A poesia me fascina desde sempre... e desenhar. Ler, por exemplo, Paulo Leminski, poeta maior, nada me impede com simpicidade colocar minhas poesias aqui para o público. Meu arquivo é intenso _ reflexões, textos vagos, máximas _ pedaços de minha vida! Exercícios da sensibilidade mais que do intelecto. Estado de ser, estando ativa, viva!
Humanidade
Sem fronteira meu destino
_ raiz, intento, fuga.
Nada a ferir entranhas
_ a vida inesperada em flor
hábitos, diversidade.
Sonho! Verbo engendra
eloquente silêncio dos passos
_ humanidade dispensando
código elimina dogma,
abraça pele sem fronteira.
Ser o outro, ser inteira;
asiática, africana, europeia,
médio-oriental-árabe, americana.
Lugar algum, nenhum _ inspirar
expirar _ divagar, transpirar
_ Luz Solar!
_ raiz, intento, fuga.
Nada a ferir entranhas
_ a vida inesperada em flor
hábitos, diversidade.
eloquente silêncio dos passos
_ humanidade dispensando
código elimina dogma,
abraça pele sem fronteira.
asiática, africana, europeia,
médio-oriental-árabe, americana.
Lugar algum, nenhum _ inspirar
expirar _ divagar, transpirar
_ Luz Solar!
filigrana
depurado tecer,
idade vivida
corpo frágil e firme
acordado se revela.
a carne sensual
sem escrúpulo
_ não tece palavra
verbo inútil
na entrega.
em chama solar,
arde suave
o som divino.
****
Poeta profetiza
_ o poeta ousa, sofre,
descreve, sonha, ama.
O poeta denuncia
silencia, transgride, intui!
Poesia é chama, arde
a carne sensível, geme _
inspira, transpira, recua,
nada importa... avança.
Rabisco leve atrevo
pretensões, brinco, poetizo
não sendo, estou, não vou,
percorro, sofro, deslizo.
_ o poeta ousa, sofre,
descreve, sonha, ama.
O poeta denuncia
silencia, transgride, intui!
Poesia é chama, arde
a carne sensível, geme _
inspira, transpira, recua,
nada importa... avança.
Rabisco leve atrevo
pretensões, brinco, poetizo
não sendo, estou, não vou,
percorro, sofro, deslizo.
****
Voyeur da solidão
O olhar encontra onde
toca o desejo, prazer
a quem alcança o possuir
ilusão ousada de viajante.
Na malícia ansiosa percorre
espaço frio na distância
sem ser visto _ gestos, pele
vozes... imagem, sonoridade!
A razão apreende seguro
pertencimento, agudo olhar
janela sem esquadria...
Vagueia perdido na solidão
o viajante... tão triste... tão só!
toca o desejo, prazer
a quem alcança o possuir
ilusão ousada de viajante.
Na malícia ansiosa percorre
espaço frio na distância
sem ser visto _ gestos, pele
vozes... imagem, sonoridade!
A razão apreende seguro
pertencimento, agudo olhar
janela sem esquadria...
Vagueia perdido na solidão
o viajante... tão triste... tão só!
****
Não esqueço
De mim esqueço
me abandono.
Não há espaço vazio
_ dor de desejo
noite tênue,
medo se o perco
e me perde.
Não esqueço
nem me esquece
permaneço
permanece.
___ Martha Pires Ferreira
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