sábado, 30 de junho de 2007

Flores do Bem - sobre Nise da Silveira

Nise Magalhães da Silveira: Formação Junguiana.

     Toda a Obra da psiquiatra Nise da Silveira está pontuada em seu vasto conhecimento em Jung; teoria e prática. Mulher de cultura clássica, de extraordinária curiosidade intelectual, estudiosa por toda a sua vida, teve indiscutivelmente em Carl Gustav Jung seu mestre maior. Ela foi quatro vezes à Europa, Suíça, sendo que por três vezes pesquisar e estudar o processo criativo e imagens do inconsciente no Instituto Jung. E lá na Suíça fez análise com Dra. Marie- Louise von Franz.
     Ontem, dia 29 de junho de 2007, tivemos a bela Festa de São João e São Pedro, da Casa das Palmeiras, para a alegria dos clientes, seus familiares e todos nós presentes. Ali, conversando com Paulo Alberto Monteiro de Barros [Arthur da Távora], Presidente da Casa, perguntei o que ele achava de umas poucas pessoas dizer por aí que Nise Magalhães da Silveira não fez Formação Junguiana, o que ele respondeu de imediato: “Fez com o próprio Jung” e sorriu. Ele que foi grande amigo da Dra. Nise e estudioso de Jung ao lado dela por um bom tempo, não deixaria de responder com precisão sobre levianas afirmações. Nise Magalhães da Silveira desenvolveu de maneira admirável as teorias de Jung no que diz respeito à importância dos estudos das imagens do inconsciente. Fundou, aqui no Brasil, o Museu de Imagens do Inconsciente onde deixou um acervo imenso para ser estudado, pesquisado.
Nise Magalhães da Silveira publicou na Revista Quaternio, do Grupo de Estudos C. G. Jung, 1973, pg. 136:

            “Nosso enorme acervo de nada servirá, será coisa morta, se não for estudado. Cabe a vocês esta tarefa, que exige ter diante de si muitos anos pela frente. Cuidar, defender este patrimônio. Estudar, desenvolver nossos atuais métodos de pesquisa, tornando-os mais sistematizados e precisos, acompanhando sempre o desenvolvimento da Ciência, que não para nunca. Vocês não perderão seu tempo. Estas imagens surgidas do inconsciente, do mundo primordial, têm muitas coisas a revelar sobre dinamismos da vida psíquica e sobre os mistérios da atividade criadora”.
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segunda-feira, 25 de junho de 2007

Desenho - bico de pena e aquarela

Martha Pires Ferreira, 1982
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quinta-feira, 21 de junho de 2007

A mulher no terceiro milênio


        Para entendermos a totalidade da natureza da mulher é necessário um mergulho na história do feminino desde os tempos primordiais. Vamos encontrar no campo das religiões e dos mitos as chaves para a compreensão da essência da mulher – o conhecimento de sua arqueologia interior e suas manifestações no mundo externo.
A humanidade patriarcal e matriarcal foi surgindo e se organizando em vários momentos da história que se perdem no tempo. Tudo faz admitir que nas sociedades arcaicas o que reinava era o matriarcado – a mulher era a guardiã e sacerdotisa da vida intrinsecamente unida à natureza, a grande Mãe-Gaia.
     No processo de evolução do princípio feminino, para o seu desenvolvimento e complementação é necessário o confronto com a natureza e os princípios do masculino a fim de assimilá-los e entendê-los. Os confrontos entre o Homem e a Mulher em todos os tempos sempre foram complexos e imensamente misteriosos. Nessa longa caminhada da evolução feminina em que se vivenciam as mais fortes emoções é natural que a mulher assuma o materno. E por materno se entende tudo que é fecundado, criativo e dadivoso – como as árvores, como a própria essência da natureza.
        A árvore sempre representou o universo materno, o símbolo da vida. No Brasil temos a nossa majestosa mangueira que tranquila e sábia segue o ritmo das estações; aceita seu momento outonal ao perder seus frutos, recolhe-se no seu inverno enigmático e deixa-se florescer e ofertar suas saborosas mangas na primavera e verão, gloriosa em sua trajetória anual. Raízes profundas sustentam forças internas que se manifestou sobre ela, o tronco fincado no chão da realidade se expande e se abre em copa majestosa voltada para os céus num desejo ardente de percepção universal e absoluta plenitude. A árvore é uma representação arquetípica da imago feminina.
        No desejo de chegar a seu núcleo criador, a mulher terá que confrontar sua sombra obscura e por vezes tenebrosa, manifestando a pujança da força feminina em toda a sua grandeza natural. As armas poderosas da mulher sempre foram o poder do coração amoroso, a compreensão afetuosa aliados à reflexão intelectual e aos assuntos relacionados com a vida interna e espiritual.
      A dominante neste terceiro milênio será retomada do princípio feminino em sua essência. Vivemos, hoje, um grito de desespero predatório, o sabor das destruições generalizadas. A nossa desgastada civilização masculina institucionalizada primando pela racionalidade, provedora em ciência e tecnologia avançadas, vive paradoxalmente a sua falência humanístico-cultural, chegou ao seu ponto mais alto. Terá que dar espaço a um novo ciclo da história da humanidade. Terá que caminhar em outra direção. Uma nova civilização que se identificará não com as manifestações dos “poderes” puramente pragmáticos a serviço do consumo desenfreado e insaciável, mas sobre tudo, no que a natureza possui de solidária e humanamente afetuosa. O terceiro milênio em sua sede de calor humano e equilíbrio em todas as áreas do conhecimento voltar-se-á para o princípio feminino, receptivo, o qual se estenderá fértil no coração do mundo com Amor – Sabedoria, fonte primordial da vida, em harmonia com o princípio complementar masculino.

Martha Pires Ferreira[Texto: anos 80, revisado em 2007 ]

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Grande Homem - Dalai Lama

DALAI LAMA, HUMANÍSSIMO POR EXCELÊNCIA !

domingo, 10 de junho de 2007

Dane Rudhyar_ MINHA POSIÇÃO NA ASTROLOGIA

Dane Rudhyar não foi nenhum mestre para mim em questões de Astrologia, entretanto gosto bastante de muita coisa deixada por ele em suas obras. Este texto é excelente.

MINHA POSIÇÃO NA ASTROLOGIA
Dane Rudhyar [1895 – 1985]

       "A Astrologia, eu me refiro aqui particularmente à Astrologia Natal (que lida com os mapas dos seres humanos), é arte da descoberta do significado da vida de uma pessoa, e de tudo o que ocorre nesta vida, considerando-a como um todo – do nascimento à morte. A Astrologia deve ser compreendida como uma mensagem do Universo para a pessoa que está tão relacionada a este Universo, quanto uma célula do corpo está relacionada a todo o corpo. O Mapa Natal mostra a melhor forma de usar as potencialidades do nosso ser. Ele é a fórmula que define a nossa individualidade nesta vida. Tudo o que tem nele é o certo para nós, se aceitarmos seu significado essencial. A Astrologia poderá guiar-nos na descoberta deste significado – na decodificação da linguagem simbólica do céu – se ela for usada apropriadamente. Ela não é uma ciência basicamente preditiva
      Os planetas considerados individualmente não exercem uma “influência” física direta sobre o ser humano. O que conta é o estado de todo o sistema solar momento da nossa primeira inspiração – e em qualquer outro momento após esta inspiração, ou seja, a nossa relação com o Universo, uma vez que nos tornamos participantes ativos em seu espaço aberto, respirando o ar que as outras entidades vivas respiraram e respirarão.
      Os acontecimentos, como tais, não são o fator mais importante na vida de uma pessoa; o que conta é o significado que a pessoa dá a esses acontecimentos, o que ela faz com eles.
     A posição de um só planeta, ou um só, não tem nenhum significado decisivo. O que importa é o modelo do Mapa por inteiro, a imagem total do que a nossa vida é e das sucessivas fases do seu desenvolvimento. Ele apresenta o processo total de atualização das nossas possibilidades inatas, mostrando como este processo se desdobra fase após fase, ciclo após ciclo.
     A Astrologia pode ser uma benção para a humanidade – mas, se algumas correntes em desenvolvimento hoje em dia forem enfatizadas, poderá tornar-se uma maldição devido ao seu mau uso. A Astrologia é a arte do possível e não a ciência do por vir."

[Los Altos Hills, Ca. 1973 USA “Seed Man: Dane Rudhyar, das publicações ‘Human Dimensions”. Traduzido por Adriana Figueiredo, astróloga e cineasta].

---postagem Martha Pires Ferreira.
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quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Grande Homem - prosa poética _ Herbert Timm


Mantém o seu modo de pensar independente da opinião pública.
É tranquilo, calmo, paciente: não grita nem se desespera.
Pensa com clareza, fala com inteligência, vive com simplicidade.
É do futuro. Sempre tem tempo.
Não despreza nenhum ser humano.
Causa a impressão dos vastos silêncios da Natureza: o céu, o oceano, os animais, a vegetação, o deserto.
Não é vaidoso, como não anda a cata de aplausos, jamais se ofende.
Possui sempre mais do que julga merecer.
Está sempre disposto a aprender mesmo das crianças.
Trabalha só pelo prazer do trabalho em si, nunca pela recompensa material.
É responsável e consciencioso.
Vive dentro de seu próprio isolamento espiritual, aonde não chega nem o louvor nem a censura.
Não obstante, seu isolamento não é frio: Ama, Sofre, Pensa, Compreende.
O que você possui: dinheiro ou posição social, nada significa para ele.
Só lhe importa quem você é. 
Despreza a opinião própria, tão depressa verifique o seu erro. 
Não respeita usos estabelecidos e venerados por espíritos tacanhos. 
Respeita somente a verdade. 
Tem mente de homem e coração de Criança. 
Conhece a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus.
(H.T / prosa poética - 1961)

Herbert Timm /
Recife/ Pernambuco/ Brasil - nasc. 1937 - (é poeta de imensa sensibilidade / escolheu a vida reservada e silenciosa).

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--postagem _ Martha Pires  Ferreira
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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Flores do Bem - Borges - Abel e Caim

LENDA

      Abel e Caim encontraram-se depois da morte de Abel. Caminhavam pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam silêncio, à maneira da pessoa cansada quando declina o dia. No céu assomava alguma estrela, que ainda não havia recebido o seu nome. À luz das chamas, Caim percebeu na fronte de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão que levava à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime.
      Abel respondeu:
      - Tu me mataste ou eu te matei? Já não me lembro; aqui estamos juntos como antes.
      - Agora sei que em verdade me perdoaste – disse Caim – porque esquecer é perdoar. Eu também procurei esquecer.
      Abel falou devagar:
      - Assim é. Enquanto durar o remorso, dura a culpa.

Jorge Luis Borges [ 1899 – 1986 ]~(Borges era um racista, mas perdoado)
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sábado, 26 de maio de 2007

Bico de pena e aquarela


Auto retrato, 88

Meditação na experiência de Thomas Merton


Thomas Merton nasceu em Prades, em 31 de janeiro de 1915, no sul da França e viveu nos EUA – morreu em Bancoc em 1968 para onde foi em viagem pregar retiros e fazer conferências. Para este monge beneditino, trapista, a meditação é uma profunda integração pessoal em Deus, numa escuta vigilante e cuidadosa do coração.
Thomas Merton em sua obra Poesia e Contemplação deixou-nos páginas dedicadas às questões sobre a meditação.
Toda a sua obra, em geral, desde a Montanha dos Sete Patamares, nos fala da vida silenciosa, intelectualmente e em radical experiência interior. Thomas Merton foi um contemplativo por excelência. No final da vida, Merton viveu como eremita numa ermida no meio do bosque, do mosteiro de Gethsemani.
“Acima de tudo, amai o silêncio; ele vos traz frutos que a palavra não pode descrever. No início, temos de esforçar-nos a ser silenciosos. Porém, nasce então algo que nos atrai ao silêncio. Possa o Senhor dar-nos uma experiência deste “algo” que brota do silêncio. Se somente praticardes isso, uma luz indizível brilhará sobre vós como conseqüência (...) depois de algum tempo, certa doçura nasce no coração, deste exercício e o corpo é atraído, quase que à força, a permanecer em silêncio”.
Para Merton sem virtude (fortaleza), não pode haver verdadeira contemplação. Sem o trabalho da disciplina, não pode haver tranqüilidade no amor. E cita Pedro de Celles, beneditino do séc XII:
“Deus opera em nós enquanto repousamos n’Ele. Essa obra do Criador ultrapassa todo entendimento; repouso que é, em si, criativo. Pois, trabalho como esse excede, em sua tranqüilidade, todo repouso. Este repouso, em seu efeito, brilha e irradia, sendo mais produtivo do que qualquer trabalho. Assim, deixemos esta ação, ou este repouso de nossa contemplação, ser modelada de maneira a reproduzir, ainda que em linhas apenas esboçadas e apagadas, um modelo (de trabalho e repouso em Deus)... Essas coisas não se realizam na sombra e na noite, mas durante o dia e na luz, do sol da justiça. Pois quem ronca na noite do vício não pode conhecer a luz da contemplação”.
Noutra passagem ele se refere ao contemplativo do séc. XIII, XIV, Ruysbroeck;
“O homem interior entra em si de maneira simples, acima de toda atividade e de todos os valores, a fim de aplicar-se a um simples olhar no amor de fruição. Ali, encontra Deus sem intermediário. E, da unidade de Deus, penetra nele o brilho de uma luz simples. Essa luz simples demonstra ser treva, nudez e “nada”. Nessa escuridão, o homem é envolvido e mergulha num estado sem categorias, no qual se perde. Assim desnudado, toda consideração e distração em relação às coisas lhe escapam e ele se vê penetrado por uma luz simples. Nesse nada, ele vê todas as obras como inúteis, pois se encontra submerso pela atividade do imenso amor de Deus e, pela sua frutífera inclinação de seu Espírito, torna-se um só espírito com Deus”.
Poesia e Contemplação é um convite à compreensão da meditação. Nesta mesma obra Merton escreveu:
“A oração contemplativa é, de certo modo, simplesmente, a preferência pelo deserto, pelo vazio, pela pobreza. Alguém começa a conhecer o sentido da contemplação quando, intuitiva e espontaneamente, procura o caminho obscuro e desconhecido da aridez, de preferência a qualquer outro. O contemplativo é alguém que escolhe antes o não saber do que o saber. Antes não fruir do que fruir. Antes não ter provas de que Deus o ama. Aceita o amor de Deus na fé, num desafio a toda evidência aparente. Essa é a condição necessária – e uma condição muito paradoxal – para a experiência mística da realidade de Deus e de seu amor por nós. Somente quando somos capazes de “largar” tudo o que há dentro de nós, todo desejo de ver, de saber, de provar e de experimentar a presença de Deus, é que nos tornamos realmente capazes de ter a experiência dessa presença com a convicção e realidade avassaladoras que revolucionam nossa existência inteira”.
“A contemplação cristã não é algo de esotérico e perigoso (...). É o conhecimento de Deus na obscuridade do amor infuso (...). A contemplação infusa é um conhecimento quase experimental da bondade de Deus “saboreada” e “possuída” por meio de um contato vital nas profundezas de nosso ser. Por meio do amor infuso, nos é dado apreender, de maneira imediata, a própria substância de Deus. Repousamos, então, na percepção obscura e profunda de sua presença e de sua ação transcendentes dentro do mais íntimo do nosso interior. Assim, nos entregamos inteiramente à obra de seu Espírito transcendente”.
Em 1938, aos 23 anos, Thomas Merton conheceu, através de seu amigo Seymour, o monge Doutor Bramachari, originário da Índia, é o que relata em Montanha dos Sete Patamares (1947), onde faz referências a este monge: “eu buscava (...) e procurava um gênero de vida que tivesse Deus como centro, conforme a dele”. “Afinal, não deixava de ser um tanto irônico que eu me houvesse voltado, espontaneamente, para o oriente em minhas leituras e conhecesse um oriental. Ele nunca tentou explicar a crença religiosa da Índia”.

O interesse de Merton pelo misticismo da cultura oriental se deu a partir das leituras de Aldous Huxley, em especial, Meios e Fins. Antes de conhecer o monge Bramachari, Merton tinha particular sede de vida espiritual. Sua tese de conclusão na Universidade teve como título: A Natureza e a Arte em William Blake, um artista essencialmente místico. Para Merton a experiência artística, a mais alta, era de fato análoga à experiência mística.
Merton não se restringiu aos textos da Philokalia e às fórmulas hesicastas dos padres do Deserto, assim como a “Oração de Jesus”; procurou conhecer muitas técnicas de meditação das grandes tradições das culturas do Oriente. Em sua obra Reflexiones sobre Oriente – La filosofia oriental a la luz del misticismo occidental (textos de 1965 a 1968), nos relata sobre o taoísmo, o zen, o hinduismo, o sufismo e as variantes do budismo.
Em 4 de novembro de 1968, em sua viagem à Índia, teve uma audiência com o monge do Budismo Tibetano, Sua Santidade Dalai Lama, e escreveu; “Toda a conversa versou sobre religião, filosofia e, especialmente, sobre os caminhos da meditação”. Dias depois, menos de um mês de sua morte, foi ao eremitério do rimpoche Chatral; “o maior rimpoche que já conheci até hoje”. “Gostaria de estar mais com Chatral” (O Diário de Ásia, 1973). Depois de sua morte, em 10 de dezembro, Bancoc, as questões da meditação aparecem com presença constante em suas obras publicadas.
No ocidente a meditação, como experiência pelos cristãos, reiniciou-se, no mundo contemporâneo, provavelmente, através dos monges beneditinos, na França (outros?), com as aplicações práticas das disciplinas do Raja-Ioga à oração e à meditação. Isto se verifica nos textos da obra; O caminho do silêncio ou Ioga para cristãos, de J. M. Déchanet (terceira edição/1957) onde encontramos no capítulo “As fases da meditação silenciosa” a invocação “Veni, Domine. Vem, Senhor”. Obra que provavelmente Merton conheceu, e, o mesmo interesse se dando com as aberturas do Concílio Vaticano II. Conclui-se porque somente no início dos anos 60 é que ele começa a escrever a série de trabalhos referentes ao Oriente. Nos anos 50 muitas obras sobre meditação oriental foram publicadas na França. Em 1953, L’hésychasme, Yoga chrétien, em Yoga, science de l’homme integral – Cahiers du Sud, Paris.
Nos anos 60, Merton fez contatos pessoais e profundos com o filósofo e sábio, do Japão, Daisetz Suzuki, mestre do Zen Budismo, e escreveu; Zen e as aves de rapina (1968). Antes, em 1961, escreveu Místicos e Mestres Zen, e, em 1965 A via de Chuang Tzu (o grande filósofo e poeta chinês), e Gandhi, a não violência.
Para Merton a contemplação passiva não exclui as atenções para com a vida ativa, muito pelo contrário, maior é o amor responsável e profundo para com o seu próximo, onde devem estar presentes as preocupações para com o mundo e suas complexidades. Thomas Merton lutou de forma veemente contra as guerras, a violência, os preconceitos raciais, religiosos e quaisquer outros (desde os finais dos anos 50 passou a ter bons entendimentos com protestantes, anglicanos, judeus e mesmo ateus), e, se indignava diante das injustiças sociais e da vergonhosa exploração e violência para com as classes oprimidas. Sua obra Sementes de Destruição, 1964, é um grito de desespero e de advertência profética diante da alienação e das perversidades do mundo moderno.
Em Questões Abertas, 1960, sua expressão de amor ao próximo revela grande sensibilidade: “Onde não existe a possibilidade de um nível de vida decente, quando não há liberdade, justiça, educação na sociedade humana, como pode o Reino do amor ser nela edificado? (...). O Reino de Deus, não se compõe unicamente de grandes homens santos, é um organismo vivo, místico, constituído de homens comuns, com suas fraquezas, suas limitações, sua boa vontade, seus talentos, suas deficiências – tudo isso elevado e divinizado pelo Espírito Santo, de maneira a que o Cristo viva e se manifeste em cada um e em todos”.
Para Merton, por natureza, o contemplativo colabora efetiva e essencialmente com a humanização e a santificação do mundo, em silenciosa doação afetiva, em comunhão com o mistério de Deus. Intenso era o seu contato com as manifestações da Natureza, em plena observação amorosa. A experiência da meditação contemplativa, para ele, é um dom de Deus de se estar sendo no mundo. É uma entrega radical em silêncio. Os contemplativos “participam da crise e da tragédia que assola o mundo, mas que eles vêem e entendem de maneira inteiramente diferente do resto do mundo”. (...) “suas verdadeiras perspectivas são aquelas do Reino escatológico de Deus”. Merton sentia-se feliz por ser membro da raça humana, de ter no outro a humanidade de Jesus Cristo.

[Martha Pires Ferreira /Palestra - Meditação Cristã, 2006]
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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Flores do Bem - Solidão - Herbert Timm

SOLIDÃO

A solidão, não é o colóquio da criatura com o
recanto distante, onde somente chegam coisas do mal:
não é maneira exótica e pessoal de ser feliz, nem
uma ferida mortal.

A solidão é um portal, separando duas verdades, por
onde campeiam muitas outras a se sustentarem entre
si, unidas pela mesma terrível e vaga incógnita.

É algo que se respira...

Nela, que não é deserto, mas de nada carece,
a fórmula essencial de nada importa:
a configuração do amor é mera flor,
e Deus é tão puro que nem mesmo existe...

Herbert Timm, 1963 [ poeta ]

domingo, 13 de maio de 2007

Desenho / máquina


Este desenho de 1986 bico de pena /nanquim faz parte de uma série de maquininhas poéticas que venho criando ao longo da vida.
Arte é celebração. Pensamento e razão têm seus limites. Sentimento do coração e intuição completam o percurso para o Absoluto. Interioridade. Singularidade. Experiência pura. Tudo é um, totalidade sem fronteiras; ponto, linha, cor, infinito. O que a imaginação apreende como fogo criador, sopro, beleza é verdade. Além disso, nada sei.

sábado, 5 de maio de 2007

Astrologia, um instrumento para a Sabedoria

A sabedoria é inseparável do amor. Vivemos num mundo cheio de conhecimentos, mas ausente de sabedoria. Sabedoria não se aprende em livros nem se adquire em Universidades. Ela é fruto da própria experiência viva que é viver em todas as suas possibilidades, ou seja, a aceitação e compreensão de todos os nossos limites, defeitos e virtudes.

A Astrologia é um instrumento precioso para a nossa experiência de vida, arte de estar no mundo presente, aqui e agora.

O Horóscopo Natal, a Carta Natal, é a bússola com seus precisos sinais, repletos de simbologia, a nos oferecer a compreensão apurada de nós mesmos, possibilitando, assim, maior lucidez e consciência de nosso eu particular, que se estende para todo o coletivo, em contínuo movimento que evolui para o infinito.

Esta compreensão do nosso eu mais profundo nos possibilita de sermos tal qual somos. Ser tal qual se é em verdade e plenitude, é ser aquele que escolheu o caminho da sabedoria e, ao mesmo tempo, foi escolhido por ela com disponibilidade e amor à vida.

[ Martha Pires Ferreira / Boletim Informativo Nº 5 Agosto / 1981 SARJ - Sociedade dos Astrólogos do Rio de Janeiro ]