terça-feira, 5 de abril de 2011

Poema

Deus me fez
Insuportavelmente plural
cósmica
feminina
irada, intolerante
rebelde boca de fogo

Alma quente solar
acolhedora
doce como frutas
seca como abacate
firme como bambu
solta ao vento
libélula, papoula
filigrana

Corpo ágil
tigre, onça
afoita
imprevisível salto de gata
insuportável como raio no telhado

Deus me fez
camponesa, princesa
rude, refinada
Idiota, sábia
nada modesta
altiva

Deus não me fez
raposa
dúbia, ladina
nem dissimulada
medrosa

Deus me fez
insuportavelmente direta
tempestuosa
libertária

Deus me doou Alegria

> martha pires ferreira / abril 2011

domingo, 27 de março de 2011

O Camponês e a Serpente

Este conto pertence aos mais belos Contos de Fada da tradição popular da Russia. A Serpente, possuidora do conhecimento e de todas as riquezas do mundo - representação simbólica da sabedoria do princípio feminino.

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Há muito e muitos anos, embora não fosse frequente, houve em certa ocasião um rei, e, o que é mais raro, ao lado de todos os seus vassalos, grandes ou pequenos, homens ou mulheres, ele era feliz no seu vasto reino. Isto é realmente muito extraordinário e digno de ser lembrado. O rei era feliz, por incrível que pareça.

Certa ocasião este rei teve um sonho. Nele viu que do teto de um dos aposentos do seu maravilhoso palácio estava uma raposa suspensa pela cauda. Despertou o monarca e, por muito que desejasse não lhe foi possível adivinhar qual seria o sentido daquele estranho sonho. Reuniu seus vizires e pessoas sábias de reino, mas estes também não puderam descobrir o significado daquela visão. Diante disso, disse o monarca:

-“Ordenai que se reúnam todos os habitantes do meu reino, e talvez deste modo encontremos alguém capaz de interpretar meu sonho”.


Em cumprimento de tal desejo, deram-se as ordens oportunas e, ao terceiro dia, todos os habitantes do reino se reuniram diante do palácio do rei. Entre a multidão havia um pobre camponês, o qual, no curso de sua viagem, teve que percorrer estreitos caminhos, atravessar por altíssimas rochas e espessa floresta. Entretanto antes de chegar a este reino o camponês se deparou com uma serpente estendida no caminho e que parecia disposta a se lançar sobre ele. Mas, quando o aldeão chegou mais perto, a serpente lhe disse:

- Bom dia! Onde está indo, camponês?

O pobre homem explicou o motivo da viagem e a serpente replicou:

- Não tenhas medo algum. Se prometeres dividir comigo o que te der o rei, direi o que deves responder.

O aldeão, muito satisfeito, deu sua palavra, jurando cumprir o prometido e acrescentando ao mesmo tempo:

- Se quiseres ajudar-me nesta empresa, prometo dar-te tudo o que o rei me der.

- Não será assim, - respondeu a serpente – senão o que dividiremos em partes iguais, metade para cada um. E agora escuta: quando ouvires o rei, diga:

- “A raposa significa que no reino há astúcia, hipocrisia e traição”.

O camponês despediu-se da serpente, continuou sua viagem e, afinal, viu-se na presença do rei. Estando diante do rei e no momento oportuno, repetiu ao monarca as palavras que a serpente lhe dissera. O soberano ficou muito satisfeito e ordenou que lhe dessem valiosos presentes. Ao regressar, o aldeão se apressou a tomar outro caminho, com o propósito de não encontrar a serpente e não se ver obrigado a repartir com ela as dádivas que obtivera. E assim fez.


Transcorreu algum tempo o rei teve outro sonho no qual pode ver uma espada desembainhada suspensa no teto. Convocou novamente os vizires que mais uma vez não souberam interpretar este outro sonho do rei. Não esperou mais, deu ordem que chamassem o camponês a sua presença. Este se alarmou ao receber as ordens do monarca, e, convencido de que não tinha outro remédio, seguiu o caminho que já lhe era conhecido. Teve que atravessar a floresta mais uma vez e chegou ao lugar em que vira a serpente, mas na segunda viagem não a encontrou. E ficou sem saber como fazer. Então parou e começou a gritar:

- Oh, serpente! Serpente! Vem aqui um momento, porque preciso de ti!

E assim chamou-a por três vezes, quando o ofídio se apresentou e lhe perguntou:

- Que queres? Que te aflige? O camponês contou-lhe a incumbência que lhe dera o rei, e mostrou-lhe a necessidade que tinha de seu conselho.

-Bem, - respondeu serpente – apresenta-te ao rei e dize-lhe que a espada desembainhada pressagia a guerra; que seus inimigos intrigam em seu reino e fora dele, e que deve preparar-se para a contenda e ser o primeiro a atacar.

O camponês agradeceu a serpente e se afastou prometendo dar-lhe a metade do que receberia.

Uma vez na presença do rei o camponês repetiu as palavras da serpente. O monarca observou do ponto mais alto como estava o seu reino e verificou que inimigos se aproximavam. Imediatamente começou seus preparativos para a guerra, mas não se esqueceu de recompensar generosamente o camponês assim que venceu os inimigos, o qual regressou pela mesma senda em que se achava a serpente. Esta, ao vê-lo, disse:

- Agora, dá-me a metade da recompensa, segundo prometeste.

- De modo algum! – respondeu ele – O que te vou dar é uma pedrada, e se me amolares, te perseguirei com a espada. Dizendo isto, desembainhou a espada e perseguiu a serpente. O réptil se meteu num buraco, mas o camponês, ingrato e cobiçoso, que o alcançou, logrou corta-lhe a cauda de um golpe.

Transcorrido algum tempo, o rei teve uma visão. Nela, pendurada do teto, havia uma ovelha. O monarca se apressou a mandar chamar o camponês, o qual recebeu muito assustado a ordem de comparecer ao palácio, pois não sabia como se apresentar ao rei. Em ocasiões anteriores a serpente o havia orientado, mas agora já não seria possível pedir seu conselho, porque, em troca de tanta bondade, ele lhe cortara a cauda com a espada. Temeroso e convencido de que somente lhe restava o recurso de mais uma vez passar por aquela floresta, pôs-se a caminho. Ao chegar ao lugar em que a serpente aparecera, tornou a chamá-la:

- Oh, serpente! Serpente! Vem aqui um momento, porque desejo pedir-te um favor!

A serpente apareceu de cabeça erguida e altiva, e o camponês colocou ao corrente do apuro complicado em que se achava. A serpente serenamente escutou-o e, afinal, disse:

- Se consentes em me dar à metade do que o rei te conceder, te ensinarei a resposta. O camponês prometeu com solenes juramentos e, em vista disso, a serpente acrescentou:

- A ovelha é o sinal de que a paz e a felicidade voltarão a reinar e que o povo se conduzirá para o futuro como pacíficas ovelhas.

O aldeão agradeceu como das vezes anteriores e continuou sua viagem. Ao chegar à presença do rei, disse-lhe o que a serpente lhe ensinara, e o soberano observando seu reino cada dia, extremante satisfeito, fez-lhe uma dádiva muito mais valiosa que das outras vezes. O camponês tomou o caminho de volta pelo mesmo lugar em que havia de encontrar a serpente. Ao chegar ao seu lado, deu todos os presentes que recebera do rei, e disse mais:

- Vou dar-te, também, a metade de quanto o rei me concedeu anteriormente. Espero que me perdoe pela ingratidão de que dei mostras.

- Não te incomodes, nem lamentes o que aconteceu – respondeu a serpente – com toda a certeza, tu não tiveste culpa. A primeira vez comportou como o povo; foste traiçoeiro, mentiroso e hipócrita, tu mesmo mentiste, porque, apesar de tuas promessas, fizeste o trajeto de volta por lugar diferente. A segunda vez, quando a guerra fazia estragos em toda parte, e havia disputas, mortes e assassinatos, tu também levaste a cabo um ato de violência contra mim, dando-me um golpe de espada. Agora, quando a paz e o amor reinam em todo o país, trazes o que me prometeste e prontamente divides tuas riquezas comigo. Assim, pois, vai em paz e seja abençoado. Sou uma Fada, possuo todas as riquezas do mundo, não preciso de teus presentes.

E a Fada Serpente se afastou e foi-se recolher em sua toca que comunicava com formosíssimo palácio subterrâneo, morada suntuosa das mais belas fadas. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

quinta-feira, 17 de março de 2011

Senhora das imagens internas Escritos dispersos de Nise da Silveira


Organizadora Martha Pires Ferreira
Cadernos da Biblioteca Nacional 5, RJ - 2008.

            Para este livro foram selecionados, em ordem cronológica, transcrição fiel, quinze escritos / ensaios de Nise da Silveira. 
          Abrindo o livro estamos em 1935 e Nise da Silveira, estando apenas com 30 anos, em sua brilhante conferência - Filosofia e realidade social - no Club de Cultura Moderna, onde se reuniam intelectuais de esquerda. Trecho desta conferência foi publicado em maio do mesmo ano, na revista Movimento, ano 1, nº1. Sem dúvida a publicação desta conferência, com referências a Hegel e Karl Marx, e mais suas ideias humanistas, antifascista com forte posicionamento de esquerda, em muito contribuíram para a sua prisão em 1936.
       Os escritos tratam de filosofia, mitologia, simbolismo, gato-animais, psicologia analítica, terapêutica ocupacional com emoção de lidar com os esquizofrênicos, humanismo. Uma oportunidade de se conhecer as ideias precursoras e revolucionárias de Nise da Silveira, mulher muito além de seu tempo, tendo como base seu grande mestre C. G. Jung.
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Em anexo:
- Uma trajetória biográfica.
- Palavras de Nise
- Meu contato humano do Raphael
- Recortes na ponta do lápis.
Notas sobre o que o tempo teceu entre nós, em profunda amizade.
>>>> martha
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Ver abaixo as Livrarias onde esta obra poderá ser encontrada.
___ Das vendas, todos os benefícios foram doados para a Casa das Palmeiras.

___ Postagem -- Martha Pires Ferreira
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Senhora das imagens internas - 2008

Livro lançado em 2009
Livraria Leonardo da Vinci
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Senhora das imagens internas,
Escritos dispersos de Nise da Silveira
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Martha Pires Ferreira
Organizadora
Cadernos da Biblioteca Nacional 5 /RJ 2008
R$ 25,00
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Livraria Leonardo da Vinci
Av. Rio Branco, 185- lojas 2 e 3 / centro
Tel. (21) 2553-2237
info@leonardodavinci.com.br

Grupo de Estudos C. G. Jung
Rua Sorocaba, 800
Tel. (21) 2266-6465
Casadaspalmeiras.nise@gmail.com

La Vereda
Rua Almirante Alexandrino, 428 / Santa Teresa
Te. (21) 2507-0317

Largo das Letras
Rua Almirante Alexandrino, 501 / Santa Teresa
Tel. (21) 2221-8992
livraria@largodasletras.com.br
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Libertária eTsunami

Sabem por que sou desenhista e astróloga e recomeçando a Vida caminharia na mesma estrada?
Porque sou libertária, ando a gauche, a izquierda, não sigo regras. Nasci desobediente, rebelde às idéias xerocadas ou pré-fabricadas por espíritos tacanhos. Não ando a cada de prêmios e nem corro para esbarrar em algum Mandarin, Sultão ou Rei da Dinamarca.
O Desenho é uma escrita interna que me revela mergulhos do inconsciente sempre que, deliberadamente, uso o meu escafandro para ler o que está escrito no meu universo pessoal e mesmo coletivo.
A Astrologia é o meu caminhar pela imensidão cósmica; o extraordinário olhar que se pode fazer no reino do absoluto, sabendo-se estar aqui neste estreitinho mundo do relativo.
Caminhei por muitas estradas; algumas sinuosas, outras quase perigosas e outras mais tranquilas com bela vista para o horizonte infinito. Importante é seguir enfrente confiante e sem dúvidas que o sábio Arquiteto tudo orienta quando estamos em Sua trilha.
Ser livre é a minha sina, mesmo estando a alteridade presente a cada dia.
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Século passado e, hoje, nada mudou. Libertária! mpf
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Ser libertária não me aliena das dores do mundo. Não descanso pensando no Japão, sua catástrofe aterrorizante >>>> o tsunami inconcebícel! As pessoas, os animais e toda a Natureza ferida !~
Que recado os céus estão nos dando ? Não temos a resposta. Grande Mistério!
Oremos !
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sábado, 12 de março de 2011

Urano e Netuno >> sinais nos céus

Para quem ama Mitologia e estuda Astrologia vive neste momento histórico em profunda reflexão diante das configurações celestes procurando entender a linguagem simbólica, mitológica, escrita nas estrelas, representada pelos planetas Urano e Netuno, em particular.
O que representa a entrada destes dois astros deuses em signos de Fogo e de Água; Urano (Uranus) no signo de Áries, hoje, dia 12 de março de 2011, e Netuno (Poseidon) no signo de Peixes dia 4 de abril deste mesmo ano, e, definitivamente, dia 4 de fevereiro de 2012?
Muito que pensar, muito a deduzir, muito a prognosticar. Quem quiser beber na fonte basta ler, pesquisar e procurar entender os sinais que o Criador desenha para as criaturas.
Urano em Áries percorrerá por sete anos este primeiro signo do Zodíaco, reiniciando seu ciclo de 84 anos. E Netuno percorrerá o signo de Peixes, o último signo, aproximadamente, por 15 anos, isto é, até 2026. Muita surpresa para ser contemplada, vivenciada. Em Áries, Urano, o planeta do imprevisível, simbolicamente, significa abrir caminhos para a liberdade renovada em níveis mais elevados, assim sendo, apreendemos que sejam novas portas da criatividade e horizontes amplos no campo das conquistas humanas, acima das ciências e tecnologias, enquanto Netuno em Peixes concluirá seu ciclo de 164 anos e nos convidará a outro olhar diante dos valores até então dominantes e nos revelará a riqueza das interioridades, a impermanência que é a Vida neste Planeta Terra, nossa casa comum e a beleza da transcendência.

Vivemos na História da Humanidade um tempo atemporal, com indefinidos espaços ideológicos, um mundo sem horizontes certos, sem leme, sem estrada, sem códigos confiáveis. Recorrer às Mitologias será um bom exercício para a inteligência especulativa e, sobretudo, para a intuitiva. Não de deve minimizar um quantum de sabedoria escrito nas estrelas para o bem da Humanidade, através do universo mitológico.

Urano foi de suma importância quando encontrado em 1781, antecipando a Revolução Francesa, 1789. E Netuno descoberto em 1846, antecipando o Manifesto Comunista, 1848. Dois momentos intensos para as conquistas sociais, trabalhistas, de justiça e direitos humanos. Pouco se avançou, lamentavelmente, porém, muito estamos desejosos de avançar, cada dia mais.
“O reino de Deus está em vós” insistia Leon Tolstoi, repetindo as palavras de Jesus de Nazaré.
      postagem -  martha pires ferreira
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sábado, 5 de março de 2011

É Carnaval !!!

Estou na folia do Samba, é carnaval!
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Carmelitas >> ontem, multidão subindo e descendo as ladeiras !
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Céu na Terra >> hoje >> saiu às 7h15 da manhã... juventude colorida,
graciosa com marchinhas embelezando
Santa Teresa!
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Não fui ao Bola Preta este ano - atraindo multidões que atravessavam a Lapa
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Atenções voltadas para a Escola de Música UFRJ -
a abertura genial da orquestra encantadora com o
Feitiço do Villa - às 11h >>>>
abafou, com o povo animadíssimo debaixo de chuva -
samba e música clássica
Encantando de Alegria o Carnaval
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Bloco Feitiço do Villa >>> lindíssima homenagem
ao nosso amado Heitor Villa-Bobos /
hoje, dia 5, dia da música clássica!
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Leonardo Boff

Recebi este genial artigo de Leonardo dia 18 de fevereiro.
Um presente na véspera de meu aniversário.
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Leonardo Boff >>>> Filósofo/Teólogo
Teólogo: um ser quase impossível

Muitos estranham o fato de que, sendo teólogo e filósofo de formação, me meta em assuntos, alheios a estas disciplinas como a ecologia, a política, o aquecimento global e outros.

Eu sempre respondo: faço, sim, teologia pura, mas me ocupo também de outros temas exatamente porque sou teólogo. A tarefa do teólogo, já ensinava o maior deles, Tomás de Aquino, na primeira questão da Suma Teológica é: estudar Deus e sua revelação e, em seguida, todas as demais coisas “à luz de Deus”(sub ratione Dei), pois Ele é o princípio e o fim de tudo.

Portanto, cabe à teologia ocupar-se também de outras coisas que não Deus, desde que se faça “à luz de Deus”. Falar de Deus e ainda das coisas é uma tarefa quase irrealizável. A primeira: como falar de Deus se Ele não cabe em nenhum dicionário? A segunda, como refletir sobre todas as demais coisas, se os saberes sobre elas são tantos que ninguém individualmente pode dominá-los? Logicamente, não se trata de falar de economia com um economista ou de política como um político. Mas falar de tais matérias na perspectiva de Deus, o que pressupõe conhecer previamente estas realidades de forma critica e não ingênua, respeitando sua autonomia e acolhendo seus resultados mais seguros. Somente depois deste árduo labor, pode o teólogo se perguntar como elas ficam quando confrontadas com Deus? Como se encaixam numa visão mais transcendente da vida e da história?

Fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro. É coisa seríssima pois se trabalha com a categoria”Deus” que não é um objeto tangível como todos os demais. Por isso, é destituída de qualquer sentido, a busca da partícula “Deus” nos confins da matéria e no interior do “Campo Higgs”. Isso suporia que Deus seria parte do mundo. Desse Deus eu sou ateu. Ele seria um pedaço do mundo e não Deus. Faço minhas as palavras de um sutil teólogo franciscano, Duns Scotus (+1308) que escreveu:”Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. Quer dizer, Deus não é da ordem das coisas que podem ser encontradas e descritas. É a Precondição e o Suporte para que estas coisas existam. Sem Ele as coisas teriam ficado no nada ou voltariam ao nada. Esta é a natureza de Deus: não ser coisa mas a Origem das coisas.

Aplico a Deus como Origem aquilo que os orientais aplicam à força que permite pensar:”a força pela qual o pensamento pensa, não pode ser pensada”. A Origem das coisas não pode ser coisa.

Como se depreende, é muito complicado fazer teologia. Henri Lacordaire (+1861), o grande orador francês, disse com razão:”O doutor católico é um homem quase impossível: pois tem de conhecer todo o depósito da fé e os atos do Papado e ainda o que São Paulo chama de os ‘elementos do mundo’, isto é tudo e tudo”. Lembremos o que asseverou René Descartes (+1650) no Discurso do Método, base do saber moderno:” se eu quisesse fazer teologia, era preciso ser mais que um homem”. E Erasmo de Roterdam (+1536), o grande sábio dos tempos da Reforma, observava:”existe algo de sobrehumano na profissão do teólogo”. Não nos admira que Martin Heidegger tenha dito que uma filosofia que não se confrontou com as questões da teologia, não chegou plenamente ainda a si mesma. Refiro isso não como automagnificacão da teologia mas como confissão de que sua tarefa é quase impraticável, coisa que sinto dia a dia.

Logicamente, há uma teologia que não merece este nome porque é preguiçosa e renuncia a pensar Deus. Apenas pensa o que os outros pensaram ou o que o que disseram os Papas.

Meu sentimento do mundo me diz que hoje a teologia enquanto teologia tem que proclamar aos gritos: temos que preservar a natureza e harmonizarmo-nos com o universo, porque eles são o grande livro que Deus nos entregou. Lá se encontra o que Ele nos quer dizer. Porque desaprendemos a ler este livro, nos deu outro, as Escrituras, cristãs e de outros povos, para que reaprendêssemos a ler o livro da natureza. Hoje ela está sendo devastada. E com isso destruímos nosso acesso à revelação de Deus. Temos pois que falar da natureza e do mundo à luz de Deus e da razão. Sem a natureza e o mundo preservados, os livros sagrados perderiam seu significado que é reensinarmos a ler a natureza e o mundo. O discurso teológico tem, pois, o seu lugar junto com os demais discursos.

Leonardo e Clodovis Boff escreveram Como fazer teologia da libertação Vozes 2010
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Bloco Feitiço do Villa

O maravilhoso do Carnaval / 2011 está esquentando, esquentando, neste Verão Carioca >>>> ao som de violinos, viola, violoncelo, flauta, oboé, trompa, clarineta, fagote, soprano, cantor /// samba no mundo dos clássicos.
5 de março de 2011, sábado>>>> Atenção >>>> Feitiço à vista!
Em frente à Escola de Música da UFRJ
Concentração a partir das 9h.
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Bloco Feitiço do Villa
Pela 1ª vez no Carnaval !
Uma homenagem ao Dia Nacional da Música Clássica
nascimento de Heitor Villa-Lobos
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Samba de Edu Krieger e Edino Krieger
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Carta Maior

Quer estar por dentro,
saber pontualmente como anda o mundo?
Leia:
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Biblioteca Nacional 200 anos

Uma defesa do infinito
de 3 de novembro de 2010 a 25 de fevereiro de 2011
Mostra imperdível !
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Lectio divina

A lectio divina é uma prática muito antiga dos mestres históricos da oração na tradição cristã, a mais remota, em especial mantida entre os monges trapistas, beneditinos. Leitura acompanhada de meditação silenciosa.
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Reflexões para fevereiro:

Novas sementes de contemplação
Thomas Merton
Vozes, 1963, Petrópolis, Rio de Janeiro

“A contemplação é a mais alta expressão de vida intelectual e espiritual do homem. É a própria vida do intelecto e do espírito, plenamente desperta, plenamente ativa, plenamente consciente de que está viva. É um espanto espiritual, uma admiração. Um temor espontâneo, reverencial, diante do caráter sagrado da vida, do ser. É gratidão pelo dom da vida, pela consciência despertada, pelo ser. É a consciência viva do fato que, em nós, a vida e o ser procedem de uma Fonte invisível, transcendente e infinitamente abundante. A contemplação é, acima de tudo, a consciência da realidade desta fonte. Conhece a Fonte, obscuramente, de modo inexplicável, mas com uma certeza que vai além, tanto da razão como da simples fé. Pois a contemplação é uma espécie de visão espiritual a que por própria natureza, tanto a razão como a fé aspiram, porque sem ela, permanecem forçosamente incompletas. A contemplação, entretanto, não é a visão, pois vê, ‘sem ver’ e conhece ‘sem conhecer’”. p.17

“A contemplação é precisamente a consciência do que esse “eu” é em realidade, “não eu”; é o despertar do “eu” desconhecido, que ultrapassa o plano das reflexões e observações e é incapaz de fazer comentários sobre si mesmo”. p.23

“A intuição contemplativa nada tem a ver com o temperamento”. P.25 (...) “pode acontecer a alguém de temperamento ativo e apaixonado ser despertado à contemplação e, talvez repentinamente, sem muita luta”. p.26

“Se tivermos a humildade de sermos nós mesmos, não seremos como nenhuma outra pessoa no universo” (...) “ o homem humilde aceita tudo o que nesse mundo o ajuda a encontrar Deus e deixa o resto de lado”. “Não é nada humilde insistir em ser quem não somos”. p.109

“Não seja um dos que, para não correr o risco de fracassar, nunca tentam coisa alguma”. p. 114.

“Um homem, porem, que é realmente humilde, não pode desesperar, pois no humilde não há maios vestígio de autocomiseração”. p. 184

“A verdadeira fé tem que ser capaz de nos sustentar quando tudo o mais nos foi retirado”.
p. 191

“A alegria espiritual ignora o sofrimento ou dele se ri”. p. 255
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“(...) to hold the infinity in the palm of his hands” /segurar o infinito nas palmas das suas mãos. W. Blake.
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