sem nome, sem data marcada
sem direção levada ao vento
o caderno vermelho, abismo
sem dono... perdido no tempo. 



Martha Pires Ferreira
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Poesia _ liberdade criativa em tempo

 
Bougainville, do jadim onde habito, junho 2026.

Vazio
 
Vazio contém tudo
tudo é vazio _
vazio repleto
de milhões vazios.
 
Vazios são milhões
cheios de tudo _
contemplo céu vazio
sem nada _ o grande
imenso vazio
contém tudo, tudo!                  
***
Do Amor
 
Caminhando ao Sol
olhar no verde da mata
_ paisagem longínqua da cidade
                meu vazio contemplativo.
 
Pedestres em passeio matinal,
Santa Teresa acolhedora;
              Bom dia!  
      _ sorriso silencioso.
Observando os cães plurais,
cuidadores constantes
      _ mais sorriso acolhedor.
 
“Amai-vos, uns aos outros,
                          como vos amei!”
_ a frase brilhou por dentro,
                 prosseguí.
***
Dor
 
Nada estingue a dor
dentro, calada indivisível.
 
Cabelo escovado,
semi-preso... escuro.
Leve e gracioso
vestido azul rodado,
sandália trançada
como tanto gostava!
 
Poemas, falas, sorriso
passo lento _ firme
nossas mãos trançadas
sonho vago; futuro
medo guardado,
olhar inquieto em mim.
 
Dissolução, impermanência!
Tudo se desfez, anseios
nossos, não mais, evaporou
restou... restou a dor
não mais sorriso, amor!
***
Distante aqui

Olhos serenos ardem
ao surgir longe na serra
espaço sem horizonte contínuo
fios da trama sequente.
 
Sem tecer a trama
transpassa fios de seda e
o olhar sagaz apreende
no orvalho o amanhecer
pousando nas flores do bougainville.
 
O distante é aqui livre, ousando
na paisagem dos fios de seda
perpassando a trama das flores.

                     Martha Pires Ferreira 

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Liberdade de escrever - Expressar-se

 
Formas no espaço, 1996 - lápis de cor

Liberdade de escrever - Expressar-se

Longe de regras rígidas, dogma, sem código ou normas inflexíveis, criar é liberdade de expressão; seja nas artes, ciência, literatura, música, marcenaria, culinária, botânica ou filosofia.

Os acadêmicos se espremem definindo preceitos. O libertário avança destemido por impulso interno, sensorial _ energia que o leva a tornar visível o quê inconsciente e consciente, em diálogo constante, clama por exterioridade. O singular, a originalidade, é a alma da expressão.

Não temer tornar real o que a alma anseia. Simplicidade ao comando do pensamento torna preciso, visível, o que se deseja realizar. O mesmo no campo da ciência, em relação à arte ou música. Criatividade não está sujeita a manipulações teóricas, dogma que pretende estabelecer valor lógico, racionalidade. O verbo, o criar, dar expressão ao ideal se faz digno por si mesmo, sem amarras.

A criatividade em si não aguarda reconhecimento, sucesso nem aplauso, e sim, unicamente, o prazer emocional de ver expresso o ideal, o imaginado, se apresentar realizado, matéria _ a poesia saindo nas letras do poeta é matéria viva, o desenhista em seus riscos livres, o matemático em suas descobertas.

Imensa beleza a expressão da vida ao surgir como natureza orgânica, seja uma orquídea ou simples flor do campo. Assim devemos ser, livres ao criar. Expressar o anseio interior é tudo que nos basta. Mesmo no silêncio.

Lápis de cor, 1996,

                    __  martha pires ferreira

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