sábado, 15 de maio de 2010

O Principado em Festa

Hoje, dia riquíssimo de acontecimentos para mim e no Principado de Santa Teresa.

Pela manhã assistir a palestra de Carlos Bernardi, no Conservatório de Música (no centro do RJ); psicólogo da linha de C.G. Jung e que passou por Nise da Silveira e Casa das Palmeiras >>> Feridas da Alma: “os remédios como puro paliativo; uma cultura que não suporta a dor” >>> “sair de uma dor é viver a dor” >>> “a alma quer viver com os valores dela” >>> “o sofrimento como um processo iniciático – o morrer e renascer da videira – a alma quer acontecimentos de satisfação”. Palestra muito boa, descontraída. Ali, entre amigos, a Diretora, Cecília Conde, que conheci por meio de Nise nos anos 60/70.
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Depois >>> a Festa Literária de Santa Teresa - FLIST, no Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre 169 >>> e noutros locais do bairro) – Casa de Laurinda Santos Lobo, é como deveria ser chamada - repleta de adultos, jovens e crianças às voltas com o mundo literário, em especial a poesia. Homenagem a Manoel de Barros, mais a riqueza das poesias dos nossos poetas brasileiros em cartelas penduradas nas árvores - Mário Quintana, Drummond, Cecília, Vinícius de Moraes e tantos outros - chuva de poesia, bancadas de livros, etc. Oficinas de contar histórias e jovens desenhando a lápis, ao ar livre, em cadernos artesanais, se espalhavam por muitos lugares. Troca-troca de livros, Jornal do Ensino Fundamental I (Língua para brincar – muito bom!), caixinhas com poesias, roda de samba, teatro, trabalhos artesanais e artísticos podiam ser vistos em vários espaços >>> mil coisas mais. Tudo promovido e realizado pelo Centro Educacional Anísio Teixeira. – CEAT. >>> Tarde maravilhosa com Noel – mesa musicada. >>> criatividade aos montes. É um convite amanhã, dia 16 >>> tem mais.
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E no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo (Rua Monte alegre, 306) outro riquíssimo acontecimento: Festival de Meditação e Cultura Indiana: Sahaja Yoga >>> exposição, vídeo, fotos. Gastronomia, música erudita, canto e dança hindu – tudo em alto nível de qualidade. Dias 14,15 e 16 de maio.

Parabéns aos dois espaços da Laurina Santos Lobo!
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terça-feira, 11 de maio de 2010

Flores de sabedoria - poeta místico - João da Cruz

"... porque quem quiser achar uma coisa escondida, há de entrar muito escondidamente e até ao esconderijo onde ela está; e quando a acha fica, também, escondido como ela".
João da Cruz (1542 - 1591) se referindo a Matheus XIII; 44.
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Aproveito para transcrever sua poesia /abertura das obras completas /
Subida do Monte Carmelo.

Para vir a gostar de tudo
Não queiras ter gosto em nada.
Para vir a saber tudo,
Não queiras saber algo em nada.
Para vir a possuir tudo.
Não queiras possuir algo em nada.
-
Para vir ao que nào gostas,
Hás de ir por onde nã gostas,
Para vir ao que não sabes,
Hás de ir por onde não sabes.
Para vir a possuir o que não possuis,
Hás de ir por onde nào possuis.
Para vir ao que nào és,
Hás de ir por onde não és.
-
Quando reparas em algo,
Deixas de arrojar-te ao todo.
Para vir de todo ao todo,
Hás de deixar-te de todo em tudo.
E quando o venhas de todo a ter,
Hás de tê-lo sem nada querer.
-
Nesta desnudez acha o espírito o seu descanso
Porque não combiçando nada,
Nada o fadiga para cima e nada o oprime
para baixo porque está no centro
da sua humildade.
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-- postagem martha pires ferreira

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Flores do bem - Chuang Tzu

Querem saber de uma coisa?
Não quero saber de coisa alguma.
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Como dizia meu amigo Chuang Tzu, 250 a. C.:
Ninguém parece saber
como é útil ser inútil.
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domingo, 2 de maio de 2010

Desenhos envelopes

Desenhar é um ato de liberdade

Desenho sobre envelope / bico de pena, selo e aquarela, 2004
Coleção - Enrica Bernardeli

Desenho sobre envelope / bico de pena, selos e aquarela, 2007.
Misteriosamente desaparecido, em circulação, fora do ateliê, 2008.
martha pires ferreira
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sexta-feira, 30 de abril de 2010

CASA DAS PALMEIRAS

A Casa das Palmeiras é uma instituição terapêutica idealizada e fundada por Nise da Silveira em 23 de dezembro de 1956 com a colaboração da psiquiatra Maria Stela Braga, a educadora Alzira Cortes, a assistente social Lígia Loureiro da Cruz, da artista plástica Belah Paes Leme e com a presença de numerosos amigos.
A Casa era, inicialmente, na Tijuca e foi transferida, em 1981, para o bairro de Botafogo. Seu funcionamento é em regime aberto. Sociedade civil sem fins lucrativos. Reconhecida de utilidade pública pela lei 376 de 16/10/1963.

Rua Sorocaba 800. Botafogo / Rio de Janeiro - RJ.
Tel. (21) 2266-6465 - CNPJ – 33.808.486/0001-48
[ou tel. (21) 2242-9341]

Palavras de Nise da Silveira no livro de sua organização :
Casa das Palmeiras – a emoção de lidar – uma experiência em psiquiatria/Ed. Alhambra, 1986, RJ.
“O principal método de tratamento empregado na Casa das Palmeiras é a terapêutica ocupacional, mas terapêutica ocupacional no seu mais largo sentido”.
“Visamos coordenar olho e mão, pensamento e sentimento, corpo e psique, primeiro plano para realização do todo específico que deverá vir a ser a personalidade de cada indivíduo”.

Todas as atividades na Casa das Palmeiras são praticadas livremente, fazendo-se apelo à capacidade criadora que existe dentro de cada indivíduo: Pintura, Desenho, Modelagem, Colagem, Gravura, Artes Aplicadas ( bordado, tricô,tecelagem, bijuteria, costura), Lanche, Clube Caralâmpia (espaço onde todos opinam, planejam programações), Poesia, Teatro, Expressão corporal, Jornal - O Arauto, Leitura, Encadernação, Arranjo floral, Jardinagem, Música, Teatro, Baile, Televisão, Contos de Fada, Grupo cultural, Passeio.

(...) “Na Casa das Palmeiras este método amplia-se e adquire novas conotações adequadas a esta instituição destinada ao tratamento e a realização de egressos (ou não) de estabelecimentos psiquiátricos. A Casa representa um degrau intermediário entre a rotina hospitalar desindividualizada, e a vida na sociedade e na família, com seus inevitáveis e múltiplos problemas, onde a aceitação do egresso não se faz sem dificuldades.
Rótulos, diagnósticos são, para nós, de significação menor e não acostumamos fazer esforços para estabelecer-los de acordo com classificação clássica. Não pensamos em termos de doenças, mas em função de indivíduos que tropeçam no caminho de volta à realidade cotidiana”.
(...) “A tarefa principal da equipe técnica da Casa das Palmeiras será permanecer atenta ao desdobramento fugidio dos processos psíquicos que acontecem no mundo interno do cliente através de inúmeras modalidades de expressão. E não menos atento às pontes que ele lança em direção ao mundo externo, a fim de dar a estas pontes apoio no momento oportuno.
Convivendo com o cliente durante várias horas por dia, vendo-o exprimir-se verbal ou não verbalmente em ocasiões diferentes, seja no exercício de atividades individuais ou de grupo, a equipe logo chegará a um conhecimento bastante profundo de seu cliente. E a aproximação que nasce entre eles, tão importante no tratamento, é muito mais genuína que a habitual relação de consultório entre médico e cliente. A experiência demonstra que à volta a realidade depende em primeiro lugar de relacionamento confiante com alguém, relacionamento que se estenderá aos poucos a contatos com outras pessoas e com o ambiente. O ambiente que reina na Casa é por si próprio, assim pensamos um importante agente terapêutico
A Casa das Palmeiras é um pequeno território livre, onde não há pressões geradoras de angústia, nem exigências superiores às possibilidades de resposta de seus freqüentadores.
Nunca procurou a coleira de convênios. Optou pela pobreza e a liberdade
As relações interpessoais formam-se de maneira espontânea entre uns e outros. Distinguir médicos, psicólogos, monitores, estagiários, clientes, torna-se tarefa ingrata. A autoridade da equipe técnica estabelece-se de maneira natural, pela atitude serena de compreensão, face à problemática do cliente, pela evidência do desejo de ajudá-lo por um profundo respeito à pessoa de cada indivíduo.
Portas e janelas estão sempre abertas na Casa das Palmeiras. Os médicos não usam jaleco branco, não há enfermeiras e os demais membros da equipe técnica não portam uniformes ou crachás. Todos participam ao lado dos clientes, das atividades ocupacionais, apenas orientando-os quando necessário. “E também todos fazem em conjunto o lanche, que é servido no meio da tarde, sem discriminação de lugares especiais”.
(...) “Essas normas inusuais existem desde a fundação da Casa, em 1956. Não contribuíram para fomentar desordem. Pelo contrário, seus efeitos criaram um favorável ambiente terapêutico para pessoas que já sofreram humilhantes discriminações em instituições psiquiátricas a até mesmo no âmbito de suas famílias; isso sem citar, por demais óbvias, as dificuldades que se erguem no meio social para recebê-los de volta.
A Casa das Palmeiras, comporta a freqüência de 30 a 35 clientes funcionando em regime de externato nos dias úteis, das 13 às 17h30. Assim o cliente não se desliga de sua família e do meio social com seus inevitáveis problemas que aprende aos poucos a superar, graças aos enriquecimentos adquiridos através das atividades praticadas na Casa e dos laços de convivência amiga que aí se formam”.
(...) “Um método que utiliza, como agentes terapêuticos, pintura, modelagem, música, trabalhos artesanais, logicamente seria, na época vigente, julgado ingênuo e quase inócuo. Valeria, quando muito, para distrair os clientes ou em certas instituições psiquiátricas, torná-los produtivos em relação a sua economia”.

Visitem: http://casadaspalmeiras.blogspot.com/

A Casa sobrevive franciscanamente de doações de alguns clientes, de sócios e amigos. Colaborem com a Casa das Palmeiras.
Qualquer doações será bem vinda - os ateliês e o telhado (necessitando de obras)agradecerão:

UNIBANCO Agência 0161 - Nº 127617-9

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domingo, 18 de abril de 2010

Oração - Agnus Dei

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis.
Agnus Dei. qui tollis paccáta mundi: miserére nobis.
Agnus Dei: que tollis peccáta mundi: dona nobis pacem.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, daí-nos a paz.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade de escrever - Reflexões de um louco

        Os intelectuais racionalistas, cartesianos, mergulhados no seu malabarismo intelectual, maravilhados com suas premissas, não conseguem ajudar a resolver problemas fundamentais da vida humana. Governantes nem intelectuais conseguiram solucionar os grandes problemas existenciais; o submundo social e existencial permanece presente em todas as áreas do Planeta terra; sempre desejando eliminar os maus e os pobres como se na Terra não houvesse lugar para eles. Os maus são os outros. Para os “cartesianos” não existe o livre-arbítrio, só existe a lei do seu intelectualismo dogmático, repleto de verdades conceituais. Acreditam que dentro de si mesmos só existe o trigo; são incapazes de enxergar o joio. Alimentam-se da cegueira por não perceberem que joio e trigo crescem juntos, brotam do mesmo solo para a expansão natural da vida. Estreiteza pretender impedir liberdade de expressão de um povo ou indivíduos com seus anseios pessoais. A liberdade de expressão deve ser plena. O mundo deve ser livre de censuras, ortodoxias, dogmas. Somente dois tipos humanos mergulham a fundo: os santos e os desvairados - tanto um como o outro, não tem medo; temores de se entregar até as últimas conseqüências. Os dois conhecem a ousadia e o desafio cotidianos. Os cuidadosos, prudentes, que zelam em demasia por valores materiais, culturais, morais e espirituais, em geral, são covardes. Importante se desprender da matéria, sem deixar de servir-se dela; importante se desprender de bens intelectuais sem deixar de servir-se deles, importante desprender-se das riquezas espirituais sem deixar de servir-se delas. Desapego total. Liberdade absoluta do corpo, da mente e do espírito/alma. Glórias aos seres ousados que se arriscam todos os dias, todos os instantes em suas idas e vindas cansadas; todos aqueles que não temem perder a própria alma no desejo único de encontrar o sentido maior da vida que é ser humano, simplesmente. Simplesmente ser humano. Muitos acreditam que por praticarem virtudes estão resolvidos em suas vidas pessoais. Artistas, poetas, loucos e santos anônimos vivem de risco e desafio constantes; seguem a inteligência e sabedoria do coração.
--- postagem martha pires ferreira
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domingo, 14 de março de 2010

Mulher africana

Bico de pena, aquarela e selo, 2007
Mulher africana
desenho, martha pires ferreira
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Senhora das imagens internas - Nise da Silveira

Escritos dispersos de Nise da Silveira. Edição: Cadernos da Biblioteca Nacional, 2008 – RJ.

II – Anexo - Palavras de Nise. “O inconsciente é um imenso oceano, por vezes emergem umas imagens”. “A psique humana é um fenômeno fantástico. A capacidade criadora é extraordinária.”

Dra. Nise gostava mais de ouvir do que de falar. Um rádio; ela gravava tudo. Observava cada pessoa nos olhos; os gestos, as atitudes: “Está gata já lhe adotou, pode ficar.”

“As pessoas que amam o poder, o comando, não gostam de gatos. Os gatos são seres livres, não seguem normas. Veio aqui uma senhora cheia de empáfia para eu participar de um grande evento internacional que ela está organizando, acontece que de imediato demonstrou aversão aos gatos, foi o suficiente para eu fizer, ‘não posso, os gatos não permitirão’. Ela foi embora sem entender nada.”

“Meus livros de arte são instrumentos de trabalho. Tenho grandes paixões, Leonardo da Vinci é um deles. Sou particularmente apaixonada é por Rembrandt. Ele mergulhava profundamente como Leonardo. Observe a pintura dele. Se você sonha, você mergulha - o da vigília e o do sonho - dois mundos.”

“O artista, o poeta, mergulha no inconsciente e volta. Já o doente, o louco, não tem o bilhete de volta. Essa é a diferença.”

“Sempre me dirigi aos doentes pelo nome, jamais os chamo de pacientes. Eu os trato como seres humanos, pessoas. A palavra paciente me irrita muito.”

“A inteligência e a sensibilidade do esquizofrênico permanece intacta mesmo na aparência de estar cingida, em ruínas. Verifica-se isso com clareza quando encontra alguém com quem ele possa se relacionar afetivamente.”

“Não sei fazer nada sem procurar uma base mais profunda, sem ler, pesquisar. As referências são fundamentais.”

“Nosso objetivo principal é entrar no mundo interno do doente, é conhecer este mundo e que ele entre em contato conosco. Não é desejo de que o doente se expresse de forma artística, o que nós queremos é que ele se expresse em imagem, como linguagem. O simples fato de desenhar ou modelar é terapêutico. Ele fica mais leve, diminuem o medo e as tensões.”

“Em matéria de educação não basta conhecer o mundo externo, é necessário tomar seriamente em consideração a função imaginativa ao dar forma a conteúdos do inconsciente.”

“A palavra que mais gosto é liberdade.”

“O simples fato de pintar despotencializa a angustia dos doentes. Observando as imagens percebe-se, mesmo sem que haja uma tomada de consciência. Eles se sentem mais aliviados. Plasmando com as próprias mãos, a pessoa doente vê que as imagens são menos apavorantes. Vê-se uma considerável melhora na vida pessoal, nas relações externas.”

“Produzir imagens expressas em emoções já é por si terapêutico, é remédio. Prefiro as atividades expressivas à camisa de força química. Não que seja contra os remédios, longe de mim, mas sou avessa às doses elevadas de psicofármacos.”

“Aprendi mais com a literatura do que com os trados de psiquiatria. Um conto de Machado de Assis, Missa do Galo, exprime com mais clareza e sutileza as coisas do que um psiquiatra. Aprende-se mais com Machado de Assis sobre a natureza humana do que em livros de psicologia.”

“Gosto de mergulhadores, pessoas que estudam a fundo o mundo interno. A maioria das pessoas tem medo do inconsciente, ficam na superfície. Preciso de mergulhadores com escafandro. Quem quer estudar psicologia que compre um escafandro e mergulhe com o
esquizofrênico.”

“É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade.”

“Eu me sinto bicho. Bicho é mais importante que gente. Pra mim o teste é o bicho, se não passar por ele, não tem vez. Freud disse que quem pensa que não é bicho, é arrogante.

Alguém perguntou: “Dra. Nise quantos gatos a senhora tem?” Respondeu: “Nenhum,” fez uma pausa constrangedora e continuou, “Gatos não se têm, atualmente, convivo com cinco gatos.” E foi dizendo o nome dos gatos; Vivaldi, Bruna, Madre Superiora,... e se não erro, disse que já teve 17 gatos ao todo; Mestre Onça, Elci, Mafalda, Tigre Rei, Lord Byron, Narcisa, (nota de 1978). Teve entre outros; Helena, Léo, Che, Miele, Raphael, e o último que se chamava Carlinhos.

“Estou apaixonada. Sempre me apaixonei”. Estava com as obras completas de Murilo Mendes sobre a mesa quando cheguei a sua biblioteca. “Leio Murilo Mendes como uma oração. Em Roma ele me disse ao nos despedirmos ‘Até breve, até outra galáxia’. Eu era sua irmã sobrenatural.” (1994)

“O silêncio é fundamental. E para criar, é preciso privacidade.”


Os benefícios das vendas dos Livros foram revertidos para a Casa das Palmeiras. 
Senhora das imagens internas, Escritos dispersos de Nise da Silveira (15 ensaios de Nise) --- Organização: Martha Pires Ferreira
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segunda-feira, 8 de março de 2010

Hoje, 8 março, dedicado à Mulher.

Viva o dia da pessoa humana – Mulher!
Dia de se cantar, dançar, sorrir, abraçar e amar em plenitude. Liberdade de ser mulher!

Mulheres mal resolvidas aproveitam o dia 8 de março para escrever coisas tolas contra os homens.

Perdoem - me, não sou a única! Cresci, aprendi e muito, muito, evolui no convívio com Homens afetuosos, cultos e inteligentes.
Tive a sorte de encontrar e conhecer homens que amam as mulheres. Animus que elevam a mulher, que as quer mais cultas e eficientes no meio profissional.

Devo muito do que sou a algumas Mulheres como minha mãe, Henriqueta, a Dra. Alice Marques dos Santos, a Dra. Nise da Silveira e tantas outras educadoras e preciosas amigas. Entretanto, igualmente, sou feliz pelos grandes Homens que passaram por minha vida; desde meu pai, artistas, intelectuais e tantos outros que conheci. Em especial aos que amei e me amaram, profundamente - os quais permanecem presentes em meu coração feminino.

Ah, os homens lobos malvados, bicho papão, cruéis!
Ah, as mulheres interesseiras, fúteis, raposas de galinheiro!

Viva os homens que nasceram das mulheres! Viva a alteridade!
Viva as mulheres sensuais, amorosas e geradoras de potencialidade criadora!

Viva as grandes mulheres que por nobreza de espírito, evolução cultural e sensibilidade afetiva estão cada dia mais ensinando/sinalizando aos homens a serem cada vez melhores e mais harmoniosos como pessoa humana!
Viva a Vida que nos permitiu nascermos, e no mistério dos opostos, nos enriquecermos umas para com os outros – feminino - masculino!
Mulheres e Homens realizando, lado a lado, o mundo que se quer justo, fraterno, generoso e manifesto de humanidade e felicidade.

Viva o dia de hoje, 8 de março! Viva a mulher, desde a mais desqualificada e esquecida a mais realizada e libertária!
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sábado, 6 de março de 2010

Uma visão sociológica e mitológica - As Três Plumas

Simbolismo da atualidade baseando-se no Conto de Fada  - As três Plumas de Grimm. 
Uma visão sociológica e mitológica

      O Rei cansado necessita repassar o seu reinado. Convoca seus filhos.
Os donos do século XX sem direção não sabem como lidar com o ritual de passagem de um milênio para outro - conduzir os seus reinados para o séc. XXI. Convocam seus súditos, mas perdidos se conflitam com a face do desespero.
    Os poderosos apresentam ao Planeta um quadro de progresso industrial tecnológico altamente sofisticado, entretanto, econômica e politicamente um horizonte sem saída. Velhos e cansados perderam controle de suas ambições triunfalistas, perderam o domínio de suas possessões. Decadentes nas áreas humana, religiosa e ambiental tornaram-se privados da potência criadora, só conhecem a força das armas. Perdidos sem direção, “os donos do mundo”, convocam países submissos à corrida do sonho da globalização; a salvação de mão única. Necessário manter as rédeas do controle imperial. Dos sete mais poderosos reinos com mãos firmes no comando passaram para oito, e, agora são vinte os que sentam à mesa das negociações e exibem seus trunfos, suas fontes de energia, reivindicam espaços e direitos para todos. Frágeis, os menos industrializados como nação acham que copiar os velhos modelos de capital, de visão de mundo, estarão realizados como nação igualitária.
      A dimensão dos territórios, qualidade da mão de obra escrava, troca de interesses, tudo pesa e é levado em conta para os “donos do mundo”. Quais países prometem mais sucesso? Qual terá a melhor economia, desempenho social, menos estrago ambiental? Quais serão os mais obedientes? Cultura nativa, valores locais e genuínos? Isto nada vale.
      A pluma é soprada, aos reinos mais frágeis é exigido retorno de produção, economia estável, consumo de riquezas industriais e tecnológicas: um grupo vai para o Oriente – simbolizado por um dos filhos e outro grupo (país / nação) dirige-se para o Ocidente, simbolizando o outro filho – direções opostas, interesses múltiplos.
   E o filho mais tolo, incapaz, o João-Bobo, o país/ nação, dos mais marginalizados, excluídos? Estacionado sem apoio e consciente de sua própria condição olha para o chão e vê um bueiro/alçapão. Não tendo outra escolha levanta a tampa do alçapão e desce as escadas: um bueiro sujo, escuro; não teme em bater na porta encontrada. Defronta-se com a Rainha Rã, soberana conhecedora do mundo subterrâneo, das forças da natureza. É ali que os povos, as nações desprezadas encontram o tesouro da Rainha Rã - Mãe Natureza, Mãe Terra.
     Simbolicamente os Reis/Rainhas dos poderes palacianos, detentores dos bens comuns da natureza, não dormem mais tranquilos já que perderam as direções. Não sabem que filhos/nações os substituirão. O crepúsculo dos “senhores” do mundo tem seus dias contados, angustiados sabem apenas que caminham num tempo/espaço de absoluta incerteza. Não vêem mais qualquer saída. E todos, em todos os recantos do planeta Terra, tremem o futuro na incerteza.
     Cronos /Saturno (no signo de Libra determinado percorrerá o Zodíaco), senhor de tempo implacável, simbolizando os Reis, os Impérios da Terra, não quer largar as mãos do controle dos seus poderes. Os filhos ambiciosos e submissos, países dependentes, também, não são acolhidos, plenamente. As desavenças permanecem, os reinos não se entendem. Batalhas intensas se travam.
     Os sinais celestes traçam recados. A mitologia nos ajuda entender estes sinais. Zeus/Júpiter (em Peixes avança), Poseidon/Netuno (em Aquário mantem sua trajetória), Hadés/Plutão (chegou em Capricórnio e ali se manterá até 2023), Uranus (no signo em Peixes, passará por Aries e depois Touro), Ciclopes e Hecatônquiros confrontam Cronos/Saturno, reivindicam seus lugares. Os transtornos continuam. Os impasses são tremendos; os efeitos apocalípticos na epiderme. Temores no coração.
     A humanidade inteira está despertando para enfrentar a metamorfose morte-ressurreição!
      Como em todas as metamorfoses, em todas as grandes mudanças – o que é formoso, belo e precioso, surge da depuração – como na Alquimia.
      Os “donos do mundo” não aceitam, as ofertas, as reflexões, as realizações dos filhos mais tolos, marginalizados, Bobos. Entretanto estes são os únicos capazes de mergulhar nas camadas mais árduas, difíceis e profundas da Natureza e trazer as respostas que a Vida, a espécie humana, realmente, necessita para se reerguer e realizar seu maior sonho: gerar felicidade, brindar, dançar e cantar, namorar e amar. Dormir tranquilo sabendo que viver requer trabalho, descanso, diversão e alegria. São os simples, os tido como Bobos, os portadores do bem maior, são eles que vivem em harmonia com Gaia, a fonte soberana da Natureza, quem nos dará a boa nova.
     O homem lúcido não perde a meta – ele trabalha incansavelmente por um mundo humano e pleno de alegria – ele sofre e não teme a metamorfose. – Aceita o peso do mundo sobre os seus frágeis ombros e não se desespera. Confia. Confia, sobretudo nas forças da natureza. Acredita no amanhecer da lucidez universal. Confia no princípio coordenador de energias, nas forças renovadoras que emergem do centro mesmo da psique. Trabalha no silêncio e no amor.

_ Martha Pires Ferreira - astróloga e artista plástica.
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Conto de fada - As Três Plumas - I. Grimm

As Três Plumas Irmãos Grimm 
Era uma vez, há muito e muitos anos passados, um Rei bastante poderoso que tinha três filhos. Os dois mais velhos eram espertos, agitados e tidos como inteligentes, mas o mais novo era muito calado, quieto e simplório, e ficou sendo chamado de João Bôbo.
O Rei ficando mais velho e adoentado, ficou preocupado, e temendo alguma violência ou revide ao seu reino, achou que devia escolher um substituto. Ficou pensando e resolveu passar o seu reino para um dos filhos, sem saber qual dos três príncipes deveria subir ao trono depois de sua morte, chamou os filhos e disse:
- Meus amados e queridos filhos, já estou com idade avançada, estou bastante velho e adoentado, possivelmente viverei pouco tempo mais.. Quero garantir a sucessão ao trono. Vai cada um pelo mundo para conhecer coisas novas e ganhar experiência, aquele que me trouxer o mais precioso tapete, esse será o herdeiro do trono depois que eu morrer.
Os filhos seguiram o Rei que os conduziu até ao belo e majestoso portão em frente ao castelo, aí o Rei soprou três plumas para o ar, e disse:
- Cada um de vocês deve seguir o vôo de uma dessas plumas. Cada um vai seguir o seu destino e trazer o que pedi. E logo se retirou para o castelo desejando boa sorte aos filhos.
A primeira pluma voou para o ocidente, a segunda para oriente e a terceira pluma não voou para mais longe, ela sobrevoou no ar e caiu ali mesmo.
Em conseqüência disso, um dos filhos seguiu para um lado, o outro para o outro lado, e o mais novo ficando sem direção alguma a tomar, sentou-se e ficou ali mesmo pensando onde caíra a terceira pluma.
Observando a sua sorte, João Bôbo, sentado no chão, de repente, notou que perto da pluma havia um bueiro, um alçapão; resolveu erguer a tampa e viu que esta, dava para uma escada. Não perdeu tempo decidiu descer por essa escada e chegou diante de uma porta, na qual bateu três vezes. Imediatamente lá de dentro ouviu uma voz, dizendo:
- Rãzinha, rãzinha, verde e pequenina, estica as perninhas do cachorrinho, vai rápido ver quem está a bater.
A porta se abriu e João Bôbo entrou numa grande sala onde uma Rainha Rã, velha, estava sentada, tendo a sua volta muitas rãzinhas. A Rainha Rã perguntou ao príncipe o que ele desejava. O que estava fazendo ali.
Ele respondeu que estava à procura do mais precioso tapete do mundo para levar ao seu pai.
A Rainha chamou uma rãzinha e disse:
Rãzinha, rãzinha, verde e pequenina, vai rápido e depressa, bem depressa, buscar minha caixinha de xarão.
A rãzinha foi ligeira buscar a caixa, a Rainha abriu-a e tirou de dentro, um magnífico tapete, tão lindo como não havia igual no mundo e deu-o a João Bôbo. Ele agradeceu o presente e subiu pela mesma escada.
Os dois irmãos maiores achavam que o irmão menor, bôbo como era, jamais conseguiria encontrar algo que prestasse e cada um pensou:
- Para que preocupar-me tanto a procurar! Acharei belo tapete.
Com atitudes violentas e grosseiras, cada um deles tomou com força os xales das pastorinhas que encontraram no meio do caminho e levaram ao Rei. Pouco depois chegou, João Bôbo, com o precioso tapete e estendeu ao chão . Quando o rei viu os três tapetes, não pôde deixar de encantar-se com a beleza do que lhe apresentava o filho menor e exclamou maravilhado:
- É de toda justiça que o trono pertença ao meu filho mais moço, pois foi ele quem trouxe o tapete mais lindo e deslumbrante.
Os filhos mais velhos imediatamente protestaram indignados dizendo ao rei:
- Meu pai, isso é um absurdo, como pode entregar a direção do reino a um bôbo como nosso irmão. Exigimos que nos indique outra condição para obtermos o posto do reinado. Diante disso, o pai resolveu dar outra chance dizendo:
- Então estarei à espera daquele dentre vós que me trouxer o mais rico e belo anel, desta forma o farei o herdeiro do meu trono.
Levou, novamente, os filhos diante do castelo e soprou as três plumas, dizendo que deviam seguí-las. Os dois irmãos mais velhos, dessa vez, se dirigiram para dois caminhos; um para oriente, outro para ocidente, enquanto que a pluma de João Bôbo, voando em linha reta, foi cair novamente perto do alçapão. Como ele já sabia o que fazer, desceu a escada, bateu firme na porta e foi ter com a Rainha Rã, que espantada perguntou o que acontecera. João contou tudo e pediu à Rainha das Rãs que o ajudasse a descobrir o mais rico e belo anel do mundo. A Rainha ordenou que buscassem a caixa de xarão. As rãzinhas correram rápidas e trouxeram uma linda caixinha, a Rã abriu-a e tirou um belíssimo anel, todo cravejado de pedras preciosas, tão maravilhoso que nenhum ourives da terra seria capaz de fazer igual.
Entregou-o para João Bôbo, e lhe disse:
- Toma este anel, é o mais valioso e belo que existe no mundo.
Os irmãos mais velhos haviam ido embora caçoando de João Bôbo, certos de que ele iria procurar um simples anel nem de prata ou de ouro e não se preocuparam de encontrar um lindo anel. Cada um limitou-se a arrancar um simples arco de um velho aro de carroça e levaram-no ao rei. Quase que ao mesmo tempo todos chegaram ao palácio, e os três, juntos apresentaram cada um o seu anel. O Rei preocupado examinou-os e disse com todo cuidado:
- Não tenho a menor duvida; o anel do meu filho mais jovem é sem dúvida o mais rico e belo; portanto o trono será dele.
Os irmãos mais velhos, não se conformaram, ficaram brigando muito e atormentaram o pai de tal forma, que este propôs uma terceira condição.
- Darei a última prova e a mais difícil; aquele que trouxer a noiva mais formosa, esse será o escolhido para ser o herdeiro do trono.
E, novamente, soprou as três plumas enfrente do portão, que voaram como das outras vezes, uma para o oriente, a outra para o ocidente, e João Bôbo foi pela terceira vez procurar a Rainha Rã. Bateu na porta e disse logo ansioso:
- O Rei me pediu para levar para o palácio a noiva mais formosa do mundo; Rainha Rã a ninguém eu poderei recorrer, ajuda-me a encontrá-la.
- Como! – disse a rainha, - a mais formosa do planeta, do mundo? Não será assim tão fácil! Para qualquer outro seria dificílimo, mas para você que veio tão cheio de confiança conseguiremos a mais formosa e encantadora noiva do mundo!
Deu-lhe em seguida uma cenoura oca, na qual estavam atrelados seis camundongos. João, muito desapontado e sem saber o que significava aquilo, perguntou:
- Que farei com isso?
A rainha respondeu:
- É só pegar uma das minhas rãzinhas verdinhas e coloque-a dentro da cenoura oca.
Ele ficou espantado e sem relutar pegou, ao acaso, uma dentre as muitas que estavam em volta da Rainha; colocou-a dentro da cenoura e, imediatamente, viu-a transformar-se na mais delicada e formosa dama, ao mesmo tempo em que a cenoura se transformava numa carruagem maravilhosa e os seis ratinhos em seis belíssimos cavalos. E lá se foi João Bôbo na carruagem, em carreira vertiginosa para o palácio, radiante de felicidade e alegria.
Chegaram, juntos, ele e os dois irmãos ao castelo dos pais. Os dois não se dando ao trabalho de procurar uma noiva bonita, cada um deles, acompanhado de uma simples jovem encontrada ao acaso.
O Rei, vendo as três moças e os gestos delas, disse:
- Sem mais problemas; o meu filho mais novo continua sendo o escolhido, ele é quem será o herdeiro da coroa.
Mas os filhos mais velhos não concordaram e continuavam atordoar os ouvidos do rei com indignação e protestos que deixaram o Rei muito triste. Os dois disseram logo:
- Não podemos permitir que João Bôbo governe o reino!
E exigiram que fosse dada a preferência aquele cuja mulher pudesse saltar por dentro de um arco pendurado no teto, no centro da sala do palácio. Eles pensavam que jovens experientes habituadas a exercícios fortes conseguiriam, facilmente, vencer a prova, ao passo que salto tão grande poderia matar a frágil dama que João trouxera.
O Rei custou, mas concordou e tudo foi preparado para essa última e decisiva prova. Primeiro saltou uma das jovens, mas tão desajeitada que caiu e quebrou o nariz e o braço e a outra quebrou as pernas. Por fim, chegou à vez da linda jovem que viera com João Bôbo. Com graça extrema e com a agilidade e elegância, saltou através do arco com perfeição, sem quebrar coisa nenhuma. Com isso acabou toda a briga e o Rei declarou:
- Pronto, agora chega de provas; o trono cabe de direito absoluto ao meu filho mais jovem. Está definitivamente decidido e pronto.Não demorou muito tempo e o Rei faleceu. João Bôbo subiu ao trono junto com a mais linda, graciosa e generosa Rainha do mundo. Como João era generoso deu cargos aos seus irmãos. A jovem Rainha e João Bôbo foram muito felizes, tiveram muitos filhos, sendo o reino governado com grande prudência e sabedoria por muitos e muitos anos.
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-- postagem martha pires ferreira