sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Flores do Bem - S. Francisco de Assis

MEUS IRMÃOS, OS PÁSSAROS

Oração de S. Francisco de Assis
(1182 - 1226)

Passarinhos, meus irmãos,
deveis louvar muito e sempre
o vosso criador, porque vos deu penas
para vestirdes, asas para voar
e tudo quanto vos é necessário.

Deus os fez nobres entre todas as criaturas
e vos concedeu de planardes no límpido ar;
vós não semeais nem colheis,
e no entanto Ele vos socorre e guia,
dispensando-vos de toda preocupação.

(vita prima de Celano XXI, 58)
"O homem vale o que é diante de Deus...e nada mais"
S. Francisco

domingo, 30 de setembro de 2007

Urano _ “Tudo está escrito nas estrelas!”

URANO um salto quântico na história da humanidade

As sinalizações de Urano estão bastante claras nesta sua passagem pelo sigo de Peixes.
O Planeta Urano foi encontrado em 1781, em plena revolução das idéias democráticas em busca de liberdade, fraternidade, justiça social e igualdade de oportunidades. Urano representa o símbolo da evolução, da expansão de todo o universo. Atua sobre as tempestades e os raios celestes. Senhor mitológico, surgiu do caos, da desordem e dominou os espaços cósmicos surpreendendo com as potências do imprevisível e da originalidade criadora. Ele antecede o Panteão dos deuses gregos, e todo o extraordinário imaginário dos povos antigos. Libertário, amoral e anárquico, individualista e independente não obedece a regras preestabelecidas. Indica sentido de grupo, coletividade, humanismo, amizades, fraternidade e solidariedade. Projetos, planos utópicos e revolucionários. Representa a totalidade em suas transformações profundas, radicais. É o significador das máquinas, das invenções tecnológicas, da experimentação de toda ordem, assim como das descobertas científicas. Avanços de toda ordem. As novas descobertas e as novas posturas no âmbito social, religioso e político estão sempre sinalizadas com a presença desse Planeta altamente impulsionador da expansão criadora da natureza. É o Astro que nos fala da esperança, de um futuro promissor em justiça e igualdade de valores para a humanidade.
Urano é o regente de Aquário, o 11º signo do Zodíaco - Sua revolução é de 84 anos, aproximadamente. É o condutor por excelência do ciclo da Nova Era da Humanidade no campo das descobertas e da criatividade.

Urano senhor das máquinas:
Em 1776 Urano percorria o signo de Gêmeos - Aparecimento da máquina - ferramenta. Aparecimento comercial.
Em 1784 o signo de Câncer - Surge a máquina a vapor - forma social fixa. Uso geral e não mais específico, apenas. Patente universal.
Em 1860 o signo de Gêmeos - Nesta década aparece a padronização de máquina ferramenta. Máquinas que fazem outras máquinas. Convergência tecnológica. Produz os bens de consumo duráveis.
Em 1940 o signo de Touro - Surge o computador. Não visa energia e sim informação.
Em 2024 percorrerá o signo de Touro, novamente. O que nos revelará em sua surpreendente revolução? Avanços inconcebíveis.

Neste ciclo de 84 anos de Urano, 1940 com o aparecimento do computador, a internet, o celular e seus desdobramentos até 20024, estamos vivendo não só a revolução tecnológica, mas a revolução da humanidade em todas as esferas do conhecimento e da comunicação. Um salto quântico impossível de se prever, entretanto possível de se apreender.
Tão ou mais surpreendente e importante que a revolução industrial, a revolução tecnológica visa o bem comum, a democratização dos bens de produção a serviço de toda a humanidade sem excludências. A consciência de que somos uma família e que precisamos conviver felizes aqui neste Planeta Mãe Terra, onde todos têm deveres, obrigações e direito à alegria de viver em harmonia, com justiça social. Mesmo tendo que enfrentar dificuldades, batalhar cada dia, o ser humano passará a ter consciência de que a vida é plenitude, inventada para que toda a Natureza possa concretizar suas realizações paradisíacas. O grande salto será sem dúvida o salto dos valores humanos para o bem cuidar de toda a criação, incluindo flora e fauna, terra e água, fogo e ar que respiramos.
O Paraíso é uma realização contínua, impermanente, da vida de cada ser humano, sedenta de absoluto, caminhando aqui mesmo, neste chão do reino de Deus, Brahma, Tao.

Urano, hoje, 30/09/2007, 15º 54’ R. no signo de Peixes.
Martha Pires Ferreira
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domingo, 23 de setembro de 2007

domingo, 16 de setembro de 2007

Flores do Bem - Templo Zen

"ESTOU APRENDENDO A FICAR CONTENTE COM TUDO"

Inscrição no poço do Templo Zen Royoan-Ji, Kyoto

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Reflexões ou Carta aos Políticos

[ Escrevi este texto em 2005 e enviei para amigos/as.
O filme é o mesmo / Martha Pires Ferreira ]

Até quando teremos que suportar estes tiroteios partidários, estas posturas infantis de homens que deveriam zelar com dignidade a gestão da coisa pública? Onde o respeito pela verdade factual?
Sempre tivemos, e temos, grandes figuras na vida cultural brasileira. São pessoas que nos honram e nos engrandecem.
Desde a Origem dos Direitos dos Povos, levantar falso testemunho, espalhar boatos ou calúnias, eram inverdades tidas como crimes de responsabilidade penal: A calúnia era maldita neste e noutro mundo, ou então, que fosse precipitado na Rocha Tarpeia aquele que prestou falso testemunho. Ouvíamos na Faculdade de Direito, UEG, nos anos 60, o grande jurista, criminalista, Prof. Dr. Roberto Lyra se referindo ao Direito: Falsi teste pejores sunt latronis [as falsas testemunhas são piores que os ladrões].
Não menos constrangedor é observar figurantes políticos, ou não, expor seus rostos na mídia, inescrupulosamente, como se nada tivessem feito de evidentes improbidades. Que qualquer um que cuide das coisas públicas tenha dignidade e competência em suas obrigações parlamentares.
Não são poucos os Homens e as Mulheres que lutam por uma vida justa e prazerosa, e, são eles que sustentam com seus corpos e emoções a base econômica deste Brasil plural, criativo e naturalmente solícito. Heróis do dia-a-dia que são obrigados a votar. Estamos nos referindo aqui aos que trabalham, aos que sustentam os cofres públicos e toda a nação com a responsabilidade e o suor cotidiano.
Por quase vinte anos de lutas e reconquistas de direitos constitucionais e liberdades adquiridas, não merecemos este quadro Goyniano. Quanta degradação e baixeza no exercício e na prática da política! Temos tudo para vivermos bem neste imenso Brasil, com solidariedade, realizando o sonho de ver a justiça social uma realidade. A corrupção é uma doença de conduta moral que precisa ser tratada. Doença que por vezes vem da tradição familiar e/ou da sede desmedida de elevação social a qualquer preço. A religião do dinheiro, e dos podres poderes, é índice facilitador para esta doença se manifestar - as suas orações se fazem nos Templos do Consumo.
Precisamos é de objetivos sólidos e viáveis. Briga de classe e poderes vãos, é atraso de vida para um povo se realizar plenamente. “Os senhores da Casa Grande e seus herdeiros” quanto mais se esbravejam mais ridículos e inoperantes vão ficando. Na era da informática, dos anseios de comunicação, os detentores das manipulações “secretas” estão perdendo seus espaços; poder de controle.
O mundo do mercado globalizado se degradará por si mesmo ou será humanizado em razão da fraternidade e da liberdade sem exclusões. Exclui-se quem exclui. Todos nós fazemos parte da grandeza e da beleza do universo, todos nós temos que ter responsabilidade e comprometimento diante de cada um de nós e da Criação. Nós somos a Natureza, a Natureza se revela em nós a cada dia.
Os jovens brasileiros, e do mundo inteiro, que vivem ao lado das elites urbanas, têm seus sonhos, suas utopias, não aceitam viver em camisa-de-força e/ou em carros blindados. Reivindicam as liberdades; eles formam imensa potência criadora e formadora de idéias novas para outro Brasil possível neste novo milênio. São os jovens da Revolução Tecnológica, séc. XXI.
Será que não bastam as tensões vividas no Planeta Terra neste período de transição? Basta o imenso esforço por não permitir que o império da devastação e desrespeito às leis da Natureza vigore. Estamos querendo o quê? O desmonte galopante da cultura ocidental já não é o suficiente para repensarmos as arrogâncias das teorias dos conhecimentos? Tudo caindo por terra, e, velozmente. Não é tempo de individualismos, mas de partilha. Um mundo novo precisa de raízes novas. Vivemos o confronto entre os “mais fortes” e os “mais frágeis”. Caminhamos para a construção de uma nova civilização. Na fricção e na troca de saberes e experiências vividas vamos encontrando as respostas e os horizontes possíveis. Todos nós estamos convidados e incluídos, na construção de um mundo em transição de valores. Estamos vivendo o confronto de opostos; ricos e pobres, intelectuais e gente simples, orientais e ocidentais, hemisférios norte e sul.
Quem se dá ao direito de se expor em sensações, em acusações, não resguarda sua própria imagem. Deveria antes intuir as várias vertentes das conseqüências de seus atos. Na curva do mundo a verdade, quase sempre, se revela como um sol brilhante. Questão de tempo.
O corte no caminho dos acontecimentos político/econômico viabiliza saídas mais sábias nas altíssimas taxas de juros (não comparáveis às tão torpes taxas na travessia do milênio). Esperamos juros mais civilizados.
A democracia da inteligência deve servir ao bem comum. Jamais dar espaços ao fundamentalismo perverso político/religioso, revestido de apanágios éticos e morais.
Precisamos de um crescimento progressista e proporcional, de baixo para cima, em todos os setores da nossa riquíssima e bela nação - educação, saúde, comércio, indústria, ciência e tecnologia. E Felicidade.

Neste início de milênio, um Quantum de silêncio interior nos fará precioso bem. Precisamos enxergar e agir com alteridade, vivermos como seres humanos. Sendo humanos daremos um salto qualitativo na História da civilização.

Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2005

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Selo, bico de pena e aquarela

"Quais são as barreiras que o amor não consegue derrubar?"
Mahatma Gandhi, 1869/1948

sábado, 11 de agosto de 2007

Flores do Bem - Brecht

O ANALFABETO POLÍTICO

Bertold Brecht [1898-1956]

O pior analfabeto é o
analfabeto político. Ele não ouve,
não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel,
do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha e
estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto
e lacaio das empresas
nacionais e internacionais.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Conceito de Self para Carl G. Jung

                    Sábio Jung em sua caminhada 

 Conceito de Self para C. G. Jung

     O núcleo central da psique, Carl Gustav Jung denominou de Self.
    Para que se possa entender o sentido lato do conceito de Self, centro fundamentalmente ordenador de energias, Jung aponta uma direção; o autoconhecimento. É através da experiência vivida no cotidiano que o ser humano se conhece e chega a este centro. A via a percorrer se faz através do que ele chamou de Processo de Individuação, o caminho do conhecimento do si - mesmo.
    O processo da vida se desenvolve com o tempo. A vida como um todo se realiza na medida em que cada um de nós procura se conhecer externa e internamente. O desenvolvimento da natureza física, do emocional e do espiritual se dá simultaneamente. O encontro com o Centro / Self pode ser visto como algo que nos transcende. Poderíamos dizer que é um encontro com a totalidade de nosso ser, com as camadas mais profundas do inconsciente.
    “Todo ser tende a realizar o que existe nele, em germe a crescer, a completar-se. Assim é para a semente do vegetal e para o embrião do animal. Assim é para o homem, quanto ao corpo e quanto à psique”; palavras de Nise Magalhães da Silveira. Impulsionado por forças inconscientes, o ser humano toma consciência de sua natureza. Cada um de nós na medida em que vivemos a vida fazemos livre escolhas e tomamos decisões. Tudo em nós é um convite ao desenvolvimento das potencialidades inatas.
    Quanto mais conscientes somos de nossas potencialidades, mais claramente percebemos o caminho a percorrer. É um processo em contínua dinâmica, como um espiral em expansão.
   A Mandala, palavra sânscrita, significa círculo sagrado. É a configuração perfeita da imagem arquetípica do Self. Seu simbolismo inclui toda imagem concentricamente disposta, circunferência ou quadrado, tendo um centro. Para a cultura oriental a Mandala é a representação do centro da totalidade psíquica. Jung aponta o centro da Mandala como representação do Self.
    Toda a descoberta e teoria de Carl G. Jung foram formuladas a partir de experiências empíricas observadas e vividas ao longo de sua vida. Seu conceito de Self não foi uma formulação intelectual, mas sim experiência real a partir das potencialidades do inconsciente pessoal e do inconsciente coletivo, substrato comum a todos os seres humanos.
    O caminho para a realização do si - mesmo não é uma trajetória fácil. Muito pelo contrário, pode ser cheio de sacrifícios e dificuldades tão grandes que pensamos ser impossíveis de serem solucionadas. O processo de individuação é o processo de depuro de nossa própria existência que se revela a cada dia.
    O ser em sua completude é aquele que conseguiu aproximar e colocar em ordem os dois lados da natureza humana; luz e sombra, masculina e feminina. Aquele que realizou esta aproximação de energias é um ser que se aperfeiçoou, sem a pretensão de tornar-se perfeito. Para Jung não existe o ser perfeito.
    A trajetória para a plena realização do autoconhecimento é sinalizada por Jung por etapas. A 1ª etapa é o desvendamento da Máscara, é a falsa roupagem da persona que precisa ser retirada, é se assumir exatamente como se é. A 2ª etapa é encarar de frente a Sombra, o lado escuro e sombrio que não gostamos, e menos ainda, de mostrar porque nos desagrada [a Sombra pode ser luminosa, é o outro lado da pessoa que por viver uma vida obscura não consegue enxergar ou dar valor ao seu lado criativo e bom]. A 3ª etapa é o confronto com os opostos, Anima [para o homem] e Animus [para a mulher]. Com a integração desses dois lados o homem se torna mais flexível, mais sensível e sábio nas atitudes, e, a mulher mais harmoniosa nos afetos e intelectualmente com maior interesse pelo universo da cultura.
    O Processo de Individuação não pode ser confundido com individualismo. Individualismo pressupõe um ser de conduta egocêntrica, pensando mais em seus planos pessoais. Individuar-se é querer diferenciar-se de tudo o mais que não seja viver com autenticidade. É ultrapassar o vislumbre da auto-referência. É libertar-se de artifícios, exige de cada um de nós o incansável confronto de nossas energias opostas; o mundo objetivo e subjetivo, o agradável e o desagradável de nossos impulsos naturais. As forças positivas e negativas existentes em nossa natureza humana devem ser observadas. Estas forças opostas precisam ser integradas. Não matamos a “fera” que possa existir dentro de nós e sim a “assimilamos”. Chegar ao Self é tornar-se uma pessoa mais completa, autêntica. Uma conciliação feliz de nossa natureza como um todo.
    Quando nos aproximamos do nosso núcleo, ou somos aproximados por ele, pelo Self, naturalmente nos colocamos diante da vida com uma postura pessoal mais solidária. Somos mais perceptíveis e engajados nas questões do mundo, no meio social em que vivemos. Passamos a ter um compromisso efetivo na sociedade. Percebemos que a base da vida psíquica á a mesma para toda a humanidade. A fonte da vida é a mesma para todas as espécies. Somos um pouco o outro.
    Vivendo a vida, as nossas relações interpessoais mudam. Projeções são feitas e desfeitas na medida em que vivemos. Percebemos que cada um de nós trás o seu quinhão, seu mistério. A vida pessoal é repleta de complexidades e de segredos. Com isso temos mais respeito pelas pessoas que nos cercam. Percebemos que cada um de nós é diferente. Quanto mais nos conhecemos mais aceitamos os outros como eles são. Somos menos críticos e judicativos, mais humanos por conseqüência.
    Sabemos com a árdua caminhada que aproximar da fonte ordenadora de energias nada mais é do que vivenciar a experiência de que Deus vive em nós e nós vivemos nele. É a experiência do Tao para os místicos da cultura chinesa e do Brahma para os hindus.
    O Self não é apenas o Centro ordenador da psique pessoal, Ele é o Centro da totalidade da vida; o Alfa e o Ômega (Apoc. 22,13). Para o cristão, em sua vivência a mais radical, esta experiência interna é a experiência do incognoscível. Impossível encontrar palavras que possam expressar este estado do ser.     É como que beber na fonte do Sagrado. A imagem arquetípica do cristianismo é a de Jesus de Nazaré.
Jesus, o Cristo, é o Ícone por excelência.

[ Martha Pires Ferreira 28/04/2007 – Palestra - Grupo de Meditação Cristã]
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quinta-feira, 26 de julho de 2007

Selo / Aquarela e bico de pena

Animais não fazem guerra / 2003

terça-feira, 24 de julho de 2007

Árvores _ Coisas que nos encantam

        COISAS QUE NOS ENCANTAM

       Símbolo sagrado, símbolo da vida, a Árvore pertence à tríplice estrutura do Cosmo - seus galhos atingem o espaço celeste, uraniano, indicador de fertilidade e fecundidade, voltados para a luminosidade dos céus, seus troncos e ramos perpassam a face da Terra e suas raízes se fundem no mundo chtoniano, subterrâneo, cheio de terror e imprevistos que se escondem no abismo. O que explica a sua multiplicidade simbólica - vida de comunicação vivente. Une o mundo luminoso da consciência às sombras mais profundas e obscuras do inconsciente.
A Árvore é a própria imagem do cosmo vivendo em perpétua regenerescência e evolução ascensional. Elo vivo entre os dois opostos - yang e yin.
A Árvore é a imagem do ser humano. Para os antigos, quando não existia qualquer divisão entre o ser humano, os animais e a flora, toda a natureza fazia parte da totalidade da criação.
Os livros maiores a expressam com reverência. No judaísmo e no cristianismo é a via do espírito. Abrahem plantou uma árvore em honra a Deus (Gên.21,23). No Apocalipse (22,2) São João refere-se à árvore como imagem - “Árvore da Vida, que produz doze frutos, dando cada mês um fruto, servindo as folhas das árvores para curar as nações”.
A Árvore Kien-mou na China representa o centro do mundo. Na Índia, às sombras da Árvore Bodhi o Buda atingiu a iluminação. Os tratados alquímicos nos falam da Árvore Filosófica. Os textos védicos se referem à Árvore reversa, com sua copa iluminada fertilizando a terra. Na Antiguidade o firmamento representava os frutos da árvore cósmica.
A Árvore demarca os limites do sagrado e do profano. O espaço que lhe foi preservado na Terra faz a magnitude que constitui a Floresta - um templo, um verdadeiro santuário. Com as organizações sociais fomos, aos poucos, nos afastando da grandeza que a define como Axé do mundo, idéia de 4 a 3 mil anos a.C..
Com o avanço da racionalização, do conhecimento científico e organizações codificadas, acrescida pela onipotência do progresso tecnológico e da engenharia genética, deslocamos nossas existências. Dicotomizados nos desviamos da Mãe-Natureza para criarmos templos de pedra em cimento armado. Agora, na contemporaneidade pós-moderna, avançamos para o terceiro milênio, fizemos das instituições e poderes bancários nossa casa de orações - onde o sagrado não tem espaço.
Retornar nossas atenções essencialmente intuitivas para a magnitude da Floresta é religarmos os laços que nos unem aos céus. É vivenciar o ritual de passagem que nos falam os Contos de Fada, repletos de sabedoria e encantamento. Reencontrarmos a Floresta é resgatarmos a Anima Mundi aprisionada nas profundezas da matéria. As Árvores - as florestas - simbolizam a energia vital da Terra, ela mesma. Elas são o nosso oxigênio. Destruí-las é genocídio e suicídio para toda humanidade.
No Brasil temos o orgulho de possuir a mais bela floresta do mundo, a Amazônia, ameaçada pela ganância do poder econômico e político. Defendê-la é preservar nossos laços íntimos com a plenitude da vida - a Grande Mãe Natureza.

- Martha Pires Ferreira - momento em Revista - 1989

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sexta-feira, 13 de julho de 2007

Flores do Bem - Chuang Tzu

O HOMEM SOBERANO

Meu Mestre disse:

Tudo que age em tudo, e em nada se imiscui é o céu.....
O Homem Soberano reconhece isto, esconde-o no coração,
Torna-se ilimitado, de mente larga, tudo atrai a si.
E assim, deixa o ouro permenecer oculto na montanha,
Deixa a pérola repousar nas profundezas.

Chuang Tzu ( + ou - 300a.C.)

terça-feira, 3 de julho de 2007

Flores do Bem - Como o Petróleo o Bondinho é nosso _ Artur da Távola

COMO O PETRÓLEO, O BONDINHO É NOSSO

Artur da Távola, junho 2007.

Amo-te, Santa Teresa, porque recompões o ideal de uma cidade na qual o tempo tempera o progresso, fazendo-o servo, jamais senhor.
Amo-te, por permitires beleza, luz, árvore, timidez e relação direta com o simples que virou raridade no comportamento alucinado dos homens. Amo o teu abrigo e a paz que trazes a este pedaço de um Rio que acabou contudo não desistiu de sonhar com vida possível, bela e o homem viável e solidário, desde que tratado com justiça e muita poesia. Agora que és vítima de tiroteios, agora mais que nunca, proclamo quanto te amo, bairro de Santa Teresa. Mesmo assim, foste e ainda és jardim sem angústia da urbana condição.
Amo-te, porque abrigas crianças saudáveis, com gato, esquina, pipa, ladeira, carrinho de rolimã, lanches fartos, brincadeiras de São João, vó na janela e já, já, namoro no portão.
Amo-te, porque ainda tens bruma, casas arrevesadas, fadas, castelos amenos, fantasmas, refugiados de guerra, bruxas, consertadores de sofás, armazéns com conta, dengosas curvas, e um gosto de conspiração em tuas ruas pálidas, Oxalá iluminadas a querosene. Tens muros pelos quais passam, segredam e urinam os conspiradores contra a ordem material que enfeou o mundo, matou os rios, endoidou o homem e emparedou o passado.
E é porque te amo mesmo sem aí morar é que aplaudo e apoio a reunião de sua coletividade, sábado passado, quando se uniu para uma campanha à qual dou minha modesta adesão. Parece que há um projeto para entregar os novos bondinhos do bairro ao transporte exclusivamente de turistas.
Com razão a comunidade protesta. O bondinho deve ser tanto dos turistas como, principalmente, da população. Um absurdo tirar o morador do seu bondinho, o que resta no Rio de Janeiro de transporte poético, aberto ao vento saudável e ao canto dos passarinhos nas árvores do bairro abençoado. Impedir a população de usar o transporte de viagem mais poética e rápida, além de maldade sem fim é um ato antidemocrático.
Assim como o petróleo, o bondinho também é nosso.