quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Reflexões com Santa Bárbara

Quando eu era criança, diante de fenômenos violentos da natureza, tempestades ou enxurradas sem controle, era hábito orarmos para Santa Bárbara, protetora das tempestades. Os tempos mudaram e o ceticismo tomou conta arrogantemente dos corações duros e das mentes racionais, ausentes de intuições sensíveis. Na Antiguidade se tinha um respeito profundo pelas leis da natureza. A Vida era entendida como um só corpo, um só mundo/céu e terra. Não éramos órfãos, podíamos pedir aos céus a proteção Divina. A vida é um profundo mistério.

O que está ocorrendo? Simbolicamente devemos ler as estrelas. Desde que o planeta Plutão entrou no signo de Capricórnio, e em razão dos astros formarem aspectos difíceis nos no céu, que acompanhamos perplexos terríveis acontecimentos, os mais desoladores possíveis em todas as áreas de nossa vida terrena. Dramáticos acontecimentos; os mais diversos e em todas as dimensões por todo o nosso planeta Terra.
As finanças e economia do mundo se desabando, deterioradas nas bases, corroídas sem mais sustentação deixam os povos inseguros e sem horizontes. A sede de guerras estúpidas, o consumo compulsivo de bens, a dependência das drogas as mais plurais e os desejos incontidos de sexo sem afetuosidade amorosa levam, cada vez mais, o ser humano a uma porta sem saída; ausência de horizontes criativos e de paz interior e exterior. Nada garante, indica um futuro pleno e feliz para todas as espécies. Vivemos a noite escura dos sentidos e da alma, tão bem descrito por João da Cruz.
Não vamos nos ocupar com acusações por falta de cuidados nas zonas de risco. Necessário sim, ser criado padrões de alerta. A devastação foi inconcebível, uma violência desmedida da natureza que nos surpreendeu sem pedir licença.
Os astros sinalizam. Estão nos alertando para algo que não estamos compreendendo? Diante da fúria da Natureza mãe a nos assustar tremendamente o que fazer? Estamos perplexos e com humildade devemos tentar entender os mistérios insondáveis que nos cercam.

As enxurradas na Região Serra do Estado do Rio de Janeiro, em particular Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis foram devastadoras. Calamidade de cortar o coração. A nossa sensibilidade só tem olhos para a compaixão, a solidariedade e a oração.
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Santa Bárbara, rogai por nós!
Providência Divina, acolhei os dasabrigados!
Cordeiro de Deus tende piedade de nós!
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Martha Pires Ferreira / 13 de janeiro de 2011.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Reis Magos, ainda

Natividade é nascimento. Tempo de alegria pelas coisas novas que vão surgindo, que não se esgotam no tumulto de fim de ano com abraços, presentinhos e trocas, comilanças e brindes. Natal é coisa profunda que não se esgota de repente.
Acompanhando os festejos da Folia de Reis, a beleza do Reizado no Brasil e relendo sobre os Reis Magos, 6 de janeiro, matéria que Leonardo Boff me enviou em início de 2007, resolvi transcrever o texto aqui para os que amam a reflexão mais duradoura, e porque ainda estou no clima de nascimento de valores, idéia, intuições e sutilezas, no horizonte, para serem vividas neste Ano Novo de 2011.
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Os Reis magos ontem e hoje
Leonardo Boff - 1/ 01/ 2007.

No Segundo Testamento há duas versões do nascimento de Jesus. Uma do evangelho de Lucas que culmina com a adoração dos pastores. A outra, do evangelho de Mateus que se concentra na adoração dos três reis magos. A lição é: judeus e pagãos, cada um a seu modo, encontram Jesus.
As Escrituras judaico-cristãs deixam claro que Deus não se revelou apenas aos judeus. Antes de surgir o povo de Israel com Abraão, revelou-se a Enoque, a Noé, a Melquisedeque, depois a Balaão e ao rei Ciro. Os reis magos pertencem a este grupo. Quem eram eles? Eram astrólogos vindos provavelmente da Babilônia. Naquele tempo astronomia e astrologia caminhavam juntas. Certo dia, estes sábios descobriram uma estranha conjunção de Júpiter com Saturno que os aproximou de tal forma que pareciam uma única grande estrela, na constelação de Peixes. Desde o tempo de Kepler(+1630) os cálculos astronômicos mostraram efetivamente que no ano 6 antes de Cristo (data do nascimento de Cristo pelo calendário corrigido) ocorreu tal conjunção. Para os sábios, este fato possuia grande signficação. Júpiter, na leitura astronômica da época, era o símbolo do Senhor do mundo. Saturno era a estrela do povo judeu. E a constelação de Peixes era o sinal do fim dos tempos. Os sábios babilônicos assim interpretaram: no povo judeu (Saturno) nascerá o Senhor do mundo (Júpiter) sinalizando o fim dos tempos (Peixes). Então se puseram a caminho para prestar-lhe homenagem. Sempre houve na história dos povos, pessoas simples ou sábios que se puseram a caminho em busca de salvação, quer dizer, de uma totalidade integradora. Deus foi a seu encontro nos seus modos de ser e de pensar.
Mas por que foram encontrar Jesus? Porque, segundo a compreensão dos cristãos, Jesus é um princípio de ordem e de criação de uma grande síntese humana, divina e cósmica. Quando dão o título de Cristo a Jesus querem expressar esta convicção. Esta síntese se encontra também em outras religiões sob outros nomes: Sabedoria, Logos, Iluminacão, Buda, Tao. Estes são os "ungidos e consagrados"(significado de Cristo) para serem um centro atrator e unificador de tudo o que há no céu e na terra. Mudam os nomes, mas o sentido é sempre o mesmo.
Nossa realidade, entretanto, é contraditória. É feita de elementos sim-bólicos e dia-bólicos, de verdade e de falsidade, de bondade e de maldade. Como podemos distinguir um do outro? Como criar uma ordem superior que ultrapasse essas contradições? Precisamos de um Centro ordenador e animador de uma síntese pessoal, social e também cósmica.
Os evangelistas usaram o fenômeno astronômico para apresentar Jesus como aquele Senhor do Universo que vem sob a forma de uma criança para unificar tudo. Essa Energia é divina mas não exclusiva. Ela se express sob muitas formas históricas. Em Jesus, o Cristo, ganhou uma concretização que mobilizou outras culturas com seus sábios vindos do Oriente.
Todos os caminhos levam a Deus e Deus visita os seus em suas próprias histórias. Todos estão em busca daquela Energia que se esconde no signficado da palavra Cristo. Esse encontro com a Estrela produz hoje, como produziu ontem, alegria e sentimento de integração. Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com a mente sempre desperta aos sinais como os reis magos.
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Feliz Natividade, ainda!

Adoração no bosque
Frei Filippo Lippi séc XV.

Hoje, 07 de janeiro de 2011, às 10h, realizou-se a Divina Celebração da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo no rito ortodoxo russo - paróquia de Santa Zenáide, em Santa Teresa, RJ.
A Igreja Ortodoxa, no mundo, festejou a Natividade de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo, ontem dia 6, Vésperas, e hoje, a Divina Liturgia. Ainda por dias continuam as comemorações natalinas, se encerrando dia 13 com outra Divina Liturgia. As celebrações do natal se prolongam com profunda espiritualidade e alegria, tendo a presença das crianças como simbólica referência para tão significativa data.
A Igreja de cúpula dourada tem no seu interior belos Íconos. Durante a celebração com música, muitos arranjos de flores coloridas, árvore de natal, finas velas acesas pelos fiéis. A igreja fica repleta de crianças brincando ou orando, dependendo das idades. Como é um dia importante para as crianças é tradição ganharem presentes depois da celebração.
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Leitura de São Mateus cáp.2; vers. 1 a 23 - "Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia (...) eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém, perguntando: 'Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito vimos a sua estrela no céu surgir e viemos homenageá-lo' (...) E eis que a estrela que tinham visto no céu surgir ia à frente deles até que parou sobre o lugar onde se encontrava o menino. (...) Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra".
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

6 de janeiro - Feliz Natal !

Adoração dos Magos de Fra Angélico. sé. XV.
Hoje é dia de Natal para o rito cristão Ortodoxo.
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Comemora-se o nascimento de Jesus, Rei de todos os reis.
E
dos três Santos Reis Magos, Astrólogos do Oriente - os quais, observando os sinais das estrelas, vindos dos céus, anunciaram para o mundo
o nascimento de Jesus, O Cristo.

Melquior -
o mais velho, de barbas brancas é quem oferece uma caixa com Ouro, símbolo da realeza espiritual do Menino Jesus. O amor de Deus que excede todas as virtudes.
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Baltazar - o rei negro que oferece a Mirra, uma resina aromática, símbolo da humildade e da imortalidade.
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Gaspar - o mais jovem que oferece o Incenso, símbolo das orações feitas com devoção e interioridade espiritual. Seu aroma sobre aos céus e agrada a Deus.
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Por todo o Brasil, temos festas populares - a Folia de Reis - protetores dos viajantes.
Os três Santos Reis Magos são festejados com profunda religiosidade.
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Ó de casa, nobre gente,
Escutai e ouvireis,
Lá das bandas do Oriente
São chegados os três reis!
Quadrinha popular
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domingo, 2 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff - 1ª Presidente Mulher da República Federativa do Brasil

Dia 1 de janeiro de 2011, com emoção e em plena atenção acompanhei tudo da posse da 1ª Presidente Mulher da República Federativa do nosso Brasil, pela TV.
Dilma Vana Rousseff foi declarada empossada às 14h52, assinou o termo de posse às 15h00, e, anunciado para todo o Brasil e o mundo pelo Presidente da Câmara, às 15h02, Brasília.
Uma forte chuva lavou o chão da Esplanada dos Ministérios na chagada de Dilma Rousseff para a posse. Rico simbolismo ver as águas caírem do céu nublado! Iniciou-se o cortejo em carro fechado, mais tarde o Firmamento se abriu majestoso no céu de Brasília, e o público ansioso, estimado em 30 mil pessoas, que a aguardava, pode vê-la acenando feliz para todos com a capota do Rolls Royce arriada. Elegante em tailleur pérola, sóbria, firme e com altivez, Dilma percorreu todo o cerimonial, descontraída. Ao passar revista diante das Forças Armadas, num gesto de reverência, beijou a bandeira do Brasil.
Em seu pronunciamento no Congresso Nacional nada ficou esquecido. Agradecimentos ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um homem do povo que decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país. Nada ficou de fora: a mulher, a educação, a cultura, a erradicação da miséria como prioridade. Saúde, transporte, economia, política, ciência, indústria, tecnologia, pré-sal, meio ambiente. Crimes e drogas. Imprensa: “Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio da ditadura”.
Será rígida na defesa do interesse público. Reafirmou não ter compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. “Não tenho qualquer arrependimento, tão pouco ressentimento ou rancor”. Citou Guimarães Rosa, de sua terra, Minas Gerais: “O correr de vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
Carinhosa para com a família, Dilma Rousseff há de cuidar e honrar o legado de Presidente do país. Afetuosa, afirmou em suas palavras finais: “É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele – só a ele – dedicar os próximos anos de minha vida”.
“Que Deus abençoe o Brasil.
Que Deus abençoe a todos nós!”
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Grande significado para a História, a 1ª Mulher Presidente da República Federativa do Brasil. Dilma, mulher corajosa, afetiva e determinada há de melhorar nossa sociedade e fortalecer a democracia. Avanço social e cultural; literatura, música, cinema, artes visuais. Dilma acredita na produtividade e criatividade do povo brasileiro.
Importante somos todos nós, cada um com seus talentos, colaborarmos para o Brasil sem exclusões; justo, igualitário, criativo, humano, feliz com liberdade, indo e vindo / tendo e sendo. Brasil, Libero sempre, libero!
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sábado, 1 de janeiro de 2011

Cristo no julgamento com espada


Boas Novas 2011 !
"Pai Nosso ... lavrai-nos de todo o mal"

Afresco russo, séc XIV
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Carta ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva / Martha _ 2010

 
     Com LULA, Bardeira PT, feita por minha irmã Regina P;F. Machado 

Prezado Exmo. Senhor Presidente da República Federativa do Brasil,
Luiz Inácio Lula da Silva,

O povo simples trabalhador será eternamente grato pelos benefícios recebidos nos seus oito anos de Governo.
O Brasil mudou, cresceu para melhor, e, se expandiu como Nação respeitada. Seu Governo, nestes anos de batalha servindo a nação com sacrifícios para o crescimento em todos os sentidos e combate à corrupção, foi mais do que o esperado.

Corrupção, vício antigo, sombra obscura e negra entre parlamentares em acordos com empresas privadas são histórias que escuto desde criança. Suborno, favoritismos inescrupulosos e inconcebíveis sempre alimentam oportunistas. É incrível como por todos os lados do planeta Terra a corrupção campeia, à margem da dignidade humana, por meio das armas, violência, guerras, drogas, sexo e baixarias do submundo.
Os ricos, “donos do mundo”, choram com suas cestas repletas de vantagens que não lhes foram retiradas. Muito dinheiro e nobreza de caráter, raramente, andam juntos. O sistema capitalista perverso e selvagem não se aproxima das classes operárias; delas só deseja vantagens e benefícios: trabalho semi-escravo e mão de obra barata. As dores e barbáries da 2ª guerra mundial de 1939, nem o horror da ditadura de 1964, serviram para mostrar que ser honesto e cuidar dos bens públicos são grandezas humanas que beneficiam a todos. É triste acompanhar a lerdeza que é evolução da espécie humana; crescemos em tecnologia e ciência e agimos como primatas.

A qualidade, atual, de Vida da classe trabalhadora no Brasil é o espelho do seu Governo, Senhor Presidente. Exemplo não só para o país, internamente, mas para todas as nações:
- habitação e saneamento básico.
- comida na mesa: pão, café, cereais, legumes, carnes, verduras, queijos, frutas, sucos e doces.
- aparelhos domésticos, geladeira, luz, telefonia fixas e celulares. Bens como jamais o povo simples e carente teve oportunidade de adquirir.
- educação, arte, esporte e lazer.
- carteiras trabalhistas assinadas, outro avanço.
- cultura, tecnologia e ciência.
- muito a ser feito, ainda, nas áreas da saúde, moradia e educação.

Seu Governo mostrou ao mundo que nós, o povo brasileiro, somos capazes de grandeza e exemplo como nação quando nos são dadas oportunidades de atuarmos e crescermos como cidadãos, como quaisquer outros cidadãos de qualquer parte dos cinco continentes.

Presidente Lula, o mais belo de seu Governo foram os seus gestos espontâneos de afeto e solidariedade para com o povo nas ruas e praças em campo aberto, com governantes estadistas e reis, sábios e analfabetos, santos e demônios (“populismo” só leitura das cabeças ocas). Seus braços, Senhor Presidente, se estendiam, indiscriminadamente, para todos; heróis e covardes, dando exemplo de dignidade e senso de justiça social. Não julgou os criminosos com mãos de ferro, nem condenou sem provas / pode ter sido até complacente. Tentou investigar o quanto pode. Deixou para a História o julgamento implacável dos senhores dos infernos.
Nem Jesus Cristo, Krishna, Moisés, Lao Tsé, Buda, Maomé, São Francisco de Assis ou Gandhi conseguiram varrer a corrupção da vida pública e privada. Não teve medo de errar, arriscou e acertou.

Seja feliz. Descanse um pouco com a sua esposa, família e amigos/as à sombra de uma frondosa árvore-mãe. Não queira ocupar, novamente, este posto da Presidência da República do Brasil. O remo, agora, é para a nova presidente, Dilma Vana Rousseff, que saberá dar continuidade às suas conquistas. Descanse, com altivez e coragem, que lhe é própria, e recomece em bom tempo sua batalha como um dos Senhores do Panteão do Olimpo para o bem do Brasil, por um mundo humanamente justo e feliz.

Meu abraço de cidadã andarilha há quase 72 anos na Terra e no Cosmo.
 Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2010 
                                          martha pires ferreira

(artista plástica e astróloga).
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Presente de fim de ano 2010 > 2011

Querem um presente?
Visitem a página de Julia Andrade
Oficinas de individuação

Surpresas: reflexões seríssimas e encantadoras.http://www.oficinasdeindividuacao.blogspot.com/

E viva 2011 chegando repleto de esperança e bons sopros !

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domingo, 26 de dezembro de 2010

A natureza psíquica da Obra Alquímica

Estamos terminando mais um ano, 2010, e as atenções estão repletas de projetos, sonhos e esperanças para 2011! E é bom desejar Feliz Ano Novo!
Para mim, pessoalmente, 2010, foi o ano da mediocridade. Jamais vivi um período tão insignificante, vazio de valores e repleto de incompreensões, projeções insólitas. A saúde mais frágil exigiu cuidados. No campo político nunca presenciei tanta insensatez. O ano de 2010 valeu apenas como reflexão, mergulhei em camadas profundas da psique, com algumas preciosas conquistas, naturalmente.
Em família e com meus amigos/as, alunos/as, fui feliz como sempre.
Trabalhei pouco na Astrologia e nas Artes - desenhei pouco. Minha colaboração na obra de Nise da Silveira foi inexpressiva, em comparação a tantos outros anos - o que colhi como retorno não contou se perdendo no ar. Sei o quanto fui afetiva com os doentes psíquicos e deles obtive respostas tão sutis....tesouros que guardo no coração.
Muito precioso, o melhor que fiz, foi freqüentar o Grupo de Estudos C. G. Jung estudando Psicologia e Alquimia. Nos anos 70, e por muito tempo, estudei alquimia por estímulo de Nise.
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Agora, publico este meu texto escrito em 2000.
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A natureza psíquica da Obra Alquímica
Martha Pires Ferreira

A alquimia, al-kimyâ (árabe, raiz grega) era a antiga e primitiva arte que tinha como objetivo a análise dos fenômenos da natureza com o propósito particular de transmutação dos metais, a arte de fazer ouro, a descoberta da Pedra Filosofal e o preparo do remédio único capaz de curar todas as doenças. Os adeptos escondiam suas experiências em segredo aos olhos dos profanos, por precaução. O que nos interessa aqui é apreender o significado simbólico do processo alquímico. A Grande Obra Alquímica em sua maior parte não trata, unicamente, de experiências alquímicas como tais, mas, também, como qualquer coisa semelhante a processos psíquicos, expressos numa linguagem pseudoquímica.
O que se supõe é que o quê os alquimistas praticavam não era apenas a química ordinária, uma obcecada idéia de transmutar cobre em ouro. O alquimista, tal como o ferreiro ou bem antes dele o oleiro, era uma pessoa envolvida com a natureza ígnea, era chamado o “senhor do fogo”. Era através do fogo que ele fazia operar a transformação da matéria, a passagem de um estado do metal vil para outro mais nobre - o cobre em prata ou ouro.
Na Babilônia, cada metal era formado segundo a natureza do planeta que lhe correspondia. Os metais possuíam a constituição correlata aos planetas; ouro produzido pelo Sol, prata - Lua, bronze e cobre – Vênus, ferro – Marte, azougue e mercúrio – Mercúrio, estanho – Júpiter e chumbo – Saturno. Fluxo de correspondência, semelhança. Não havia realização do Opus Magnum sem a manipulação dos metais. O ouro que eles procuravam assegura alguns autores, não era como supunha os mais ignorantes, o ouro ordinário, o ouro comum, mas sim o Ouro Filosófico, o Ouro dos Sábios, a Pedra Etérea; o inimaginável Rebis Hermafrodita; o ser completo - a integração de energias opostas; masculinas e femininas. O que eles buscavam era a integração com o Cosmo, a Unicidade.
A Alquimia foi mitológica e sacerdotal na Mesopotâmia e no Egito. Na antiga Caldeia havia grande preocupação com as questões da cura e das enfermidades. Na China e na Índia ela foi mais pragmática. Na Grécia e na Escola de Alexandria, filosófica. Entre os judeus é testemunho o uso da Cabala, mais especialmente na Idade Média.
Por motivos políticos e econômicos, erros e extravagâncias, a alquimia foi perseguida pelos romanos. Com a decadência na Idade Média é o cristianismo quem lhe fecha as portas.
Registro significativo são as igrejas góticas, na Europa, repletas de configurações alquímicas.
A alquimia gozou de liberdade e proteção oficiais entre os árabes. Não há que se negar que o exercício alquímico ao lado das observações astrológicas, representa um longo período de gestação, na história do pensamento e da inteligência humana as quais deram nascimento à Química e à Astrologia que conhecemos, hoje.
O primeiro passo pragmático, não mitológico, surgiu no velho Egito; Assim como é acima é a baixo - Hermes Trimegistos – o Três-Vezes-Grande – o criador da Alquimia. Assim como de todas as artes e ciências dos egípcios: como o exterior é o interior, como o micro é o macro.

A Matéria Prima dos alquimistas estava escondida no próprio ser humano. Nenhum alquimista revelou a verdadeira natureza da chamada Matéria Prima. Alguns alquimistas identificavam-na como o chumbo ou o mercúrio, com a água, o sal, o enxofre e mesmo o fogo. Poderia ainda ser a terra, os excrementos, o esterco, o sangue, o dragão ou mesmo o próprio Deus, o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. O objetivo do trabalho alquímico era a libertação da anima mundi, o espírito escondido na matéria, e que o homem não conhecia. Seu objetivo era libertar a alma prisioneira da escuridão da matéria; unir a matéria ao absoluto. E para tanto punha em prática a individuação dos metais.
A Grande Obra era, também, realizada por muitos alquimistas com a utilização das plantas em seus processos de transformação, o que enriqueceu as origens da química farmacológica. Os alquimistas procuravam “a água divina”, a cura de enfermidades – a busca do elixir da longa vida, a depuração da alma. Os elementos essenciais do Opus eram o Sal, o Enxofre e o Mercúrio. A Obra é a união do elemento masculino, yang - enxofre, com o elemento feminino, yin – mercúrio. Ars Magna - A Arte Real. O alquimista auxilia a natureza-mãe precipitando o ritmo do tempo. Na realidade o verdadeiro laboratório dos alquimistas era o próprio homem.
O fato dos alquimistas terem permanecido misteriosos pode vir do foto de que o verdadeiro segredo não age secretamente, ele fala uma linguagem secreta ele se expressa por uma variedade de imagens, as quais, todas indicam sua verdadeira natureza - uma coisa ou fenômeno que é “secreto”, conhecido, unicamente, através de vagas alusões, cujo essencial permanece desconhecido.
Os alquimistas espirituais eram peregrinos à busca da terra dos Bem Aventurados, a Árvore da Imortalidade. Os sábios desejavam alcançar o amor sublime com o aperfeiçoamento externo e interno, buscando a elevação do indivíduo para a verdade, a beleza, a bondade. Eles próprios eram o metal vil, grosseiro. A meta era transformar-se num ser novo, que se identificasse com o metal puro, o ouro, esse metal resplandecente, inalterável. Era preciso que o ser humano reencontrasse o seu estado glorioso, estável e imortal.
Para o psiquiatra C. G. Jung, iniciador da psicologia analítica, a verdadeira natureza da matéria alquímica era, praticamente, desconhecida do alquimista, ele a conhecia apenas por alusões. Procurando explorá-la, ele projetava o inconsciente na obscuridade a fim de iluminá-la (C. G. Jung - Psicologia e Alquimia).
O alquimista vivia o seu próprio inconsciente. Para explicar o mistério da matéria, ele projetava outro mistério, o seu próprio mundo psíquico desconhecido naquilo que ele deveria explicar; o obscuro pelo mais obscuro, o desconhecido pelo mais desconhecido. Não se faz uma projeção, ela se produz, ela está lá, simplesmente.
Alguns alquimistas medievais, seguindo a tradição desde a Mesopotâmia, faziam conexões entre os metais e a natureza dos astros relacionados com os doze signos do Zodíaco nas triplicidades dos elementos: Fogo, Terra, Ar e Água. Como nós sabemos a ciência começou pelas estrelas, na observação dos movimentos dos astros, com os quais o ser humano fez as conexões celestes e terrestres. Projetava nos astros a potência da criação; as estrelas em seus movimentos diários eram divindades. As singulares qualidades atribuídas ao Zodíaco constituíam toda uma riquíssima teoria da natureza humana, correspondência por sincronicidade. Assim surgiu a Astrologia da experiência viva, primordial, semelhante à Alquimia. Tais projeções se repetem sempre quando o homem tenta explorar um vazio obscuro que ele preenche involuntariamente com figuras vivas. Jung esclarece: A Astrologia não é uma projeção, ela corresponde a uma influência, relação entre os astros não se revelam mais que a pura sincronicidade.
Não é porque o alquimista creia em uma correspondência por razões teóricas, que ele pratica a sua arte; ele tem uma teoria de correspondências porque ele fez a experiência da presença do espírito na matéria. Jung muito se preocupou se os alquimistas relataram suas experiências no exercício de sua arte de maneira completa, talvez porque certos textos provam que apareceram durante as experiências práticas, certos fenômenos de caráter alucinatório ou visões que não seriam outra coisa que projeções de conteúdo inconsciente.
Mais importante que as escrituras, que os livros, são as experiências; a visão do Vaso Hermético. Para os alquimistas, a visão do Vaso Hermético é mais importante que as escrituras de textos alquímicos.
O Novo Lúmen nos diz; fazer aparecer as coisas escondidas na sombra e retirar a sombra, eis o que é permitido por Deus ao filósofo inteligente, por intermédio da Natureza... Todas as coisas se produzem e os olhos do homem comum não as veem, mas os olhos do espírito, do intelecto e da imaginação as percebem pela visão verdadeira, pela mais verdadeira visão. Depois de Paracelso, a fonte de iluminação é a luz natural. Esta luz é a luz da natureza que ilumina todos os filósofos. Acima de tudo ela é o tema da Pedra dos Sábios, Universal e Grande, que o mundo inteiro tem diante dos olhos e mesmo assim não o conhece.
Com respeito à atitude mental ou espiritual da obra alquímica, um autor anônimo nos mostra outro aspecto da relação da vida psíquica com o Opus Alquímico: observe, olhe com os olhos do espírito, a semente minúscula do grão de trigo, considerando todas as suas circunstâncias para que você possa plantar a Árvore dos Sábios. Isso parece aludir em psicologia junguiana à imaginação ativa, que verdadeiramente põe em marcha o processo. Não se duvida de que se trata da condição psicológica da obra, e de que tal condição é de importância fundamental.
Outra citação aparece no Rosário dos Filósofos: Quem conhece o sal e a sua solução, conhece o oculto segredo dos antigos sábios. Dirige, pois, sua mente ao sal, já que nele está a ciência e os mais ocultos segredos dos antigos filósofos. Basile Valentim diz que: o sal é o fogo, a água que não molha as mãos. O autor anônimo do Rosário dos Filósofos noutra passagem observa que deve se fazer a obra com a imaginação verdadeira e não com a fantástica. Com esta afirmação parece dizer que o segredo essencial da arte alquímica está oculto no espírito humano, em termos modernos diríamos, no inconsciente. Com efeito, os alquimistas pressentiam, de algum modo, que a sua Obra estava relacionada com a alma humana e suas funções. O que os alquimistas viviam era na realidade as projeções de eu próprio inconsciente.
Alguns autores observam que é de fundamental importância que se leia várias vezes e muitas vezes, e que se procure onde os alquimistas tem pontos em comum, onde estes pontos se encontram aí se oculta, com efeito, a verdade. É necessário ultrapassar a abordagem da palavra, conhecer em essência o que queriam, realmente, dizer os filósofos.
Para o alquimista medieval a obra de redenção não era só a do Cristo. Ele próprio tinha como objetivo primordial redimir o mundo, liberar a alma mundi aprisionada na matéria, transmutar as coisas impuras da matéria. Fundamental era readquirir o sentido da totalidade, obter a Pedra era pertencer ao Todo, ao Cosmo. Cristo não era apenas um exemplo de vida, era um meio de revelação do curso das operações regenerativas da alma. Para o adepto cristão, medieval, o Cristo era o Lápis, o fim primordial, a Ave Fênix, a suprema Grande Obra. Cristo era a via do absoluto, a reintegração do ser humano na sua dignidade primordial.

(Janeiro de 2000, Santa Teresa, RJ)
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sábado, 25 de dezembro de 2010

Natividade de Jesus Cristo

Miniatura, Menologio de Basílio, cerca de 986.
Biblioteca Apostólica Vaticana ~ Roma.
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Flores do Bem >> Feliz Natal !

Soneto de Natal

Manuel Bandeira (1886 - 1968)

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
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Natal

Murilo Mendes (1901 - 1975)

Meu outro eu angustiado desloca o curso dos astros, atravessa os espaços de fogo e toca a orla do manto divino.
O Ser dos seres envia seu Filho para mim, para os outros que O pedem e para os que O esquecem.
Uma criança dançando segura uma esfera azul com a cruz: Vêm adorá-la brancos, pretos, portugueses, turcos, alemães, russos, chineses, banhistas, beatas, cachorros e bandas de música. A presença da criança transmite aos homens uma paz inefável que eles comunicam nos seus lares a todos os amigos e parentes.
Anjos morenos sobrevoam o mar, os morros e arranha-céus, desenrolando, em combinação com a rosa-dos-ventos, grandes letreiros onde se lê: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE.

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Natal


Jorge de Lima (Alagoas, 1895-1953)

Feliz de quem, quando o ano termina,
possui um doce e acolhedor abrigo:
a companheira, o filho, a avó tão rara
ou mesmo o amigo
com quem possa se reunir em Cristo,
e sua vida interior desperte viva
de dentro de si uma alma de
São Francisco; o amor generoso,
o heroísmo estranho de beijar um leproso.

De lembrar-se de que há no mundo
criaturas de Deus pelo Natal
sem companheira, e sem a avó tão rara
e sem um beijo de mãe ou um beijo de
filho, e até sem um livro que substitua
o amigo.

Feliz de quem, quando o ano termina,
pode ver a estrela no céu
e tem olhos ainda
para encontrar Jesus.

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