
Dra. Alice Marques dos Santos, Dra. Nise e eu, Martha, 1993.
Delicada, pequena flor, suave gesto
_ dedos de agulha dançam no ar destemidos,
afoita ousadia na travessia!
Felino olhar invade o dentro recanto
do outro _ penetra segredo na caixa vital
apreende, dispensa chave.
Loquaz instante é chama... engendra
espaço único; acolhimento
despossuído, marginalizado,
hibernado, desqualificado, destroçado
na secura; Nise é pura emoção de lidar!
Mãos revelam interioridade, expressão
verbal, escrita e estímulo à imagem criadora
_ clientes, amizades, seu entorno!
Semente para plantar _ nova fonte de vida!
Liberdade tocando a existência; desafio
vence estreiteza... frieza, barbárie
_ compassiva à ternura dos frágeis.
Altiva espadachim corta obstáculo na base
intempérie em torpe intensão.
Machadiana, áspero repúdio, ecoa seca:
“Servi de agulha a muita linha ordinária!”
Aguadeira celeste; o servir é doar-se inteira
sem exclusão, sem fronteira.
Companhia ao silêncio das gatas e gatos
_ sábios mestres entre livros e papeis.
Prazer... sacrário íntimo_ refinado humor
à mesa; tardes com chá importado, torrada,
marrom-glacê ou pamonha nordestina
_ fraterna troca; alegria em fiel acolhimento.
Intuição vence a fria racionalidade
_ a morte extensão; reflexão profunda;
completude numinosa _ o tudo é pouco!
Imensidão do espaço; sede de infinito
_ o intransponível ecoa eternidade, mistério!
Delicada, pequena flor, penetrante olhar.
Fonte de vida, encantamento!
Martha Pires Ferreira
Nise da Silveira _ 15/fevereiro/2026
Hoje, seria Aniver da grande Mestra; Nise da Silveira (1905-1999)
Minha mãe, Henriqueta Sanmartin
Pires Ferreira (1906-1984), me deu a vida, dedicação e exemplar dignidade
educacional, meu DNA artístico.
Nise Magalhães da Silveira (1905-1999)
foi a mentora intelectual, inteligência espacial, cósmica, mestra abrangendo os
recantos do senso coletivo, as dimensões do outro ferido. Acompanhou por anos o
meu processo de individuação profunda.
Duas grandes Mulheres, eternamente,
em meu coração!!
Aqui postando sobre Dra. Nise/
como gostava de chamá-la, lembrando seu aniversário. Passávamos juntas, por
anos, o 15 de fevereiro! Ela é minha
prima 9º, do lado materno, Dona Nazinha...neta de Pires Ferreira, Pernambuco (ver
Mística do Parentesco). Isto é outra bela história! São muitas as histórias em torno do universo NISE!





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