quinta-feira, 23 de julho de 2026

Poesia _ pedaço de mim _ arquivo

       A poesia me fascina desde sempre... e desenhar. Ler, por exemplo, Paulo Leminski, poeta maior, nada me impede com simpicidade colocar minhas poesias aqui para o público. Meu arquivo é intenso _ reflexões, textos vagos, máximas _  pedaços de minha vida! Exercícios da sensibilidade mais que do intelecto. Estado de ser, estando ativa, viva!

Humanidade
 
Sem fronteira meu destino
_ raiz, intento, fuga.
Nada a ferir entranhas
_ a vida inesperada em flor
hábitos, diversidade.
 
Sonho! Verbo engendra
eloquente silêncio dos passos
_ humanidade dispensando
código elimina dogma,
abraça pele sem fronteira.
 
Ser o outro, ser inteira;
asiática, africana, europeia,
médio-oriental-árabe, americana.
Lugar algum, nenhum _ inspirar
expirar _ divagar, transpirar
               _ Luz Solar!
 ****
Idade vivida
 
Existe delicadeza
                    filigrana
depurado tecer,
          idade vivida
corpo frágil e firme
     acordado se revela.
 
Vibração ilumina
     a carne sensual
sem escrúpulo
_ não tece palavra
verbo inútil
         na entrega.
 
Masculino invade calado
em chama solar,
    arde suave
          o som divino.
 ****

 O poeta canta

 Poeta profetiza
_ o poeta ousa, sofre,
descreve, sonha, ama.
O poeta denuncia
silencia, transgride, intui!
 
Poesia é chama, arde
a carne sensível, geme _
inspira, transpira, recua,
nada importa... avança.
 
Rabisco leve atrevo
pretensões, brinco, poetizo
não sendo, estou, não vou,
percorro, sofro, deslizo.
****
Voyeur da solidão

O olhar encontra onde
toca o desejo, prazer
a quem alcança o possuir
   ilusão ousada de viajante.
 
Na malícia ansiosa percorre
espaço frio na distância
sem ser visto _ gestos, pele
   vozes... imagem, sonoridade!
 
A razão apreende seguro
pertencimento, agudo olhar
    janela sem esquadria...
Vagueia perdido na solidão
o viajante... tão triste... tão só! 
****
  Não esqueço
 
De mim esqueço
         me abandono.
 
Não há espaço vazio
_ dor de desejo
             noite tênue,
medo se o perco
                   e me perde.
 
Não esqueço
nem me esquece
    permaneço
permanece. 
                  ___  Martha Pires Ferreira
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