terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Vislumbre ao Absoluto _ dezembro, 2025










Formas no espaço - detalhe, 2013. 

Vislumbre ao Absoluto 

Não existimos, apenas, por amor à vida que vivemos, decorrer dos dias, dos anos (natureza sensorial, intelectual, política ou religiosa), vivemos para a plenitude, anseio do mais absoluto que denominamos Brahma, Deus, Tao, Essência pura, Desconhecimento.

Nossa ação quotidiana visa a unicidade, a grandeza de toda a criação. Não há divisão: vida física, a matéria concreta e a existência, o intuir, apreender, ideias, emoções _ uma só realidade. A vida existe não, apenas, para ser vivida com dignidade, simplesmente por amor a própria vida, mas por um anseio maior inexplicável, abissal, que nos envolve inteira; nos conduz a compreensão do todo absoluto.

Tomamos consciência do nosso eu pessoal, do outro e outros que nos envolvem; familiares e amizades, os outros em geral que nos cercam. Apreendemos ser uma parcela ínfima do universo, inseridos ao Todo criador que transcende ao entendimento formal. E concluímos por amor à vida, à toda a natureza criada, que o indizível, energia criadora, está escondido no interior da matéria. Basta contemplarmos uma simples pedra, flor, um fruto, uma árvore; em cada uma delas o desconhecido mistério da existência está contido.

Importante mergulhar no que está escondido no coração da matéria, liberar a Anima Mundi (alma do mundo!). Descobrir a beleza imanente é tocar o transcendente, união criadora por convergência. Sem divisão apreendemos, pelo amor, sensibilidade, a compreensão intuitiva da perfeição do todo dentro de cada ser, manifestação existente. A perfeição do todo está inserida na multiplicidade e diferenciação das partes.

Insisto. Somos parcela da manifestação criadora que tudo gera. Na matéria vivemos e é através dela que tomamos consciência da presença do todo. Somos invadidos pelo anseio de total pertencimento à fonte primordial da existência. A entrega sem defesas nesta intuição, percepção, nos faz por consciência saber o quanto já somos parte do absoluto, um dia a ser alcançado, em verdade e vislumbramento.

Sim, vivemos no mundo maia, da matéria densa; cuidados a cada dia aos fazeres que a vida humana nos impõem. Somos realidade em sentir e viver o eu, o meu, os outros se fundindo no desejo de querer algo maior.

Cada elemento palpável, cada gesto vivido, cada objeto presente é fonte de plenitude. Porta que se abre ao horizonte, em evolução constante, aqui neste mundo que habitamos _ o lá, eterno, já pousa aqui em presença. A chave! Temos uma chave que aciona o abrir portas desconhecidas. A chave é o processo de depuro constante pela Amorização incondicional. Só pelo Afeto gratuito, despojado do eu centralizador que somos tomados, embebidos, do pertencimento ao Absoluto. Grande Mistério insondável, incognoscível, que nos envolve no silêncio do vazio que tudo contém,  “união criadora” como procurou nos mostrar Teilhard de Chardin.                           

A evolução espiritual da Terra, segundo Teilhard de Chardin, se orienta em direção ao Ápice, para o qual tudo converge, cujo termo não será outro senão “O Êxtase em Deus”. Sua visão de mundo não é fechada e fixa. Não é um quadro definitivo de verdade, mas um feixe de eixo de progressão de todo o sistema em evolução que não se esgota, que se aperfeiçoa. Não se trata de um esgotamento da Verdade - mas explorações, penetrações diante de nossos olhos, uma imensidão do Real que ainda não foi explorada.

                                Martha Pires Ferreira __  

Manhã, caminhada em dezembro de 2025. 

Uma breve observação que fiz a um amigo que se diz, se coloca “ateu”.  Ser "ateu" é uma palavra vaga (que nega algo, que nem sabe bem), uma posição intelectual que contrapõe outra ideia (em geral a um criador e/ou a vida eterna). // Dizer-se “ateu” contrapõe ao que denomino Criação/Amor unicidade plena. O Amar em plenitude não tem posição lógica, conceito formal, é uma entrega intuitiva ao Tudo indivisível. O Amor Incondicional engloba quem tem ou quem não tem posição definida. Amar em plenitude carece de dúvida por ser, apenas, AMOR __ potência existencial naquele, naquela, que Ama.

Trata-se de referência ao Amor Incondicional, sem lógica, sem raciocínio _ pura gratuidade (independente de se ter ou não ter fé religiosa, acreditar em “algo”). O amor absoluto que nos une como seres humanos, com toda a natureza em geral, engloba todas as realidades que nos diferencia. É ao Amor absoluto que nos faz afirmar que Tudo é Amor. Assim como nossa respiração se faz no elemento Ar (no Todo), o Tudo está em nós _ Ar/ Prana.

O que se conclui; sempre é complexo alguém dizer que é “ateu”, não acreditar no Amor, no Amor primordial, ao qual podemos dar inúmeras denominações profundas e precisas - Amor a partir da matéria. Cabe a cada grupo humano, formal, denominar como desejar. O Amor que nos envolve está em toda parte e em parte alguma, é indivisível – é puro Desconhecimento.

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___ Postagem Martha Pires Ferreira

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