sábado, 23 de abril de 2011
Era de Aquarius
Publiquei este texto em 1972. Transcrevo aqui mais uma vez na integra com negrito. Bem atual.
Feliz Páscoa para todos nesta "nossa Terra comum",
Martha Pires Ferreira
A Astrologia, embora não seja ainda levada a sério pelo academicismo de nossa época, é tão antiga quanto o homem. O estudo dos astros surgiu provavelmente de uma apaixonada tentativa de descobrir o segredo da vida e da morte. Conhecida por todas as civilizações e culturas, a Astrologia permanece até hoje como ciência e arte de caráter experimental, de observação, que estuda as relações entre o homem e os planetas do sistema solar – o comportamento do ser humano no espaço das forças cósmicas.
Ela se ocupa de determinar as influências celestes, que presidem o destino dos seres e das coisas. É a arte das correspondências universais aplicadas aos indivíduos de toda natureza.
A mente inquieta e aflita tenta com todos os esforços solucionar problemas cada vez mais complexos – impossíveis mesmo de serem resolvidos. E mergulhando um pouco mais fundo, parece mesmo que qualquer tentativa de harmonia geral entre pessoas ou nações é realmente inútil. A humanidade está se desentendendo cada dia mais. Por todos os lados a violência, a agressão, a insatisfação individual e coletiva. O homem está sofrendo e não adianta querer esconder de si próprio tal verdade. A crise é cultural, moral, política, econômica, religiosa, sociológica. E esta crise entrará num crescente enorme – a fome aumentará cada dia mais – o descontrole geral chegará às vias do absurdo!!! Velhas tradições, velhas convicções, velhos ideais e costumes, velhas leis éticas e metafísicas sofrerão assombrosas modificações antes do surgimento do Novo Ciclo da Raça Humana. Não são poucos os que estão atentos, conscientes e sabedores de tais perspectivas. Parece mesmo que a humanidade inteira está despertando para enfrentar a metamorfose morte-ressurreição! Como em todas as metamorfoses, em todas as grandes mudanças – o que é formoso, belo e precioso, surge da depuração – como na Alquimia. Depuração esta que se processa acompanhada de muito trabalho e dor.
De repente muitos querem saber o que seja a tão decantada Era de Aquarius. Parece mesmo que os olhos brilham mais ao tocar nestes assuntos do vir a ser do mundo futuro – o amanhecer do ano 2000. Uma esperança, um anseio de beleza, felicidade, gozo paradisíaco?!
Os astros dispõem, mas não impõem; “Astra inclinant, non necessitant”.
Não darei dados de Astronomia para explicar que o eixo vernal, por um processo de retrocesso se afasta do signo de Peixes, por onde passou vinte séculos, e se aproxima agora do signo de Aquário. Depois do ano 2000 aproximadamente, por volta do ano 2014 (?!), podemos dizer que este eixo passou para a constelação de Aquário, dando assim início a uma nova Era da História da Humanidade.
Como não se pode afirmar categoricamente nada a respeito de acontecimentos futuros, acredita-se apenas que esta época será de grande esclarecimento mental para a humanidade inteira. A Era de Aquário é o despertar da Intuição – apreensão imediata. Tendendo a humanidade então para maior expansão espiritual e científica. Era da libertação, da independência, da auto-expansão, da telepatia, da clarividência, da pré-cognição. O homem em busca da sabedoria – e por uma espécie de vidência – sabe o que pensam, são ou desejam todos os outros. Ele é um pouco qualquer outro. É o que chamamos vulgarmente “o homem ligado” no sentido mais amplo da expressão. O desenvolvimento da percepção o fará tão penetrante quanto o Raio X. É o ser se ampliando em todos os sentidos e em todas as direções. É a ciência tomando novos rumos, rumos estes que permitirão conhecimentos até agora enigmáticos para a humanidade. Anuncia na verdade um estado superior da evolução humana – um estado de esclarecimento individual – iluminação ou lucidez da consciência.
A Era de Aquário constitui um novo plano de desenvolvimento na história do homem. Uma total mudança de nível – o homem agindo noutro nível psíquico. A criatividade em toda a sua potencialidade, força e vigor, transcendendo completamente a realidade atual.
A consciência do Deus interno – do Eu profundo – se manifestará no centro mesmo da psique. Cada ser humano terá como desejo primordial o autoconhecimento – o anseio de se saber tal qual se é em essência. O que no pensamento de C. G. Jung significa o caminho da individuação. O homem experimentará por vivências pessoais o que realmente seja harmonizarem-se uns com os outros. Um crescente sentimento-amor, sacrifício-generosidade, tomará conta de toda a espécie humana. O homem saberá que somos todos da mesma família – que somos todos um só. Que a dor e o sofrimento de um é a dor e o sofrimento de todos, o mesmo se dando em relação ao bem-estar comum, às chances e oportunidades, alegrias e prazeres. O homem aprenderá enfim a respeitar profundamente a individualidade própria e alheia – a respeitar sobre tudo, e em absoluto, o outro com ele é, com seus segredos, defeitos e virtudes. A Era de Ouro da Humanidade, segundo a filosofia Yogi. A Era da Beleza porque a Era do Caminho da Sabedoria. E quem sabe, a Era da Arte de Viver!! O homem se harmonizando com sua natureza – com o alargamento do seu eu. O crescente emergir da criatividade inegavelmente trará maiores possibilidades de felicidade e prazer na esfera individual e coletiva. Os homens continuarão como sempre foram; com seus aspectos claros e escuros, com suas contradições de seres mortais. Entretanto, saberão melhor como lidar com esses aspectos escuros e sombrios que existem em cada um de nós. As máscaras, tão comuns nos relacionamentos diários, não terão mais sentido porque o homem novo na sua autenticidade e espontaneidade não terá mais o que evitar, esconder, temer. Ele saberá aceitar-se e aceitar o mundo, assim como será aceito na sua legitimidade de ser único, integrado no coração mesmo do Universo. O homem da Era de Aquário é o homem independente. É o homem que elabora o processo da liberação total.
É interessante me estender mais um pouco. E até mesmo necessário. Estamos às portas do século XXI, esperando o decantado ano 2000 da lindeza e da solidariedade, da cor e do som, da paz e da felicidade paradisíaca. Para alguns, esta Era já iniciou por antecipação, mas apenas aparentemente, porque a Era de Aquário não é como se sabe (e os videntes também sabem), o privilégio de uns poucos ou de um grupo humano mais bem dotado, seja lá em que for. A era do próximo milênio é primordialmente o reencontro da humanidade inteira – na qual ninguém está interessado em aparecer mais ou menos, ser mais ou melhor. Não resta dúvida que os sintomas desta Era da Intuição já se fazem presentes – em pequenos núcleos – nos mais diferentes setores da atividade humana. Entretanto, antes de entrarmos nesta plenitude de viver, sofrerá o mundo todo com a humanidade inteira, a mais completa e fundamental transformação. Um cataclismo! E as décadas que vão dos meados de 1970 ao ano 2000 não serão nada muito eufóricas, nem floridas.
A transfigurada explosão já se faz notar. A imaginação parece se dilatar – o homem quer inventar, aparecer, criar, como nunca pensou ser possível. A arte já não é mais o privilégio de um pequeno grupo de artistas, não mais o dom de uns poucos – verifica-se que todo homem é potencialmente um criador, um artista, em maior ou menor grau. E ao lado desta efervescência vivemos paradoxalmente uma crise como nunca se ouviu falar – o desencontro humano é geral.
Este período de desencontro que antecede a Era de Aquário e que já estamos atravessando, pode ser visto como um fenômeno apocalíptico. O estado psíquico geral da humanidade se torna cada vez mais perigoso. É o desabamento de velhos moldes: paradoxismos, incongruências, inconseqüências, contradições, disparates – o imprevisível! Uma realidade altamente cheia de dúvida e absurda.
Por toda parte, falsos profetas da verdade e do saber – falsos cordeiros, falsos magos, falsos videntes, falsos sábios, falsos iluminados. Muitos destes homens como dogmáticos “salvadores da humanidade” ditam princípios e normas para a mente e para a alma, confundindo ainda mais a inquietude geral do mundo. As dores aumentarão e a humanidade há de gemer, estremecer e excitar-se. Ignorando completamente o que lhe falta, saberá apenas que sente dor e que necessita urgente de algo que a alivie e tranqüilize.
Quem tem a sua tocha individual bem acesa, quem permanece em estado de plena atenção, não tem o que temer. O observador atento da fenomenologia atual só tem uma saída: enfrentar o momento presente, enfrentar a si próprio e à escuridão da sua época, sem ditar dogmas ou princípios, que em pouco tempo estarão superados. O homem lúcido não perde a meta – ele trabalha incansavelmente por um mundo humano e pleno de alegria – ele sofre e não teme a metamorfose. – Aceita o peso do mundo sobre os seus frágeis ombros e não se desespera. Confia. Confia, sobretudo nas forças da natureza. Acredita no amanhecer da lucidez universal. Confia no princípio coordenador de energias, nas forças renovadoras que emergem do centro mesmo da psique. Trabalha no silêncio e no amor.
A Era de Aquário, uma utopia ou uma realidade? Consultem geólogos, sociólogos e astrônomos; eles tem dados interessantíssimos a respeito de acontecimentos singulares. Parece mesmo que tudo se transforma. Nada se pode afirmar, entretanto, só o tempo constata e confirma.
Para alguns estudiosos, os 2000 anos que nos seguirão podem ser vistos também como a Era da Conquista do Espaço Cósmico, e o homem já deu provas suficientes de que isso é possível. Mas a Era de Aquário é, sobretudo a Era do Descobrimento do Homem Interior – ERA DO HOMEM CÓSMICO.
Num interesse profundo em conhecer a sua natureza íntima e a sua essência eletromagnética, o homem descobrirá que a alma é o divino se manifestando na matéria.
A 1ª publicação deste artigo em 1972 - Jornal Rolling Stone – Rio de Janeiro ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Mahatma Gandhi

Enquanto o domínio imposto precisa ajuda das armas para se manter, o domínio gerado pelo amor dispensa o uso da força.
Chegará um dia em que aqueles que estão na corrida louca de multiplicar seus bens na vã tentativa de engrandecimento, reavaliarão seus atos, e dirão: “Que fizemos nós?
A não-violência é impossível sem a autopurificação.
O estado idealmente não-violento será uma anarquia ordenada.
A não-cooperação com o mal é um dever sagrado.
Assim como o culto do patriotismo ensina que o homem deve morrer pela família, e a família pela pátria, assim, também, deve a pátria morrer, se necessário pelo mundo
Bibliografia: Mahatma Gandhi Autobiografia Mis Experiências com La Verdad Edit. Eyras, 1977, Madrid ///Mahatman Gandhi Mi credo Hinduista Edit. Dédalo, 1986, Buenos Aires /// Gandhi e a não violência Textos selecionados Thomas Merton Edit. Vozes, 1967, Petrólopis, RJ ///Ramiro A. Calle Tres Grandes Misticos Hindues Edi. Cedel, 1970, Barcelona/// George Woodcockas as idéias de Gandhi Edit. Cultrix, 1972, São Paulo///Uma Biografia Fotográfica Seleção fotográfica Richard Attenborough Francisco Alves, 2ª edição, 1983, Rio de Janeiro.~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Solidariedade a Realengo
A sociedade inteira, o mundo, todos nós que amamos a vida e a dignidade humana estamos de luto diante desta tragédia que se abateu em sangue sobre o chão de uma Escola, nesta semana. Que razões um jovem desvairado sai matando sem piedade outros jovens adolescentes, ainda crianças? Escola Municipal Tasso da Silveira, Realengo, Rio de Janeiro, Brasil - espaço sagrado para a boa formação educacional, cultura geral, princípios éticos, convívio humano, aprendizagem de cidadania e outros valores.
Um quadro de horror, inconcebível, abateu nossa cidade!
Impotente, que posso fazer? Meu abraço afetivo e solidário a Realengo.
Que reflexões objetivas diante de tamanha violência e perplexidade? Que caminho de sabedoria quando presenciamos reinar por todo o Planeta Terra, a estupidez moderna que idolatra a criação sofisticada das armas, o prazer da violência pela violência e as glórias das guerras? Que jovem desgraçado é este que teve como horizonte o espetáculo do crime planejado e o suicídio como fim?
Choramos os mortos, choramos as dores familiares e amigos, choramos porque estamos feridos em nossos valores fundamentais de qualidade do que é o outro, nosso igual. Oremos e trabalhemos por um mundo consciente e lúcido.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Este jovem, suicida, paradoxalmente, é também vítima de uma facção da sociedade cruel, excludente e hipócrita. Que Deus acolha a todos em sua bondade infinita!
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
Pensamentos de Thomas Merton
Desenho em homenagem a Thomas Merton um dos meus grandes mestres
martha pires ferreira
Ver link Reflexões Merton
"O preço do verdadeiro recolhimento é a firme resolução de não ter, voluntariamente, interesse por coisa alguma que não seja útil ou necessária à vida interior" Thomas MertonDireção Espiritual e Meditação, Ed.Vozes p. 94, 1962
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Poema
Deus me fez
Insuportavelmente plural
cósmica
feminina
irada, intolerante
rebelde boca de fogo
Alma quente solar
acolhedora
doce como frutas
seca como abacate
firme como bambu
solta ao vento
libélula, papoula
filigrana
Corpo ágil
tigre, onça
afoita
imprevisível salto de gata
insuportável como raio no telhado
Deus me fez
camponesa, princesa
rude, refinada
Idiota, sábia
nada modesta
altiva
Deus não me fez
raposa
dúbia, ladina
nem dissimulada
medrosa
Deus me fez
insuportavelmente direta
tempestuosa
libertária
Deus me doou Alegria
> martha pires ferreira / abril 2011
Insuportavelmente plural
cósmica
feminina
irada, intolerante
rebelde boca de fogo
Alma quente solar
acolhedora
doce como frutas
seca como abacate
firme como bambu
solta ao vento
libélula, papoula
filigrana
Corpo ágil
tigre, onça
afoita
imprevisível salto de gata
insuportável como raio no telhado
Deus me fez
camponesa, princesa
rude, refinada
Idiota, sábia
nada modesta
altiva
Deus não me fez
raposa
dúbia, ladina
nem dissimulada
medrosa
Deus me fez
insuportavelmente direta
tempestuosa
libertária
Deus me doou Alegria
> martha pires ferreira / abril 2011
domingo, 27 de março de 2011
O Camponês e a Serpente
Este conto pertence aos mais belos Contos de Fada da tradição popular da Russia. A Serpente, possuidora do conhecimento e de todas as riquezas do mundo - representação simbólica da sabedoria do princípio feminino.
****
Há muito e muitos anos, embora não fosse frequente, houve em certa ocasião um rei, e, o que é mais raro, ao lado de todos os seus vassalos, grandes ou pequenos, homens ou mulheres, ele era feliz no seu vasto reino. Isto é realmente muito extraordinário e digno de ser lembrado. O rei era feliz, por incrível que pareça.
Certa ocasião este rei teve um sonho. Nele viu que do teto de um dos aposentos do seu maravilhoso palácio estava uma raposa suspensa pela cauda. Despertou o monarca e, por muito que desejasse não lhe foi possível adivinhar qual seria o sentido daquele estranho sonho. Reuniu seus vizires e pessoas sábias de reino, mas estes também não puderam descobrir o significado daquela visão. Diante disso, disse o monarca:
-“Ordenai que se reúnam todos os habitantes do meu reino, e talvez deste modo encontremos alguém capaz de interpretar meu sonho”.
Em cumprimento de tal desejo, deram-se as ordens oportunas e, ao terceiro dia, todos os habitantes do reino se reuniram diante do palácio do rei. Entre a multidão havia um pobre camponês, o qual, no curso de sua viagem, teve que percorrer estreitos caminhos, atravessar por altíssimas rochas e espessa floresta. Entretanto antes de chegar a este reino o camponês se deparou com uma serpente estendida no caminho e que parecia disposta a se lançar sobre ele. Mas, quando o aldeão chegou mais perto, a serpente lhe disse:
- Bom dia! Onde está indo, camponês?
O pobre homem explicou o motivo da viagem e a serpente replicou:
- Não tenhas medo algum. Se prometeres dividir comigo o que te der o rei, direi o que deves responder.
O aldeão, muito satisfeito, deu sua palavra, jurando cumprir o prometido e acrescentando ao mesmo tempo:
- Se quiseres ajudar-me nesta empresa, prometo dar-te tudo o que o rei me der.
- Não será assim, - respondeu a serpente – senão o que dividiremos em partes iguais, metade para cada um. E agora escuta: quando ouvires o rei, diga:
- “A raposa significa que no reino há astúcia, hipocrisia e traição”.
O camponês despediu-se da serpente, continuou sua viagem e, afinal, viu-se na presença do rei. Estando diante do rei e no momento oportuno, repetiu ao monarca as palavras que a serpente lhe dissera. O soberano ficou muito satisfeito e ordenou que lhe dessem valiosos presentes. Ao regressar, o aldeão se apressou a tomar outro caminho, com o propósito de não encontrar a serpente e não se ver obrigado a repartir com ela as dádivas que obtivera. E assim fez.
Transcorreu algum tempo o rei teve outro sonho no qual pode ver uma espada desembainhada suspensa no teto. Convocou novamente os vizires que mais uma vez não souberam interpretar este outro sonho do rei. Não esperou mais, deu ordem que chamassem o camponês a sua presença. Este se alarmou ao receber as ordens do monarca, e, convencido de que não tinha outro remédio, seguiu o caminho que já lhe era conhecido. Teve que atravessar a floresta mais uma vez e chegou ao lugar em que vira a serpente, mas na segunda viagem não a encontrou. E ficou sem saber como fazer. Então parou e começou a gritar:
- Oh, serpente! Serpente! Vem aqui um momento, porque preciso de ti!
E assim chamou-a por três vezes, quando o ofídio se apresentou e lhe perguntou:
- Que queres? Que te aflige? O camponês contou-lhe a incumbência que lhe dera o rei, e mostrou-lhe a necessidade que tinha de seu conselho.
-Bem, - respondeu serpente – apresenta-te ao rei e dize-lhe que a espada desembainhada pressagia a guerra; que seus inimigos intrigam em seu reino e fora dele, e que deve preparar-se para a contenda e ser o primeiro a atacar.
O camponês agradeceu a serpente e se afastou prometendo dar-lhe a metade do que receberia.
Uma vez na presença do rei o camponês repetiu as palavras da serpente. O monarca observou do ponto mais alto como estava o seu reino e verificou que inimigos se aproximavam. Imediatamente começou seus preparativos para a guerra, mas não se esqueceu de recompensar generosamente o camponês assim que venceu os inimigos, o qual regressou pela mesma senda em que se achava a serpente. Esta, ao vê-lo, disse:
- Agora, dá-me a metade da recompensa, segundo prometeste.
- De modo algum! – respondeu ele – O que te vou dar é uma pedrada, e se me amolares, te perseguirei com a espada. Dizendo isto, desembainhou a espada e perseguiu a serpente. O réptil se meteu num buraco, mas o camponês, ingrato e cobiçoso, que o alcançou, logrou corta-lhe a cauda de um golpe.
Transcorrido algum tempo, o rei teve uma visão. Nela, pendurada do teto, havia uma ovelha. O monarca se apressou a mandar chamar o camponês, o qual recebeu muito assustado a ordem de comparecer ao palácio, pois não sabia como se apresentar ao rei. Em ocasiões anteriores a serpente o havia orientado, mas agora já não seria possível pedir seu conselho, porque, em troca de tanta bondade, ele lhe cortara a cauda com a espada. Temeroso e convencido de que somente lhe restava o recurso de mais uma vez passar por aquela floresta, pôs-se a caminho. Ao chegar ao lugar em que a serpente aparecera, tornou a chamá-la:
- Oh, serpente! Serpente! Vem aqui um momento, porque desejo pedir-te um favor!
A serpente apareceu de cabeça erguida e altiva, e o camponês colocou ao corrente do apuro complicado em que se achava. A serpente serenamente escutou-o e, afinal, disse:
- Se consentes em me dar à metade do que o rei te conceder, te ensinarei a resposta. O camponês prometeu com solenes juramentos e, em vista disso, a serpente acrescentou:
- A ovelha é o sinal de que a paz e a felicidade voltarão a reinar e que o povo se conduzirá para o futuro como pacíficas ovelhas.
O aldeão agradeceu como das vezes anteriores e continuou sua viagem. Ao chegar à presença do rei, disse-lhe o que a serpente lhe ensinara, e o soberano observando seu reino cada dia, extremante satisfeito, fez-lhe uma dádiva muito mais valiosa que das outras vezes. O camponês tomou o caminho de volta pelo mesmo lugar em que havia de encontrar a serpente. Ao chegar ao seu lado, deu todos os presentes que recebera do rei, e disse mais:
- Vou dar-te, também, a metade de quanto o rei me concedeu anteriormente. Espero que me perdoe pela ingratidão de que dei mostras.
- Não te incomodes, nem lamentes o que aconteceu – respondeu a serpente – com toda a certeza, tu não tiveste culpa. A primeira vez comportou como o povo; foste traiçoeiro, mentiroso e hipócrita, tu mesmo mentiste, porque, apesar de tuas promessas, fizeste o trajeto de volta por lugar diferente. A segunda vez, quando a guerra fazia estragos em toda parte, e havia disputas, mortes e assassinatos, tu também levaste a cabo um ato de violência contra mim, dando-me um golpe de espada. Agora, quando a paz e o amor reinam em todo o país, trazes o que me prometeste e prontamente divides tuas riquezas comigo. Assim, pois, vai em paz e seja abençoado. Sou uma Fada, possuo todas as riquezas do mundo, não preciso de teus presentes.
E a Fada Serpente se afastou e foi-se recolher em sua toca que comunicava com formosíssimo palácio subterrâneo, morada suntuosa das mais belas fadas. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
quinta-feira, 17 de março de 2011
Senhora das imagens internas Escritos dispersos de Nise da Silveira
Organizadora Martha Pires Ferreira
Cadernos da Biblioteca Nacional 5, RJ - 2008.
Para este livro foram selecionados, em ordem cronológica, transcrição fiel, quinze escritos / ensaios de Nise da Silveira.
Abrindo o livro estamos em 1935 e Nise da Silveira, estando apenas com 30 anos, em sua brilhante conferência - Filosofia e realidade social - no Club de Cultura Moderna, onde se reuniam intelectuais de esquerda. Trecho desta conferência foi publicado em maio do mesmo ano, na revista Movimento, ano 1, nº1. Sem dúvida a publicação desta conferência, com referências a Hegel e Karl Marx, e mais suas ideias humanistas, antifascista com forte posicionamento de esquerda, em muito contribuíram para a sua prisão em 1936.
Os escritos tratam de filosofia, mitologia, simbolismo, gato-animais, psicologia analítica, terapêutica ocupacional com emoção de lidar com os esquizofrênicos, humanismo. Uma oportunidade de se conhecer as ideias precursoras e revolucionárias de Nise da Silveira, mulher muito além de seu tempo, tendo como base seu grande mestre C. G. Jung.
Os escritos tratam de filosofia, mitologia, simbolismo, gato-animais, psicologia analítica, terapêutica ocupacional com emoção de lidar com os esquizofrênicos, humanismo. Uma oportunidade de se conhecer as ideias precursoras e revolucionárias de Nise da Silveira, mulher muito além de seu tempo, tendo como base seu grande mestre C. G. Jung.
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Em anexo:
- Uma trajetória biográfica.
- Palavras de Nise
- Meu contato humano do Raphael
- Recortes na ponta do lápis.
Notas sobre o que o tempo teceu entre nós, em profunda amizade.
>>>> martha
>>>> martha
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Ver abaixo as Livrarias onde esta obra poderá ser encontrada.
Ver abaixo as Livrarias onde esta obra poderá ser encontrada.
___ Das vendas, todos os benefícios foram doados para a Casa das Palmeiras.
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Senhora das imagens internas - 2008
Livro lançado em 2009
Livraria Leonardo da Vinci
-
Senhora das imagens internas,
Escritos dispersos de Nise da Silveira
-
Martha Pires Ferreira
Organizadora
Organizadora
Cadernos da Biblioteca Nacional 5 /RJ 2008
R$ 25,00
****
Livraria Leonardo da Vinci
Av. Rio Branco, 185- lojas 2 e 3 / centro
Tel. (21) 2553-2237
info@leonardodavinci.com.br
Grupo de Estudos C. G. Jung
Rua Sorocaba, 800
Tel. (21) 2266-6465
Casadaspalmeiras.nise@gmail.com
La Vereda
Rua Almirante Alexandrino, 428 / Santa Teresa
Te. (21) 2507-0317
Largo das Letras
Rua Almirante Alexandrino, 501 / Santa Teresa
Tel. (21) 2221-8992
livraria@largodasletras.com.br
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Libertária eTsunami
Sabem por que sou desenhista e astróloga e recomeçando a Vida caminharia na mesma estrada?
Porque sou libertária, ando a gauche, a izquierda, não sigo regras. Nasci desobediente, rebelde às idéias xerocadas ou pré-fabricadas por espíritos tacanhos. Não ando a cada de prêmios e nem corro para esbarrar em algum Mandarin, Sultão ou Rei da Dinamarca.
O Desenho é uma escrita interna que me revela mergulhos do inconsciente sempre que, deliberadamente, uso o meu escafandro para ler o que está escrito no meu universo pessoal e mesmo coletivo.
A Astrologia é o meu caminhar pela imensidão cósmica; o extraordinário olhar que se pode fazer no reino do absoluto, sabendo-se estar aqui neste estreitinho mundo do relativo.
Caminhei por muitas estradas; algumas sinuosas, outras quase perigosas e outras mais tranquilas com bela vista para o horizonte infinito. Importante é seguir enfrente confiante e sem dúvidas que o sábio Arquiteto tudo orienta quando estamos em Sua trilha.
Porque sou libertária, ando a gauche, a izquierda, não sigo regras. Nasci desobediente, rebelde às idéias xerocadas ou pré-fabricadas por espíritos tacanhos. Não ando a cada de prêmios e nem corro para esbarrar em algum Mandarin, Sultão ou Rei da Dinamarca.
O Desenho é uma escrita interna que me revela mergulhos do inconsciente sempre que, deliberadamente, uso o meu escafandro para ler o que está escrito no meu universo pessoal e mesmo coletivo.
A Astrologia é o meu caminhar pela imensidão cósmica; o extraordinário olhar que se pode fazer no reino do absoluto, sabendo-se estar aqui neste estreitinho mundo do relativo.
Caminhei por muitas estradas; algumas sinuosas, outras quase perigosas e outras mais tranquilas com bela vista para o horizonte infinito. Importante é seguir enfrente confiante e sem dúvidas que o sábio Arquiteto tudo orienta quando estamos em Sua trilha.
Ser livre é a minha sina, mesmo estando a alteridade presente a cada dia.
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Século passado e, hoje, nada mudou. Libertária! mpf
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Ser libertária não me aliena das dores do mundo. Não descanso pensando no Japão, sua catástrofe aterrorizante >>>> o tsunami inconcebícel! As pessoas, os animais e toda a Natureza ferida !~
Que recado os céus estão nos dando ? Não temos a resposta. Grande Mistério!
Oremos !
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sábado, 12 de março de 2011
Urano e Netuno >> sinais nos céus
Para quem ama Mitologia e estuda Astrologia vive neste momento histórico em profunda reflexão diante das configurações celestes procurando entender a linguagem simbólica, mitológica, escrita nas estrelas, representada pelos planetas Urano e Netuno, em particular.
O que representa a entrada destes dois astros deuses em signos de Fogo e de Água; Urano (Uranus) no signo de Áries, hoje, dia 12 de março de 2011, e Netuno (Poseidon) no signo de Peixes dia 4 de abril deste mesmo ano, e, definitivamente, dia 4 de fevereiro de 2012?
Muito que pensar, muito a deduzir, muito a prognosticar. Quem quiser beber na fonte basta ler, pesquisar e procurar entender os sinais que o Criador desenha para as criaturas.
Urano em Áries percorrerá por sete anos este primeiro signo do Zodíaco, reiniciando seu ciclo de 84 anos. E Netuno percorrerá o signo de Peixes, o último signo, aproximadamente, por 15 anos, isto é, até 2026. Muita surpresa para ser contemplada, vivenciada. Em Áries, Urano, o planeta do imprevisível, simbolicamente, significa abrir caminhos para a liberdade renovada em níveis mais elevados, assim sendo, apreendemos que sejam novas portas da criatividade e horizontes amplos no campo das conquistas humanas, acima das ciências e tecnologias, enquanto Netuno em Peixes concluirá seu ciclo de 164 anos e nos convidará a outro olhar diante dos valores até então dominantes e nos revelará a riqueza das interioridades, a impermanência que é a Vida neste Planeta Terra, nossa casa comum e a beleza da transcendência.
Vivemos na História da Humanidade um tempo atemporal, com indefinidos espaços ideológicos, um mundo sem horizontes certos, sem leme, sem estrada, sem códigos confiáveis. Recorrer às Mitologias será um bom exercício para a inteligência especulativa e, sobretudo, para a intuitiva. Não de deve minimizar um quantum de sabedoria escrito nas estrelas para o bem da Humanidade, através do universo mitológico.
Urano foi de suma importância quando encontrado em 1781, antecipando a Revolução Francesa, 1789. E Netuno descoberto em 1846, antecipando o Manifesto Comunista, 1848. Dois momentos intensos para as conquistas sociais, trabalhistas, de justiça e direitos humanos. Pouco se avançou, lamentavelmente, porém, muito estamos desejosos de avançar, cada dia mais.
“O reino de Deus está em vós” insistia Leon Tolstoi, repetindo as palavras de Jesus de Nazaré.
postagem - martha pires ferreira
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sábado, 5 de março de 2011
É Carnaval !!!
Estou na folia do Samba, é carnaval!
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Carmelitas >> ontem, multidão subindo e descendo as ladeiras !
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Céu na Terra >> hoje >> saiu às 7h15 da manhã... juventude colorida,
graciosa com marchinhas embelezando
Santa Teresa!
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Não fui ao Bola Preta este ano - atraindo multidões que atravessavam a Lapa
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Atenções voltadas para a Escola de Música UFRJ -
a abertura genial da orquestra encantadora com o
Feitiço do Villa - às 11h >>>>
abafou, com o povo animadíssimo debaixo de chuva -
samba e música clássica
Encantando de Alegria o Carnaval
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Bloco Feitiço do Villa >>> lindíssima homenagem
ao nosso amado Heitor Villa-Bobos /
hoje, dia 5, dia da música clássica!
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