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quinta-feira, 12 de abril de 2007

Flores do Bem

ANTÔNIO CARLOS HARRES


[ Astrólogo, poeta, produtor cultural ]

Escuto. A água escorre lenta em medievas vielas. Não tenho receio. As horas há muito são mortas. Não choro. Varro as folhas com letras. Escrevo. Em papéis ou paredes. Num fio de cabelo. Novelas, asneiras. Qualquer uma de ti já me serve. Escuto, repito. Desejo o vale oculto. À sombra das ancas. Sim, adoeço. Deixo o que já me esquece. É perto. Apresso o passo. No sonho há uma ponte. É vero, é velha, de estrada de ferro. Vermelho-ferrugem. Nervosos meus dedos tateiam rebites. Os dois, par de trilhos. Paralelos em camas, dormentes. Crucificados em cravos. Sujeitos aos leitos. Já quase não terço mais armas. Revejo teus olhos. São terras tão altas. Ou afros basaltos do Rio.

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Um comentário:

Deni disse...

que maravilha!!!!
a alma agradece esta doce tarde de domingo aqui prazenteira! faz-me sorrir!
denise