sábado, 26 de maio de 2007

Bico de pena e aquarela


Auto retrato, 88

Meditação na experiência de Thomas Merton


Thomas Merton nasceu em Prades, em 31 de janeiro de 1915, no sul da França e viveu nos EUA – morreu em Bancoc em 1968 para onde foi em viagem pregar retiros e fazer conferências. Para este monge beneditino, trapista, a meditação é uma profunda integração pessoal em Deus, numa escuta vigilante e cuidadosa do coração.
Thomas Merton em sua obra Poesia e Contemplação deixou-nos páginas dedicadas às questões sobre a meditação.
Toda a sua obra, em geral, desde a Montanha dos Sete Patamares, nos fala da vida silenciosa, intelectualmente e em radical experiência interior. Thomas Merton foi um contemplativo por excelência. No final da vida, Merton viveu como eremita numa ermida no meio do bosque, do mosteiro de Gethsemani.
“Acima de tudo, amai o silêncio; ele vos traz frutos que a palavra não pode descrever. No início, temos de esforçar-nos a ser silenciosos. Porém, nasce então algo que nos atrai ao silêncio. Possa o Senhor dar-nos uma experiência deste “algo” que brota do silêncio. Se somente praticardes isso, uma luz indizível brilhará sobre vós como conseqüência (...) depois de algum tempo, certa doçura nasce no coração, deste exercício e o corpo é atraído, quase que à força, a permanecer em silêncio”.
Para Merton sem virtude (fortaleza), não pode haver verdadeira contemplação. Sem o trabalho da disciplina, não pode haver tranqüilidade no amor. E cita Pedro de Celles, beneditino do séc XII:
“Deus opera em nós enquanto repousamos n’Ele. Essa obra do Criador ultrapassa todo entendimento; repouso que é, em si, criativo. Pois, trabalho como esse excede, em sua tranqüilidade, todo repouso. Este repouso, em seu efeito, brilha e irradia, sendo mais produtivo do que qualquer trabalho. Assim, deixemos esta ação, ou este repouso de nossa contemplação, ser modelada de maneira a reproduzir, ainda que em linhas apenas esboçadas e apagadas, um modelo (de trabalho e repouso em Deus)... Essas coisas não se realizam na sombra e na noite, mas durante o dia e na luz, do sol da justiça. Pois quem ronca na noite do vício não pode conhecer a luz da contemplação”.
Noutra passagem ele se refere ao contemplativo do séc. XIII, XIV, Ruysbroeck;
“O homem interior entra em si de maneira simples, acima de toda atividade e de todos os valores, a fim de aplicar-se a um simples olhar no amor de fruição. Ali, encontra Deus sem intermediário. E, da unidade de Deus, penetra nele o brilho de uma luz simples. Essa luz simples demonstra ser treva, nudez e “nada”. Nessa escuridão, o homem é envolvido e mergulha num estado sem categorias, no qual se perde. Assim desnudado, toda consideração e distração em relação às coisas lhe escapam e ele se vê penetrado por uma luz simples. Nesse nada, ele vê todas as obras como inúteis, pois se encontra submerso pela atividade do imenso amor de Deus e, pela sua frutífera inclinação de seu Espírito, torna-se um só espírito com Deus”.
Poesia e Contemplação é um convite à compreensão da meditação. Nesta mesma obra Merton escreveu:
“A oração contemplativa é, de certo modo, simplesmente, a preferência pelo deserto, pelo vazio, pela pobreza. Alguém começa a conhecer o sentido da contemplação quando, intuitiva e espontaneamente, procura o caminho obscuro e desconhecido da aridez, de preferência a qualquer outro. O contemplativo é alguém que escolhe antes o não saber do que o saber. Antes não fruir do que fruir. Antes não ter provas de que Deus o ama. Aceita o amor de Deus na fé, num desafio a toda evidência aparente. Essa é a condição necessária – e uma condição muito paradoxal – para a experiência mística da realidade de Deus e de seu amor por nós. Somente quando somos capazes de “largar” tudo o que há dentro de nós, todo desejo de ver, de saber, de provar e de experimentar a presença de Deus, é que nos tornamos realmente capazes de ter a experiência dessa presença com a convicção e realidade avassaladoras que revolucionam nossa existência inteira”.
“A contemplação cristã não é algo de esotérico e perigoso (...). É o conhecimento de Deus na obscuridade do amor infuso (...). A contemplação infusa é um conhecimento quase experimental da bondade de Deus “saboreada” e “possuída” por meio de um contato vital nas profundezas de nosso ser. Por meio do amor infuso, nos é dado apreender, de maneira imediata, a própria substância de Deus. Repousamos, então, na percepção obscura e profunda de sua presença e de sua ação transcendentes dentro do mais íntimo do nosso interior. Assim, nos entregamos inteiramente à obra de seu Espírito transcendente”.
Em 1938, aos 23 anos, Thomas Merton conheceu, através de seu amigo Seymour, o monge Doutor Bramachari, originário da Índia, é o que relata em Montanha dos Sete Patamares (1947), onde faz referências a este monge: “eu buscava (...) e procurava um gênero de vida que tivesse Deus como centro, conforme a dele”. “Afinal, não deixava de ser um tanto irônico que eu me houvesse voltado, espontaneamente, para o oriente em minhas leituras e conhecesse um oriental. Ele nunca tentou explicar a crença religiosa da Índia”.

O interesse de Merton pelo misticismo da cultura oriental se deu a partir das leituras de Aldous Huxley, em especial, Meios e Fins. Antes de conhecer o monge Bramachari, Merton tinha particular sede de vida espiritual. Sua tese de conclusão na Universidade teve como título: A Natureza e a Arte em William Blake, um artista essencialmente místico. Para Merton a experiência artística, a mais alta, era de fato análoga à experiência mística.
Merton não se restringiu aos textos da Philokalia e às fórmulas hesicastas dos padres do Deserto, assim como a “Oração de Jesus”; procurou conhecer muitas técnicas de meditação das grandes tradições das culturas do Oriente. Em sua obra Reflexiones sobre Oriente – La filosofia oriental a la luz del misticismo occidental (textos de 1965 a 1968), nos relata sobre o taoísmo, o zen, o hinduismo, o sufismo e as variantes do budismo.
Em 4 de novembro de 1968, em sua viagem à Índia, teve uma audiência com o monge do Budismo Tibetano, Sua Santidade Dalai Lama, e escreveu; “Toda a conversa versou sobre religião, filosofia e, especialmente, sobre os caminhos da meditação”. Dias depois, menos de um mês de sua morte, foi ao eremitério do rimpoche Chatral; “o maior rimpoche que já conheci até hoje”. “Gostaria de estar mais com Chatral” (O Diário de Ásia, 1973). Depois de sua morte, em 10 de dezembro, Bancoc, as questões da meditação aparecem com presença constante em suas obras publicadas.
No ocidente a meditação, como experiência pelos cristãos, reiniciou-se, no mundo contemporâneo, provavelmente, através dos monges beneditinos, na França (outros?), com as aplicações práticas das disciplinas do Raja-Ioga à oração e à meditação. Isto se verifica nos textos da obra; O caminho do silêncio ou Ioga para cristãos, de J. M. Déchanet (terceira edição/1957) onde encontramos no capítulo “As fases da meditação silenciosa” a invocação “Veni, Domine. Vem, Senhor”. Obra que provavelmente Merton conheceu, e, o mesmo interesse se dando com as aberturas do Concílio Vaticano II. Conclui-se porque somente no início dos anos 60 é que ele começa a escrever a série de trabalhos referentes ao Oriente. Nos anos 50 muitas obras sobre meditação oriental foram publicadas na França. Em 1953, L’hésychasme, Yoga chrétien, em Yoga, science de l’homme integral – Cahiers du Sud, Paris.
Nos anos 60, Merton fez contatos pessoais e profundos com o filósofo e sábio, do Japão, Daisetz Suzuki, mestre do Zen Budismo, e escreveu; Zen e as aves de rapina (1968). Antes, em 1961, escreveu Místicos e Mestres Zen, e, em 1965 A via de Chuang Tzu (o grande filósofo e poeta chinês), e Gandhi, a não violência.
Para Merton a contemplação passiva não exclui as atenções para com a vida ativa, muito pelo contrário, maior é o amor responsável e profundo para com o seu próximo, onde devem estar presentes as preocupações para com o mundo e suas complexidades. Thomas Merton lutou de forma veemente contra as guerras, a violência, os preconceitos raciais, religiosos e quaisquer outros (desde os finais dos anos 50 passou a ter bons entendimentos com protestantes, anglicanos, judeus e mesmo ateus), e, se indignava diante das injustiças sociais e da vergonhosa exploração e violência para com as classes oprimidas. Sua obra Sementes de Destruição, 1964, é um grito de desespero e de advertência profética diante da alienação e das perversidades do mundo moderno.
Em Questões Abertas, 1960, sua expressão de amor ao próximo revela grande sensibilidade: “Onde não existe a possibilidade de um nível de vida decente, quando não há liberdade, justiça, educação na sociedade humana, como pode o Reino do amor ser nela edificado? (...). O Reino de Deus, não se compõe unicamente de grandes homens santos, é um organismo vivo, místico, constituído de homens comuns, com suas fraquezas, suas limitações, sua boa vontade, seus talentos, suas deficiências – tudo isso elevado e divinizado pelo Espírito Santo, de maneira a que o Cristo viva e se manifeste em cada um e em todos”.
Para Merton, por natureza, o contemplativo colabora efetiva e essencialmente com a humanização e a santificação do mundo, em silenciosa doação afetiva, em comunhão com o mistério de Deus. Intenso era o seu contato com as manifestações da Natureza, em plena observação amorosa. A experiência da meditação contemplativa, para ele, é um dom de Deus de se estar sendo no mundo. É uma entrega radical em silêncio. Os contemplativos “participam da crise e da tragédia que assola o mundo, mas que eles vêem e entendem de maneira inteiramente diferente do resto do mundo”. (...) “suas verdadeiras perspectivas são aquelas do Reino escatológico de Deus”. Merton sentia-se feliz por ser membro da raça humana, de ter no outro a humanidade de Jesus Cristo.

[Martha Pires Ferreira /Palestra - Meditação Cristã, 2006]
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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Flores do Bem - Solidão - Herbert Timm

SOLIDÃO

A solidão, não é o colóquio da criatura com o
recanto distante, onde somente chegam coisas do mal:
não é maneira exótica e pessoal de ser feliz, nem
uma ferida mortal.

A solidão é um portal, separando duas verdades, por
onde campeiam muitas outras a se sustentarem entre
si, unidas pela mesma terrível e vaga incógnita.

É algo que se respira...

Nela, que não é deserto, mas de nada carece,
a fórmula essencial de nada importa:
a configuração do amor é mera flor,
e Deus é tão puro que nem mesmo existe...

Herbert Timm, 1963 [ poeta ]

domingo, 13 de maio de 2007

Desenho / máquina


Este desenho de 1986 bico de pena /nanquim faz parte de uma série de maquininhas poéticas que venho criando ao longo da vida.
Arte é celebração. Pensamento e razão têm seus limites. Sentimento do coração e intuição completam o percurso para o Absoluto. Interioridade. Singularidade. Experiência pura. Tudo é um, totalidade sem fronteiras; ponto, linha, cor, infinito. O que a imaginação apreende como fogo criador, sopro, beleza é verdade. Além disso, nada sei.

sábado, 5 de maio de 2007

Astrologia, um instrumento para a Sabedoria

A sabedoria é inseparável do amor. Vivemos num mundo cheio de conhecimentos, mas ausente de sabedoria. Sabedoria não se aprende em livros nem se adquire em Universidades. Ela é fruto da própria experiência viva que é viver em todas as suas possibilidades, ou seja, a aceitação e compreensão de todos os nossos limites, defeitos e virtudes.

A Astrologia é um instrumento precioso para a nossa experiência de vida, arte de estar no mundo presente, aqui e agora.

O Horóscopo Natal, a Carta Natal, é a bússola com seus precisos sinais, repletos de simbologia, a nos oferecer a compreensão apurada de nós mesmos, possibilitando, assim, maior lucidez e consciência de nosso eu particular, que se estende para todo o coletivo, em contínuo movimento que evolui para o infinito.

Esta compreensão do nosso eu mais profundo nos possibilita de sermos tal qual somos. Ser tal qual se é em verdade e plenitude, é ser aquele que escolheu o caminho da sabedoria e, ao mesmo tempo, foi escolhido por ela com disponibilidade e amor à vida.

[ Martha Pires Ferreira / Boletim Informativo Nº 5 Agosto / 1981 SARJ - Sociedade dos Astrólogos do Rio de Janeiro ]

domingo, 29 de abril de 2007

sábado, 28 de abril de 2007

Reflexões / 1973 _ Caminho na contra mão.

        Caderno Aquariano é uma página criada para mostrar meus desenhos ou textos escritos em diferentes épocas, sem obedecer qualquer ordem no tempo. E colocar o que no momento me venha como um prazer são Flores do Bem neste mundo virtual.

CAMINHO NA CONTRA MÃO

Não faço parte de um Status estabelecido. Sou pessoa marginal que deliberadamente se afastou das formalidades da sociedade cultural na qual fui privilegiadamente criada, e me desenvolvi. Este afastamento teve um único objetivo; o de me aprofundar na experiência fundamental de ser humana, mulher, feminina.
Vivo na busca, ou na atitude, que não visa qualquer espécie de Status. Sou livre, independente, e permanecerei independente. Caminho na contra mão. Não faço farte que qualquer grupo formal, instituição ou sociedade estabelecida. Quase nada possuo, e tenho o prazer de quase nada possuir. Vivo do meu trabalho autônomo, sem vínculos preestabelecidos. Dou aulas, desenho, ministro cursos livres, vendo minha criatividade a troco de pouco. Optei pela liberdade, pela simplicidade de viver a cada dia, sem pensar no amanhã.
O que faço é trazer à tona o significado do que seja viver a vida, estar no mundo, sendo do mundo. O significado da vida está além da dicotomia, da divisão, entre a morte e a vida; bem e mal, acertos e desacertos, luz e sombra. A vida como dádiva da natureza é dádiva da criação, revelação contínua. Sede de complementação de forças opostas; consciente e inconsciente.
Gostaria de me comunicar mais intimamente com todos aqueles que permanecem fiéis ao seu próprio caminho, à sua realização pessoal, humana, genuína.
Levando a vida de maneira insegura, debaixo de risco, sem qualquer proteção, eu sigo minha intuição e escuto o meu coração sensível. Nada pretendo além de unicamente realizar a função de ser uma pessoa humana. O que a sociedade estabelecida acha ou deixa de achar em razão do meu viver, nada me diz respeito, não tenho ouvidos. Trago sim, o compromisso de afeto, entendimento, alegria e compaixão, particularmente, para com os excluídos, os marginalizados, os esquecidos nesta “nossa sociedade” tão arrogante e injusta que a preço de nada condena e mata.
Sempre estive consciente das grandes transformações que estavam para vir e que agora se dão no mundo. A morte de uma Civilização e o renascimento de uma Nova Civilização, um Novo Ciclo da Raça Humana. Não vejo futuro, mas olho longe.
Sonhamos com a comunicação em nível profundo que é comunhão, pré-verbal e pós-verbal. Tenhamos esperança por um mundo de plenitude e justiça social. De gestos largos, de grandeza humanitária.
Tenhamos muitos “gurus”, pessoas que nos iluminem a estrada. Sempre tive uma imensidão de seres maravilhosos a me apontar horizontes impensáveis; Mateus e João Evangelista, Teresa de Ávila, Henry Miller, Lao Tze, Tagore, Suzuki, Paul Klee, Picasso, Bach, Beethoven, Villa-Lobos, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Tom Jobim, Thomas Merton, Teilhard de Chardin. Nise Magalhães da Silveira e C.G. Jung. Artistas, poetas, músicos, anônimos e gente simples foram meus guias secretos. Outros e outros; as montanhas, o fogo, o ar e a água que nos envolvem, os animais e toda a natureza em sua potência e magnitude é fonte de plenitude. Sejamos solidários sempre.

[ Hoje, abril de 2007, passado tantos anos, mantenho o mesmo modo de viver a vida e refletir sobre tudo o mais que me cerca / MPF ]
---postagem  Martha Pires Ferreira.
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sábado, 21 de abril de 2007

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Possibilidade de Previsão / Astrologia

       
            Astrólogo na Antiguidade medindo distância _ Céu_ Firmamento.
    Nenhum astrólogo sério se aventura a fazer previsões detalhadas a longo prazo. Esta é uma regra sábia que lhes foi legada pelos antigos. Os astrólogos dos primeiros tempos não faziam presságios de grande importância com data marcada (como hoje se pretende), mas sim o período próximo aos acontecimentos maléficos ou benéficos, que poderiam variar de mês a um ano, levando-se em conta as variações da orbe dos planetas. Agiam assim levados pela análise combinatória entre os signos e a posição dos astros, e pela intuição, atributos que não podem faltar a um astrólogo. Os astrólogos atuais, contam como cálculos das probabilidades e certamente, mais por esse motivo, têm de ser discretos nas suas profecias.
    O descrédito da Astrologia vem exatamente daí, desta pretensão de previsão longínqua detalhada (hora, mês, local, ano) da superficialidade de curiosos em prever com exatidão aspectos ambíguos.
      “Astra inclinant, non necessitant”, os astros inclinam, mas não obrigam – dispõem, mas não impõem. 
    Astrologia é uma ciência experimental, como a psicologia, que só se assegura sua validade pelos resultados práticos. É uma ciência de observações, que estuda as relações entre os homens e os planetas de nosso sistema solar. É ciência porque se vale da repetição de um fenômeno em circunstâncias idênticas ou muito semelhantes, para constituir um material que se preste cientificamente à observação. Estuda este material sob as leis estatísticas, matemáticas, da probabilidade. Sendo assim, a astrologia pode indicar uma inclinação (probabilidade) dos astros para tal ou qual ocorrência. Não pode afirmar: “se comprar este determinado bilhete, em tal dia, você ganhará na loteria.” Mas pode dizer: “os astros em tal conjuntura solar indicam que, nesse aspecto, você terá maior ou menor chance de sucesso”. Pode indicar-lhe uma conjunção maléfica ou benéfica, para que esteja mais preparado para recebê-la, mas não impõe ou determina nada. Mesmo os astrólogos, mais intuitivos ou videntes, estão de acordo que as particularidades individuais é você mesmo quem as faz. Esta atitude moderna da astrologia pode ser menos consoladora ou poética, e até mesmo angustiante para aqueles que querem confiar no traçado de seu destino, mas pelo menos é muito mais correta do ponto de vista da astrologia cientifica.
        Por que é tão difícil fazer previsões? Porque a astrologia é uma ciência dos opostos sincrônicos. Trocando-se miúdos, isso significa que cada indicação astral pode ter duas correntes exatamente opostas, que serão confirmadas pelas outras tendências astrais, igualmente contraditórias. Parece muito complicado e é mesmo. Mas se pensarmos no calculo de arranjos e combinações da matemática, a gente entende melhor. Exemplificando: dois planetas harmônicos por progressão ou trânsito podem fazer uma conjunção benéfica entre sim, favorecendo portanto um bom acontecimento. Ao mesmo tempo (sincronicamente) um outro planeta dissonante pode estar formando uma quadratura ou oposição. Trata-se aí de uma colocação difícil, porque os mesmos planetas, por sua vez, se estiverem em posição mais ou menos favorecidas no horóscopo, o astrólogo, fica sem saber, com precisão, qual das duas possibilidades prevalecerá. Neste caso, deve-se indicar as duas posições ao cliente, para que o possa prevenir.
        Por todos estes percalços, a astrologia é uma ciência de tendências e como tal deve ser observada. Quer seja considerada ciência, pelos métodos probabilísticos com que trabalha. Quer seja arte, pelo poético das suas previsões (o que só lhe aumenta o encanto) a astrologia é quase tão antiga quanto ao homem. Nasceu da apaixonada tentativa de descobrir o segredo da vida e da morte. E, até hoje permanece, como uma fonte de especulações humana, na ânsia de conhecer o desconhecido.
Astrólogo medindo o céu - distância.

 Postagem _ Martha Pires Ferreira /// Redação: Diva Maria Pires Ferreira _ jornalista que me consultou e enriqueceu com artigo meu - Era de Aquarius - 1972, revista Rolling Stone _ e publicou na Revista Ele Ela – Ed. Bloch. RJ. Dez. 1974.
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sábado, 14 de abril de 2007

Contos de Fada


Contos de Fada Tradicionais no Imaginário Brasileiro
Sua aplicação prática como atividade terapêutica e formação cultural

Martha Pires Ferreira / 1999

A riqueza expressiva do folclore brasileiro revela muito do nosso imaginário. Deliciosa jóia da memória popular. Os contos populares sempre nos envolveram de encantamento. Quem teve a felicidade de ouvir histórias na infância jamais esquece; é patrimônio vivo.

A influência cultural portuguesa e francesa, em muito contribuiu para o enriquecimento da produção anônima e coletiva de nossa gente. Com a colonização alemã vivemos outras contribuições muito ricas. As histórias variam em inúmeros aspectos. O fio condutor é sempre o mesmo; transmite aquela sensação maravilhosa da memória perdida no tempo. Muitas das nossas histórias, os chamados Contos de Encantamento, denominados pelo nosso compilador maior, Câmara Cascudo, nos mostram peculiares inserções com as histórias tradicionais do outro lado do Atlântico.
Os Contos de Fada Europeus tiveram uma interação significativa no universo da imaginação, da fantasia e da criatividade em várias regiões do Brasil. Para com essas histórias me detive com mais atenção no significado simbólico e científico. Aqui no Brasil nós temos nossa Gata Borralheira - Almofadinha de Ouro, Bicho de Palha, a Bela e a Fera, Moura Torta, Chapelinho Vermelho e por aí vai. São contos ricos em elementos da natureza; o mar, a cachoeira, a fauna, a flora, o céu estrelado. Tudo para nos seduzir e encantar.
Somos repletos de belíssimas histórias indígenas, afro-brasileiras, ou contos de animais. Contos de exemplo ou demônios, religiosos, adivinhação ou denunciantes. Etiológicos ou ciclo da morte. O imenso tesouro do folclore brasileiro, preciosidade do inconsciente coletivo, oferece largo campo de pesquisa científica para o mais profundo conhecimento da natureza do nosso povo. Verdadeira escola de ensinamento de nossa vida instintiva. Tudo o que confere, existe, habita, na natureza do ser humano. Expressão sensível da alma do povo brasileiro.
A aplicação prática dessas histórias, como atividade terapêutica, tem mostrado resultados significativos e surpreendentes, assim como na formação da personalidade.

O prazer da narrativa é o centro da questão - Contar os contos. Importante transmitir o maravilhoso num exercício verbal, tranqüilo com voz suave e ligeira ondulante entonação da voz conforme as passagens mais ou menos dramáticas, mais ou menos envolventes de mistério ou de suspense. Nada de teatralidade [teatro é outra coisa], apenas a narração como era costume à soleira da porta ou ao pé do fogão no tempo em que os animais falavam e nós entendíamos tudinho, atentos e com os olhos arregalados. Em silêncio éramos envolvidos de encantamento. Vivíamos felizes para sempre.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Flores do Bem - Mahatma Gandhi

MAHATMA GANDHI

[ 1869 – 1948 ]

Hindus, mulçumanos, judeus, e até mesmo cristãos devem viver juntos.

A pobreza é a pior forma de violência.

É no coração que as batalhas devem ser travadas.

Na história sempre houve tiranos e assassinos. Eles parecem invencíveis, mas no final sempre caem, pense nisto sempre.

Enquanto o domínio imposto precisa ajuda das armas para se manter, o domínio gerado pelo amor dispensa o uso da força.

Chegará um dia em que aqueles que estão na corrida louca de multiplicar seus bens na vã tentativa de engrandecimento, re-avaliarão seus atos, e dirão: “Que nós fizemos?”.

Quando me desespero lembro-me que em toda a vitória, a verdade e o amor sempre venceram.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Era de Aquarius

A Astrologia, embora não seja ainda levada a sério pelo academicismo de nossa época, é tão antiga quanto o homem. Conhecida por todas as civilizações e culturas, a Astrologia permanece até hoje como ciência e arte de caráter experimental, de observação, que estuda as relações entre o homem e os planetas do sistema solar.
Ela se ocupa de determinar as influências celestes, que presidem o destino dos seres e das coisas. É a arte das correspondências universais aplicadas aos indivíduos de toda natureza.

Os astros dispõem, mas não impõem
“Astra inclinant, non necessitant”.

Não darei dados de Astronomia para explicar que o eixo vernal, por um processo de retrocesso se afasta do signo de Peixes, por onde passou vinte séculos, e se aproxima agora do signo de Aquário. Aproximadamente, por volta do ano 2014, podemos dizer que este eixo passou para a constelação de Aquário, dando assim início a uma nova Era da História da Humanidade.
Como não se pode afirmar nada a respeito de acontecimentos futuros, acredita-se apenas que esta época será de grande esclarecimento mental para a humanidade inteira. A Era de Aquário é o despertar da Intuição. Era da libertação, da independência, da auto-expansão, da telepatia, da clarividência, da pré-cognição. É o ser se ampliando em todos os sentidos e em todas as direções. É a ciência tomando novos rumos, rumos estes que permitirão conhecimentos até agora enigmáticos para a humanidade.
A Era de Aquário constitui um novo plano de desenvolvimento na história do homem. Uma total mudança de nível – o homem agindo noutro nível psíquico. A criatividade em toda a sua potencialidade, força e vigor, transcendendo completamente a realidade atual.
A consciência do Deus interno – do Eu profundo – se manifestará no centro mesmo da psique. Cada ser humano terá como desejo primordial o anseio de se saber tal qual se é em essência. O que no pensamento de C. G. Jung significa o caminho da individuação. O homem saberá que somos todos da mesma família – que somos todos um só. Que a dor e o sofrimento de um é dor e sofrimento de todos, o mesmo se dando em relação ao bem-estar comum, às chances e oportunidades, alegrias e prazeres. O homem aprenderá a respeitar sobretudo, e em absoluto, o outro com ele é, com seus segredos, defeitos e virtudes. A Era de Ouro da Humanidade, segundo a filosofia Yogi. A Era da Beleza porque a Era do Caminho da Sabedoria. E quem sabe, a Era da Arte de Viver!! O crescente emergir da criatividade inegavelmente trará maiores possibilidades de felicidade e prazer na esfera individual e coletiva. Os homens continuarão como sempre foram; com seus aspectos claros e escuros, com suas contradições de seres mortais. Entretanto, saberão melhor como lidar com esses aspectos escuros e sombrios que existem em cada um de nós. O homem novo na sua autenticidade e espontaneidade não terá mais o que esconder e temer. Ele saberá aceitar-se e aceitar o mundo, assim como será aceito na sua legitimidade de ser único, integrado no coração mesmo do Universo. É o homem que elabora o processo da liberação total.
É interessante me estender mais um pouco. Era de Aquário não é como se sabe (e os videntes também sabem), o privilégio de uns poucos ou de um grupo humano mais bem dotado, seja lá em que for. A era do próximo milênio é primordialmente o reencontro da humanidade inteira. Não resta dúvida que os sintomas desta Era da Intuição já se fazem presentes – em pequenos núcleos – nos mais diferentes setores da atividade humana. Entretanto, antes de entrarmos nesta plenitude de viver, sofrerá o mundo todo com a humanidade inteira, a mais completa e fundamental transformação. Um cataclismo!
A transfigurada explosão já se faz notar. O homem quer inventar, aparecer, criar, como nunca pensou ser possível. A arte já não é mais o privilégio de um pequeno grupo de artistas, não mais o dom de uns poucos – verifica-se que todo homem é potencialmente um criador, um artista, em maior ou menor grau. E ao lado desta efervescência vivemos paradoxalmente uma crise como nunca se ouviu falar – o desencontro humano é geral. A mente inquieta e aflita tenta com todos os esforços solucionar problemas cada vez mais complexos – impossíveis mesmo de serem resolvidos. E parece mesmo que qualquer tentativa de harmonia geral entre pessoas ou nações é realmente inútil. A humanidade está se desentendendo cada dia mais. Por todos os lados a violência, a agressão, a insatisfação individual e coletiva. O homem está sofrendo e não adianta querer esconder de si próprio tal verdade. A crise é cultural, moral, política, econômica, religiosa, sociológica. E esta crise entrará num crescente enorme – a fome aumentará cada dia mais – o descontrole geral chegará às vias do absurdo!!! Velhas tradições, convicções, ideais e costumes, velhas leis éticas e metafísicas sofrerão assombrosas modificações antes do surgimento do Novo Ciclo da Raça Humana. Parece mesmo que a humanidade inteira está despertando para enfrentar a metamorfose morte e ressureição! Como em todas as metamorfoses, em todas as grandes mudanças – o que é belo e precioso, surge da depuração – como na Alquimia. Depuração esta que se processa acompanhada de muito trabalho e dor.
Este período de desencontro que antecede a Era de Aquário e que já estamos atravessando, pode ser visto como um fenômeno apocalíptico. O estado psíquico geral da humanidade se torna cada vez mais perigoso. É o desabamento de velhos moldes: paradoxos, inconseqüências, disparates – o imprevisível! Uma realidade altamente cheia de dúvida e absurda.
Por toda parte, falsos profetas da verdade – falsos cordeiros, falsos magos, falsos iluminados. Muitos destes homens como “salvadores da humanidade” ditam princípios e normas, confundindo ainda mais a inquietude geral do mundo. As dores aumentarão e a humanidade há de gemer, estremecer e excitar-se. Ignorando completamente o que lhe falta, saberá apenas que sente dor e que necessita urgente de algo que a alivie e tranqüilize.
Quem tem a sua tocha individual bem acesa, quem permanece em estado de plena atenção, não tem o que temer. O observador atento da fenomenologia atual só tem uma saída: enfrentar o momento presente, enfrentar a si próprio e à escuridão da sua época, sem ditar dogmas ou princípios. O homem lúcido não perde a meta – ele trabalha incansavelmente por um mundo humano e pleno de alegria – ele sofre e não teme a metamorfose. – Aceita o peso do mundo sobre os seus frágeis ombros e não se desespera. Confia. Confia nas forças da natureza. Acredita no amanhecer da lucidez universal. Confia nas forças renovadoras que emergem do centro mesmo da psique . Trabalha no silêncio e no amor.
A Era de Aquário, uma utopia ou uma realidade? Consultem geólogos, sociólogos e astrônomos; eles têm dados interessantíssimos a respeito de acontecimentos singulares. Parece mesmo que tudo se transforma. Nada se pode afirmar, entretanto, só o tempo constata e confirma.
Para alguns estudiosos, os 2000 anos que nos seguirão podem ser vistos também como a Era da Conquista do Espaço Cósmico. E o homem já deu provas suficientes de que isso é possível. Mas a Era de Aquário é sobre tudo a Era do Descobrimento do Homem Interior – ERA DO HOMEM CÓSMICO.
Num interesse profundo em conhecer a sua natureza íntima e a sua essência eletromagnética, o homem descobrirá que a alma é o divino se manifestando na matéria.

Martha Pires Ferreira. [ A 1a publicação deste artigo /1972, na íntegra– Jornal Rolling Stone – RJ.]
[ 2007 / cortes sem qualquer alteração do texto original de 1972 ]