quinta-feira, 18 de junho de 2026

Poesia _ liberdade criativa em tempo

 
Bougainville, do jadim onde habito, junho 2026.

Vazio
 
Vazio contém tudo
tudo é vazio _
vazio repleto
de milhões vazios.
 
Vazios são milhões
cheios de tudo _
contemplo céu vazio
sem nada _ o grande
imenso vazio
contém tudo, tudo!                  
***
Do Amor
 
Caminhando ao Sol
olhar no verde da mata
_ paisagem longínqua da cidade
                meu vazio contemplativo.
 
Pedestres em passeio matinal,
Santa Teresa acolhedora;
              Bom dia!  
      _ sorriso silencioso.
Observando os cães plurais,
cuidadores constantes
      _ mais sorriso acolhedor.
 
“Amai-vos, uns aos outros,
                          como vos amei!”
_ a frase brilhou por dentro,
                 prosseguí.
***
Dor
 
Nada estingue a dor
dentro, calada indivisível.
 
Cabelo escovado,
semi-preso... escuro.
Leve e gracioso
vestido azul rodado,
sandália trançada
como tanto gostava!
 
Poemas, falas, sorriso
passo lento _ firme
nossas mãos trançadas
sonho vago; futuro
medo guardado,
olhar inquieto em mim.
 
Dissolução, impermanência!
Tudo se desfez, anseios
nossos, não mais, evaporou
restou... restou a dor
não mais sorriso, amor!
***
Distante aqui

Olhos serenos ardem
ao surgir longe na serra
espaço sem horizonte contínuo
fios da trama sequente.
 
Sem tecer a trama
transpassa fios de seda e
o olhar sagaz apreende
no orvalho o amanhecer
pousando nas flores do bougainville.
 
O distante é aqui livre, ousando
na paisagem dos fios de seda
perpassando a trama das flores.

                     Martha Pires Ferreira 

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